segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Movimentos sociais fazem balanço do FST e preparam mobilizações para Rio+20

ref - cúpula dos povos
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Movimentos sociais fazem balanço do FST e preparam mobilizações para Rio+20

por Paula Laboissière, da Agência Brasil
Plateia cheia durante Assembleia dos Movimentos Sociais, que encerrou as atividades do Fórum Social Temático (foto: Valter Campanato/ABr)
Cerca de 1,5 mil pessoas participaram hoje (28) de uma assembleia que reuniu mais de 100 movimentos sociais participantes do Fórum Social Temático (FST) 2012. Em carta, os ativistas citaram a construção de uma agenda e de ações comuns contra o capitalismo, o patriarcado, o racismo e todo tipo de discriminação e exploração.
A coordenadora dos movimentos sociais, Rosane Bertotti, explicou que o documento lista elementos em comum em meio à diversidade registrada na assembleia. Entre os destaques, temas como a democratização da comunicação, a violência contra as mulheres, o desenvolvimento sustentável e solidário, a reforma agrária, a agricultura familiar, o trabalho decente, a luta pela educação e pela saúde.
“Rejeitamos toda e qualquer forma de exploração e discriminação, seja ela no mundo do trabalho, sexista ou racial. Rejeitamos também toda forma de criminalização dos movimentos sociais e a forma como o capitalismo se reinventa na proposta de uma economia verde, achando que apenas pintar de verde um espaço vai mudar a realidade. Entendemos que, para mudar a realidade, não é só pintar de verde, é garantir direitos, liberdade de organização, democracia, proteção social”, disse.
Para o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, o FST constituiu um espaço importante para reunir ativistas de várias partes do mundo que, em 2011, deram lições de cidadania e consciência na luta pelo acesso à educação e pelo direito a uma educação de qualidade.
“O FST funciona como uma orquestra que consegue juntar diferentes opiniões de inúmeros países numa perspectiva de superar as desigualdades sociais e os desequilíbrios que hoje a gente enfrenta no mundo”, ressaltou. Entre as reivindicações do movimento estudantil brasileiro estão a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB)) para a educação, a vinculação de, pelo menos, 50% da arrecadação com a exploração do pré-sal para investimentos em educação e a valorização do professor.
O secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, avaliou que os debates do FST ficaram dentro do esperado. “Nós, do movimento sindical, viemos para o fórum para fazer o debate junto com as outras mobilizações dos movimentos sociais, para potencializar a nossa intervenção, as nossas propostas durante a realização da Rio+20.”
A ideia, segundo ele, é fazer com que a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) não seja apenas um espaço de debate para ambientalistas, mas que inclua nas discussões fórmulas para melhorar as condições de trabalho no mundo. “Não basta apenas produzir de forma sustentável, é preciso desconcentrar renda, respeito aos direitos dos trabalhadores, aos direitos sociais e, acima de tudo, ao cidadão.”
Já o presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Edson França, disse que a expectativa do movimento negro em relação ao FST foi superada, já que foi possível elaborar um documento com as reivindicações de todos os movimentos sociais.
“A questão racial aparece na carta porque o racismo é uma dimensão importante da opressão. Os movimentos sociais, a cada tempo que vai se passando, por meio do diálogo, vêm tomando entendimento e se sensibilizando a respeito disso”, explicou.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

RIO20 - GT EDUCAÇÃO


RIO20 - GT EDUCAÇÃO

Caros participantes,
Todos os documentos distribuídos através da lista virtual estão disponíveis em umdocumento completo nos seguintes links:


Nós compartilhamos a seguir alguns ultimos comentários recebidos.

Obrigado a todos / as!!!

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Marcha de abertura celebra o Fórum Social

carta maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19445


Marcha de abertura celebra o Fórum Social



Movimentos Sociais| 24/01/2012 | Copyleft 


Carta Maior conversou com ativistas que participaram da marcha de abertura do Fórum Social Temático, em Porto Alegre, e ouviu muitas declarações de entusiasmo, mas também reclamações. Encontro acontece até o próximo domingo (29) e foca temas relacionados à crise financeira internacional, ao meio ambiente e à Rio+20.



