quinta-feira, 14 de junho de 2012

MARÃIWATSÉDÉ: O POVO XAVANTE NÃO PODE ESPERAR MAIS 20 ANOS

TERRA DOS XAVANTES
http://maraiwatsede.wordpress.com/2012/05/30/maraiwatsede-o-povo-xavante-nao-pode-esperar-mais-20-anos/


MARÃIWATSÉDÉ: O POVO XAVANTE NÃO PODE ESPERAR MAIS 20 ANOS

Foto: Adriano Gambarini/OPAN
Povo Xavante irá à Rio+20 para cobrar compromisso do Brasil na Rio92: devolução da terra Marãiwatsédé, invadida e devastada por fazendeiros nas bacias do Xingu e do Araguaia (MT).
Em 2012, as promessas para devolução do território tradicional do povo indígena Xavante de Marãiwatsédé completam duas décadas. Durante a Rio92, a direção da empresa italiana Agip Petroli, que tinha comprado um latifúndio dentro do território indígena, prometeu, por pressão internacional, devolver a área aos seus verdadeiros e legítimos donos.
Mas, 20 anos depois, os indígenas são constantemente ameaçados de morte, vivem sitiados em uma parcela devastada e diminuta de seu território, no qual só conseguiram entrar depois de pressionarem durante 10 meses à beira da estrada. Eles enfrentam problemas de segurança alimentar, e têm serviços públicos como apoio à educação e à saúde boicotados pelas autoridades locais. Ainda assim, encontram forças para lutar pelo direito de viver em sua terra e promover importantes manifestações culturais reafirmando a autonomia do povo Xavante.
“Nós vamos participar da Rio+20 para fazer cobrança do governo federal e de estrangeiros, e buscar apoio. O Brasil está brincando com os povos indígenas. Várias etnias foram prejudicadas, foram matando os povos indígenas, reduzindo suas áreas. Hoje a Justiça só está trabalhando através do dinheiro. Por isso nada acontece, não tiram o posseiro, não tiram o fazendeiro. É uma vergonha. Nosso país, nossa justiça. Porque tudo é muito lento. Por isso no mês que vem vamos cobrar duro, vamos pressionar”, avisa o cacique Damião Paridzané, da Terra Indígena Marãiwatsédé.

FUNCIONÁRIOS DO MMA DENUNCIAM SITUAÇÃO GRAVE DE DESMONTE DA GESTÃO AMBIENTAL

TOTAL APOIO AO MANIFESTO DOS FUNCIONÁRIOS!!!
MORALIZAÇÃO SOCIOAMBIENTAL JÁ!!!


FUNCIONÁRIOS DO MMA DENUNCIAM SITUAÇÃO GRAVE DE DESMONTE DA GESTÃO AMBIENTAL, INCLUSIVE DE ASSÉDIO MORAL NOS LICENCIAMENTOS

I- Carta Aberta do V Congresso de Servidores Federais da Carreira de Especialistas em Meio Ambiente

http://asibamanacional.org.br/site/images/stories/carta_aberta_final.pdf

Os Servidores Públicos Federais da Área Ambiental, lotados no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e no Ministério do Meio Ambiente (MMA), das 27 Unidades Federadas do País, reunidos no V Congresso da ASIBAMA NACIONAL, realizado de 29 de maio a 1º de junho na cidade do Rio de Janeiro, manifestam através deste documento sua posição contrária à fragilização dos mecanismos de conservação da sociobiodiversidade e geodiversidade brasileira frente ao modelo econômico de mercantilização da natureza.

Os propósitos dessa politica econômica em curso ferem direitos constitucionais conquistados nas lutas socais de defesa do bem comum e se manifestam por meio de decisões unilaterais do Poder Executivo e Legislativo, que comprometem a atuação do Estado Brasileiro na gestão ambiental pública, tais como:

1) A desestruturação dos órgãos de gestão ambiental federal no país, que se iniciou com a quebra da unicidade, a partir da criação da Agência Nacional das Águas, do Serviço Florestal Brasileiro e culminou com a divisão do IBAMA. A falta de estrutura e número reduzido de servidores para as ações finalísticas de conservação do meio ambiente vem se agravando com o fechamento de unidades do IBAMA, sobretudo na Amazônia e áreas de fronteira, sem critérios ou avaliação quanto à necessidade de manutenção destas unidades para a execução da Política Nacional de Meio Ambiente.

2) A Lei Complementar nº 140/2011, sob a ?roupagem? de regulamentação do Art. 23 da Constituição Federal, retirou as atribuições da União, especialmente do Ibama, impedindo-o de fiscalizar empreendimentos licenciados pelos órgãos municipais e estaduais, contrariando o Artigo 225 da Constituição Federal e transferindo responsabilidades, sem avaliação prévia quanto às condições destes órgãos para atuarem no licenciamento, controle e monitoramento ambiental. A situação é tão grave que a Asibama Nacional ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4757) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

3) A redução da área de unidades de conservação na Amazônia, através de Medida Provisória, em locais classificados pelo MMA como de prioridade extremamente alta para a conservação da biodiversidade, ainda pouco conhecidos pela ciência, à revelia da Constituição e com objetivo de abrigar reservatórios de usinas hidrelétricas ainda não licenciadas.

4) A revogação do Código Florestal Brasileiro através da Lei 12.651/2012 que, além de retroceder em relação à proteção das florestas, da água, da agricultura sustentável e de toda a sociobiodiversidade, traz a absolvição àqueles que desmataram ilegalmente após a instituição da Lei 9605/1998 (Lei da Vida ou dos Crimes Ambientais), reforçando a crença de que o crime cometido hoje será eximido de punição amanhã. Também, aqueles que foram conduzidos à irregularidade pela carência de um trabalho informativo e educativo, são tratados igualmente àqueles que agiram de má fé.

