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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Bancada ruralista apoia Eduardo Cunha para presidir Câmara

eco
http://www.oeco.org.br/noticias/28884-bancada-ruralista-apoia-eduardo-cunha-para-presidir-camara


Bancada ruralista apoia Eduardo Cunha para presidir Câmara
Daniele Bragança - 21/01/15

eduardo-camposEduardo Cunha, deputado pelo PMBD-RJ, da bancada evangélica, e também presidente da Câmara dos sonhos da bancada ruralista. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados
A bancada ruralista já sabe em quem votar para a concorrida presidência da Câmara dos Deputados. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ganhou apoio formal na semana passada, após prometer facilitar a tramitação de temas caros da bancada. Até o momento, candidataram-se 3 deputados para o cargo de presidente da Câmara: Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Júlio Delgado (PSB-MG) e Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Entre esse temas está a retomada da PEC 215, que transfere para o Congresso o poder de demarcar Terras Indígenas, Terras Quilombolas e criar Unidades de Conservação. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 foi arquivada em dezembro/2014, após o colegiado formado para analisá-la não conseguir votar antes do término dos trabalhos legislativos. A proposta foi para a gaveta, episódio comemorado como uma vitória dos grupos indígenas e deputados contrários à PEC, que fizeram pressão para impedir a votação.
O alívio durou pouco.
Apelidada de PEC das Terras Indígenas, a PEC 215 também afeta a criação de novas Unidades de Conservação. Até hoje, esta é uma prerrogativa do Executivo. Se a PEC 215 for aprovada, o Congresso passará a definir quando e onde criar áreas protegidas.
De volta ao começo
A PEC 215 será desarquivada, não importa quem estiver sentado na cadeira da presidência da Câmara dos Deputados. Pelas regras da casa, basta a apresentação de um requerimento encaminhado ao presidente para que ela volte a tramitar. A regra é o requerimento conter a assinatura do autor da PEC ou de um dos deputados que assinaram o documento de criação da proposta.
A disputa é importante para a bancada ruralista, pois é o presidente da Câmara que coloca os projetos de lei em votação. Quando isso acontece, os ruralistas sabem que ganham, pois são a maior bancada suprapartidária do país. Foi assim com a tramitação do Código Florestal.
"Não é de hoje que enfrentamos os desafios com destemor. Foi assim na aprovação do Código Florestal, na revisão dos índices de produtividade, no emplacamento de máquinas agrícolas etc. E será assim na demarcação de terras indígenas, no projeto de acesso aos recursos genéticos, trabalho escravo, na legislação sobre agroquímicos, na lei trabalhista específica para o trabalhador rural, entre outros temas", diz a nota da Frente Parlamentar da Agropecuária em apoio à candidatura de Eduardo Cunha.

terça-feira, 10 de julho de 2012

ENCONTRO UNITÁRIO DAS TRABALHADORAS E TRABALHADORES E POVOS DO CAMPO, ÁGUA E FLORESTA


ENCONTRO UNITÁRIO DAS TRABALHADORAS E TRABALHADORES E POVOS DO CAMPO, ÁGUA E FLORESTA

Local: ENFOC - Escola Nacional de Formação da CONTAG
Várzea Grande, MT

10/07/12 - período integral
Palestrante: Sérgio Sauer, UnB
HISTÓRICO do mov de campo, com ênfase em 10 atores sociais:

  1. década de 40 - camponês
  2. 1963 - trabalhador rural
  3. 1964 - pequeno produtor
  4. 1973 - povos indígenas
  5.            posseiros
  6. 1984 - MST
  7. 1988 - seringueiros / extrativistas
  8.            Quilombolas
  9.  1991 - Atingidos da Barragem / MAB
  10. 1993 - agricultor familiar


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RELATO DE HERMAN DE OLIVEIRA