Porto Alegre - Nem o calor intenso do início ou a chuva forte no trecho final prejudicaram a "harmonia" da marcha de abertura do Fórum Social Temático, que começou nesta terça-feira (24) em Porto Alegre. O encontro que carrega o histórico lema "Um outro mundo é possível" acontece até o próximo domingo (29).

A caminhada entre o centro da capital e o Anfiteatro do Pôr-do-sol, onde ocorreriam apresentações musicais, ocorreu com muita animação. Milhares de manifestantes participaram da atividade, muitos exibindo bandeiras e faixas de movimentos sociais, sindicatos e ONGs. Outros tocavam instrumentos musicais e assopravam apitos.

Membro do Grupo Somos, que discute em Porto Alegre temas do movimento GLBT, Sandro Ka, de 30 anos, celebrava a chance de divulgar sua causa. ''O Fórum nos interessa porque sempre foi um evento marcado pela diversidade e pluralidade, não só das pessoas, mas também dos temas. Aqui a gente tem a oportunidade de demarcar e fortalecer nosso espaço como grupo", afirmou.

O Fórum Social Temático tem como foco das discussões a crise financeira internacional e o meio ambiente. O debate de propostas para Rio+20, conferência da ONU sobre sustentabilidade que acontece em junho, no Rio de Janeiro, é um dos principais objetivos do encontro. Mesmo assim, não faltam espaços para a discussão de temas diversos, como a causa GLBT.

Interessados no debate sobre sustentabilidade, a estudante de arquitetura chilena Barbara Torres, de 27 anos, e o aluno de filosofia Juliano Bonamigo, de 28, deixaram o Ecoacampamento Aldeia da Paz para participar da marcha. 

Eles explicaram um pouco sobre o projeto com o que estão envolvidos. "É uma proposta bem legal e funciona de um jeito alternativo ao acampamento da juventude. Ele prega valores como o da participação coletiva e autossustentabilidade, com idéias como a bioconstrução''.

Nem todos, porém, demonstravam otimismo com os rumos do fórum. O cientista social Thiago Aguiar, de 22 anos e membro do PSOL, avaliou que o encontro ganhou uma "conotação oficial" e reclamou da presença da presidenta Dilma Rousseff, que falará em uma atividade. 

''Infelizmente o Fórum não é mais o que era antes, quando era a referência do espaço de discussão e debate dos meios alternativos. Perdeu aquela idéia que tinha antes de 'um novo mundo é possível'. Agora ele ganhou uma conotação muito oficial", disse ele, que já participou de outras edições do encontro.

A crítica, porém, não é compartilhada por Ana Luiza, de 49 anos e pela primeira vez em um fórum social. "Estou muito entusiasmada. Ainda não me programei para as atividades, mas vou tentar ir a todas a mesas que tratem de saúde pública, já que é a área em que eu trabalho", contou ela.

RIO(marromeno)20 - MATO GROSSO

ARTICULAMENTO MATO-GROSSENSE PARA RIO20

Para textos, notícias, entrevistas e sistematização da rio20 (ver marcador rio20):
http://remtea.blogspot.com/

Para quem quiser conhecer o Tratado e seus 16 princípios, ver a coluna lateral do blog da Remtea.


CÚPULA DOS POVOS
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Princípios da cúpula dos povos
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zero draft
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proposta do BR
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GT EDUCAÇÃO
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MEMÓRIA DE REUNIÃO


PAUTA: preparatório à Rio+20
Data: 01nov11
Local: Sala 66 do IE-UFMT
Presentes: Caio, Lola, Adriana, Inácio, Eveline, Merel, Michellinha, Denize, Mari e Michèle
“Aparições espontâneas fugazes” – Giba, Luã, Lushi, Kelly


Recuperamos o histórico a partir da Eco92, de alguns ganhos e muitas perdas explícitas na Rio+10 (Johannesburg) e chegamos até a Rio+20, compreendendo que está mais pra Rio (menos) 20 do que mais.

