quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A Formação do Ambientalismo no Brasil

fonte - educação ambioental em ação
http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=808&class=02


No. 31 - 03/03/2010
A Formação do Ambientalismo no Brasil: um recorte histórico de 1968 a 1988
Este ensaio tem como objetivo descrever e refletir sobre as transformações que motivaram a evolução do movimento ambientalista no Brasil [...]
A Formação do Ambientalismo no Brasil: um recorte histórico de 1968 a 1988


Nilton Manoel Lacerda Adão. Geógrafo. niltonadao@hotmail.com
Joinville- SC.

Resumo

Este ensaio tem como objetivo descrever e refletir sobre as transformações que motivaram a evolução do movimento ambientalista no Brasil. O período a ser trabalhado inicia-se no conturbado ano de 1968 finalizando com a promulgação da Constituição e o assassinato de Chico Mendes em 1988. Esta fase da história recente do Brasil é palco de grandes transformações qual o ambientalismo sai do estado embrionário para dar seus primeiros passos. Formam-se, neste período, os pilares para a construção de uma nova “consciência” que valoriza e reconhece a necessidade dos meios naturais, busca contemporânea, fundamento da Educação Ambiental.

Palavras-chave: Ambientalismo. Movimentos sociais. Economia. Política.



Pertinência do Tema para Educação Ambiental

Fomentar novas atitudes nos sujeitos sociais é o desafio da Educação Ambiental (EA) na contemporaneidade. Fundamentada com base nas pressões da sociedade organizada, na forma do movimento ambientalista, a EA originou-se da luta de uma parcela da sociedade questionadora dos modelos sociais dominantes. Na atualidade agrega-se a esta questão a necessidade de um novo modelo de sociedade. Resgatar a historicidade do movimento ambientalista pode possibilitar ao educador ambiental uma análise, de forma crítica, das complexas relações entre os processos sociais e naturais de um passado recente, além de legitimar a EA como uma prática educativa primordial para construção de uma sociedade igualitária e um meio ambiente ecologicamente equilibrado.


A gênese do movimento ambientalista no Brasil: uma análise descritiva

Nas manifestações estudantis de Paris, em maio de 1968, jovens protestaram contra o modo de produção e a sociedade vigente ansiando por “um mundo melhor”. Esta nova proposta espalhou-se pelo mundo, os movimentos de contracultura ganharam consistência, mudando a maneira de agir e pensar de toda uma geração. No Rio de Janeiro, no dia 26 de julho do mesmo ano, estudantes e uma classe média intelectual organizaram a “Passeata dos Cem Mil” protestando contra a ditadura militar que assolava o país. Dias depois, aproximadamente vinte mil trabalhadores dos municípios de Osasco (SP) e Contagem (MG) mobilizaram-se em greves operárias. Na arte, Chico Buarque e Geraldo Vandré eram os ícones da música de protesto. Nesse mesmo período da história brasileira, em oposição criativa à ditadura, despontou o Tropicalismo de Caetano, Gil e Tom Zé.

Em resposta a essas manifestações contra os “militares”, em outubro, centenas de líderes estudantis foram presos. No mês de dezembro, foi decretado, no governo do Marechal Costa e Silva (1967-1969), o Ato Institucional nº 5 que dissolveu o Congresso Nacional e fortaleceu a ditadura militar. Ao mesmo tempo, a economia brasileira passou a atingir picos de crescimento jamais vistos no país. O período entre 1968 e 1973 ficou conhecido como o “milagre econômico brasileiro”. Enquanto outros países discutiam a degradação ambiental, representantes brasileiros, do então governo do General Emílio G. Médici (1969-1974), ofereciam o país para a exploração de seus recursos naturais sem restrições. Neste período, segundo Marcos Reigota,  o país buscava o destaque em relação aos demais paises emergentes da América Latina, neste sentido, “todos os seus projetos [do Brasil] que afetam drasticamente o meio ambiente são considerados prioritários, e a preocupação  com o meio ambiente é considerada pelos militares e tecnocratas um luxo dos países ricos” (REIGOTA, 1997, p. 53-54). Foi  nesse ambiente antidemocrático e “desenvolvimentista” que o Brasil participou da Conferência de Estocolmo (Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano) em 1972 como aponta Genebaldo Dias:

Para espanto do mundo, representantes do Brasil pedem poluição, dizendo que o país não se importaria em pagar o preço da degradação ambiental desde que o resultado fosse o aumento do PNB (Produto Nacional Bruto). Um cartaz anuncia: “Bem vindos à poluição, estamos abertos para ela. O Brasil é um país que não tem restrições. Temos várias cidades que receberiam de braços abertos a sua poluição, porque o que nós queremos são empregos, são dólares para o nosso desenvolvimento”. (DIAS, 2003, p. 36)

Toda essa euforia em nome do “crescimento a qualquer preço”, perdeu força com as crises do petróleo no mundo e com as redefinições nas políticas econômicas internacionais. Assim, cada país passou a tomar medidas protecionistas para fortalecer seu mercado interno.  Findada a era do “milagre brasileiro”, o General Presidente Ernesto Geisel (1974-1979) assumiu o governo propondo uma abertura política “lenta, gradual e segura” que viria a se consolidar com as eleições indiretas para Presidência da República em 1984.
No entanto, apesar das dificuldades impostas pela ditadura e das limitações teóricas quanto ao entendimento das questões ambientais, que se detinham apenas ao “ambiente natural”, em 1971 foi criada a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN), Organização não Governamental pioneira do movimento ambientalista brasileiro liderada por José Lutzenberger. A participação vexatória do Brasil, na Conferência de Estocolmo desgastou de certa forma a imagem do país no exterior. Diante disto, motivado pelas pressões de seus credores internacionais, o governo federal em outubro de 1973  inaugurou a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA) onde seriam tratadas as questões ambientais de âmbito nacional.  O Sema teve como titular o professor Paulo Nogueira Neto, responsável por delegações brasileiras em muitos encontros internacionais sobre a questão ambiental. Nogueira Neto, assim como José Lutzenberger, é considerado um dos grandes nomes do movimento ambientalista brasileiro.

Não se pode deixar de mencionar, na década de 70, os projetos governamentais para expansão das fronteiras para o “desenvolvimento do país”, acreditava-se que os problemas da reforma agrária e criação de novas fontes de riquezas estava no preenchimento populacional na  floresta Amazônica, reconhecida como uma região de grande vazio demográfico como cita Reigota (1997, p.59) “era necessário conquistar o vazio verde, ou seja, a Amazônia, para garantir a integridade do território nacional e as riquezas da potência emergente”. As políticas voltadas para o “desenvolvimento” da Amazônia, acentuaram os processos de grilagens, invasões e processos de colonização. Estes fatos fizeram da região norte do país um local de vários conflitos entre índios, colonos, madeireiros, mineradores, empresários, posseiros e extrativistas. Neste ambiente de forte luta pela questão da terra, emergiu a figura de Chico Mendes, fundador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri em 1977, que na sua luta a favor dos seringueiros foi premiado com o “Global 500” cedido pela Organização das Nações Unidas. Este prêmio deu a Chico Mendes o reconhecimento internacional como o ambientalista da Floresta Amazônica.

Nos grandes centros urbanos uma classe média esclarecida faz com que o ideário ambientalista cresça dentro de uma proposta menos naturalista. Em setembro de 1978, no 1º Simpósio Nacional de Ecologia organizado em Curitiba (PR), que resultou no documento denominado “Carta de Curitiba”, criticou-se o “desenvolvimentismo”, apontando os problemas ambientais como sendo também, sócio-culturais. Vale a pena apresentar parte da “Carta de Curitiba” transcrita por Genebaldo Dias:

Os modelos desenvolvimentistas da atual sociedade de consumo e, muito especialmente, o modelo brasileiro, são modelos absurdos, porque insustentáveis, isto é, suicidas. Estes modelos repousam no esbanjamento orgástico de recursos limitados e insubstituíveis.  Eles significam a destruição sistemática de todos os sistemas de sustentação da vida na Terra. ( DIAS, 2003, p. 486)

É possível perceber que com o passar do tempo a questão ambiental aos poucos se apresentava como a necessidade de mudança de atitudes para alcançar um novo paradigma de sociedade, caso contrário, a degradação ambiental descontrolada tenderia (e tende) a tornar insustentável a vida, de todo o tipo, no planeta. Vale transcrever as palavras finais de José Lutzenberger responsável pela palestra de encerramento do Simpósio de Curitiba de 78.