RELATO DA RE-UNIÃO DOS POVOS DO CAMPO

O objetivo deste encontro é o fortalecimento dos povos do campo, (das águas e da floresta, inclusive no bojo de um movimento maior e ampliado), entendendo que um movimento unificado pode e deve fazer frente às questões inerentes às condições de vida e dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras do campo, bem como os povos das águas e das florestas. O entendimento é de que os “problemas e falsas soluções” pertinentes e decorrentes do agronegócio e do hidronegócio têm fortemente atingido o campo em diferentes e diversas dimensões, notadamente entre os mais jovens.
Os movimentos sociais de maneira geral sentem a necessidade de efetivar esta união, guardadas as diferenças, em torno daquilo que for comum (agenda) e consenso (objetivos), criteriosamente observadas as identidades que, a propósito delas, podem e devem ser respeitadas pelo bem da riqueza que ela pode proporcionar. O respeito a esta diversidade cria condições de luta mais interessantes na capilaridade e alternativas de “formas de luta” e, nesta perspectiva, Sérgio Sauer apresenta “50 anos de lutas dos sujeitos do campo” em dois eixos principais 1) História (dados) e 2) Conjuntura atual a fim de que os pontos de convergência sejam  entendidos na forma de atuação dos sujeitos e da história por eles composta e escrita.
A partir das lutas e organizações dos trabalhadores rurais modifica-se o status desses sujeitos que, então, saem da invisibilidade para pleitear os mesmos direitos que os trabalhadores urbanos (sindicalização, CLT, etc...) e alçar uma dimensão política sociológica em outro viés. Importante reconhecer que a condição da organização espacial do campo (latifúndios historicamente estabelecidos e trabalhador do campo em condição semiescrava ou “caipira”). Oras, a primeira organização em torno de um direito fundamental (solicitar ao dono da terra auxílio para enterrar os próprios mortos, em virtude da falta de dinheiro será) a gênese das organizações do campo, baseadas nas identidades do campo (camponeses e trabalhadores rurais, respectivamente).
As ligas estavam separadas em três grupos que entendiam de maneira diferente as bandeiras de luta para conseguir condições dignas no campo ou posse da terra, mas mesmo na diferença foi possível realizar um grande congresso em BH/MG, onde a reforma agrária foi a tese vencedora. Martins defende que o golpe militar de 1964 é uma reação à Reforma Agrária, com a tomada à força da Contag, criação do Estatuto da Terra, desmobilização do campo através dos programas de “oferta” de terra nas regiões Norte e Centro-Oeste e, na esteira, dentro de um processo Econômico-Político-Social, numa modernização conservadora dos processos de produção realiza a Revolução Verde com mecanização, implementação de insumos químicos e da matriz produtiva com a aposta  nos grãos. Importante destacar que a concentração de terra e, por ela, a base colonial ainda permanecem, ou melhor, são as condições conceituais de manutenção da estrutura.
Após o golpe militar de 1964 a situação de opressão era de tal ordem que não era possível a organização dos trabalhadores em nenhuma região ou território, porém, após cerca de 10 anos (1973-5) surgem dois movimentos fortes que evidenciam outras formas de luta e organização e sujeitos: Cimi e CPT. E, então, 10 anos mais tarde (1985) a organização dos trabalhadores do campo enseja a criação do MST em torno das lutas do campo, da falta de condições de trabalho e da própria falta de terra.
As organizações, os sujeitos e as bandeiras ensejam outras formas de luta, com novas táticas, nessas práticas (ocupação, legislação...) as lutas pela terra subjazem às identidades que as encampam: camponeses, trabalhadores rurais, indígenas, posseiros, trabalhadores sem terra, pequeno produtor, atingidos por barragem, ambientalistas, quilombolas...
O patrimonialismo, como dimensão política acima da dimensão econômica, é uma base conceitual de “direitos” que obstaculiza a reivindicação dos povos no alcance de direitos garantidos constitucionalmente. Os lídimos representantes desta ideologia são a SRB, OCB, CNA e UDR que vão criar a Frente Ampla da Agricultura que cria a Abag cujo principal representante é o senhor Roberto Rodrigues com articulação, embora não possua a mesma força de OCB e CNA, e aposta no conceito de agronegócio com inclusão da grande mídia além, é claro, de grandes multinacionais. A Revolução Verde é a base de propulsão em que o discurso dicotomizado (economia – patrimônio) justifica o latifúndio e a mecanização a despeito dos apelos pela vida. Nesse contexto a discussão de modernização ataca o pequeno proprietário e o pequeno produtor rumo à modernização e contra o arcaísmo das práticas, obviamente desconsiderando as questões socioambientais de sustentabilidade, identidade, inter-relações pessoais, ou seja, no campo ecossistêmico.
A lógica camponesa e de agricultura familiar, guardadas suas diferenças conceituais mais “modernas”, pode agregar os mesmos sujeitos no campo se e quando esses sujeitos não trabalham com a lógica do capital, mas concebem seu manejo em torno da família, não no sentido moral de família, mas no sentido das necessidades e demandas desta.
O modelo econômico hegemônico que inclui, obviamente, o modelo hegemônico do campo resulta na busca ou produção de matéria prima/commodities para exportação, ou seja, a permanência do pensamento colonialista. Nesse contexto as crises, desde 2008, são entendidas como provenientes das disputas nos campos Food, Fuel, Forest and Fiber com deslocamento de poder no eixo das BRICS que representam os grandes mercados e o aumento dos negócios entre China e Brasil, por exemplo. Assim, um outro processo se adensa no Brasil e, embora não haja consenso em relação a isso, é chamado de reprimarização ou commoditização que significa a perda de espaço da indústria e, claro, a exportação da matéria in natura que cria superávit, mas fragiliza o campo socioambiental com alta financeirização (dependência do mercado de bolsas em virtude da comercialização financeira no mercado de futuros) e aumento ou pressão para manutenção da concentração fundiária.
Do ponto de vista dos processos da modernidade (dissociação do tempo e do espaço da corporeidade ou materialidade ecossistêmica) não há nenhum espanto, pois a ficha simbólica que, mais ainda no mercado de futuro que nem trabalha com moeda propriamente, projeta a produção já não mais em termos das quantidades mensuráveis daquilo que é produzido, mas em sua representação no crescimento dos mercados e, neles, a força do capital especulativo. Portanto, esta dissociação oblitera a visão de que a produção requer um substrato material, representado pelo espaço físico da terra, no campo financeiro, mas que se mantém na perspectiva da propriedade absoluta da terra.
Após as apresentações (Jangada, Chapada dos Guimarães, Poconé, Olga Benário)realizamos os encaminhamentos acerca da importância deste encontro e daquilo que foi discutido, na forma como cada entidade pode se articular e de que maneira poderá contribuir.
A visada histórica, da forma como foi apresentada, apresenta o acirramento dos conflitos e isso fica explícito no Caderno de conflitos da CPT e isso tende a aumentar nas disputas por terras, no processo de territorialização dos espaços na pressão e luta por recursos naturais (no entendimento do agronegócio) em confronto com um modo de vida (agricultura familiar-camponesa). Portanto é necessário criar um projeto popular (formativo, lutas, unificação...) em que a pauta comum:
Questão fundiária: Terra e território (grilagem, demarcação, terras devolutas)
Reconhecimento e respeito às identidades dos sujeitos do campo
Água
Políticas públicas: crédito, mercado, marco regulatório, educação no campo
Mudança no modelo de produção: manejos, assistência técnica
Organização social: fim da criminalização e reconhecimento do papel social da terra
O encontro em BSB tem um caráter dialógico: unificação da luta/pauta; contribuições de MT; contribuições do encontro para serem socializadas posteriormente à BSB.
O Encontro dos Povos tem um caráter simbólico, por isso os 50 anos na apresentação, isso se traduz no fenômeno de dar a conhecer as diversas e diferentes identidades, mas também que fragmenta os povos. Assim resta-nos observar detidamente de que forma poderemos unificar as lutas sem perder a rica heterogeneidade e isso pode traduzir-se nas diferentes formas de re-existir para além das ocupações como reconhecimento das diferentes táticas de luta pela terra. Com uma década de governos progressistas como avançamos? Já que os dados oficiais mostram o decrescimento da pobreza, mas não representa o término, sequer a diminuição da desigualdade. Assim, é preciso pensar uma pauta comum em termos de políticas estruturantes que nos sejam comuns que se realize numa tática fortalecida que preserve as diferenças e unifique as lutas em ações e projetos que estejam alinhadas minimamente numa mesma perspectiva.
Fragmentação das lutas associada a uma luta estrutural
O simbolismo contido nos 50 anos que celebre iconograficamente nossas lutas e que exigem de nós todos a unificação da luta de maneira que a clareza do processo e do contexto se traduza no momento em que será necessário repassar às bases.
DATA: 20 A 22 DE AGOSTO
EQUIPE DE ARTICULAÇÃO: MST, Fetragri, CPT, Cimi, Formad, Remtea (se reunirá dia 16/07 às 14h na sala 66 do Instituto de Educação/UFMT
Meta por organização:
Organização      ônibus  Pessoas
Fetagri                 2             80
MST                      2             80
CPT                       1              40
MAB                                     20
MMC                                    20
MPA                                    
PJR                                      
Quilombolas      1              40
As várias entidades da equipe de organização se responsabilizam pela articulação dos grupos não representados hoje (10/07). Quilombolas e indígenas, morroquianos e retireiros, pescadores artesanais e demais atingidos, procurando ter o cuidado com as questões de gênero e faixa etária (mulheres, homens, jovens, crianças e adultos).
Finalmente, fechamos o evento com a proposta da DHESCA (rede de entidades nacionais de diversas ordens, pertencentes à sociedade civil ligadas a direitos humanos e ambientais e tratados nesta plataforma) em que os relatores (entre eles Sérgio e Michèle) têm missões (conflitos e questões sobre DH) devem assistir. Portanto, os relatores fazem combinações com as entidades locais e regionais, a fim de que as articulações em que os atingidos são ouvidos e que resultam num relatório que dê visibilidade ao problema. Nesse sentido Marãiwatsédé se encontra num contexto emblemático de uma situação de extrema violação de direitos humanos, principalmente em virtude dos últimos acontecimentos (fechamento da estrada, conflitos e instigados pelos fazendeiros intrusos, incêndio, ao que tudo indica, criminoso atingindo o gado dos xavante, ou seja, diretamente relacionado com a questão alimentar, de maneira a inviabilizar a permanência dos xavante dentro da TI.
É necessário criar uma articulação entre as entidades envolvidas ou próximas da área a fim de que seja agilizada e acelerada a ação da Relatoria de Direitos Humanos em virtude do acirramento do conflito, localmente com possibilidade de desdobramentos ainda mais violentos. 


domingo, 24 de junho de 2012

CARTA DO RIO DE JANEIRO DECLARAÇÃO FINAL DO IX ACAMPAMENTO TERRA LIVRE



CÚPULA DOS POVOS POR 
JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL


CONTRA A MERCANTILIZAÇÃO DA VIDA, EM DEFESA DOS BENS COMUNS 

CARTA DO RIO DE JANEIRO
DECLARAÇÃO FINAL DO IX ACAMPAMENTO TERRA LIVRE – 
BOM VIVER/VIDA PLENA

Rio de Janeiro, Brasil, 15 a 22 de junho de 2012

Nós, mais de 1.800 lideranças, representantes de povos e organizações indígenas presentes, APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (COIAB, APOINME, ARPINSUL, ARPINSUDESTE, povos indígenas do Mato Grosso do Sul e ATY GUASU), COICA – Coordenadora de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, CAOI – Coordenadora Andina de Organizações Indígenas, CICA – Conselho Indígena da América Central, e CCNAGUA – Conselho Continental da Nação Guarani e representantes de outras partes do mundo, nos reunimos no IX Acampamento Terra Livre, por ocasião da Cúpula dos Povos, encontro paralelo de organizações e movimentos sociais, face à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).