Após o desenvolvimento sustentável triunfante lançado na Eco92, a economia foi tomando conta dos cenários para culminar na economia verde, chamamento central na Rio-20. Compreendemos que trata-se do velho capitalismo, revestido com outros codinomes, sob o espectro da “sustentabilidade”.

O que queremos: explicitar a pauta mercadológica, INSTITUÍDA pela ONU e outros setores hegemônicos, denunciando a crise estrutural da sociedade contemporânea e sendo capazes de anunciar um diálogo INSTITUINTE entre cultura e natureza.

Como: por meio de ciclos formativos (*) de vários elementos em pauta em MT, que em conexões regionais, nacionais e internacionais, consigam promover o debate“qual economia queremos”.

Mobilização: Promover aliança no Fórum Social Mundial (FSM) com propostas coletivas à Cúpula dos Povos, aliando o local ao global na perspectiva para que “um outro mundo seja possível”.

Logística: Convidar os parceiros e potencializar as ações conjuntas, debatendo várias formas de mobilização coletiva. Criar uma logomarca e um slogan que apareça nas nossas diversas ações e ciclos formativos.

(*) Proposta do ciclo de formação, que é apenas uma ideia que necessita ser melhor elaborada junto com os demais parceiros. Solicita-se material de subsídio, textos curtos que consigam expressar nossas propostas políticas. A Merel ficou de sistematizar os textos, a Michèle ficou de pedir grana pro Domingos Sávio e se não conseguir, o Formad irá doar DVD para gravações aos participantes deste “Movimento mato-grossense de resistência na Rio+20”.

Eixo condutor: qual economia queremos frente aos caos estrutural da sociedade contemporânea?


Mês 2012
Instituição responsável
temática
janeiro
Todos que puderem
Participar do FSM – Porto Alegre, RS
fevereiro
Comitê do agrotóxico
Agrotóxico (em Cuiabá e interior)

?
?
?
?
março
Remtea, iC & GPEA
Tratado de educação ambiental e economia ecológica
?
?
?
?
abril
OPAN
Povos indígenas e reforma agrária (evento em Cuiabá)
FUNAI
Povos indígenas (talvez em Colíder)
?
?
maio
Centro Burnier
Saúde pública? Ou trabalho escravo?
SEPLAN & iC
Conferência estadual dos grupos sociais
(*) um dia de debate coletivo para sistematizar as discussões nos ciclos prévios e encaminhamentos para o Rio (quiçá) mais 20.

(*) um dia de debate coletivo para sistematizar as discussões nos ciclos prévios e encaminhamentos para o Rio (quiçá) mais 20.

O quadro acima é só proposta, aliás, tudo está à mercê de modificação, conforme as deliberações da próxima reunião. Cada instituição verificará a logística, data e etc, sem a necessidade de uniformizar o processo.

TEMAS DE INTERESSE, ENTRE TANTOS OUTROS:
Agrotóxicos
Água
Arte e cultura
Ciência
Código florestaj
Economia ecológica
Educação
Energia (hidrelétricas e afins)
Grupos sociais vulneráveis
Povos indígenas
Quilombolas
Reforma agrária
Saúde pública
Trabalho escravo
Tratado de educação ambiental
Zoneamento ecológico econômico

A lista é aberta, por favor, adicionem outros grupos, movimentos e coletivos e ajudem a divulgar nossa próxima reunião:

Data- 21 DE NOVEMBRO DE 2011
Horário – 9-12h
Local – Sala 3 do bloco novo do IE-UFMT - ATENÇÃO – térreo do bloco novo (ao lado do prédio antigo do IE).
 *

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Cúpula dos Povos

fonte - cúpula dos povos
http://cupuladospovos.org.br/2012/01/cupula-dos-povos-entre-15-e-23-de-junho-em-defesa-dos-bens-comuns/