Aqui deixo uma sugestão que me parece muito importante: que politólogos e sociólogos de visão se aprofundem no estudo da Ecologia e examinem detidamente o funcionamento dos sistemas naturais intactos, enquanto os houver. Suspeito que acabarão por descobrir modelos extremamente relevantes para a condição humana. Ali não existem estruturas de poder central, hegemonias, dominação. O que existe é constelação de equilíbrios. Progresso, ali, é esmero de equilíbrio. (LUTZENBERGER, 1985, p. 102)

É perceptível o engajamento político e social de Lutzenberger, que procura dimensionar o seu discurso fomentando a necessidade  de estruturas políticas e socioeconômicas sem a alienação de qualquer forma de vida. Este discurso fundamenta-se num período em que o fim do regime militar passou a se tornar uma realidade e novos meios de progressos fundamentados em um regime democrático, sustentavam os ideários políticos da época.

 Assim, iniciou-se a década de 1980 com o processo de redemocratização que trouxe esperanças para as demandas sociais reprimidas, aumentando a força e a possibilidade de surgimento de novos movimentos sociais. Esperanças que se reforçaram com a volta dos exilados após a anistia de 1979. Dentre os exilados, muitos foram artistas, religiosos, escritores, professores, políticos, representantes de sindicatos, entre outros, que passaram a formar a intelectualidade e a “massa crítica” do país.

 Dentre eles, alguns foram responsáveis pelas criações e implantações de Organizações Não Governamentais (ONGs) no Brasil. Essas instituições têm um importante papel de difusão das questões que envolvem os problemas ambientais. Sobre o papel que as ONGs assumem no cenário nacional, Carlos Fico citou:

[...] no final dos anos 80, desenvolvi algumas pesquisas sobre um fenômeno que, naquela ocasião, chamávamos de “novos movimentos sociais”, vale dizer o pacifismo, o ecologismo, o movimento das mulheres, dos negros, dos índios, dos homossexuais e alguns outros, temas que guardam profunda relação com o campo de preocupação das ONGs. (FICO, 1999, p. 19)

Vale ressaltar, que desde 1981 o país já contava com a Lei nº 6938/81 dispondo da regulamentação de Estações Ecológicas, Área de Proteção Ambiental e da Política Nacional do Meio Ambiente. Já dispondo de uma legislação voltada para a questão ambiental, em meados de 1980, as inquietações no que corresponde à degradação  ambiental também passou a fazer parte da discussões dos movimentos voltados para os setores populares. Sobre esta questão Eduardo Viola ressaltou:

[...] um setor significativo dos grupos ambientalistas tinha descoberto que a conexão com os setores populares era uma tarefa crucial; em várias cidades industriais, grupos ambientalistas começavam a dialogar sobre problemas comuns com ativistas sindicais (particularmente em áreas críticas como Cubatão, Criciúma, Camaçari, etc); no sul do país o movimento dos trabalhadores rurais sem terra aproxima-se dos ambientalistas, esboçando-se a palavra de ordem de reforma agrária ecológica; os movimentos pró água e esgoto na periferia das cidades recebiam muitas vezes o apoio de grupos ambientalistas; na Amazônia, os seringueiros e índios começavam a receber o apoio de algumas entidades ambientalistas do Sul-Sudeste. (VIOLA, 1992, p. 60-61)

Para finalizar as conquistas das duas décadas da gênese do movimento ambientalistas e suas conquistas, questão ambiental recebeu na Assembléia Constituinte diante das pressões externas um capítulo e outros artigos relevantes na Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 5 de outubro de 1988. Iniciando-se como resultado das transformações sociais e políticas, uma sólida legislação relacionada ao meio ambiente fundamentada na Carta Magma do país. Merece uma transcrição o Artigo 225 regulando que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de   defendê-lo  e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” Neste documento, ao sugerir-se um meio ambiente ecologicamente equilibrado, entende-se como meio ambiente, todo espaço natural e de criação humana. Fundamenta-se como bem coletivo, impondo-se às propriedades privadas, o entendimento de que os recursos indispensáveis para a sobrevivência das gerações presentes e futuras são bens de uso comum cabendo a todos exigi-los, defendê-los e preserva-los. A abordagem dada à questão ambiental pela Constituição fez dela uma referência mundial ao tratar de determinado assunto em um documento que serve como diretriz para todas as ações políticas, sociais e individuais de um país.