Depois de intensos debates e discussões realizados no período de 15 a 22 de Junho sobre os distintos problemas que nos afetam, como expressão da violação dos direitos fundamentais e coletivos de nossos povos, vimos em uma só voz expressar perante os governos, corporações e a sociedade como um todo o nosso grito de indignação e repúdio frente às graves crises que se abatem sobre todo o planeta e a humanidade (crises financeira, ambiental, energética, alimentar e social), em decorrência do modelo neo-desenvolvimentista e depredador que aprofunda o processo de mercantilização e financeirização da vida e da Mãe Natureza.


É graças à nossa capacidade de resistência que mantemos vivos os nossos povos e o nosso rico, milenar e complexo sistema de conhecimento e experiência de vida que garante a existência, na atualidade, da tão propagada biodiversidade brasileira, o que justifica ser o Brasil o anfitrião de duas grandes conferências mundiais sobre meio ambiente. Portanto, o Acampamento Terra Livre é de fundamental importância na Cúpula dos Povos, o espaço que nos possibilita refletir, partilhar e construir alianças com outros povos, organizações e movimentos sociais do Brasil e do mundo, que assim como nós, acreditam em outras formas de viver que não a imposta pelo modelo desenvolvimentista capitalista e neoliberal.


Defendemos formas de vidas plurais e autônomas, inspiradas pelo modelo do Bom Viver/Vida Plena, onde a Mãe Terra é respeitada e cuidada, onde os seres humanos representam apenas mais uma espécie entre todas as demais que compõem a pluridiversidade do planeta. Nesse modelo, não há espaço para o chamado capitalismo verde, nem para suas novas formas de apropriação de nossa biodiversidade e de nossos conhecimentos tradicionais associados.


Considerando a relevante importância da Cúpula dos Povos, elaboramos esta declaração, fazendo constar nela os principais problemas que hoje nos afetam, mas principalmente indicando formas de superação que apontam para o estabelecimento de novas relações entre os Estados e os povos indígenas, tendo em vista a construção de um novo projeto de sociedade.


Repúdios


Em acordo com as discussões na Cúpula dos Povos, repudiamos as causas estruturais e as falsas soluções para as crises que se abatem sobre nosso planeta, inclusive: 


  • Repudiamos a impunidade e a violência, a prisão e o assassinato de lideranças indígenas (no Brasil, caso Kayowá-guarani, Argentina, Bolívia, Guatemala e Paraguai, entre outros). 
  • Repudiamos os grandes empreendimentos em territórios indígenas, como as barragens – Belo Monte, Jirau e outras; transposição do Rio S. Francisco; usinas nucleares; Canal do Sertão; portos; ferrovias nacionais e transnacionais, produtoras de biocombustíveis, a estrada no território TIPNIS na Bolívia, e empreendimentos mineradores por toda a América Latina). 
  • Repudiamos a ação de instituições financeiras como o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que financia grandes empreendimentos com dinheiro público, mas não respeita o direito à consulta as populações afetadas, incluindo 400 regiões no Brasil, e em todos os países em que atuam, inclusive na América Latina e África. 
  • Repudiamos os contratos de REDD e créditos de carbono, falsas soluções que não resolvem os problemas ambientais e procuram mercantilizar a natureza e ignoram os conhecimentos tradicionais e a sabedoria milenar de nossos povos. 
  • Repudiamos a diminuição dos territórios indígenas. 
  • Repudiamos todas as iniciativas legislativas que visem submeter os direitos indígenas ao grande capital, através da flexibilização ou descaracterização da legislação indigenista e ambiental em vários países, como a PEC 215 e o Código Florestal no congresso brasileiro e as alterações propostas no Equador. 
  • Repudiamos a repressão sofrida pelos parentes bolivianos da IX Marcha pela “Defesa da Vida e Dignidade, Territórios Indígenas, Recursos Naturais, Biodiversidade, Meio Ambiente, e Áreas Protegidas, pelo Cumprimento da CPE (Constituição Política do Estado) e o respeito a Democracia”. Manifestamos nossa solidariedade aos parentes assassinados e presos nesta ação repressiva do estado boliviano. 
  • Repudiamos a atuação de Marco Terena que se apresenta como líder indígena do Brasil e representante dos nossos povos em espaços internacionais, visto que ele não é reconhecido como legítimo representante do povo Terena, como clamado pelas lideranças deste povo presentes no IX Acampamento Terra Livre. 


Propostas
  • Clamamos pela proteção dos direitos territoriais indígenas. No Brasil, mais de 60% das terras indígenas não foram demarcadas e homologadas. Reivindicamos o reconhecimento e demarcação imediatos das terras indígenas, inclusive com políticas de fortalecimento das áreas demarcadas, incluindo desintrusão dos fazendeiros e outros invasores dos territórios. 
  • Reivindicamos o fim da impunidade dos assassinos e perseguidores das lideranças indígenas. Lideranças indígenas, mulheres e homens, são assassinados, e os criminosos estão soltos e não são tomadas providências. Reivindicamos que sejam julgados e punidos os mandantes e executores de crimes (assassinatos, esbulho, estupros, torturas) cometidos contra os nossos povos e comunidades. 
  • Reivindicamos o fim da repressão e criminalização das lideranças indígenas, como dos parentes que se manifestam contra a construção de Belo Monte. Que as lutas dos nossos povos pelos seus direitos territoriais não sejam criminalizadas por agentes do poder público que deveriam exercer a função de proteger e zelar pelos direitos indígenas. 
  • Exigimos a garantia do direito à consulta e consentimento livre, prévio e informado, de cada povo indígena, em respeito à Convenção 169 da OIT – Organização Internacional do Trabalho, de acordo com a especificidade de cada povo, seguindo rigorosamente os princípios da boa-fé e do caráter vinculante desta convenção. Precisamos que seja respeitado e fortalecido o tecido institucional de cada um de nossos povos, para dispor de mecanismos próprios de deliberação e representação capazes de participar do processo de consultas com a frente estatal. 
  • Clamamos pela ampliação dos territórios indígenas. 
  • Clamamos pelo monitoramento transparente e independente das bacias hidrográficas. 
  • Clamamos pelo reconhecimento e fortalecimento do papel dos indígenas na proteção dos biomas. 
  • Pedimos prioridade para demarcação das terras dos povos sem assistência e acampados em situações precárias, como margens de rio, beira de estradas e áreas sem infraestrutura sanitária. Apenas no Brasil, existem centenas de acampamentos indígenas nesta situação. 40% da população destes acampamentos são crianças. 
  • Clamamos pela melhora das condições de saúde aos povos indígenas, como por exemplo, no Brasil, pelo aumento do orçamento da SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena, a implementação da autonomia financeira, administrativa e política dos DSEIs – Distritos Sanitários Especiais Indígenas, e a garantia dos direitos dos indígenas com deficiência. 
  • Queremos uma Educação Escolar Indígena que respeite a diversidade de cada povo e cultura, com tratamento específico e diferenciado a cada língua, costumes e tradições. 
  • Exigimos que se tornem efetivas as políticas dos estados para garantia da educação escolar indígena, tal como os territórios etnoeducacionais no Brasil. 
  • Queremos uma educação escolar indígena com componentes de educação ambiental, que promova a proteção do meio ambiente e a sustentabilidade de nossos territórios. 
  • Exigimos condições para o desenvolvimento a partir das tradições e formas milenares de produção dos nossos povos. 


Finalmente, não são as falsas soluções propostas pelos governos e pela chamada economia verde que irão saldar as dívidas dos Estados para com os nossos povos.


Reiteramos nosso compromisso pela unidade dos povos indígenas como demonstrado em nossa aliança desde nossas comunidades, povos, organizações, o conclave indígena e outros.