Cúpula dos Povos: entre 15 e 23 de junho, em defesa dos bens comuns

Informe do Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20
Janeiro de 2012
Entre 15 e 23 de junho deste ano, ocorrerá no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, a Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental. A sociedade civil global, organizações, coletivos e movimentos sociais ocuparão o Aterro para propor uma nova forma de se viver no planeta, em solidariedade, contra a mercantilização da natureza e em defesa dos bens comuns.
A Cúpula dos Povos ocorrerá de forma paralela à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. A reunião oficial marca os vinte anos da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92 ou Eco 92). Nestas duas décadas, a falta de ações para superar a injustiça social ambiental tem frustrado expectativas e desacreditado a ONU. A pauta prevista para a Rio+20 oficial, a chamada “economia verde” e a institucionalidade global, é considerada pelos organizadores da Cúpula como insatisfatória para lidar com a crise do planeta, causada pelos modelos de produção e consumo capitalistas.
Para enfrentar os desafios dessa crise sistêmica, a Cúpula dos Povos não será apenas um grande evento. Trata-se de um processo de acúmulos históricos e convergências das lutas locais, regionais e globais, que tem como marco político a luta anticapitalista, classista, antirracista, antipatriarcal e anti-homofóbica.
A Cúpula dos Povos quer, assim, transformar o momento da Rio+20 numa oportunidade para tratar dos graves problemas enfrentados pela humanidade e demonstrar a força política dos povos organizados. “Venha reinventar o mundo” é o nosso chamado e o nosso convite à participação para as organizações e movimentos sociais do Brasil e do mundo. A convocatória global para a Cúpula será realizada durante o Fórum Social Temático, em 28 de janeiro, em Porto Alegre (RS). O Fórum deste ano é, aliás, preparatório para a Cúpula.
Programação da CúpulaO Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20 está preparando o desenho da Cúpula dos Povos e do território que o evento ocupará no Aterro do Flamengo. O objetivo é que o espaço seja organizado em grupos de discussão autogestionados, na Assembleia Permanente dos Povos e num espaço para organizações e movimentos sociais exporem, praticarem e dialogarem com a sociedade sobre suas experiências e projetos. As ações da Cúpula estarão todas interligadas. Um grupo de trabalho sobre metodologia foi criado para detalhar a execução desse desenho.
A ideia é que a Assembleia Permanente dos Povos, o principal fórum político da Cúpula, se organize em torno de três eixos e debata as causas estruturais da atual crise civilizatória, sem fragmentá-la em crises específicas – energética, financeira, ambiental, alimentar. Com isso, espera-se afirmar paradigmas novos e alternativos construídos pelos povos e apontar a agenda política para o próximo período. O grupo de trabalho sobre metodologia vai propor a melhor forma de organizar esse debate e de afirmar novos paradigmas.
Os dois primeiros dias da Cúpula serão de atividades organizadas pelos movimentos sociais locais, que estão em luta permanente de resistência aos impactos das grandes obras. Desde esse momento, já estará montado um espaço de livre acesso, onde organizações e movimentos da sociedade civil global exibirão experiências e projetos que evidenciam como é possível viver em sociedade de forma fraterna e sustentável, ao contrário do paradigma hoje vigente. Por isso, o território da Cúpula dos Povos será organizado de forma livre da presença corporativa e com base na economia solidária, agroecologia, em culturas digitais, ações de comunidades indígenas e quilombolas. Esse encontro da cidadania, que também contará com atrações culturais, ficará aberto até o fim da Cúpula, no dia 23.
No dia 17, domingo, a organização da Cúpula prepara uma passeata para marcar o evento. A partir do dia 18, começarão as discussões autogestionadas e a Assembleia Permanente dos Povos. O 20 de junho será o Dia da Mobilização Internacional, com manifestações que enviem uma mensagem clara e incisiva para a Rio+20 oficial.
Programação
15 e 16 de junho: Atividades organizadas pelos movimentos sociais locais, que estão em luta permanente de resistência aos impactos das grandes obras.
17 de junho: Marcha de abertura da Cúpula dos Povos.
18 e 19 de junho: Atividades autogestionadas e Assembleia Permanente dos Povos.
20 de junho: Dia de Mobilização Internacional. Uma grande manifestação no Rio de Janeiro e em várias cidades do Brasil e do mundo para expressar a luta dos povos contra a mercantilização da natureza e em defesa dos bens comuns
21 e 22 de junho: Atividades autogestionadas e Assembleia Permanente dos Povos.
23 de junho: Mensagem final da Cúpula dos Povos, que expresse os acúmulos e acordos construídos pelos povos em luta por justiça social e ambiental.


