sábado, 6 de dezembro de 2014

A cúpula de Lima dará um empurrão nas tecnologias verdes?

carta maior
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Meio-Ambiente/A-cupula-de-Lima-dara-um-empurrao-nas-tecnologias-verdes-/3/32365


A cúpula de Lima dará um empurrão nas tecnologias verdes?

Entre os dias 1º e 12, representantes de 195 países enegociam o rascunho de um novo tratado mundial destinado a reverter o aquecimento do planeta


Envolverde/IPS
Feggy Art / Flickr
Lima, Peru, 4/12/2014 – O caminho para a economia verde está cheio de recompensas e riscos, e os responsáveis políticos devem tratar de equilibrá-lo para que prospere a transição para as fontes de energia baixas em carbono, afirmam especialistas climáticos que participam da cúpula do clima na capital peruana. “Creio que o importante é que na maioria desses processos haverá ganhadores e perdedores”, afirmou à IPS John Christensen, diretor do Centro sobre Energia, Clima e Desenvolvimento Sustentável, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
 
“Devemos estar conscientes de que há pessoas que vão perder e que será preciso cuidar delas para que não se sintam excluídas. Devemos encontrar outras formas de torná-las participantes, porque do contrário haverá muita resistência por parte de grupos que têm interesses especiais”, afirmou Christensen por ocasião da 20ª Conferência das Partes (COP 20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática que acontece em Lima, no Peru.
 
Entre os dias 1º e 12, representantes de 195 países e centenas de membros da sociedade civil negociam o rascunho de um novo tratado mundial destinado a reverter o aquecimento do planeta, que deverá ser assinado dentro de um ano na conferência de Paris. A COP 20 oferecerá um adiantamento do que se pode esperar do Protocolo de Paris em relação à eliminação no longo prazo das usinas elétricas movidas a carvão, a taxa de utilização de energias renováveis e o apoio financeiro e tecnológico aos países vulneráveis e de menor desenvolvimento.
 
Por exemplo, Neves, uma ilha de 13 quilômetros de comprimento no Caribe, anunciou recentemente que está “prestes a passar a ser totalmente ecológica”. Seu vice-primeiro-ministro e ministro do Turismo, Marcos Brantley, se referiu à situação de geração de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis, a fim de desenvolver o turismo.
 
“Além de reduzir a pegada de carbono nacional, a preocupação pela gestão de resíduos é um tema particularmente difícil para todas as nações”, afirmou Brantley. Neves contratou a empresa norte-americana Omni Alfa para extrair energia de seus resíduos e construir um parque de energia solar, destacou. O ministro pontuou à IPS que esses avanços, “junto com o desenvolvimento de nossas fontes de energia geotérmica, prometem fazer de Neves o lugar mais ecológico na terra”.
 
Christensen disse que a reunião do Caribe poderia aprender lições com a Dinamarca, seu país de nascimento. Os estaleiros dinamarqueses não podiam competir com os da Coreia do Sul e da China, e “o governo por muito tempo continuou injetando dinheiro para tentar mantê-los respirando, em lugar de tentar a transição para outra coisa. Agora produzem moinhos de vento e outras coisas com mais futuro”, explicou.
 
Muitos países do Caribe usam óleo combustível ou diesel para produzir energia, além de gasolina para automóveis, tudo o que precisa ser importado, apontou Christensen. Mas poucos países insulares contam com os recursos financeiros necessários para pagar anualmente as importações de combustíveis, que são “bastante caras”, assegurou. Esses países deveriam aproveitar sua localização geográfica, que oferece “muito sol, potencial para biomassa e vento”, sugeriu.
 
Cuba fez uma transição importante para a energia solar no setor energético”, disse Christensen, e outros países do Caribe apostam na conservação das florestas e aproveitam mais recursos ambientais que antes consideravam sem valor. “Agora temos que falar sobre o que acontecerá se os países não avançarem. Como todas as ilhas, seus riscos de inundação aumentarão. Por isso, na transição verde, os países têm de buscar a forma de serem mais resistentes”, ressaltou.
 
Segundo Christensen, “há formas de melhorar a eficiência, porque o clima está cada vez mais quente, e, pelo lugar em que estão, é necessário buscar novas oportunidades na economia verde que também os protejam da mudança climática no futuro”.
 