A SALVAÇÃO DO PLANETA 
ESTÁ NA SABEDORIA ANCESTRAL 
DOS POVOS INDÍGENAS 


RIO DE JANEIRO, 20 DE JUNHO DE 2012


APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, COICA – Coordenadora de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, CAOI – Coordenadora Andina de Organizações Indígenas, CICA – Conselho Indígena da América Central, e CCNAGUA – Conselho Continental da Nação Guarani 



Figura humana na rio20
texto e foto enviados pelo Giovani Pareci, MT
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sexta-feira, 22 de junho de 2012

naraiwatsédé - UMA NOVA PROMESSA NA RIO+20


http://maraiwatsede.wordpress.com/2012/06/22/uma-nova-promessa-na-rio20/
Marãiwatsédé - a terra é dos Xabante


UMA NOVA PROMESSA NA RIO+20

Representantes Xavante leem carta pela desintrusão imediata ao Secretário de Articulação Social da Presidência da República, Paulo Maldos, na Rio+20. Foto: Victor Massao
Autoridades do governo federal garantem a povo Xavante de Marãiwatsédé que a retirada de invasores da terra indígena começará imediatamente.
Rio de Janeiro – “Bem melhor que a Eco92”, assim o cacique Damião Paridzané resumiu a experiência de participar dos eventos oficiais e paralelos da Rio+20. Por uma semana, ele e uma comitiva de outros 12 indígenas de Marãiwatsédé (MT) realizaram os mais variados atos para pedir apoio à retirada de invasores que há 20 anos devastam seu território sagrado.
Ministro Gilberto Carvalho e Marta Azevedo, presidente da FUNAI, recebem no Rio Centro carta de reivindicações do povo Xavante de Marãiwatsédé. Foto: Victor Massao
Na última quinta-feira, eles entregaram ao ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, uma carta pedindo compromisso do governo federal com a desintrusão imediata de Marãiwatsédé. O encontro também contou com a participação do Secretário de Articulação Social do governo federal, Paulo Maldos, da presidente da FUNAI, Marta Azevedo, que anunciaram uma visita a Marãiwatsédé no mês de julho. (Leia a carta na íntegra.)
Paulo Maldos reconheceu o momento estratégico de divulgar a causa Xavante na Rio+20 e prometeu encaminhar a carta dos Xavante à presidente Dilma. Marta Azevedo, presidente da FUNAI, foi assertiva. “Vai ser já, vai ser agora”, prometeu. Gilberto Carvalho disse que o plano de desintrusão da terra indígena está pronto há um ano e agora não há mais razão para demoras. O ministro se reuniu com o cacique Damião e outras 13 lideranças indígenas a portas fechadas por mais de duas horas em sala reservada na Rio+20.
Mais cedo, o cacique Damião teve um encontro com o ministro da agricultura da Espanha e outras organizações ambientais do país. Durante a Marcha Global da Cúpula dos Povos, realizada no Centro do Rio de Janeiro, eles chamaram atenção das mais de 20 mil pessoas que participavam do movimento realizando a tradicional corrida de tora de buriti no sentido contrário da passeata. Milhares de pessoas abriram espaço no meio da marcha para a passagem emocionante dos Xavante de Marãiwatsédé. Outra ação importante foi a elaboração de uma petição online que em apenas dois dias já conseguiu duas mil assinaturas em prol da desintrusão da terra indígena. (Assine aqui a petição.)
Indígenas mobilizam fotógrafos e participantes correndo no sentido contrário da Marcha oficial da Cúpula dos Povos com tora sobre os ombros. Foto: Andreia Fanzeres
Damião e seu grupo retornam ao Mato Grosso confiantes de que após 20 anos lutando nos tribunais contra os recursos dos fazendeiros e as artimanhas políticas que atrapalham o processo de retirada dos invasores, a desintrusão vá finalmente acontecer. “Aqui eu percebi que tivemos muito apoio, estou muito animado”, declarou o cacique. Sua preocupação agora se volta para a saúde de sua comunidade. Embora o secretário Paulo Maldos tenha anunciado que Marãiwatsédé será prioridade no novo programa de saúde indígena da SESAI, o cacique continua apreensivo. “Dizem que alguma coisa está sendo resolvida, mas na aldeia não sentimos nada ainda. Ninguém do polo de Barra do Garças (MT) foi até hoje na aldeia. É preciso esclarecer por que a saúde indígena está deste jeito”, indaga Damião.
Segundo Damião, o ministro Gilberto Carvalho informou que na semana que vem será definida uma agenda de reuniões entre FUNAI, INCRA e IBAMA em Brasília com a participação indígena para discutir as etapas da desintrusão. “Está garantido, agora vai sair”, prometeu Carvalho.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Índios Xavantes, desterrados e esquecidos

((o)) eco
http://www.oeco.com.br/foto/26121-indios-xavantes-desterrados-e-esquecidos?utm_source=newsletter_420&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco

Esta história que lhes conto é sobre luta. É sobre a busca por direitos humanos. É a história de um povo que há 20 anos vive sob a sombra de uma promessa. É sobre a ganância dos brancos. 

Esta história é sobre a ECO92 ou Rio92 e sua sósia, a Rio+20. 

E para tanto, pego as palavras de Andréia Fanzeres, que durante tantos anos escreveu e editou as páginas de ((o))eco, agora rege a comunicação da Organização Operação Amazônia Nativa – OPAN, que entre outros povos indígenas, busca soluções para os Xavante. 



Em 1966, os Xavante de Marãiwatsédé foram retirados de sua terra à força pelo governo brasileiro e levados para a Missão Salesiana São Marcos, onde foram catequizados e escolarizados. A intenção do governo militar na época era liberar o espaço para permitir o avanço das frentes de ocupação do Centro Oeste e da Amazônia.

Durante a Eco 92, proprietários da empresa italiana Agip Petroli, que haviam comprado um latifúndio dentro do território indígena, prometeram, por pressão internacional, devolver a área aos seus verdadeiros e legítimos donos.

Hoje, mesmo com o território reconhecido, demarcado e homologado desde 1998, e tendo vencido as batalhas judiciais pela retirada dos fazendeiros e políticos que incentivaram a invasão à terra indígena, as ameaças à integridade física, cultural e territorial Xavante continuam. Nenhum invasor foi retirado pelo governo, mesmo depois de dois anos da decisão da Justiça reconhecendo que o território foi invadido de má fé, e que os indígenas têm o pleno direito aos 165 mil hectares homologados e que os ocupantes não podem pleitear indenização.

Mesmo ao conseguir entrar na sua terra demarcada em 2004 com apoio da Polícia Federal, a hostilidade dos fazendeiros vizinhos, entre os quais prefeitos e políticos importantes da região, faz com que os indígenas sofram constantemente ameaças de morte. Por este motivo, os Xavante se mantém unidos em 1 única aldeia com 800 pessoas, das quais 300 são crianças, exercendo grande pressão ambiental sobre os parcos recursos florestais que restaram em seu território depois de décadas de intensa devastação.

Apoiando os ocupantes ilegais de Marãiwatsédé, o governo de Mato Grosso pressiona pela possibilidade de troca do território indígena pela área de um parque estadual, para onde os índios seriam novamente retirados a fim de permitir a consolidação da ocupação ilegal, que rende ao estado divisas provenientes da soja e da pecuária. Também com apoio do estado de MT, políticos pressionam pela criação da sede de um município no coração de Marãiwatsédé, onde existe hoje uma vila conhecida como Posto da Mata, aberta pelos invasores com hotel, escola, comércio, posto de gasolina e até uma unidade da polícia militar estadual.

Os Xavante se autodenominam A'uwê Uptabi ("gente verdadeira"). Pertencem ao tronco lingüístico macro-jê e à família lingüística jê. São um povo tradicionalmente coletor, caçador e pescador. Seus principais rituais incluem: oi’ó, dahono, darini, wa’ía, entre outros. Produzem artesanato com o buriti, algodão, madeira e algumas sementes. Apesar das ameaças à sua soberania territorial, a cultura Xavante continua a se manifestar com extrema vitalidade, sendo retransmitida de geração em geração através da língua, dos rituais e cerimoniais. Entre suas práticas esportivas estão o uiwede ("corrida de tora de buriti"), uma corrida de revezamento em que duas equipes de gerações diferentes correm cerca de 8 km, passando uma tora de palmeira de buriti de cerca de 80 kg de um ombro para o outro até chegarem ao pátio da aldeia.