Calor em MT faz plantação de milho virar pipoca

fonte - G17
http://www.g17.com.br/noticia.php?id=530

Publicado em 21/11/11 




Calor em Mato Grosso faz plantação de milho virar pipoca e carro pegar fogo 


Em Cuiabá (MT), as plantações de milho viraram pipoca, por causa do calor de cerca de 80 graus. Os agricultores perderam a produção do milho e terão que importar de outros estados. Mas em compensação a pipoca do cinema ficará mais barata, haja vista todo o milho daquela cidade ter se transformado em pipoca.

O calor também tem fritado os ovos de galinhas direto do ninho, e feito alguns carros pegarem fogo no centro da cidade. As pessoas estão tomando banho com protetor solar para não virarem torresmo.

Um gaúcho que mora em Cuiabá, acostumado com o frio do Rio Grande do Sul, disse que está se derretendo todo, mas que tudo tem o lado positivo: fazer churrasco usando os raios solares. 


Além das plantações de milho que viraram pipoca em Cuiabá (MT), os ovos de galinha estão sendo fritos direto do ninho\

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Rio+20: os equívocos da economia verde e das tecnologias.

fonte - ihu
http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/rio20-os-equivocos-da-economia-verde-e-das-tecnologias-entrevista-especial-com-kathy-jo-wetter/505705-rio20-os-equivocos-da-economia-verde-e-das-tecnologias-entrevista-especial-com-kathy-jo-wetter



Segunda, 16 de janeiro de 2012

Rio+20: os equívocos da economia verde e das tecnologias. Entrevista especial com Kathy Jo Wetter

“Está claro para a maioria das pessoas que chamar algo de ‘verde’ não significa que ele de fato o seja”, declara a pesquisadora do Grupo ETC.

Confira a entrevista.

A economia verde e “seu eixo central”, a tecnologia, estarão no centro das discussões ambientais a serem debatidas na Rio+20, em junho deste ano, no Rio de Janeiro. Entretanto, Kathy Jo Wetter, pesquisadora do Grupo ETC, alerta para a falta de clareza em torno do conceito, e para as apostas nas soluções tecnológicas. “A ausência de uma definição consensual de ‘economia verde’ no processo da Rio+20 é estratégico na medida em que assegura que ela pode significar qualquer coisa – ou nada! (...) Na ausência de fortes políticas sociais e de novas estruturas de governança, as mesmas companhias gigantes e transnacionais que controlam a nossa economia atual irão permanecer no controle dequalquer economia que possa haver no nosso futuro– seja qual for a sua cor. O pior cenário é que a economia verde simplesmente forneça camuflagem para a perpetuação da atual economia gananciosa”, esclarece em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.

As tecnologias, segundo ela, estão sendo apontadas pelos governos como uma alternativa para sanar os problemas climáticos e resolver, consequentemente, as questões sociais, especialmente em relação à fome e à distribuição de alimentos. “Meio século depois do nascimento do movimento ambiental moderno, todos os problemas sociais parecem exigir não políticas, mas sim soluções tecnológicas. De acordo com a sabedoria predominante, o antídoto para a doença é a medicina personalizada (via genômica); a fome pode ser saciada com a biotecnologia – a resposta ao Pico do Petróleo é a biologia sintética (isto é, a transformação da biomassa); a cura para Kyoto é a geoengenharia; a resposta ao “déficit de democracia” é a internet; e o fim da pobreza há de vir quando os governos adotarem a economia verde”, ironiza.