O Centro e Rede de Tecnologia do Clima (CRTC), braço operacional do Mecanismo de Tecnologia da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (CMNUCC), incentiva a transferência acelerada, diversificada e gradual de tecnologias ecologicamente viáveis para a mitigação e adaptação à mudança climática no Sul em desenvolvimento, em linha com suas prioridades de desenvolvimento sustentável.
 
A CMNUCC realiza em Lima sua 20ª conferência anual das partes, que desde 2005 tem como instrumento em vigor o Protocolo de Kyoto, que deverá ser substituído pelo de Paris a partir de 2020.
 
“O CRTC é um motor, um veículo para ajudar os países a conseguirem economias verdes”, explicou à IPS Jason Spensley, a sua gerente de tecnologia climática. “Nos próximos dias veremos uma solicitação de Antiga e Barbuda relativa ao desenvolvimento da energia renovável, e especificamente da eólica… o preço da energia ali é muito alto”, afirmou. A República Dominicana também negocia com o CRTC a apresentação de um pedido de produção de energia renovável.
 
Nos últimos tempos o Banco de Desenvolvimento do Caribe, a maior instituição de crédito da região, redobrou as gestões para atrair o investimento em projetos de energia renovável e adaptação à mudança climática na região. Seu presidente, Warren Smith, disse que grande parte do Caribe oriental, que inclui os menores países, tem um grande potencial geotérmico que permitiria reduzir drasticamente a importação de combustíveis fósseis e até convertê-los em exportadores de energia, devido à proximidade de ilhas sem esses recursos.
 
Christiana Figueres, secretária-executiva da CMNUCC, exortou na COP 20 os 12.400 assistentes a desejarem grandes alturas e propôs várias linhas de ação fundamentais. “Primeiro, devemos trazer à mesa o projeto de um novo acordo universal sobre a mudança climática e explicar como serão comunicadas as contribuições nacionais no próximo ano”, enfatizou.


 
“Segundo, devemos consolidar os progressos em matéria de adaptação para conseguir a paridade política com a mitigação, devido à urgência de ambas por igual”, acrescentou Figueres. “Terceiro, é preciso melhorar a prestação de financiamento, em particular para os mais vulneráveis. Por fim, devemos estimular a ação cada vez maior por parte de todos os interessados para ampliar o alcance e acelerar as soluções que nos façam avançar a todos, mais rápido”, concluiu. Envolverde/IPS

Legalização da maconha: um debate inadiável no Brasil

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http://outraspalavras.net/blog/2014/12/04/legalizacao-da-maconha-um-debate-inadiavel-no-brasil/


Legalização da maconha: um debate inadiável no Brasil

Quando a sociedade proíbe uma droga, ela abre mão de controlá-la – sustenta o sociólogo e vereador carioca Renato Cinco
Um vídeo do Coletivo Candeia
É mais fácil para um adolescente, hoje, comprar um cigarro de maconha do que uma lata de cerveja: a venda do álcool é regulada e para o vendedor da maconha, que está na ilegalidade, tanto faz o comprador ser maior ou menor. Essa é uma das razões por que o sociólogo e vereador Renato Cinco (PSOL/RJ) defende a legalização da planta.
“Qualquer modelo de legalização é melhor do que manter a lógica de morte, prisão e violência que existe hoje”, afirma ele. “O tráfico de drogas é a principal razão da violência nas cidades e da prisão de jovens. Há usuários presos como traficantes e 60% dos traficantes encarcerados nunca pegaram em armas, são uma espécie de camelôs da droga.” A legalização da produção, comercialização e uso da maconha enfraquecerá o tráfico, pois a maconha ocupa cerca de 90% do mercado de drogas ilícitas.
Para ele, a legalização não deve permitir que surjam a Ambev ou a Souza Cruz da maconha – deve-se pensar uma regulamentação que evite os grandes negócios. “Tinha de ter a regulamentação do cultivo individual, a regulamentação das cooperativas e a de como ambos podem vender o excedente de produção. E a publicidade deve ser totalmente proibida“– afirma.
Num debate mais que necessário, o vereador carioca fala ainda sobre o uso medicinal e os riscos da droga, com a necessidade de ter uma Rede de Atenção em Saúde Mental. “As pessoas que desenvolvem dependência precisam ser atendidas com metodologia correta, e o atendimento ambulatorial é mais do que suficiente na maioria dos casos.” Confira na entrevista em vídeo realizada pelo Canal DoisP.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A dialética da crise

