quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

REMTEA - uma paixão!



REMTEA
A Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental [REMTEA] foi criada em 1996 e já promoveu 6 encontros maravilhosos. Temos uma lista de discussão e também um site hospedado na Universidade Federal de Mato Grosso. Promovemos “tchá-co-bolo”, colóquios, reuniões presenciais... Somos um dos elos mais fortes do Grupo de Trabalho de Mobilização Social [GTMS], bastante ativo na referência das questões socioambientais de MT.
Somente em 2011 tivemos a ideia de criar um blog para descentralizar esforços, registrar a memória das coisas e dar visibilidade às nossas ações. A intenção do blog é também abrir diálogos com demais redes, locais ou temáticas, que considerem a educação ambiental como a esperança de nossos sonhos.
“Mudar a vida”, disse Rimbaud. É isso que queremos: a transformação das injustiças em flores de esperanças. UM MUNDO PARA TODOS!
Secretaria:
· Evandrus Cebalho – Instituto Caracol
· Denize Amorim – Secretaria de Planejamento de MT
· Lúcia Kawahara – Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte, GPEA/UFMT
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Trecho do artigo “Aracne: a educadora ambiental do signo Terra”, de Michèle Sato & Luiz Augusto Passos, publicado na Revista Brasileira de Educação Ambiental [REVBEA], sob a coordenação editorial da REMTEA desde sua fundação até o ano de 2009 [2004-2009].
REVBEA
ARACNE: A EDUCADORA AMBIENTAL DO SIGNO TERRA
SATO, Michèle; PASSOS, Luiz A. Aracne, a educadora ambiental do signo terra. In Revista Brasileira de Educação Ambiental. Brasília: v.2, n.3, , 2008, p.63-78.
Recuperamos na mitologia grega, a metáfora da superação do castigo da eternidade à vitória do instante. Sísifo é uma figura mitológica que roubou os segredos dos deuses. Como punição, Zeus ordena que ele carregue uma enorme rocha da base ao topo de uma montanha, retirando toda sua energia nesta ação. Entretanto, pelo efeito da gravidade, ao culminar no topo, a rocha rola morro abaixo. Na eternidade deste movimento, Sísifo é conhecido como algum trabalho ou atividade de extrema dedicação que finaliza de forma inócua - na eternidade temporal de desprender energia para novamente realizá-la em vão. Foi o fenomenólogo Camus (2005) que lhe confere uma nova interpretação, quando resgata a vitória de Sísifo contra a temporalidade, permitindo que seu destino seja vitorioso. É a face sofrida do retorno que lhe possibilita vencer o destino, e mesmo que só por um momento, ele vence o peso da rocha, supera as forças dos deuses e transcende a eternidade. É na descida do morro, no reinício de mais uma repetida tarefa, que um fio de esperança recorre suas memórias, e mergulhado no absurdo do silêncio, ele vence a fatalidade do destino, permitindo que aquele simples instante seja uma meta cumprida. É a magnífica poesia ‘Sísifo’ do poeta pernambucano Anderson Braga:

Rompe a manhã, senil, semeado de escombros,
Perde-se o meio-dia entre nimbos. Escura
Pende a tarde, sabendo cinza e sepultura.
O poeta carrega a noite sobre os ombros[1].

Na mitopoética da REMTEA, não sabemos se seremos vencedores pela eternidade. Mas estas não são as nossas escolhas. Nossa opção encantada é renascer em cada luta, na descida do morro ou na opção pela liberdade dos Karajás. É ouvir o canto do uirapuru nas asas da libélula, celebrando um ecologismo fenomenológico, que recupera com paixão o amor maior à vida, que servimos e nos subordinamos não às inesgotáveis equivocidades das teorias e interrupções sobre ela... Porque vidente, há de enxergar para além dos rolos enfumaçados do presente, que a opressão não durará, nem a injustiça, para sempre... Há uma humanidade nova nascendo do velho, e trazendo à luz há dezenove milhões de anos, uma terra nova... Tudo de novo virá! Vencendo o temor das incertezas... Removendo toda a lágrima, todo o pranto e anunciando que está em curso, e entre nós, e nos nossos corpos, uma evolução dos cosmos, uma nova tribo, uma nova raça enfeitiçada por uma história redimida pelas mãos dos pacíficos radicais: os que apostaram na fraqueza de tudo aquilo que parecia já perdido. Na Terra Pantaneira, há flores amarelas e vermelhas gritando nas mesas... Tiradas do sangue do coração. Nada, com a gente, depois de hoje, será igual amanhã!
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[1] www.plataforma.paraapoesia.nom.br/anderson.htm

Um comentário:

Regina disse...

mimi. que maravilha este blog. ficou ótimo! depois vc me dá umas ulinhas de blogspot. tá fera! super beijo de ad-miração, Ré