Entre as tecnologias testadas pelos países que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, Kathy destaca os investimentos na geoengenharia, uma tecnologia que garante a “intervenção intencional e de larga escala em sistemas planetários com a intenção de afetar o clima”, explica. Crítica dessa política, a pesquisadora argumenta que a “geoengenharia permite que os governos que desejam fazer pouco ou nada com relação às mudanças climáticas finjam que uma ‘solução’ tecnológica significa que eles podem agir unilateralmente para resfriar o planeta, mantendo estilos de vida exorbitantes”. E reitera: “A geoengenharia não pode fazer parte de um desenvolvimento e/ou economia socialmente justos e ecologicamente sustentáveis. A geoengenharia deveria ser banida completamente pelas Nações Unidas na Rio+20”.

Kathy Jo Wetter é pesquisadora do Grupo ETC, uma organização da sociedade civil internacional com sede em Ottawa, Canadá. Kathy dedica-se ao estudo das nanotecnologias, tecnologias convergentes, biologia sintética e concentração empresarial.

Confira a entrevista.



IHU On-Line – O que significa economia verde? Qual é o princípio desta economia e quem a controla? 
Kathy Jo Wetter – A “economia verde” pode significar, é claro, coisas muito diferentes, dependendo da sua perspectiva. Aausência de uma definição consensual de “economia verde” no processo da Rio +20 é estratégica na medida em que assegura que ela pode significar qualquer coisa – ou nada!

Embora seja popular nestes dias afirmar que a "operação padrão" não é uma opção, nossa pesquisa (ao preparar nosso recente relatório Who Will Control the Green Economy? (Quem vai controlar a Economia Verde?) levou-nos a concluir que, na ausência de fortes políticas sociais e de novas estruturas de governança, as mesmas companhias gigantes e transnacionais que controlam a nossa economia atual irão permanecer no controle de qualquer economia que possa haver no nosso futuro – seja qual for a sua cor. O pior cenário é que a economia verde simplesmente forneça camuflagem para a perpetuação da atual economia gananciosa.

No período que antecedeu a Rio+20, a noção de uma “grande transformação tecnológica verde” que possibilite a economia verde está sendo amplamente promovida como a chave para a sobrevivência do nosso planeta. A ideia é que iremos substituir aextração de petróleo pela exploração de biomassa (safras de alimentos e de fibras, pastos, resíduos florestais, óleos vegetais, algas etc.). Os propositores preveem um futuro pós-petróleo em que a produção industrial (de plásticos, de produtos químicos, de combustíveis, de medicamentos, de energia etc.) dependerá não de combustíveis fósseis, mas sim de matérias-primas biológicas transformadas através de plataformas de bioengenharia de alta tecnologia. Muitas das maiores corporações e dos governos mais poderosos do mundo estão promovendo o uso de novas tecnologias para transformar a biomassa em produtos de alto valor.

A biologia sintética está possibilitando a mudança de deslocar genes individuais de uma espécie para outra (plantações biotecnológicas ou geneticamente modificadas, por exemplo) para a construção de DNA artificial e a incorporação de DNA em células para criar algas e micróbios únicos, que são capazes de converter quase qualquer biomassa em quase qualquer bioproduto. Com bilhões de dólares de investimentos públicos e privados ao longo dos últimos anos (incluindo das maiores companhias de energia e produtos químicos do mundo), a biologia sintética vê a biodiversidade da natureza como biomassa, que pode ser convertida por micróbios sintéticos em combustíveis, produtos químicos, plásticos, fibras, produtos farmacêuticos ou até mesmo alimentos – dependendo da demanda do mercado na época da colheita.

Os maiores celeiros de biomassa terrestre e aquática estão localizados no Sul global e estão protegidos principalmente por camponeses, cuidadores de animais, pescadores e moradores das florestas cujos meios de vida dependem deles. A “economia verde” biobaseada poderia estimular uma convergência do poder corporativo ainda maior e desencadear a posse de recursos mais massivos em mais de 500 anos.

IHU On-Line – Por que a economia verde está em destaque nos debates sobre sustentabilidade?

Kathy Jo Wetter – Porque a orientação da maioria dos governos, liderados pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, deslocou-se fortemente em favor de mecanismos baseados no mercado como uma forma de provocar todo resultado desejado – por exemplo, reduções de gases do efeito estufa, proteção da biodiversidade e, agora, desenvolvimento sustentável – apesar dos óbvios fracassos desses mecanismos nestes e em outros contextos.