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http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/a_dialetica_da_crise


A dialética da crise

Por Luciano Martins Costa em 05/12/2014 na edição 827
Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 5/12/2014
 
A semana chega ao fim sob o signo da retórica. O conjunto de declarações, frases de efeito e slogans percorre o círculo vicioso da imprensa e termina em discurso improvisado pela presidente da República no Palácio do Planalto.
Estamos ainda em clima eleitoral, com o Congresso Nacional preparando as bases para um ajuste na economia e a mídia alimentando o clima de conflagração que predominou na disputa das urnas. Como numa versão caricatural da dialética, realidade e discurso evoluem e se contrapõem no ambiente midiático para criar um cenário de crise no campo político. Assim, a manipulação de declarações, suposições e evidências colhidas seletivamente das investigações sobre desvios da Petrobras alimenta frases e atitudes que têm como objetivo cada vez mais claro contestar o resultado da eleição presidencial.
Se não se pode afirmar que está em curso uma manobra golpista, há sinais visíveis de que se cria em Brasília um contexto nocivo à governabilidade. O fato de a presidente da República ter vindo a público para pedir respeito ao resultado das urnas e “às escolhas legítimas do povo brasileiro” significa que o governo sentiu o golpe e se reconhece vulnerável ao processo liderado pelo senador Aécio Neves, candidato derrotado ao Planalto.
Curiosamente, a declaração da presidente foi feita durante solenidade em que firmava convênio com outro líder do partido oposicionista, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin. Configura-se, assim, o fracionamento da oposição em duas frentes, uma das quais, representada por Alckmin e seu pragmatismo, condiciona as idiossincrasias partidárias às regras do jogo democrático. A outra frente, liderada pelo senador mineiro, alimenta o discurso radical e estimula manifestações de ativistas dispostos a qualquer coisa para fazer valer sua escolha, que foi derrotada nas urnas.
Ainda que separado por décadas e circunstâncias que correspondem a todo um século de História, convém não esquecer o episódio do incêndio do Parlamento alemão, o Reichstag, em Berlim, ato terrorista que deu a Hitler, em 1933, o último argumento para sequestrar o poder.
Radicalismo político
O leitor crítico da imprensa haverá de imaginar, aqui, que o observador foi possuído pela paranoia da conspiração, e teria razão, se tomasse como literal essa referência. Mas o escritor Klaus Mann já descreveu, no romance biográfico Mefisto, como uma ideia insana pode seduzir uma grande quantidade de cidadãos comuns insatisfeitos com o cotidiano e pouco providos de consciência política.
É nesse campo que atuam os semeadores da irracionalidade abrigados e remunerados pela mídia tradicional do Brasil. Até mesmo a suposta anomia do principal partido da oposição, o PSDB, aparece em artigos e editoriais nos últimos dias, o que lembra bastante a circunstância em que se encontrava a socialdemocracia na Alemanha durante a ascensão do nazismo.
Não há no horizonte um risco semelhante, mas o processo brasileiro tem muitas similaridades com a sucessão de fatos que conduziu os alemães ao desastre. O terreno para o cultivo das insanidades é o mesmo: a falta de educação política de grandes contingentes da população.
Os jornais criticam o PSDB por ter exercido, nos últimos anos, uma atitude pouco aguerrida na contestação ao governo petista. Alguns analistas apostam em uma aproximação maior entre os principais partidos oposicionistas, PSB e PSDB, tidos como moderados, e alguns atores mais aguerridos, como o bloco liderado pelos deputados Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Jair Bolsonaro (PP-RJ).
O que não se lê no noticiário é o fato de que a pauta do radicalismo político é criada e alimentada pela própria imprensa, no círculo vicioso citado acima. Ao se referir a esse movimento, ainda que para condená-lo, a presidente da República desce da tribuna simbólica que lhe proporciona o cargo e se mistura à vulgaridade do jogo sujo que corre nas redes sociais e nas páginas da mídia. Com essa atitude complacente e defensiva, ela aumenta o cacife dos que apostam na crise.
A retórica do golpe era apenas isso: retórica. A fala da presidente faz girar a engrenagem da dialética e coloca a tese aventureira dos insensatos no núcleo do poder, como queria a imprensa.
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Para manter a floresta em pé, PEC 215 deve cair

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http://www.ihu.unisinos.br/noticias/538162-para-manter-a-floresta-em-pe-pec-215-deve-cair