5) As péssimas condições de trabalho às quais os servidores públicos federais da área ambiental são submetidos, com crescentes reduções orçamentárias destinada ao MMA e suas vinculadas, refletindo na deterioração da estrutura física e equipamentos, além da desvalorização e descaso com a Carreira de Especialista em Meio Ambiente frente a outras categorias do Serviço Público Federal. Na iminência da comemoração do Dia Nacional do Meio Ambiente e da realização da Conferência Rio+20, cujas discussões anunciam propostas (in)capazes de conciliar os objetivos econômicos com os direitos sociais ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, e, diante das situações acima expostas, os servidores públicos federais da área ambiental comunicam que estão mobilizados e em vigília pelo cumprimento ao Artigo 225 da Constituição Federal, contra o desmonte da gestão ambiental federal e pela valorização da Carreira de Especialista em Meio Ambiente.

Rio de Janeiro, 1º de junho de 2012
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II- MANIFESTO PRESSÕES DE LICENCIAMENTO

http://asibamanacional.org.br/site/images/stories/file/Mo%C3%A7%C3%B5es%20e%20Manifesto%20V%20Congresso.pdf

Nós, servidores do IBAMA, ICMBio e MMA, queremos DENUNCIAR a pressão que estamos sofrendo diariamente em nosso cotidiano frente à política de aprovação desenfreada de grandes projetos em nosso país.

Estamos vivendo um momento crucial na área ambiental. Visando o avanço desses grandes projetos e do agronegócio, diversas leis ambientais estão sendo modificadas e aprovadas sem ampla discussão e sem embasamento científico, com interesses puramente econômicos, sem considerar de fato a questão socioambiental. O avanço do capital em detrimento dos aspectos socioambientais está ocorrendo numa velocidade sem precedentes e assistimos a isso percebendo, infelizmente, a passividade dos que dirigem nossos órgãos.

Dentro desse contexto, nós, que trabalhamos diretamente com a análise técnica desses processos, com fiscalização, e com a gestão de áreas protegidas impactadas por eles, estamos vivendo uma situação de assédio moral e falta de autonomia para atuarmos como se deve, com critérios técnicos e defendendo os interesses da sociedade.

O Programa de Aceleração do Crescimento ? PAC, articulado com a Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sul Americana ? IIRSA, chegou trazendo inúmeros projetos de infra-estrutura por todo o país e, juntamente com ele, a obrigatoriedade da emissão de licenças ambientais que validem tais obras em prazos mínimos. Sem a real estrutura e tempo suficiente para análises adequadas, o servidor se vê sem os instrumentos necessários para a tomada de decisões sérias, que envolvem manutenção e preservação da fauna, flora, populações tradicionais...vidas.

Além de todos esses problemas estruturais e técnicos, soma-se a pressão de: alterar pareceres, diminuir e retirar condicionantes de licenças, evitar vistorias e autuações, e diversas violações ao bom e devido cumprimento do exercício legal de nossas atribuições. Por fim, é recorrente que os gestores desconsiderem recomendações dos técnicos e adotem posturas e decisões contrárias. Situação gravíssima que se tornou cotidiana, embora até este momento, velada.

Discutimos exaustivamente esta realidade no V congresso da ASIBAMA NACIONAL, que ocorreu em maio deste ano, no Rio de Janeiro, cidade que abrigará a Rio +20 e a Cúpula dos Povos, eventos em contraposição.
Representantes de todas as unidades da federação brasileira estiveram presentes no congresso e o que se ouviu dos servidores de todos os órgãos citados foi muito semelhante, demonstrando que não são casos isolados.
Questionamos a atuação da cooperação internacional no Ministério do Meio Ambiente e a forma como os organismos internacionais interferem na gestão do órgão. Também apontamos a direção privatista que o MMA vem assumindo, esvaziando agendas de participação e controle social e estreitando laços com o setor privado, o que contraria o interesse público que o órgão deve defender.

Portanto, decidimos não mais calar diante de tais absurdos, e revelar a todo o país, neste momento em que ele está no foco da questão ambiental, qual é a realidade que vivemos: desvalorização completa, falta de recursos e constante pressão para validar um projeto político e econômico, que mascarado de desenvolvimento e de economia verde, distribui, de forma injusta, mais degradação e desastres ambientais. Pedimos o apoio de todos aqueles que temem pelo retrocesso ambiental pelo qual estamos passando, para que juntos possamos realmente contribuir com o Brasil, esse país que é formado por pessoas, matas, animais, rios, e inúmeras riquezas naturais que merecem ser defendidas.
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III - Manifesto dos Servidores Públicos Federais da Área Ambiental frente à
revogação do Código Florestal Brasileiro

http://asibamanacional.org.br/site/images/stories/manifesto_cfb.pdf

Apesar do grande alarde do governo ao declarar os vetos à Lei 12.651/2012, que revogou o Código Florestal (Lei 4771/1965), bem como a edição da MP 571/2012, no último dia 25/05, através de coletiva dos ministros, o ato não passou de engodo, com várias declarações falsas à sociedade brasileira e internacional, às vésperas da Rio+20. Mesmo declarando com veemência que o governo não aceitaria a anistia a quem desmatou ilegalmente, a Lei sancionada e a MP publicada estão recheadas de dispositivos que GARANTEM a anistia aos desmatadores, tanto pela suspensão das multas emitidas até 2008 quanto pela extrema flexibilização da obrigatoriedade de recomposição das áreas desmatadas ilegalmente. Em muitos casos os proprietários não precisarão recompor ou poderão recompor as APPs com plantas exóticas, inclusive eucalipto, às margens dos rios e nascentes.

A definição de ?leito regular? dos rios (artigo 3°), presente na Lei, é tão vaga que permite inclusive, a interpretação de que os rios intermitentes, que não correm o ano todo, não precisam ter APPs em suas margens.
A extensão do tratamento dado aos pequenos produtores rurais familiares a
todos os proprietários de terras com até quatro módulos fiscais, incluindo a dispensa da reserva legal, é extremamente danoso, pois, como o próprio governo tem divulgado, 90% das propriedades do país possuem até quatro módulos. Para piorar, já há uma corrida aos cartórios com pedido de fracionamento de propriedades, desde a publicação do relatório do Deputado Aldo Rebelo em 2010.
Em resumo, a Lei aprovada, complementada pela MP, é de grande complexidade técnica, cheia de exceções e com muitas recomendações vagas, o que praticamente inviabiliza seu controle e fiscalização pelos estados e municípios.
Lembrando que, a partir da Lei Complementar 140 as atribuições de fiscalização da União, especialmente do Ibama, foram muito reduzidas. Para tentar amenizar a situação caótica criada, o artigo 82 do novo Código Florestal permite que instituições públicas sejam criadas, adequadas ou reformuladas nos próximos seis meses, sem necessidade de edição de leis e contratando funcionários sem concurso público, afrontando os princípios constitucionais.