Agora, na Rio+20, os Xavantes estão lá, na Cúpula dos Povos, buscando a solução para os 20 anos de promessas infundadas. Estão lá, para mostrar que existem, que Marãiwatsédé existe, que sua cultura e tradições existem. E se existem, devem ser respeitadas. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Xingu +23: pare Belo Monte

SBPC - JORNAL DA CIÊNCIA
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=82890


7. Xingu +23: pare Belo Monte, 
artigo de Rodolfo Salm

Rodolfo Salm é professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Altamira e faz parte do Painel de Especialistas para a Avaliação Independente dos Estudos de Impacto Ambiental de Belo Monte. Artigo enviado ao JC Email pelo autor.


Paralelamente aos primeiros dias da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada de 13 a 22 de junho, na cidade do Rio de Janeiro, com a meta vaga de "contribuir para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas", foi organizado em Altamira, no Pará, o encontro Xingu+23, com o objetivo explícito de lutar contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu. O +23 faz referência ao número de anos desde o primeiro encontro dos povos indígenas de Altamira, ocorrido em 1989, já voltado à oposição à construção desta hidrelétrica no rio Xingu, quando os índios aqui reunidos, aliados a movimentos sociais, conseguiram cancelar o financiamento do Banco Mundial para o desenvolvimento das obras. Hoje, Belo Monte não é mais um projeto, mas uma obra em andamento, e neste encontro foram debatidos seus terríveis impactos, que já assolam a população desta região da Amazônia.

A abertura do evento aconteceu no dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, na comunidade batizada com o nome do santo, ou pelo menos no que sobrou dela, pois a vila foi destruída para a construção da hidrelétrica. A data era, por um lado, especial, pois era o dia do padroeiro da vila, celebrado há muitos anos naquela comunidade; e, por outro, muito triste, pois seria a última celebração feita na comunidade.

Emoção sintetizada no depoimento do senhor Élio Alves da Silva, antigo morador da comunidade, e que deu início ao encontro. Élio lembrou os antigos moradores da vila que não estavam mais lá, suas alegrias em uma vida simples de luta de muitas décadas, testemunhada pelas mangueiras antigas, que cobriam os bancos, o altar e o estandarte montados ali para a celebração. "Criei meus filhos à custa do Xingu. Foi o rio mais rico que conheci. Mas hoje pescadores não conseguem mais pescar. Cada dinamite que explode parece que tem uma coisa explodindo aqui dentro do meu peito", disse ele. Que completou contando que, se quisesse visitar algum dos seus antigos vizinhos, não teria como, pois todos se mudaram não se sabe para onde, com uma indenização em dinheiro que nem de longe paga o trabalho que tiveram por lá.

Vidas destruídas, uma comunidade dilacerada. E não pôde completar seu discurso, pois a emoção lhe encharcou os olhos e travou a garganta. Além dos pequenos agricultores que lá estavam, acompanharam o evento estudantes, jornalistas, índios da região do Xingu e Munduruku, da região do Alto Tapajós, também ameaçados pela construção de barragens naquele outro rio, para nos lembrar de que este não é um problema só do Xingu, mas de toda a região amazônica, ameaçada pelo modelo de desenvolvimento econômico imposto para a nossa região. Além de um casal de ativistas turcos, que enfrentam problemas similares causados pela construção da hidrelétrica de Ilisu, no rio Tigre, para nos lembrar de que este também não um problema só da Amazônia, mas mundial.

O ponto alto do encontro foi um protesto iniciado na madrugada do dia 15 - cerca de 300 manifestantes, às 5 horas da manhã, dirigiram-se ao canteiro de obras de uma ensecadeira de Belo Monte, barragem provisória de barro de pedras, que cortou o rio e que havia sido construída recentemente próxima à comunidade de Santo Antônio. Munidos de pás, enxadas e picaretas, abriram um caminho estreito de 15 metros de comprimento e 1,5 m de profundidade no barramento para que o Xingu pudesse correr uma vez mais, ainda que simbolicamente, ao longo de seu curso natural (ver o vídeo: Indígenas ocupam Belo Monte). Também fincaram 200 cruzes representando as mortes causadas pelo empreendimento e plantaram 500 mudas de açaí, simbolizando o sonho de recuperação daquela área degradada. Depois, sentados sobre a ensecadeira, escreveram com seus próprios corpos dispostos em forma de letras "Pare Belo Monte", para que fossem fotografados do céu.

Enquanto na Rio+20 discute-se o conceito vago de "Economia Verde", o novo termo da moda, tão vazio de significado quanto o antigo e já desacreditado "Desenvolvimento Sustentável" dos anos 90 (vazio porque mal nascido, já apropriado pelo agronegócio brasileiro, fortemente representado na Conferência das Nações Unidas, cinicamente se auto-intitulando "verde"), a Xingu +23 tinha um recado bem claro para passar para o mundo: essa sandice de barrar todos os rios do planeta a todo custo tem que parar, começando por Belo Monte no rio Xingu.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

MARÃIWATSÉDÉ DE LUTO


19 de Junho de 2012 · por  · in Uncategorized

Crianças Xavante em Marãiwatsédé são as mais vulneráveis ao descaso com a saúde. Foto: Adriano Gambarini/OPAN
Enquanto lideranças Xavante pressionam na Rio+20 por saída imediata de invasores que devastam Marãiwatsédé, mais uma criança falece por desnutrição na aldeia, em Mato Grosso.
Rio de Janeiro – Foi com pesar que os Xavante de Marãiwatsédé na Rio+20 receberam a notícia de que um bebê de 10 meses faleceu por desnutrição na aldeia, no nordeste do Mato Grosso. Esta é a segunda morte em dois meses. As crianças, junto com os idosos, são os mais vulneráveis às deficiências na atenção à saúde indígena.
Há anos o povo Xavante de Marãiwatsédé reivindica melhorias na assistência dos serviços públicos. Em maio, eles denunciaram ao Ministério Público Federal em Mato Grosso que as unidades de saúde dos municípios mais próximos a aldeia, como São Félix do Araguaia, Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia, Ribeirão Cascalheira, Canarana e Água Boa frequentemente boicotam o atendimento aos indígenas de Marãiwatsédé. “As crianças sofrem com diarreia, vômito e pneumonia porque consumimos água de córregos poluídos”, reclama o cacique Damião Paridzané.
Em dezembro do ano passado, os Xavante já tinham procurado o MPF para denunciar que aviões despejavam diariamente agrotóxicos nas lavouras que existem no interior da terra indígena e nas proximidades da aldeia, provocando doenças respiratórias em boa parte da comunidade nos dias seguintes.
Das cerca de 200 crianças de zero a cinco anos que vivem hoje em Marãiwatsédé, mais da metade sofre de desnutrição. Esta é uma triste consequência da gravíssima situação de insegurança alimentar, vivida pelo povo Xavante. “Quando um paciente sai da aldeia, não tem apoio para alimentação também. Isso não acontece só em Marãiwatsédé. É uma situação de abandono dos povos indígenas. Quando isso vai melhorar?”
Por causa do seu território invadido, os indígenas são ameaçados e impedidos de usufruir dos poucos recursos florestais restantes nos 165 mil hectares homologados pela União desde 1988. Por outro lado, a devastação da área fez com que a caça desaparecesse e que o recurso pesqueiro diminuísse. Ocupando uma área devastada pela ocupação ilegal, o cultivo tradicional fica muito prejudicado.
Marãiwatsédé é conhecida como a terra indígena mais devastada da Amazônia brasileira em decorrência da invasão de latifundiários, iniciada durante a Rio92, logo após o compromisso verbal da empresa italiana Agip Petroli de devolução do território aos seus verdadeiros e legítimos donos, retirados à força de lá em 1966. Na época, funcionários da própria Agip, fazendeiros e políticos locais orquestraram a invasão e o leilão de terras em Marãiwatsédé.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