Para manter a floresta em pé, PEC 215 deve cair

Enquanto mais de 190 países se reúnem em Lima, no Peru, para discutir como superar o desafio das mudanças climáticasbancada ruralista tenta votar nesta quarta-feira (3) duas propostas que visam paralisar a demarcação deTerras Indígenas e outras áreas protegidas – um dos mecanismos mais eficientes para a proteção da floresta.
A reportagem é publicada pelo Greenpeace Brasil, 03-12-2014.
Duas propostas que restringem drasticamente os direitos territoriais das populações tradicionais podem entrar em votação no Congresso Nacional nesta quarta-feira 3 de dezembro. Se aprovadas, as medidas abrirão caminho para o maior golpe político da história recente contra os direitos dos povos tradicionais, inviabilizando na prática a demarcação de novas Terras Indígenas (TIs), a criação de Unidades de Conservação (UCs) e a titulação de Territórios Quilombolas, instrumentos fundamentais para o combate ao desmatamento.
Ao comprometer o modo de vida de populações locais e negar os direitos dos povos tradicionais sobre seus territórios, as propostas colocam em risco também o enfrentamento às mudanças climáticas e o futuro do planeta.
Para o Greenpeace, o projeto é baseado em ideias preconceituosas e promove uma perigosa e falsa oposição entre a manutenção dos direitos indígenas e o crescimento do agronegócio nacional.
Mobilização Nacional Indígena, rede de organizações coordenada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, promove um tuítaço nesta quarta, a partir das 10h30, contra as propostas. Participe!
O parecer da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, apresentado pelo deputado ruralista Osmar Serraglio(PMDB-PR), deve ser apreciado na Comissão Especial que analisa a matéria, às 14h30, no Plenário 12 da Câmara Federal. Já a Comissão Mista de regulamentação da Constituição deve votar o Projeto de Lei (sem nº) que regulamenta o Art. 231 da Constituição Federal, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), às 14h, no Plenário 13 da Ala Alexandre Costa do Senado.
Representantes da Sociedade Civil e indígenas das etnias Ava-CanoeiroApinajéKrahôTapuiaKanela doTocantinsXerente e Karajá de Xambioádo, todas do Tocantins, estarão em Brasília para realizar mobilização contra as propostas.
Abrindo as portas para o desmatamento
Apresentado por Serraglio como um substitutivo, o novo relatório da PEC 215 propõe uma ampla gama de exceções ao direito de posse e usufruto das terras por parte dos povos indígenas, além de inviabilizar novas demarcações e legalizar a invasão, a posse e a exploração de terras indígenas demarcadas. O projeto transfere, ainda, do Executivo para o Legislativo a prerrogativa de aprovar a oficialização de TIsUCs e territórios quilombolas e adota a data de promulgação da Constituição (5/10/1988) como “marco temporal” para comprovar a posse indígena. Ou seja: a comunidade teria direito à terra apenas se puder demonstrar que ocupava o território nessa data (saiba mais).
A outra proposta que pode entrar em votação, o Projeto de Lei Complementar que regulamenta o Art. 231 da Constituição Federal,éassinado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), ex-líder do governo no Senado – que também é relator do controverso parecer sobre a regulamentação da PEC do Trabalho Escravo. A proposta classifica propriedades rurais como “área de relevante interesse público da União”. Como consequência, o projeto estabelece que essas áreas poderão ser excluídas da delimitação das terras indígenas se seus títulos de ocupação forem “considerados válidos” ou poderão ser objeto de desapropriação ou de compensação com outra área ofertada pela União. Dessa forma, o projeto transforma interesses privados em “de relevante interesse público da União”.
Jogo de interesses
Em agosto deste ano a Polícia Federal interceptou uma ligação que indicaria interferência indevida de ruralistas no processo de elaboração da relatoria da PEC 215. Segundo a investigação, que culminou na prisão de Sebastião Ferreira Prado, líder da Associação de Produtores Rurais de Suiá-Missú (Aprossum), na gravação Prado pede contribuição para uma “vaquinha” de R$ 30 mil, que seria usada para pagar um advogado ligado a Confederação Nacional da Agricultura (CNA)para produzir o relatório e “colocar as coisas de interesse nosso”, como disse o ruralista.
Na época, a Justiça Federal em Mato Grosso considerou que os fatos representavam “um desvirtuamento da conduta do parlamentar responsável pela elaboração da PEC, eis que a CNA é parte política diretamente interessada no resultado da mencionada PEC”.
Pasto fértil para engorda da bancada ruralista
O governo de Dilma Rousseff foi o que menos demarcou TIs, desde a redemocratização do Brasil. Enquanto a média de demarcações do governo de José Sarney foi de 13 TIs por ano de governo, o governo Dilma tem média pífia de 3,6 TIs/ano.
Em outubro passado, no auge da campanha eleitoral, Dilma Rousseff garantiu em carta aberta que, se reeleita, se empenharia para mudar este cenário e que considerava a PEC 215 inconstitucional. “Nada em nossa Constituição será alterado com relação aos direitos dos povos indígenas! De todas as justas reivindicações apresentadas não tive dúvidas sobre a questão da inconstitucionalidade da PEC 215”, afirmou.
De acordo com o Rômulo Batista, da campanha da Amazônia do Greenpeace, se no cenário atual as propostas já possuem forte chances de passar no Congresso, graças a força da bancada ruralista, com a nova configuração das casas legislativas, a costura política do agronegócio se tornará ainda mais intensa.
“A única possibilidade de isso não acontecer é a presidente Dilma se empenhar para que a PEC não seja aprovada, honrando sua promessa de campanha. Agora é preciso que o governo mostre sua força e tenha uma atuação incisiva para que este tipo de proposta não siga adiante”, afirma Batista. Saiba mais aqui.