Frente ao exposto, os Servidores Federais da Carreira de Especialista em Meio Ambiente, lotados no MMA, Ibama e Instituto Chico Mendes, repudiam a nova Lei que revogou o Código Florestal e denunciam a interpretação enganosa que o governo federal vem divulgando.

V Congresso da Asibama Nacional
Rio de Janeiro, 1º de junho de 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Os Riscos da Obtusidade dos Rumos da Economia Brasileira

ecodebate
http://www.ecodebate.com.br/2012/06/13/os-riscos-da-obtusidade-dos-rumos-da-economia-brasileira-artigo-de-celso-sanchez/


Os Riscos da Obtusidade dos Rumos da Economia Brasileira

artigo de Celso Sánchez


Publicado em junho 13, 2012 por 
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Os Riscos da Obtusidade dos Rumos da Economia Brasileira
Imagem: Corbis/Charles Waller


OS RISCOS DA OBTUSIDADE DOS RUMOS DA ECONOMIA BRASILEIRA OU INSPIRAÇÕES A PARTIR DE UM ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA.

[EcoDebate] É consenso que as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, realizadas pelo governo foram otimistas demais. A expectativa inicial de desempenho da economia brasileira, em torno de 4% no início do ano, foi revista para baixo a partir dos frustrantes números do PIB no primeiro trimestre. O ministro Mantega em entrevista a Reuters diz que o PIB: “deve ter registrado expansão de apenas 0,3 a 0,5% entre janeiro e março passados quando comparado com o quarto trimestre. O pior cenário mostraria que a atividade não acelerou, já que entre outubro e dezembro, a expansão foi de 0,3%.”(http://economia.ig.com.br/2012-05-28/mantega-pib-cresceu-03-a-05-no-1-trimestre-mas-ja-acelera.html).

Diante do tenebroso cenário externo, com uma tragédia homérica a caminho, e do risco de se ter que diminuir ainda mais as projeções de crescimento da economia, para perigosos patamares de menos de 2%, não houve dúvidas: a solução seria estimular o setor privado e o consumo. Assim, com medidas de estímulo ao crédito e abrindo mão de impostos, em particular o IPI dos automóveis, anunciadas pelo governo, acredita-se que se podem “matar dois coelhos com uma cajadada”: esvaziar os lotados pátios das montadoras e garantir um “certo crescimento” dentro ou próximo das metas estipuladas por “eles”. A medida, no entanto, não agrada nem aos empresários da FIESP, nem analistas como Mendonça de Barros, que criticou a medida em entrevista ao “O GLOBO” deste domingo, 3 de junho de 2012, o ano em que o mundo vai acabar, pelo menos no Mediterrâneo e suas Ilhas Gregas.. Para o ex-primeiro escalão do ministério da fazenda e hoje consultor de (algumas) empresas, a medida é uma repetição de uma “mágica do passado” que mascara o crescimento, recalcando suas fragilidades. Para Mendonça de Barros, aumentar o consumo esbarra no endividamento das famílias brasileiras. Através de pesquisa realizada por sua firma com 55 mil pessoas, usando dados do IBGE, em sua Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2009, mais de 10 milhões de famílias em todo país já comprometeram mais de 30% de sua renda com prestações.

Numa primeira leitura superficial, achei que essas dívidas eram com a Caixa Econômica Federal, Casas Bahia e… carros…além do Ricardo, é claro. Mas os dados me mostrariam que eu estava enganado, segundo a pesquisa do IBGE:

“Em 2008/ 2009, as despesas correntes, que são os gastos cotidianos das famílias, representavam 92,1% da despesa total média mensal, ou o equivalente a R$ 2.419,77. A maior parte desse valor se referia às despesas de consumo - com alimentação, moradia, educação, transportes, entre outros -, que somavam em média R$ 2.134,77 (81,3% da despesa total). As outras despesas correntes (impostos, contribuições trabalhistas, pensões, mesadas, doações etc.) consumiam em média, por mês, R$ 285 (10,9% do total).http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1648&id_pagina=1

Ou seja, o endividamento é com comida, educação, habitação, impostos e transporte para ir trabalhar. Diante dos dados e da percepção acurada das demandas do povo brasileiro, a proposta do governo foi óbvia: aumentar o consumo de carros. Uma proposta sintomática de uma visão completamente obtusa da realidade das famílias brasileiras. Em outras palavras, como diria H.G. Weels, em terra de cegos, não necessariamente quem tem um olho é rei.

Várias questões me vêm indelevelmente à tona: Por que incentivar a redução de impostos sobre empresas e não sobre os cidadãos que tem parte de significativa de seu orçamento comprometida com tributos? O que as montadoras têm que eu e você não temos? Argumentos como: ah! É que eles geram empregos, não colam, pois hoje há mais gente empregada no setor de serviços para a classe média que nas montadoras. Outro argumento do tipo: ah! Eles geram impostos! Também não cola, pois as maiores contribuições tributárias vêm das pessoas e não deste setor em particular. O próprio IPEA (Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada) diz:

“Os 10% mais ricos concentram 75% da riqueza do país. Para agravar ainda mais o quadro da desigualdade brasileira, os pobres pagam mais impostos que os ricos… os 10% mais pobres do país comprometem 33% de seus rendimentos em impostos, enquanto que os 10% mais ricos pagam 23% em impostos.”.http://www.ipea.gov.br/005/00502001.jsp?ttCD_CHAVE=382.