O ano de 1988, usado como referência para finalizar este artigo se findou com uma notícia que viria a chocar toda  sociedade civil e ambientalistas do mundo inteiro. Foi assassinado de forma covarde com cinco tiros, Chico Mendes  que Boff (2004, p.142) muito bem soube definir como “São Francisco secular moderno”. Segundo este autor, Chico Mendes “ deixou a vida Amazônica  para entrar na história universal e no inconsciente coletivo dos que amam nosso planeta Terra e sua imensa biodiversidade”. (BOFF, 2004, p.143) Finaliza-se este artigo mencionando-se que este triste fato da história recente do país deve ser compreendido como o marco de uma luta que nunca deve cessar. Os dois olhos que se fecharam no dia 22 de dezembro de 1988 devem ser o pressuposto para as centenas de milhares de novos olhos e mentes que devem abrir-se.

Reflexões do autor para a atualidade
Os vinte anos de lutas e conquistas relatados no presente artigo, procuram, de maneira singela demonstrar alguns dos momentos relevantes para uma parcela da sociedade que resolveu se engajar na causa ambientalista. Vale ressaltar que as discordâncias conceituais sobre as formas de agir dos grupos que se intitulam ambientalistas sempre houve, mas este fato só tende a favorecer o desenvolvimento das discussões que a cada dia são mais consistentes e emergentes: a questão ambiental. Diante desta perspectiva, acredita-se ter formado em nosso país a possibilidade de uma visão ambientalista, fundamentada nas questões sociais, políticas e econômicas. Sendo que esta última ganhou forma nos “selos de qualidade” e nas “propagandas de um processo de produção sustentável”. Práticas que agregam valor aos produtos tornando a sua produção economicamente viável e lucrativa favorecendo um discurso de caráter economicista. Diante da complexidade das discussões que envolvem as questões de caráter ambiental, nos anos posteriores aos discutidos neste artigo, há a necessidade de uma análise  à parte. Esta reflexão deve possibilitar o surgimento de ações que busquem a concretização  de uma sociedade ecologicamente sustentável e com justiça social. Luta do passado e presente para a garantia do futuro. 

Bibliografia

BOOF, Leonardo. Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: Princípios e Praticas. São Paulo: Gaia, 2003.

FICO, Carlos. Ibase: usina de idéias e cidadania. Rio de Janeiro: Garamond, 1999.

LUTZEMBERGER, José. Ecologia: do jardim ao poder. 10ª ed. Porto Alegre: L&PM, 1985.

REIGOTA, Marcos. Meio Ambiente e Representação Social. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1997.

VIOLA, Eduardo J. O movimento ambientalista no Brasil (1971-1991): denuncia e conscientização pública para a institucionalização e o desenvolvimento sustentável. In: Goldemberg, Mirian.  Ecologia, Ciência e Política: participação social, interesses em jogo e luta de idéias no movimento ecológico. Rio de Janeiro: Revan, 1992.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Áreas protegidas da Amazônia x “progresso”

fonte - o eco
http://www.oecoamazonia.com/br/reportagens/brasil/364-areas-protegidas-da-amazonia-x-progresso?utm_source=newsletter_268&utm_medium=email&utm_campaign=hoje-em-o-eco-14-de-dezembro-de-2011


Parque Nacional Serra do Pardo, na região da Terra do Meio, Pará. Inventário biológico, feito no ano passado, serve de base para criação do plano de manejo da unidade - há anos região sofreu com desmates ilegais e pecuária extensiva. Foto: Karina Miotto
Áreas Protegidas são instrumentos fundamentais para a conservação da biodiversidade e importantes aliadas contra o desmatamento. Sua proteção estratégica está assegurada pela constituição e a delimitação desses espaços é baseada em estudos científicos que levam em consideração o equilíbrio ecossistêmico, biológico, valores culturais e cênicos. Apesar de sua importância, áreas protegidas como Unidades de Conservação (UCs) da Amazônia brasileira correm o risco de desaparecer, diminuir ou ainda terem suas categorias modificadas em nome de interesses políticos e econômicos.


Pesquisadores apontam que existe um grande movimento de desmonte de UCs na Amazônia através de Projetos de Lei, ações judiciais, portarias, decretos executivos e zoneamentos estaduais. Em 2010, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) afirmou na publicação “O Estado da Amazônia” que de 48 áreas protegidas da Amazônia Legal, 92% sofrem algum tipo de pressão externa direta por posse, exploração de madeira, obra de infraestrutura e exploração mineral. Além disso, existem 37 propostas formais de alteração dessas unidades. “Já foram reduzidos 13% de um total de 386.500 km² de áreas protegidas na Amazônia. Isso fora os mais de 80 mil km² de casos pendentes de decisão até a época em que finalizamos a análise”, diz Paulo Barreto, pesquisador do Instituto.