O papel da tecnologia na economia verde é central aqui: meio século depois do nascimento do movimento ambiental moderno, todos os problemas sociais parecem exigir não políticas, mas sim soluções tecnológicas. De acordo com a sabedoria predominante, o antídoto para a doença é a medicina personalizada (via genômica); a fome pode ser saciada com a biotecnologia – a resposta ao Pico do Petróleo é a biologia sintética (isto é, a transformação da biomassa); a cura para Kyoto é a geoengenharia; a resposta ao “déficit de democracia” é a internet; e o fim da pobreza há de vir quando os governos adotarem a economia verde.

Assim como na Cúpula da Terra no Rio em 1992, a tecnologia também será importante na Rio+20. Na luta pelo acesso, alguns governos não estão questionando se as tecnologias que eles querem são seguras, úteis, em última análise, ou trazem amarras consigo.

IHU On-Line – A economia verde dialoga com as políticas sociais?

Kathy Jo Wetter – Não até agora. No ETC Group, costumamos dizer que, se a “operação padrão” não é uma opção, a “governança padrão” também não. Novos modelos de economia mais sociais e ecologicamente sustentáveis são necessários para salvaguardar a integridade dos sistemas planetários para a nossa e para as futuras gerações. Mecanismos antitruste de autoridade e inovadores (que atualmente não existem) devem ser criados para reter o poder corporativo. Legisladores internacionais devem superar a atual desconexão entre segurança alimentar, agricultura e política climática – especialmente apoiando a soberania alimentar como o marco global para abordar essas questões. Todas as negociações devem ser moldadas pela forte participação dos movimentos sociais e da sociedade civil.

IHU On-Line – Que características deveriam fazer parte de uma economia sustentável?

Kathy Jo Wetter – Além das políticas mencionadas na resposta anterior, os governos devem apoiar economias verdes diversificadas, centradas no local, sendo social, cultural e ecologicamente apropriadas e justase que estejam baseadas no uso adequado da biodiversidade para ir ao encontro das necessidades humanas e salvaguardar os sistemas planetários.

IHU On-Line – A economia verde será um dos temas centrais das discussões da Rio+20 no próximo ano. Como vê esta discussão em uma conferência para o desenvolvimento sustentável?

Kathy Jo Wetter – A discussão não é surpreendente, dada a atual orientação dos governos aos mercados, o posicionamento das corporações transnacionais para permanecer no assento do motorista e a falta de precisão no próprio conceito de economia verde. No entanto, está claro para a maioria das pessoas que chamar algo de “verde” não significa que ele de fato o seja, e que devemos pressionar por resultados concretos na Rio+20, resultados que nos levem na direção do desenvolvimento sustentável.

IHU On-Line – Que avaliação você faz da COP-17, que aconteceu em Durban? O que os acordos políticos desta conferência demonstram sobre a preocupação mundial com as mudanças climáticas?

Kathy Jo Wetter – Tanto o processo confuso como o instrumento legal sem força escolhido para substituir o Protocolo de Kyoto em 2020 não são necessariamente sinais de que os governos mundiais não estão preocupados com as mudanças climáticas. Em nossa opinião, eles poderiam sinalizar algo ainda mais preocupante: ao não fazer nada de construtivo com relação às mudanças climáticas, os governos estão, com efeito, lançando as bases para uma “emergência climática” que providenciaria a sua justificação para a implantação de tecnologias de geoengenharia.