Então sinceramente eu não entendo essa lógica, a não ser pelos argumentos políticos do tipo: ah! É que eles, as montadoras, financiam nossas campanhas eleitorais, aí sim tudo bem, eu entendo.

Eu gostaria de perguntar a consultoria de Mendonça de Barros e de outros sábios que conhecem o governo por dentro e hoje ajudam as empresas a crescer e desenvolver o Brasil: qual seria o impacto de abrir mão de impostos em saúde e educação? Em educação, por exemplo, permitindo ao contribuinte abater todo o valor pago com cursos e formação profissional? Qual poderia ser o impacto na economia, no PIB, no curto, médio e longo prazos se abríssemos mão dos impostos de importações de máquinas e instrumentos para a pesquisa, inclusive nas microempresas e coopertativas de trabalhadores?

Não sou de nenhuma consultoria, mas será que essas medidas simples, em particular sobre o imposto de renda sobre pessoa física, não desafogaria, mesmos que só um pouco, o endividamento da população?

Enquanto isso, avançamos no mundo real, objetivo e pragmático, o mundo patriarcal, judaico-cristão, branco-urbano dos grandes pensadores da economia brasileira. Vamos incentivar gente endividada a se endividar mais, comprando carros para fazer o país crescer, vamos ser realistas e objetivos e não ver que na sexta feira, dia 1 de junho, havia 205 km de congestionamento recorde em São Paulo.

As bem intencionadas montadoras, pessoas de fato comprometidas com a educação e com o desenvolvimento deste país, já percebem a inviabilidade do sistema.

Ernesto Cavasin, atualmetne Board Member at ABEMC – Brazilian Carbon Market Associations segundo seu linked-in, consultado em 3 de junho de 2012, comenta, em entrevista a Tadeu Breda da Rede Brasil Atual, que não adianta impedir a produção de automóveis e “elogia a recente desoneração fiscal concedida pelo governo federal à compra de veículos. O problema da mobilidade descansa sobre a infraestrutura e o sistema de transportes públicos, que devem ser melhorados independentemente do desempenho da indústria automobilística. ”http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2012/06/montadoras-deixarao-de-vender-carros-para-vender-mobilidade-diz-analista

Ou seja, as indústrias podem continuar produzindo cada vez mais carros, desde que haja transporte público e mobilidade para as pessoas, ou seja, podemos continuar sendo do jeito que somos desde que o governo garanta a mobilidade urbana. Como? Eu também não entendi. Para o especialista em mercado de carbono, uma espécie de ambientalista de mercado, quando perguntado se a redução IPI dos carros não iria deixar o trânsito ainda mais caótico a resposta foi:

“Com mais carros, há mais problemas. Mas a questão principal é a infraestrutura. O que o governo está fazendo ao reduzir o IPI é estimular a economia, e com a economia estimulada você consegue recursos para melhor executar políticas públicas. A mobilidade urbana é resultado de melhores estrutura viária e transporte público. Não adianta achar que a solução é diminuir ou restringir o acesso da população ao carro. Isso é tampar o sol com a peneira”http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2012/06/montadoras-deixarao-de-vender-carros-para-vender-mobilidade-diz-analista

Ou seja, não tem problema as pessoas se endividarem ainda mais e comprarem mais e mais carros, se elas conseguirem ir pra lá e pra cá com o transporte público, a infraestrutura e a mobilidade urbana que o governo der. Tudo para manter tudo como está. Incrível como a psicanálise é útil para revelar atos falhos: quem está tapando o sol com a peneira? Questões de coerência textual, semântica e psicanalítica a parte, o fato é que levantamento feito pelo DENATRAM e divulgado em 10 de fevereiro de 2011 constata que “O total de veículos no país mais que dobrou nos últimos dez anos e atingiu 64,8 milhões em dezembro de 2010” http://g1.globo.com/carros/noticia/2011/02/frota-de-veiculos-cresce-119-em-dez-anos-no-brasil-aponta-denatran.html.

Afora os impactos socioambientais da produção ao uso dos automóveis, o que me inquieta mesmo é o deslocamento da questão socioambiental para debaixo do tapete, ela fica como um apêndice à discussão sobre desenvolvimento do país, secundária. O problema é que ela está virando uma apendicite.

Um aspecto importante é pensar esses impactos socioambientais em termos de emissão de carbono, mas um outro ponto urgente sobre o “aquecimento” do consumo de automóveis vêm de imediato sobre um drama da vida urbana contemporânea. Transitabilidade, algo que influi diretamente sobre a qualidade de vida das pessoas reais, endividas e sobre as quais repousa a expectativa de aquecimento da economia brasileira. Para mim, modesto ser real e endividado de carro quitado, no estilo “ é velho , mas e meu” a conta do PIB é loucura, é esquizofrênica e cega. Tenho minhas dúvidas sobre o que esta equação, de fato, mensura.

Acho que precisamos pensar em outro modelo de avaliação da nossa riqueza, crescimento e desenvolvimento, baseados em critérios outros. Pensar em desenvolver a infraestrutura para a perpetuação desse modelo é um erro histórico, mais que nunca, está claro que o verdadeiro desenvolvimento do país está num profundo aumento de infraestrutura sim, da escuta do que o povo brasileiro de fato reclama. Nesse sentido, não precisa fazer muito esforço e ver que precisamos de educação, saúde, cultura, lazer, paz, felicidade e como diz a Constituição Federal no artigo 225 de: “meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida”.

Ampliar a educação, mas educação de qualidade, estimular o consumo sim, mas o consumo de produtos culturais, de lazer é o que de fato podem tirar o endividamento das pessoas e melhorar a qualidade de vida, possibilitando uma vida plena, com consequências para a economia, agregando valor aos nossos produtos, principalmente, valor humano, indo para além do economicismo linear e retrógrado, pensar que podemos ser felizes, mesmo que isso se dê em um cenário de queda ou de crescimento modesto do PIB.

Os indicadores, me parece, devem ser outros. O que eu enxergo a essa altura é que é fundamental trazer a educação e a questão socioambiental para a centralidade dos debates em desenvolvimento do país. Chega de ser refém dessa economia obtusa, estreita e cega. Como diz o ditado, o pior cego é aquele que não quer ver. Por que será que eles não querem ver essa realidade tão escancarada?