“EU QUERO MINHA NETA VIVA EM MARÃIWATSÉDÉ”

http://maraiwatsede.wordpress.com/2012/06/17/sem-negociacao-eu-quero-minha-neta-viva-em-maraiwatsede/


SEM NEGOCIAÇÃO: “EU QUERO MINHA NETA VIVA EM MARÃIWATSÉDÉ”

Mesa “Marãiwatsédé – Terra de Esperança” na manhã deste sábado na Rio+20.
Povo Xavante retorna ao Rio para cobrar promessa não cumprida desde a Eco92.
Rio de Janeiro – “Meu programa saiu do ar porque o diretor um dia me perguntou: a quem interessa o índio brasileiro? Eu nunca me senti tão constrangido”, testemunhou o ator Marcos Palmeira, que participou ativamente da mesa que discutiu a desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsédé na Cúpula dos Povos. Palmeira, que já foi batizado pelos Xavante e mantém uma relação de respeito com os povos indígenas, resumiu: “Esta é uma luta por dignidade. É uma luta do povo brasileiro contra a hipocrisia, a demagogia”, disse Marcos Palmeira. Ele esteve ao lado de Marcos Apurinã (COIAB), Márcia Zollinger (MPF MT), Marcio Astrini (Greenpeace), Aluizio Azanha (FUNAI), Ivar Busatto (OPAN), os antropólogos Iara Ferraz e João Pacheco (Museu Nacional), além da presença histórica do cacique Damião Paridzané.
Participantes da Mesa.
Cerca de 300 pessoas assistiram emocionadas ao evento, que começou com a exibição do curta metragem de Marcelo Bichara “Homem branco em Marãiwatsédé”, seguido por apresentações de danças e cantos rituais executados pelos 13 indígenas que viajaram por 3 dias desde a aldeia, no nordeste do Mato Grosso, até o Rio de Janeiro.
Marcos Apurinã, coordenador geral da COIAB, destacou que Marãiwatsédé simboliza a luta de todos os índios. Uma história densa, complexa e perversa, que envolve também a devastação, desde a Rio92, de cerca de 90% da terra indígena por grandes empresas agropecuárias que lucram com a produção ilegal de carne e grãos, conforme relatou Marcio Astrini, do Greenpeace.
A antropóloga Iara Ferraz assistiu com os próprios olhos políticos e fazendeiros se articularem logo após a Rio92 para invadir Marãiwatsédé e deu seu depoimento para enriquecer a compreensão do público sobre a região. João Pacheco sugeriu uma ação direta. “O processo de Marãiwatsédé deve ser levado para a Comissão da Verdade. Este é um povo que se encontra em uma das situações mais difíceis já vistas neste país”, declarou.
Através das palavras da procuradora Marcia Zollinger, do Ministério Público Federal de Mato Grosso, o longo e detalhado processo jurídico que adia a retomada de Marãiwatsédé pelos Xavante pôde ser compreendido com muito mais facilidade. Marcia, que esteve pessoalmente na aldeia no início deste mês para assistir a uma etapa do wapténhõno, ritual mais importante para os Xavante, explicou que graças a uma nova decisão do desembargador Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), a desintrusão do território xavante está novamente autorizada.
“Eu vou esperar mais 20 dias. Não 20 anos!” Cacique Damião Paridzané na Cúpula dos Povos da Rio+20.
Tenda Chico Mendes estava lotada.
“É um absurdo. Mesmo com decisão judicial unânime, ainda assim não conseguimos cumprir. O estado do Mato Grosso aprovou uma lei absolutamente inconstitucional oferecendo em permuta o Parque Estadual do Araguaia e por causa disso o desembargador Fagundes de Deus suspendeu a desintrusão em 2011. Mas agora a FUNAI tem 20 dias para apresentar o plano de desintrusão”, comemorou.
Aluizio Azanha, assessor da presidência da FUNAI, informou que o plano de desintrusão ocorrerá por partes. “Vamos começar pela retirada dos maiores latifundiários. O apoio da Polícia Federal será essencial por causa da situação de pistolagem na região”, informou.
O cacique Damião, que viu a promessa de devolução de seu território ser quebrada dias depois da Rio92, quando Marãiwatsédé foi ilegalmente leiloada por políticos de São Félix do Araguaia, pediu mais garantias desta vez. “Eu quero saber o que vai garantir que os fazendeiros saiam. Vamos passar a Rio+20 sem resolver? O que a FUNAI vai assumir?”, perguntou.
Durante esses 20 anos em que esperou com sua comunidade o fim do processo judicial, Damião já recebeu do governo de Mato Grosso muitas propostas. “Não adianta negociar com o governador. Eu não quero enganar, enfraquecer a Constituição Federal. Se eu negociar, vou ganhar cinco cabeças de gado. A vaca vai morrer. O dinheiro vai acabar. Mas a terra nunca acaba”, enfatizou. “Muito fazendeiro quer acabar com a minha vida, mas eu não vou desistir. Eu quero a minha neta viva em cima do território dela, que é Marãiwatsédé”.

A diáspora Xavante da Eco-92 a Rio+20

CARTA MAIOR
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20365&boletim_id=1237&componente_id=20062


Movimentos Sociais| 17/06/2012 | Copyleft 

A diáspora Xavante da Eco-92 a Rio+20

A situação do povo Xavante, da terra Maraiwatséde, no Mato Grosso, é um dos mais emblemáticos debates na Rio+20, que se dedica, em uma de suas vertentes programáticas, a revisar questões já discutidas 20 anos atrás, na Eco-92. O cacique Damião Paridzané veio ao Rio e foi enfático na cobrança por uma solução para o sofrimento que passam em sua luta pela terra: "vamos ter que esperar mais vinte anos?".

Rio de Janeiro - Uma das características que tem marcado a conferência Rio+20 é a revisão de ações iniciadas, ou que tiveram impacto, 20 anos atrás, na Eco-92. E a situação do povo Xavante, da terra indígena Maraiwatséde, é uma das mais emblemáticas. O cacique Damião Paridzané, que teve participação fundamental no primeiro encontro para recuperar a terra tradicional, foi enfático na cobrança por uma solução para o sofrimento que passam: "vamos ter que esperar mais vinte anos?", questionou em seu discurso, no seminário "Maraiwatséde – Terra da Esperança", que ocorreu sábado (16) na Cúpula dos Povos.

"Estamos aqui na Rio+20 buscando a solução para que aconteça a desintrusão dos invasores da nossa terra. Porque desde a Eco-92, ninguém quer resolver o problema. E mais uma vez, vamos fazer a cobrança", disse Damião.

A diáspora Xavante decorrente da expulsão dos índios de sua terra, Maraiwatséde, no norte do estado do Mato Grosso, em 1966, é um dos problemas mais constrangedores do indigenismo no Brasil. Os Xavante foram levados em aviões da FAB para um território localizado 400 quilômetros ao sul, para uma missão católica. Nos primeiros quinze dias, uma epidemia de sarampo matou 150 índios, e os sobreviventes fugiram para outras áreas Xavante, vivendo em um exílio interno no país. "O medo do sarampo fez com que o povo vivesse com medo por muito tempo, sem poder voltar para sua terra, parando em outras terras", recorda.

Após ser adquirido por uma empresa colonizadora paulista, de Ariosto da Riva, o território Xavante passou para as mãos do Grupo Ometto, se transformou no latifúndio Suiá-Missu, foi adquirido pela Liquigás e em seguida, pela compra das ações, passou para as mãos da empresa italiana Agip Petrolli, empresa Vaticano. Uma sucessão jurídica de posse sem que, em nenhum momento, a tradição da ocupação Xavante fosse um empecilho para os negócios. 