A geoengenharia é a intervenção intencional e de larga escala em sistemas planetários com a intenção de afetar o clima, e diversos governos da OCDE estão explorando as opções da geoengenharia. A geoengenharia permite que os governos que desejam fazer pouco ou nada com relação às mudanças climáticas finjam que uma “solução” tecnológica significa que eles podem agir unilateralmente (sem um acordo multilateral) para resfriar o planeta, mantendo estilos de vida exorbitantes. A geoengenharia, para esses governos, poderia ser politicamente popular dentro de casa e permitir-lhes economizar dinheiro no exterior. A geoengenharia está sendo proposta agora como uma solução rápida para as nossas outras crises ecológicas, como a acidificação dos oceanos, o nitrogênio e os desequilíbrios no ciclo da água. A geoengenharia não pode fazer parte de um desenvolvimento e/ou economia socialmente justos e ecologicamente sustentáveis. A geoengenharia deveria ser banida completamente pelas Nações Unidas na Rio+20.

IHU On-Line – Qual sua expectativa para a Rio+20, dez anos depois da Eco-92? Que temas são urgentes neste encontro?

Kathy Jo Wetter – A nossa expectativa não é alta, e a divulgação nesta semana do primeiro esboço “zero” do documento final da Rio+20 fizeram pouco para aumentar a nossa expectativa. No entanto, nenhum de nós pode se dar o luxo de descartar a Rio+20 como uma causa perdida neste momento. Em nossa opinião, a questão candente é a tecnologia – incluindo a sua propriedade e o seu controle –, porque a ela é amplamente vista como o eixo central da economia verde. A Rio+20 deve rever os compromissos assumidos na primeira Cúpula do Rio, incluindo os capítulos 34 e 35 da Agenda 21, que convocam os governos a adotar iniciativas de análise de tecnologia globais e nacionais. Nesses anos, desde a Rio-92, a capacidade dos governos e da comunidade internacional de realizar a análise e a avaliação de tecnologia diminuiu. Imediatamente depois da Rio-92, a capacidade da Comissão de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento das Nações Unidas – UNCSTD foi drasticamente reduzida, e a Comissão de Empresas Transnacionais das Nações Unidas – UNCTC, que monitorava as principais indústrias que desenvolvem novas tecnologias, foi eliminada totalmente.

O colapso na capacidade dos governos de analisar novas tecnologias – incluindo seus impactos socioeconômicos – ocorreu exatamente enquanto o mundo experimentava a mais rápida – e mais ampla – expansão de novas tecnologias da história. A preocupação pública pela segurança das novas tecnologias e a falta de confiança na capacidade dos governos de proteger seus interesses aumentaram com a descoberta, primeiro, da doença da “vaca louca”, depois, pela febre aftosa (principalmente nos países industrializados) e, mais tarde, pela rápida expansão de plantações geneticamente modificadas.

O sistema multilateral das Nações Unidas não tem capacidade confiável para avaliar as tecnologias ou para aconselhar os governos. Diversos países experimentam condições de saúde, ambientais e socioeconômicas extraordinariamente diferentes dentro das quais as tecnologias operam. Tendo em conta isso, há uma necessidade urgente de um monitoramento e de uma capacidade de compartilhar informações nacionais e globais que incluam a sociedade civil – especialmente aquelas comunidades indígenas e locais que possam ser direta ou indiretamente afetadas pela utilização de tecnologias.

A importância da agricultura e, dentro disso, a importância dos pequenos produtores – e a melhor forma de apoiá-los – também são uma questão candente para a Rio+20. De acordo com um relatório da Unep (intitulado Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza), há 525 milhões de pequenos agricultores, dos quais 404 milhões têm menos de dois hectares. Os pequenos agricultores não apenas são responsáveis por pelo menos 70% da produção agrícola global, mas suas ações coletivas também representam a nossa maior esperança para adaptar e mitigar a crise climática. Os legisladores internacionais devem superar a atual desconexão entre segurança alimentar, agricultura e políticas climáticas, especialmente apoiando a Soberania Alimentar como o marco global para abordar essas questões. (Em contraste ao atual sistema agroindustrial, que permite que regimes de comércio e forças de mercado internacionais ditem as políticas alimentares e agrícolas, a soberania alimentar implica os direitos das nações e dos povos de determinar democraticamente as suas próprias políticas alimentares e agrícolas.)

(Por Patricia Fachin. Tradução de Moisés Sbardelotto)

Estudo analisa projeto de lei que pretende tirar MT da Amazônia Legal

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