Celso Sánchez, Biólogo, Prof. Adjunto II da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

EcoDebate, 13/06/2012

[ O conteúdo do EcoDebate é “Copyleft”, podendo ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, ao Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]



IHU
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/510341-rio20-o-que-se-pode-esperar-


Rio+20: O que se pode esperar?

“Isso que está sendo denominado ‘economia verde’ não passa de novo sacrifício de vidas, de novo sangue exigido pelo ídolo capital financeiro - sangue de humanos, de animais, de aves, de peixes, de todo tipo de ser vivo”.
O comentário é de Ivo Poletto, assessor do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social.

Eis o artigo.

Acabo de ler texto em que está citada entrevista de Joseph Siglitz sobre o socorro da União Europeia à Espanha. Ele é taxativo: isso não funcionou até agora e não vai funcionar. O que se aprofundará é a dependência do Estado em relação aos bancos privados, já que os Estados repassarão algo em torno de 200 bilhões aos bancos, e os bancos suprirão as necessidades do Estado espanhol para enfrentar sua crise de endividamento. Em princípio, os bancos e o Estado ficarão mais endividados, e isso levanta a dúvida: de onde virão os recursos para enfrentar esse endividamento?

A crise europeia revela com a claridade do sol o que significa as sociedades humanas ficarem sob o domínio do capital financeiro. Já lembrava Karl Marx no século XIX: ele é como o ídolo que só se satisfaz com sangue humano. De fato, uma vez aceito que a concentração econômico-financeira capitalista é algo intocável, por ser desenvolvimento natural, só resta sacrificar a fonte da riqueza: o trabalho humano. Vale tudo para satisfazer a volúpia do dominador: crescente desemprego, diminuição do salário, corte das aposentadorias, privatização da educação, da saúde... E agora, através da Rio+20, vale também repassar ao dominador os bens naturais, os serviços ambientais prestados por eles, tornando-os novas commodities e novos créditos especulativos...

Em outras palavras: mantido o mantra de que não se pode nem deve questionar o sistema capitalista dominante - como deixou claro também a presidente Dilma Rousseff em Porto Alegre, no Fórum Social Temático realizado em janeiro deste ano -, a Rio+20 só agravará a crise que afeta toda a humanidade. E provavelmente o fará entregando ao grande capital o que é, até agora, bem comum dos Povos e da humanidade, disfarçando o processo de repasse como algo "verde", algo favorável ao "desenvolvimento sustentável". Isso que está sendo denominado "economia verde" não passa de novo sacrifício de vidas, de novo sangue exigido pelo ídolo capital financeiro - sangue de humanos, de animais, de aves, de peixes, de todo tipo de ser vivo.

Por isso, o espaço em que pode desabrochar a esperança nos dias da Rio+20 é o da Cúpula dos Povos. Autoconvocada pelos Povos e Movimentos sociais que a realizam, não tem a força dos Estados submetidos aos interesses do capitalismo dominante, mas tem a força da legitimidade democrática, e seu poder se assenta nas práticas alternativas, não predadoras, não envenenadoras, não promotoras da exploração do trabalho e da natureza; práticas demonstrativas de que já é possível produzir os bens e organizar os serviços necessários a uma vida digna para todas as pessoas em cooperação e harmonia com a Terra. Sua contribuição à história da espécie humana no planeta Terra será desencadear um processo de mobilização cidadã mundial capaz de banir da vida e das metes das pessoas, por absurda, a dominação capitalista.

O desafio, para todos os participantes da Cúpula dos Povos, e esse: seremos capazes de dar este passo absolutamente necessário para a humanidade? 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Rio+20: Só 4 de 90 metas ambientais têm avanço

CARTA MAIOR
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20317&boletim_id=1226&componente_id=19814


Meio Ambiente| 11/06/2012 | Copyleft 

Rio+20: Só 4 de 90 metas ambientais têm avanço

Apenas quatro dos 90 objetivos ambientais mais importantes acertados nos últimos 40 anos tiveram avanços significativos. O número é inferior ao de objetivos que tiveram retrocesso: oito no total. Outros 40 registraram poucos avanços e 24 praticamente não apresentaram nenhum progresso. Além disso, 14 não puderam ser avaliados devido à falta de dados mensuráveis. As informações são da quinta edição do relatório Panorama Ambiental Global, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

No momento em que o mundo negocia um novo acordo sobre desenvolvimento sustentável, a ser assinado na cúpula Rio+20, a ONU afirmou que apenas quatro dos 90 objetivos ambientais mais importantes acertados internacionalmente nos últimos 40 anos tiveram avanços significativos. O número é inferior ao de objetivos que tiveram retrocesso: oito no total. Outros 40 registraram poucos avanços e 24 praticamente não apresentaram nenhum progresso. Além disso, 14 não puderam ser avaliados devido à falta de dados mensuráveis.

As informações constam da quinta edição do relatório Panorama Ambiental Global, o GEO-5, divulgado no dia 6 de junho pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Segundo o órgão, houve avanço significativo nos objetivos de erradicação do uso de substâncias nocivas à camada de ozônio, eliminação do uso de chumbo em combustíveis, ampliação do acesso a fontes de água potável e aumento das pesquisas sobre a poluição dos mares.

Mas os esforços para o combate às mudanças climáticas e para a preservação dos estoques pesqueiros, por exemplo, praticamente não deram resultado. E a proteção dos recifes de corais teve retrocesso - desde 1980, eles sofreram redução de 38%.

Mensagem - Para o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, o relatório é uma mensagem direta para os líderes que se reunirão na Rio+20, conferência sobre desenvolvimento sustentável que começa na próxima semana na cidade. Segundo ele, é "chocante" que o mundo não tenha conseguido avançar na maioria dos acordos ambientais.

Steiner diz, porém, que o relatório não passa apenas uma "mensagem de fracasso". A segunda parte do documento é voltada para a análise de políticas que contribuem para o desenvolvimento sustentável. Com a divulgação, o Pnuma espera que essas iniciativas possam ganhar escala.