Mapa de Áreas Protegidas na Amazônia brasileira. Crédito: Imazon | Clique para ampliar
“Em Rondônia, em 2009, quando o governo federal confiscou gado criado ilegalmente dentro da Floresta Nacional (Flona) Bom Futuro, o governo estadual reagiu com uma chantagem: ou eles reduziam e alteravam a categoria da área ou o estado suspenderia as licenças estaduais para a construção das hidrelétricas Jirau e Santo Antônio”, lembra Barreto. Foi então que um projeto de lei reduziu parte dessa área e transformou a outra parte em Área de Proteção Ambiental (APA), categoria mais branda e que permite a ocupação privada.

No dia 15 de agosto de 2011, uma Medida Provisória (MP) de Dilma Rousself redefiniu limites de três UCs: Parque Nacional (Parna) da Amazônia (Amazonas/Pará), Parna do Mapinguari (Amazonas/Rondônia) e Parna dos Campos Amazônicos (Amazonas/Rondônia/Mato Grosso). A medida visa constituir um assentamento sustentável dentro do Parna Amazônia e dar espaço à construção das hidrelétricas Jirau e Santo Antônio em Mapinguari. Ela abre perigoso precedente e merece atenção porque o governo deixou de desapropriar grandes fazendas preferindo desmontar uma UC para realizar a reforma agrária e, além disso, os limites de uma área protegida foram modificados sem análise dos impactos.

“Existe um movimento amplo de subordinação da agenda ambiental e de conservação do nosso país”, afirma Henyo Barret, diretor acadêmico do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). “São sinais contraditórios. Ao mesmo tempo em que o Brasil reconhece em fóruns e reuniões internacionais que a crise ambiental é grave e precisa de atenção, aqui dentro estamos presenciando um ataque à legislação ambiental em prol de obras de infraestrutura e do agronegócio”, diz Adriana Ramos, secretária executiva adjunta do Instituto Socioambiental (ISA).


“É preocupante essa prática de reduzir e modificar categorias de UCs. Principalmente porque na maioria dos casos elas ocorrem sem qualquer estudo sobre as implicações dessa redução nos atributos ambientais e socioambientais. Isso fere a Constituição Federal. A supressão de qualquer UC só pode ser feita por lei, mesmo assim vetada a utilização que comprometa o atributo que justificava sua criação”, explica Brent Milikan, da International Rivers.

E a última medida que promete jogar lenha na fogueira na questão das Áreas Protegidas foi a assinatura, em Brasília, de um acordo de cooperação para a realização de Parcerias Público-Privadas (PPP) em Parque Nacionais, o que resulta em estudos de viabilidade de atividades econômicas permitidas em cada Unidade de Conservação. As ministras do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do Planejamento, Miriam Belchior, assinaram em outubro desse ano um acordo de cooperação. A proposta está em fase de levantamento e estudos de viabilidade.

Bolívia e Guiana
Semana passada, governo do Equador conseguiu mais de 100 milhões de dólares para não explorar petróleo em Yasuní, no Equador. Área protegida é das mais ricas do mundo em biodiversidade. Foto: Geoff Gallice | Clique para ampliar

A Amazônia boliviana abrange metade do país e tem 24% do seu território sob proteção: 16% de áreas protegidas nacionais e 8% estaduais. Após meses de protestos pela integridade do Parque Nacional de Tipnis o presidente Evo Morales sancionou, em outubro, uma lei proibindo estradas de cruzarem Parques Nacionais.