David Harvey critica modelo capitalista de urbanização

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http://fase.org.br/pt/informe-se/noticias/david-harvey-critica-modelo-capitalista-de-urbanizacao/


David Harvey critica modelo capitalista de urbanização

Recentemente, o geógrafo britânico lançou seu novo livro no Brasil. Ele participou de conferência em PE e visitou o Movimento Ocupe Estelita


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David Harvey: “As cidades devem ser para as necessidades das pessoas e não do capital”  (Foto: Passarinho/UFPE)
David Harvey não visitava Pernambuco há 40 anos. Quase não reconheceu a capital Recife, onde esteve recentemente para ministrar a conferência “Economia Política da Urbanização: acumulação do capital e direito à cidade”. O modelo de urbanização no capitalismo foi o foco de sua fala no evento, que reuniu cerca de 1500 pessoas. O geógrafo britânico, considerado uma referência em dinâmica do capital e estudos territoriais, esteve no Brasil para o lançamento de seu novo livro “Para entender O Capital: Livros II e III”, um guia de leitura da obra de Karl Marx.
O professor de antropologia da Pós-Graduação da Universidade da Cidade de Nova York (The City University of New York – Cuny) explicou que o sistema capitalista defende o crescimento, mas que não é possível mantê-lo o tempo todo. Dessa maneira,  surgem as dívidas, baseadas na promessa de se ter recursos no futuro. “Capitalismo, em vez de liberdade, é dominação”, afirmou Harvey. Para ele, é preciso inventar uma sociedade que não dependa do crescimento, mas sim da redistribuição da riqueza.
Auditório lotado com 1500 pessoas. (Foto: Evanildo Barbosa/FASE)
Auditório lotado com 1500 pessoas. (Foto: Evanildo Barbosa/FASE)
Harvey tem escrito sobre as mobilizações que surgiram, desde 2011, em diversas cidades do mundo, em contestação à dominação que as grandes empresas exercem sobre a produção do espaço, com seus impactos sobre a qualidade da vida urbana. “A urbanização planetária passou a ser o centro da reprodução do capital”, disse.
Durante a palestra, realizada no último dia 17, ele não deixou de analisar os protestos do ano passado no Brasil. Segundo o estudioso, eles foram fruto do descontentamento com o fato de as cidades não funcionarem para a maior parte da população. “As cidades devem ser para as necessidades das pessoas e não do capital”, defendeu. Harvey também salientou que houve explosões de descontentamento até mesmo em cidades como Paris e Londres, sendo preciso unir todas essas manifestações para gerar mudança.
David Harvey ao lado da equipe de organização do evento, da qual a FASE participou (Foto: UFPE)
David Harvey ao lado da equipe de organização do evento, da qual a FASE participou (Foto: UFPE)