Também presente ao lançamento do relatório, a coordenadora executiva da Rio+20 atribuiu a falta de implementação dos acordos já firmados ao fato de que os líderes políticos e empresariais ainda não incorporaram o desenvolvimento sustentável ao centro de suas políticas. Henrietta Elizabeth Thompson avalia que a conferência não está fadada a ver o mesmo acontecer com seus acordos porque o cenário atual é "diferente". Como exemplo, ela citou o fato de que neste ano, pela primeira vez, o Banco Mundial reuniu ministros da Economia de todo o mundo para discutir o desenvolvimento sustentável.

Outros fatores que, segundo ela, terão impacto positivo sobre a Rio+20 são a existência de mais informações científicas sobre a necessidade de mudanças e a maior presença de líderes empresariais nas discussões.

De acordo com Fatoumata Keita-Ouane, do setor científico do Pnuma, a pesquisa mostrou que os objetivos são implementados com mais sucesso quando vinculados a metas numéricas e com prazos definidos. Uma das discussões na Rio+20 é justamente o estabelecimento dos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que poderiam englobar metas nas áreas de energia e erradicação da pobreza, por exemplo.

Inércia - Presente na divulgação do relatório do Pnuma, Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apontou a importância do relatório para a conscientização mundial e decorrente tomada de ações. "Temos que quebrar essa inércia e esperamos que a Rio+20 seja o momento de isso acontecer. Quando os fatos são embasados em ciência, no melhor da ciência, não adianta fazer de conta, no estilo 'eu não acredito, não quero ouvir'. Se os fatos estão mostrando vários desequilíbrios importantes e poucos progressos, a ação tem que ser correspondente", propôs.

Apesar de mostrar que os objetivos ambientais firmados na Rio 92 não foram cumpridos, o relatório do Pnuma ressalva que há esperança de melhoria do cenário global. Neste aspecto, o documento cita o Brasil como exemplo positivo, em decorrência da adoção de medidas preventivas, devido à implantação do sistema de monitoramento de desmatamento da Amazônia por satélites.

Nobre destacou que "o Brasil está na vanguarda mundial em vários pontos. É o único país em desenvolvimento que tem metas para a redução da emissão dos gases e que tem legitimidade para assumir posição de liderança na Rio+20", ressaltou. Para ele, o conhecimento científico traduz com precisão o censo de urgência do cenário atual.

Em sua apresentação, Nobre alertou que "já passamos do ponto em que poderemos ter o futuro que queremos, e que estamos próximos do limite". O secretário assinalou, ainda, que a diminuição da biodiversidade é um dos pontos mais alarmantes e disse que o desaparecimento do gelo no Polo Norte é praticamente irreversível, afetando não apenas o clima global, mas também a vida polar e marinha. Ele defendeu, também, a implantação de uma política pública mundial para evitar o aquecimento global, uma vez que estudos comprovam que a Floresta Amazônica não resistiria a uma elevação de quatro graus na temperatura.

América Latina - O capítulo 'América Latina e Caribe' do relatório divulgado pelo Pnuma levanta questões sobre a gestão ambiental na região. "Muitos países da região não têm leis ambientais robustas", diz Keisha Garcia, pesquisadora de Trinidad e Tobago e uma das coordenadoras do capítulo. "No geral, o meio ambiente é visto como algo isolado e não está entre as preocupações políticas centrais dos países."

Quase 80% da população dos 33 países da América Latina e Caribe vive em cidades, o que torna a região uma das mais urbanizadas do mundo. O aumento da população produz vários desafios. Embora a região seja rica em recursos hídricos, a expansão populacional, a urbanização e o mau gerenciamento tornam problemático o suprimento de água no futuro.

A região concentra cerca de 70% das espécies do mundo, mas registra grandes perdas de biodiversidade. As múltiplas ameaças abrangem desde a mudança climática, até pressão demográfica e práticas insustentáveis de manejo da terra. A conversão de ecossistemas naturais em sistemas produtivos é, atualmente, um dos maiores fatores de impacto sobre a biodiversidade. "Políticas que envolvam as comunidades locais são chave para encontrar soluções", lembra a pesquisadora Keisha.

O uso da terra é um problema frequente na região. Em muitos lugares, a agricultura e a pecuária são produzidas de forma não sustentável, lembra o estudo. "Desde 1960, as terras agriculturáveis aumentaram 86% na América Latina, 46% na África e 36% na Ásia, coincidindo com um grande desmatamento nas três regiões no período", diz o estudo. Na América do Sul, a terra usada para agricultura aumentou 18% entre 1970 e 2009 e a pecuária, 31%. Práticas de integração pecuária e lavoura usadas em propriedades do cerrado brasileiro aumentam a produtividade e são citadas como bons exemplos.

O capítulo menciona os impactos que a região sofre com a mudança climática, e lista uma série de casos que merecem ser vistos com lupa. A construção de casas populares com critérios sustentáveis no Brasil é um dos exemplos, assim como o Bolsa Verde, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e que pretende beneficiar 73 mil pequenos agricultores e comunidades tradicionais.

CARTA DE MT


Carta de Mato Grosso 


Cúpula dos povos e a Rio20: 
Desafios e Perspectivas 
“Qual economia queremos?” 

Há esperança por um mundo para todos, em que nossos sonhos não sejam utopias e nossos desejos e ideais não sejam palavras vazias, mas construções sensíveis e coletivas. Alimentados por esses sentimentos e provocados pela chamada global da Cúpula dos Povos, NÓS, sociedade mato-grossense, e tantos outros povos, juntos somos a Cúpula e viemos REINVENTAR O MUNDO!

Mato Grosso éum estado conhecido pelo agronegócio, um dos pilares do atual “capitalismo verde”, em consequência disso, somos: o maior consumidor de agrotóxicos do mundo; em acúmulo, o maior índice de desmatamento do Brasil; segundo em instalações de pequenas centrais hidrelétricas (PCH); segundo em concentração de terras e o primeiro na lista suja do trabalho escravo. Todavia, para além desta pobre dimensão financeira, há rica sociodiversidade: 47 etnias indígenas, dezenas de comunidades quilombolas, pantaneiros, retireiros do Araguaia, morroquianos e tantos outros grupos sociais que enriquecem a paisagem de MT. SOMOS PESSOAS E HABITAMOS três grandes, belos e importantes ecossistemas [Cerrado, Pantanal e Amazônia] e, neles, construímos nossa identidade.