Foi então que a Eco-92 serviu para dar visibilidade e mudar a situação dos Xavante. Logo antes da conferência, a Agip foi constrangida na Itália por seus atos contrários aos direitos indígenas no Brasil. Paridzané foi até lá denunciar o que seu povo vivia – mas não chegou a ser recebido pelo Vaticano, um dos principais acionistas da Agip. Tendo que prestar contas em casa de seus atos, a empresa decidiu devolver as terras aos índios. Mas no Brasil, a filial abriu o latifúndio para invasões.

"Haviam cartazes dizendo para cada um posseiro ir pegar seu lote", contra a antropóloga Iara Ferraz, parceira dos Xavante nesse movimento, e autora do laudo antropológico da Funai que identificou a terra indígena. Ela conta que pelo rádio era incentivada a chegada de novos invasores, e entre as escutas captadas pela polícia federal na época, o racismo era a principal tônica, com trechos como "se gostam de índios na Itália, então leva eles para lá".

O ator Marcos Palmeira, solidário aos Xavante, esteve presente no seminário e em sua fala ressaltou o racismo contra os índios que permeia o discurso contrário aos direitos indígenas. Também abordou a hipocrisia dos grandes produtores: "eu nunca fui na casa de um brasileiro e alguém me ofereceu um prato de soja". Palmeira apresentava o programa Auwê na TV Cultura, sobre povos indígenas, que teria sido descontinuado por que, segundo teria dito a ele o presidente da Cultura, "a quem interessa o índio brasileiro? Eu nunca me senti tão constrangido."

Após a homologação, em 1998, a questão da terra indígena Maraiwatséde saiu das vias administrativas da Funai e foi parar nos tribunais. Tudo sem que os Xavante tivessem voltado para casa, ainda vivendo em exílio. A procuradora do Ministério Público Federal, Márcia Zollinger, fez um resumo da judicialização do caso. Em primeira instância a sentença judicial determinou a posse dos índios e a desintrusão dos invasores, que foi confirmada em segunda instância. A execução da ordem, no entanto, foi suspensa por uma liminar, recentemente cassada. "Agora o governo tem vinte dias para realizar a desintrusão e devolver a terra aos índios", afirmou a procuradora, de forma categórica.

Aluizio Azanha, representante da Funai, apresentou os passos que o governo está planejando para a desintrusão, que visa, primeiro, retirar os grandes fazendeiros, que não são clientes da reforma agrária. "Faremos junto da Polícia Federal, porque é uma área muito violenta."

Carolina Rewappu veio representar as mulheres Xavante. Socióloga, pós graduada pela Universidade do Mato Grosso e professora da escola, ela contou um pouco da história, e das cicatrizes. "Nós nunca vamos nos esquecer da nossa expulsão, do avião da FAB (Força Aérea Brasileira), que nos levou para a outra aldeia", disse. "Maraiwatsede continua na situação mesma situação daquele tempo, com o problema da invasão dos brancos na terra indígena."

"Sofremos até hoje. Estou aqui na Rio+20, e para vir aqui é sacrificado, é sofrimento. Na Eco-92 eu vim conseguir um caminho para recuperar a área Maraiwatsede. Faz 20 anos, e não consegui", disse Paridzané. Carregava na mão uma cópia do processo e uma borduna, a arma tradicional do povo Xavante. Ele apontou políticos e fazendeiros grandes como os mais influentes no lobby contra a terra indígena.

"O que acontece em Maraiwatséde é o que acontece com os guarani kaiowa, no Mato Grosso do Sul, é a violência contra os povos indígenas no Brasil", lembrou Ivar Busatto, da Operacão Amazônia Nativa (Opan), que organizou o encontro.

Paridzané é o maior símbolo da luta pela retomada, o líder que reorganizou o povo disperso em diversos territórios Xavante, e organizou, de forma efetiva, a entrada no território. Entre 2004 e 2005 os índios decidiram entrar. Ficaram meses acampados, frente a frente com a resistência armada dos invasores, com apenas um córrego separando o front. No discurso, ele expôs o risco de vida que está exposto em razão da omissão do Estado: "Eu estou muito ameaçado de morte pelos fazendeiros. Mas eu não vou parar por causa do que os fazendeiros falam, e por causa dos pistoleiros que os fazendeiros contratam para me matar. Eu não vou desistir da luta".

quinta-feira, 14 de junho de 2012

CARTA DO RIO + 20 REIVINDICAÇÕES INDÍGENAS

ACAMPAMENTO REVOLUCIONÁRIO INDÍGENA
http://acampamentorevolucionarioindigena.blogspot.com.br/2012/06/carta-do-rio-20.html


CARTA DO RIO + 20 
REIVINDICAÇÕES INDÍGENAS


Após 10 anos de governo do Partido dos Trabalhadores e, em que pese às inúmeras manifestações, acampamentos, ocupações de órgãos públicos denunciando o serviço público da assistência indígena (saúde, educação e da gestão patrimonial pública indígena), flagrada diuturnamente no crime de violação dos direitos humanos jamais visto na história recente do país contra a população indígena desta parte da América, tendo sido, inclusive, o Brasil, condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA – Organização dos Estados Americanos, A PARALISAR A OBRA DA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE por desrespeitar o princípio constitucional nacional e internacional da consulta aos povos indígenas antes da pratica de intervenções empresariais ou atos executivos e legislativos que afetem os direitos; interesses; bens materiais e imateriais, não demonstra nenhum sinal de alteração dessa política de aliança do Estado com o capital contra o segmento mais vulnerável e exposto da população, muito pelo contrário, até hoje não implementou a ordem judicial daquela egrégia Corte Internacional; desrespeitou e desrespeita as principais lideranças indígenas do país e nomeou, para presidência da FUNAI uma representante das ONGs que dominam a verba pública relacionada à gestão da assistência indígena e que são as responsáveis pela atual política de assistência.

Nós, cidadãos da cultura indígena, exigimos que o Estado Brasileiro respeite aos direitos relacionados à dignidade da pessoa humana; que atue de forma efetiva para que não haja qualquer intervenção empresarial, legislativa e executiva que impactem nossos direitos, interesses, bens materiais e imateriais e que se houver, que seja antecedida de consulta livre, informada, bilingue e direta sem a intervenção maléfica e maldosa dos gestores da área para aprovação dos interesses econômicos e empresariais em desfavor dos direitos ambientais e étnicos; que a gestão administrativa da assistência indígena seja justa e solidária e que haja prevalência dos direitos humanos nos atos relacionados à esta assistência.

As nossas reivindicações são direitos elementares e estão relacionadas a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-las e preservá-las para as presentes e futuras gerações. Nós somos Defensores Públicos de Direitos Humanos ambientais, sociais, religiosos, culturais e de territórios do patrimônio nacional e as nossas práticas e atos estão relacionados às condições que asseguram a preservação do meio ambiente e do seu uso sustentável e isso só será possível através de práticas e atos estatais respeitosos à diferenciação cultural; ao bilingüismo; à etnocidade; à diversidade; aos saberes, conhecimentos locais, regionais, étnicos; cosmológicos; à imprescritibilidade; à impenhorabilidade e a inalienabilidade.