A conferência foi promovida pela Editora Boitempo e pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com coordenação do Núcleo de Gestão Urbana e Políticas Públicas (Nugepp). Contou com o apoio da FASE, da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur) e da Comunidade Interdisciplinar de Ação Pesquisa e Aprendizagem (Ciapa). Além de visitar Recife, David Harvey esteve entre os dias 14 e 19 de novembro em debates gratuitos nas cidades de Brasília, Fortaleza, Curitiba e São Paulo.
Apoio ao Movimento Ocupe Estelita
“Eu escrevo sobre o direito à cidade, vocês o praticam. E isso é o mais importante”, declarou David Harvey em apoio ao Movimento Ocupe Estelita, que faz oposição, ao lado de outros movimentos urbanos de luta pelo direito à cidade, a um projeto imobiliário chamado “Novo Recife”. Ele visitou os armazéns do Cais José Estelita durante mais um dia de atividades do movimento. Lá foram realizados shows, debates sobre política, oficinas, projeção de filmes, exposições de fotografias, além de uma programação voltada para as crianças.
"Ocupar, resistir! ", gritaram os ativistas ao final da fala de Harvey (Foto: Ocupe Estelita/facebook)
“Ocupar, resistir! “, gritaram os ativistas ao final da fala de Harvey (Foto: Ocupe Estelita/facebook)
“Vocês não têm o grande capital do seu lado, não têm as grandes corporações do seu lado. Então, a única madeira de defender o que vocês têm é indo para a rua com outras pessoas, unidas, realizando atividades culturais, se divertindo e fazendo política ao mesmo tempo”, garantiu Harvey.
O empreendimento “Novo Recife” pretende levantar 12 torres com até 40 andares ao longo da orla, numa região próxima ao centro histórico da capital pernambucana. “Opor-se a esse tipo de desenvolvimento é opor-se ao Capital. Eu creio que em certo momento temos que nos tornar anticapitalistas e construirmos um tipo alternativo de sociedade, baseada em relações humanas diferentes e em diferentes estruturas sociais”, reforçou o geógrafo. E completou: “Creio que os tipos de solidariedade que podem ser construídas valem a pena por si só, porque vivemos numa cidade que é cada vez mais individualista, mas quando trabalhamos juntos a experiência é muito mais satisfatória”.
“Recife, cidade roubada”
O Movimento Ocupe Estelita acaba de lançar um vídeo em que denuncia o “Novo Recife”. De acordo com a produção, as irregularidades começaram desde o leilão do terreno, em 2008. O documentário destaca também que o projeto não contou com estudos de impacto ambiental e de vizinhança.
O filme é narrado por Irandhir Santos, ator pernambucano de destaque no cinema e na TV, e conta com o rapper Criolo na trilha sonora. Traz ainda entrevistas que citam as velhas práticas do empreendimento, como a apropriação de dinheiro público em prol de interesses privados e a realização de obras que aprofundam desigualdades sociais. “Nem tudo que é novo é bom. Nem tudo que é novo é novo”, diz a chamada.
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Onde está o nó da questão ecológica (I)?

Onde está o nó da questão ecológica (I)?
                                                               Leonardo Boff, ecoteólogo e escritor