No nosso cotidiano de pensar, fazer e sentir, construímos o Ciclo de Debates – Cúpula dos povos e a Rio+20: Desafios e Perspectivas “Qual economia queremos?” que dialogou em torno da Educação Ambiental; Agroecologia x Agrotóxicos; Comunidades Tradicionais e Indígenas; Agricultura Familiar; Estado e Direitos Humanos. Além disso, questionamos também sobre QUAL SOCIEDADE QUEREMOS.

O ciclo de debates foi marcado pelas diferentes mentes e corações, frutificado pela “Carta de Mato Grosso” e, para nós, a carta representa uma REINVENÇÃO DO MUNDO PARA OS DIFERENTES POVOS. Por tudo isso, queremos propagar as sementes nos sonhos de outros mundos, combatendo a economia que gera a desigualdade, devasta a natureza e especula. 


COMBATEMOS UMA ECONOMIA:
· Como base de um sistema nocivo à vida, que privilegia um modelo de ocupação territorial que nos empobrece socioambientalmente por meio de modelos de agronegócio no setor da pecuária extensiva e da monocultura que geram graves problemas ambientais (gases de efeito estufa p.ex.), sociais seríssimos (trabalho escravo) e contaminação (uso indiscriminado de agrotóxicos), dentre outros;

· Que mascara os impactos dos médios e grandes empreendimentos (hidrovia, hidrelétricas, linhões, grandes lavouras, rodovias, ferrovias, etc...) trazendo violência social, miséria, exploração sexual e outras mazelas socioambientais;

· Que não promove a Saúde, nem a Educação de maneira geral e, ainda menos, a Educação Ambiental;

· Combatemos a Economia Verde que estabelece propostas econômicas provenientes do Desenvolvimento Sustentável como uma nova roupagem para o capitalismo neoliberal;


DEFENDEMOS UMA ECONOMIA:
· Popular, ética e solidária, baseada na desconcentração de terra e limitação da propriedade privada, que se baseie na produção agroecológica e culturas locais e regionais de produção agrícola familiar-camponesa;

· Fortalecedora dos territórios dos povos e comunidades tradicionais indígenas, quilombolas, pantaneiros, bem como as terras onde vivem os extrativistas, ribeirinhos, assentados, retireiros, morroquianos, entre tantas outras comunidades tradicionais e grupos sociais diversos,ou seja, em respeito à diferença e a pluralidade;

· Para o reconhecimento da importante contribuição dos saberes e valores destes povos na sustentabilidade dos territórios e da biodiversidade, mas também em reafirmação à necessidade de serem ouvidos em que pese os saberes e fazeres manifestos em seus posicionamentos;

· Que privilegiem a economia de pequena escala, de trocas e benefícios coletivos no combate ao crescimento econômico e ao consumismo;

· Queremos uma Floresta Amazônica, um Pantanal e um Cerrado que sejam lugares de direitos para todas as espécies de vida;

· Em que os bens (água, território, biodiversidade, etc) não sejam transformados em mercadoria ou falsa solução para os problemas criados por terceiros, como exemplo os projetos de REDD ou Pagamento por Serviços Ambientais; e que não se enxerguem nestes projetos oportunidades de saquear a biodiversidade e os saberes.


SONHAMOS UMA ECONOMIA E UM ESTADO:
· Que refunde o Estado garantindo a ampla participação popular;

· Que elimine o capital especulativo;

· Promova orçamento participativo em todas as instâncias e órgãos públicos e que tenha leis e instrumentos de ordenamento territorial com espaço para a participação da sociedade civil;

· Em consonância à Reforma Agrária efetiva, que contemple as comunidades tradicionais em todos os contextos: social, cultural e político com melhores condições de permanência com Políticas Públicas em favor do agricultor familiar-camponês para acessar fundos e recursos, assim incentivando a produção agrícola;

· Que fortaleça a produção agroecológica, formando um Banco de Sementes, dentro do fundo rotativo de sementes local e regional, garantindo a disponibilidade destas sementes crioulas para as futuras produções;

· Que promova políticas de incentivo à articulação e planejamento de Feiras Livres com produtos Orgânicas nas cidades, assim também oferecendo condições para os feirantes e produtores se locomoverem e venderem suas produções;

· Capazes de mapear as fontes de sustentabilidade considerando o estoque e os limites das dimensões ecológicas;

· Incondicionalmente a favor do desmatamento zero, do reflorestamento das áreas de passivo florestal com vegetação nativa e que incorpore o modelo agroflorestal;

· Que elevem gradativamente a alíquota de incidência do Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação de quaisquer Bens ou Direito (ITCD) para 50%, num prazo de dez anos, com aplicação direta em fundos que favoreçam a educação, a ciência e a tecnologia, e aprovados por uma instância colegiada paritária entre governo e sociedade civil;

· Que denunciem a ineficácia do Produto Interno Bruto (PIB) e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) como medidas de sustentabilidade, buscando outros indicadores como a pegada ecológica, linha de dignidade, de democracia, inclusão social, proteção ambiental, valores, fé e espiritualidade como meios essenciais à qualidade de vida e à felicidade dos povos;

· Que criem limites ao tamanho da propriedade para acabar com a concentração de terra mediante uma Lei do Limite da Propriedade da Terra;

· Defensores de uma consulta popular (Plebiscito popular), propondo uma lei que acabe de vez com os agrotóxicos pela vontade popular; na criação de novas medidas de taxação máxima para produtores e empresas que utilizam agrotóxicos;

· Que garanta investimentos públicos para medicinas alternativas e que se tornem institucionais;

· Assumimos as propostas da Conferência Nacional de Transparência e Controle social (DF 18 a 20/maio de 2012) e o Programa Nacional de Direitos Humanos PNDH 3.