Por tudo isso pedimos:

1 – Que o Estado Brasileiro reconheça que viola os Direitos dos seus cidadãos indígenas à educação por não ter sido capaz de implementar, até o momento, a escolarização básica de 1ª a 4ª série, bilíngüe; diferenciada e multiétnica;

2 – Que o Estado Brasileiro reconheça a inexistência da assistência da saúde indígena diferenciada e multiétnica;

3 – Que o Estado Brasileiro reconheça que os Gestores da Assistência Indígena realizada pela FUNAI violam os direitos e interesses indígenas de serem consultados sobre todos os projetos que impactam direta ou indiretamente os seus territórios, bens materiais e imateriais;

4 – Que o Estado Brasileiro reconheça que precariza, terceiriza e contrata cidadãos indígenas na condição análoga a de escravos nas áreas da assistência à saúde e educação através de ONGs que não possuem condições para arcar com os encargos trabalhistas, previdenciários e sociais;

5 – Que o Estado Brasileiro reconheça que inseriu os seus cidadãos indígenas num dos IDHs piores do mundo;

6 – Que o Estado Brasileiro reconheça que legisla sobre direitos e interesses ambientais, culturais, sociais, materiais e imateriais em desfavor dos seus cidadãos indígenas sem lhes consultar;

7 – Que o Estado Brasileiro e o do Vaticano reconheçam e a Excelentíssima Senhora presidenta da República Federativa do Brasil, juntamente com o Pontífice Papa peçam seus devidos perdões e desculpas e assumam a responsabilidade de reparar e indenizar pelas atuais, anteriores (guerra justa e escravidão) e graves violações dos direitos relacionados à dignidade da pessoa humana dos cidadãos brasileiros indígenas e que se comprometam a repará-los e indeniza-los nas mesmas proporções dos danos atuais e pretéritos experimentados e que a CNBB/Igreja Católica retire de seus templos religiosos, prédios, monumentos, livros e demais utensílios as imagens ou referências mostrando o genocídio indígena como algo positivo como no caso da igreja matriz de Porto Alegre onde encontra-se a representação de 4 etnias indígenas cujas cabeças são mostradas na base externa dos fundos da matriz em posição de tortura, com cabeça, mãos atadas e expressões de horror, mostrando os povos nativos como seres inferiores, escravizados e dominados.

8 – Que a Excelentíssima Senhora Presidenta da República determine que seja implementada à decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA – Organização dos Estados Americanos que condenou o Estado Brasileiro a paralisar as obras da Hidrelétrica de Belo Monte por não consultar aos seus cidadãos indígenas sobre as medidas econômicas/empresariais que impactem, seus territórios, bens materiais, imateriais, direitos e interesses, bem como para adequar todos os atos administrativos praticados pelas três funções do Estado Nacional Brasileiro e todos os entes federativos que violaram e violam direitos e interesses indígenas, bem como a suspensão de todas as intervenções em curso, criando um eixo temático específico na COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE cujo foco de estudo seja: As Nações Indígenas e a Ditadura Militar - subsídios para a Comissão da Verdade 1946-1988, bem como a indicação de uma liderança indígena para preencher um dos cargos de assessores que ainda estão em aberto;

9 – Que a Excelentíssima Senhora presidenta da República adote as medidas necessárias para a demarcação e homologação de todas as TIs já levantadas e estudadas e subscreva o Projeto de Lei de Iniciativa Popular, SUG. 02/2010 que cria o CNDDI – Conselho Nacional de Defesa dos Direitos Indígenas e o Fundo Social Indígena financiado exclusivamente pelo patrimônio indígena e pensado, administrado, dirigido e gerido por este;

10 – Que o colendo Congresso Nacional suspenda a Tramitação do Projeto de Emenda constitucional de nº PEC 215/2000 que altera as demarcações das TIs (Terras Indígenas) e do Projeto de Lei n PL 3571/2008 que dispõe sobre a criação do CNPI.

11 – Que a AGU – Advocacia Geral da União crie estrutura específica para a Defesa dos Direitos Indígenas em todos os Estados e DF, objetivando, inclusive, a revogação de possíveis decisões judiciais em seu desfavor;

12 – Que a Excelentíssima Senhora presidenta da República adote as medidas necessárias à entrega de todos os bens, direitos e patrimônios materiais e imateriais reivindicados pelos indígenas junto ao SPU; Ministérios; Empresas Públicas; Economias Mistas; Fundações da União Federal, Estados e Municípios;

13 – Que a colenda Câmara dos Deputados vote e aprove o PL 2057/1991 que cria o Estatuto do Índio e que garanta as cotas eletivas;

14 - Que a egrégia Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprove o PDL 2393/10 que revoga o Decreto Presidencial de n 7.056/09 que extinguiu os Postos Indígenas, Administrações Regionais; colocou os servidores indígenas em situações constrangedoras e não precedeu da devida consulta, bem como que a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal aprove o Projeto de Lei de Iniciativa Popular, SUG. 02/2010 que cria o CNDDI – Conselho Nacional de Defesa dos Direitos Indígenas e o Fundo Social Indígena financiado exclusivamente pelo patrimônio indígena e pensado, administrado, dirigido e gerido por este;

15 – Que as egrégias Comissões de Direitos Humanos das Colendas Câmaras dos Deputados; Senado Federal e a CGU – Corregedoria Geral da União instaurem procedimentos para apurar a prática de crimes, ilícitos administrativos e éticos contra os gestores públicos da assistência indígena: os representantes do CIMI (Conselho Indígena Missionário) lotados no Gabinete da Presidência da República: Srs. Paulo Maldus e o Excelentíssimo Sr. Ministro Gilberto Carvalho; o Excelentíssimo Sr. Ministro de Estado da Justiça, Eduardo Cardoso e do seu antecessor; do ex-presidente da FUNAI, atualmente responsável pela Educação Indígena no Ministério da Educação, Sr. Marcio Meira; da Presidenta e demais diretores da FUNAI, por serem os responsáveis pela política e execução da atual e criminosa gestão de assistência indígena do Governo Federal, bem como os atos cometidos contra os indígenas que protestaram pacificamente em frente ao Congresso Nacional e Ministério da Justiça, na Esplanada dos Ministérios, Brasília, DF, no ano de 2010 e a destinação imoral da verba destinada à proteção dos territórios indígenas, ou seja, do fundo PPTAL (Projeto Integrado da Proteção às Populações Indígenas da Amazônia Legal) às ONGs cuja inexistência da proteção leva ao assassinato de diversas lideranças indígenas;

16 – Que a Excelentíssima Senhora presidenta da Republica adote as medidas cabíveis para que os Concursos Públicos respeitem o Bilingüismo; a Diferenciação Cultural; saberes e conhecimentos regionais, locais e étnicos para regularizar a situação funcional dos Agentes de Saúde; dos Professores Indígenas e nas demais áreas de assistência indígena, garantindo cotas específicas;

17 – Que a Excelentíssima Senhora presidenta da República reconheça aos indígenas a condição de consultores ambientais e Defensores Públicos de Direitos Humanos Culturais, Ambientais e Religiosos para efeito de gestão sustentável e prioridade na participação nos projetos destinados a essa finalidade;

18 - Implementação imediata das Resoluções das Conferências de Saúde, Educação, Meio Ambiente e Direitos Humanos relacionadas ao seguimento social indígena e da Lei nº 11.645;

19 – Que a Excelentíssima Senhora presidenta da República determine à FUNAI que extinga imediatamente o Projeto DOBES, que privatiza o acesso às Línguas Indígenas Brasileiras, com o Estado Nacional criando obstáculos para a ampla divulgação e estudo da língua e do conhecimento dos Povos Originários, entregando à iniciativa privada estrangeira o mais precioso Patrimônio Imaterial dos Povos Indígenas Brasileiros, o Idioma; devolução imediata da propriedade intelectual das Línguas Nativas Brasileiras (matrizes) àqueles que detêm a sua posse, os falantes (pelo Concurso Público Diferenciado e Bilíngue como forma efetiva de fortalecimento das Línguas Indígenas Brasileiras);

20 – Que a e. Comissão Especial da Mineração em Terras IndígenasRegulamente e Regularize a mineração para os indígenas e sob seus domínios e controles e que se posicione CONTRA o PL nº 1610/96 em tramitação na Câmara dos Deputados que regulamenta a mineração para as empreiteiras e mineradoras em desfavor dos indígenas.

*

Estudo analisa projeto de lei que pretende tirar MT da Amazônia Legal

 https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2022/09/16/179606-estudo-analisa-projeto-de-lei-que-pretende-tirar-mt-da-amazonia-legal.htm...