            Estamos acostumados ao discurso ambientalista genralizado pela mídia e pela consciência coletiva. Mas importa reconhecer que restringir a ecologia ao ambientalismo é incidir em grave reducionismo. Não basta uma produção de baixo carbono mas mantendo a mesma atitude de exploração irresponsável dos bens e serviços da natureza. Seria como limar os dentes de um lobo com a ilusão de tirar a ferocidade dele. Sua ferocidade reside  em sua natureza e não nos dentes. Algo semelhante  ocorre com o nosso sistema industrialista, produtivista e consumista. É de sua natureza tratar a Terra como um balcão de mercadorias a serem colocadas no mercado. Temos que superar esta visão caso quisermos alcançar um outro paradigma de relação para com a Terra e assim  sustar um processo que nos pode levar a um abismo.
         Estamos cansados de meio-ambiente. Queremos o ambiente inteiro, vale dizer, uma visão sistêmica do sitema-Terra, do sistema-vida e do sistema-civilização humana, constituindo um grande todo, feito de redes de inerdependências, complementações e reciprocidades.
         Com razão a Carta da Terra tende a substituir meio-ambiente por comunidade de vida pois a moderna biologia e cosmologia nos ensinam que todos os seres vivos são portadores do mesmo código genético de base – os vinte aminoácidos e as quatro bases fosfatadas – desde a bactéria mais originária surgida há 3,8 bilhões de anos, passando pelas grandes florestas, os dinossauros, os colibris e chegando a nós. A combinação diferenciada desses aminoácidos com as bases fosfatadas origina a diversidade dos seres vivos. O resultado desta constatação é que um laço de parentesco une todos os viventes, formando, de fato uma comunidade de vida a ser “cuidada com compreensão, compaixão e amor”(Carta da Terra, n. I, 2). O que Francisco de Assis intuía em sua mística cósmica, chamando a todos os seres com o doce nome de irmãos e irmãs, nós o  sabemos por um experiento científico.
         Entre esses seres vivos ressalta o planeta Terra. A partir dos anos 70 do século passado se firmou, em grande parte da  comunidade científica, primeiro a hipótese e a partir de 2001 a teoria de que a Terra não somente possui vida sobre ela. Ela mesma é viva, chamada por seu formulador principal James Lovelock e no Brasil por José Lutzenberger de Gaia, um dos nomes da mitologia grega para a Terra viva. Ela combina o químico, o físico, o ecológico e antropológico de forma tão sutil que sempre se torna capaz de produzir e reproduzir vida. Em razão desta constatação a própria ONU em 22 de abril de 2009 numa famosa sessão geral aprovou por unamidade chamar a Terra de Mãe Terra, Magna Mater e Pachamama. Vale dizer, ela é um super Ente vivo, complexo, por vezes, aos nossos olhos, contraditório (faz conviver a ordem com a desordem) mas sempre geradora de todos os seres, nas suas mais distintas ordens, especialmente é gestadora dos seres vivos, maxime, dos seres humanos, homens e mulheres.
         Acresce ainda este dado que segundo o bioquímico e divulgador  de assuntos científicos Isaac Asimov, é o grande legado das viagens espaciais: a unicidade da Terra e da Humanidade.  Lá de fora, das naves espaciais e da Lua, diz ele e o confirmaram  os astronautas, não há diferença entre ser humano e Terra. Ambos formam uma única entidade. Em outras palavras, o ser humano, dotado de inteligência, de cuidado e de amor resulta de um momento avançado e altamente complexo da própria  Terra. Esta evoluiu a tal ponto que começou a sentir, a pensar, a amar, a cuidar e a venerar, como já acenava o grande cantador e poeta argentino indígena Athaulpa Yupanqui. Eis que irrompeu o ser humano no cenário deste minúsculo planeta Terra. Por isso, diz-se que homem se deriva de humusa: terra boa e fértil; ou adamah  em hebraico bíblico: o filho e a filha da terra arável e fecunda.
         Todo esse processo da gestação da vida seria impossível se não existisse todo o substrato físico-químico (a escala de Medeneleiev) que se formou no coração das grandes estrelas vermalhas, há bilhões de anos, que explodindo, lançaram tais elementos em todas as direções, criando as galáxias, as estrelas, os planetas, a Terra e nós mesmos. Portanto, esta parte que parece inerte, também pertence à vida, porque sem ela, ontem como hoje, a vida e a humana seriam impossíveis.
         A sustentabilidade –categoria central desta visão – é tudo o que se ordena a manter a existência de todos os seres especialmente os seres vivos e nossa cultura sobre o planeta.
       O que concluimos deste rápido percurso? Devemos mudar nosso olhar sobre a Terra, a natureza e sobre nós mesmos. Ela é nossa grande mãe que como  nossas mães merece respeito e veneração. Quer dizer, conhecer  e respeitar seus ritmos e ciclos, sua capacidade de reprodução, não devastá-la como  temos feito desde o advento da tecnociência e do espírito antropocentrista que pensa que ela só tem valor na medida em que nos é útil. Mas ela não precisa de nós. Nós precisamos dela.
         Esse paradigma está chegando ao seu limite, porque a Mãe Terra está dando sinais inequívocos de estar extenuada e doente. Ou reinventamos outra forma de atender nossas necessidades vitais na relação com a Terra ou ela, que é viva, poderá não nos querer mais sobre seu solo.
       Assumir este novo olhar e esta nova prática é, para mim, o grande nó e o desafio decisivo  da questão ecológica atual.

Leonardo Boff é autor do livreto com DVD As quatro ecologias: a ambiental, a social, a mental e a integral, Mar de Idéias, Rio 2011.

Estudo analisa projeto de lei que pretende tirar MT da Amazônia Legal

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