· Que estabeleça um teto máximo de vencimento do serviço público, bem como seu aumento deve estar vinculado a ele na mesma proporção;

· Que elimine qualquer incentivo de renúncia tributária para as exportações (lei Kandir, por exemplo) e cobre uma taxa de retenção pois são bens ambientais ou sociais que são retirados do país;

· Que transforme os Tribunais de Contas em Controladorias Gerais Federais como forma de efetivar e tornar eficaz o combate à corrupção.


Carlos Lopes: ipê amarelo

É necessário recriar nossos espaços em Assembleias Populares com potencial formativo e democrático, recriando nossa condição humana e NOSSA COLETIVIDADE. Se quisermos recuperar o sentido de PESSOA NO MUNDO recriemos condições de existência com dignidade QUE RECONHEÇA TODAS AS FORMAS DE EXISTÊNCIA.

“FOMOS À CÚPULA, SOMOS A CÚPULA,NÓS SOMOS O POVO E O MUNDO QUE REIVENTAMOS!” 
Assinam este documento: 
  1. Grupo de Trabalho de Mobilização Social de Mato Grosso, GTMS 
  2. Articulação Xingu Araguaia, AXA 
  3. Associação Brasileira de Homeopatia Popular, ABHP 
  4. Associação de Mulheres Agricultoras Familiares Araras do Pantanal, AMAFAP 
  5. Associação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde, Aneps 
  6. Associação Sócio Cultural e Ambiental Fé e Vida, Sociedade Fé e Vida 
  7. Centro Burnier Fé e Justiça, CBFJ 
  8. Centro de Direitos Humanos Dom Máximo Biennès, CDHDMB 
  9. Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade 
  10. Centro de Pastoral para Migrantes 
  11. Coletivo Jovem de Meio Ambiente de MT, CJMT 
  12. Comissão Pastoral da Terra, CPT-MT 
  13. Comunidades Eclesiais de Base-Diocese de Cuiabá, Cebs-Cuiabá 
  14. Comunidades Eclesiais de Base do Regional de Mato Grosso-CEBS-Regional-MT 
  15. Conselho Indigenista Missionário Regional - MT, CIMI – MT 
  16. Conselho Nacional do Laicato do Brasil/MT 
  17. Ecocentro de Akorá 
  18. Instituto Ecologia e Populações Tradicionais do Pantanal, Ecopantanal 
  19. Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional Programa Mato Grosso, FASE 
  20. Fórum de Direitos Humanos e da Terra, FDHT-MT 
  21. Fórum de Luta das entidades de Cáceres, FLEC 
  22. Fórum mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento, FORMAD 
  23. Grupo Cultural e Ambiental Raízes 
  24. Grupo de Estudos Educação e Merleau-Ponty, GEMPO 
  25. Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte, GPEA-UFMT 
  26. Grupo de Pesquisa Movimentos Sociais e Educação, GMPSE/UFMT 
  27. GT Etnias Gênero e Classe / Adufmat - Andes 
  28. Instituto Caracol, iC 
  29. Instituto de Ecologia e Populações Tradicionais do Pantanal, Ecopantanal 
  30. Instituto Indígena Maiwu de Estudos e Pesquisas de Mato Grosso, Instituto Maiwu 
  31. Instituto Mato-grossense de Direito e Educação Ambiental, Imadea 
  32. Instituto Natureza 
  33. Instituto Terra Viva – Mulher, Família e Sociedade 
  34. Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia, MAMA 
  35. Movimento Nacional de Direitos Humanos, MNDH 
  36. Movimento Negro Unificado 
  37. Movimento Popular de Saúde, Mops 
  38. Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – Mato Grosso, MST-MT 
  39. Operação Amazônia Nativa, OPAN 
  40. Organização dos Profissionais da Educação Escolar Indígena de Mato Grosso, Oprimt 
  41. Rede Cidadã - Recid/MT 
  42. Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental, REMTEA 
  43. Sindicato dos Jornalistasde Mato Grosso - Sindjor-MT 
  44. Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ensino Público de MT, Sintep/MT 
  45. Takiná - Organização de Mulheres Indígenas-MT



Clovis Irigaray: Negro-Índio

segunda-feira, 11 de junho de 2012

DOSSIER USP - teses e dissertações rio20

http://citrus.uspnet.usp.br/usprio+20/

DOSSIER USP - teses e dissertações rio20
http://citrus.uspnet.usp.br/usprio+20/?q=agenda-21-e-governan%C3%A7a

http://citrus.uspnet.usp.br/usprio+20/?q=dossi%C3%AA-usp-rio-20


Em junho de 2012 será realizada no Brasil a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida por Rio + 20. Ela ocorre vinte anos depois da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em junho de 1992 no Rio de Janeiro, e dez anos após o “2002 World Summit on Sustainable Development” (WSSD), realizada em Johanesburgo. Tal Conferência contará com a participação de cerca de 50 mil pessoas, incluindo Chefes de Estado, Empresários, Educadores, Representantes de ONG´s, Pesquisadores, Estudantes, entre outros, para discussão de temas como governança ambiental, economia verde, mudanças climáticas e erradicação da pobreza.

Considerando este momento, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e o Conselho de Pós-Graduação, entenderam pertinente analisar a contribuição da Pós-Graduação/USP na formação, qualificação e capacitação de recursos humanos de qualidade para desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação nos assuntos objeto da Conferência.

Foi formado um grupo de trabalho, coordenado pelo Grupo de Pesquisa de Ciências Ambientais do Instituto de Estudos Avançados, que decidiu organizar, entre outros produtos, esta página eletrônica com o levantamento de Teses e Dissertações defendidas na USP entre junho de 1992 e setembro de 2011.

Organização:

Wagner Costa Ribeiro
Edmilson Dias de Freitas
Arlindo Philippi Jr.

Estudo analisa projeto de lei que pretende tirar MT da Amazônia Legal

 https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2022/09/16/179606-estudo-analisa-projeto-de-lei-que-pretende-tirar-mt-da-amazonia-legal.htm...