Já a Guiana possui apenas duas áreas de proteção - o Kaieteur National Park, criado em 1929 e que abrange uma área de 5.913 km² e a Área de Preservação da Vida Selvagem Iwokrama, criada em 1997 com uma superfície de 3.600 km². O país aprovou, este ano, um plano nacional de criação e manutenção de Áreas Protegidas.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Greenpeace faz protesto contra Código Florestal


Greenpeace faz protesto contra Código Florestal

Balão inflável trazia a frase “Dilma, Desliga essa Motosserra”
Da Agência Brasil
greenpeaceAgência Brasil
Greenpeace protesta contra aprovação do novo Código Florestal em Brasília


Brasília amanheceu nesta terça-feira (6) com uma manifestação contra a aprovação do novo Código Florestal. Na Praça dos Três Poderes, representantes do Greenpeace inflaram um balão gigante em formato de motosserra, que trazia as frases: “Senado, Desliga essa Motosserra”, de um lado, e "Dilma, Desliga essa Motosserra", de outro.
Leia mais notícias no R7

Para o Greenpeace, a aprovação do projeto do novoCódigo Florestal compromete as metas do país de preservação do meio ambiente. A engenheira agrônoma do Greenpeace Brasil Tatiana de Carvalho diz que o projeto vai resultar em aumento do desmatamento.

- O projeto de lei como está [escrito] vai levar ao aumento do desmatamento, [conceder] anistia para quem desmatou ilegalmente e ainda abrir brechas para novas concessões.

De acordo com ela, o texto em discussão no Congresso sobre o Código Florestal causa prejuízos para a sociedade, pois ameaça a segurança dos rios e do mar, além de pôr em risco as florestas do país.

- A gente já vê uma série de catástrofes naturais acontecendo de forma cada vez mais frequente. Esse [texto sobre o novo] Código Florestal não trata somente de questões rurais, mas também de questões urbanas, como a proteção de encostas.

A previsão é que o Senado, no plenário, vote ainda hoje o texto do novo Código Florestal. Até ontem (5), segundo assessores, foram protocoladas 44 emendas. Nos debates que ocorrerão ao longo do dia, podem ser incluídas mais propostas.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Cúpula dos Povos

http://cupuladospovos.org.br/cupula-dos-povos/

Cúpula dos Povos
Venha reinventar o mundo na Rio +20!

O Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20 chama
as organizações da sociedade civil e movimentos sociais e populares de
todo o Brasil e do mundo para participar do processo que culminará na
realização, em junho de 2012, do evento autônomo e plural,
provisoriamente denominado Cúpula dos Povos da Rio+20 por Justiça
Social e Ambiental, paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável (UNCSD).

Há vinte anos, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e
o Desenvolvimento (Rio 92) e o ciclo social de conferências das Nações
Unidas que a ela se seguiu discutiram os problemas globais que afetam
a humanidade e pactuaram uma série de propostas para enfrentá-los (as
Convenções sobre Mudanças Climáticas, Biodiversidade, Desertificação,
a Agenda 21, Carta da Terra, Declaração sobre Florestas, Declaração de
Durban, entre outras). Mas aquilo que deveria ter sido o início da
reversão das situações de miséria, injustiça social e degradação
ambiental frustrou boa parte das esperanças depositadas nesse
processo.

Sete bilhões de seres humanos vivem hoje as seqüelas da maior crise
capitalista desde a de 1929. Vivem o aumento gigantesco da
desigualdade social e da pobreza extrema, com a fome afligindo
diretamente um bilhão de pessoas. Presenciam guerras e situações de
violência endêmica e o crescimento do racismo e da xenofobia.

O sistema de produção e consumo capitalista, representado pelas
grandes corporações, mercados financeiros e os governos que asseguram
a sua manutenção, produz e aprofunda o aquecimento global e as
mudanças climáticas, a perda de biodiversidade, a escassez de água
potável, o aumento da desertificação dos solos e da acidificação dos
mares, em suma, a mercantilização de todas as dimensões da vida.

Enquanto estamos vivenciando uma crise civilizatória inédita,
governos, instituições internacionais, corporações e amplos setores
das sociedades nacionais, presos ao imediato e cegos ao futuro,
agarram-se a um modelo de economia, governança e valores ultrapassado
e paralisante. A economia capitalista, guiada pelo mercado financeiro
global, continua apoiada na busca sem limites do lucro, na
superexploração do trabalho – em especial o trabalho das mulheres e
dos setores mais vulneráveis –, na queima dos combustíveis fósseis, na
predação dos ecossistemas, no desenvolvimento igualado ao crescimento,
na produção pela produção – baseada na descartabilidade e no
desperdício e sem consideração pela qualidade da existência vivida.

Diante de tal conjuntura, o momento político propiciado pela Rio+20
constitui uma oportunidade única para “reinventar o mundo”, apontando
saídas para o perigoso caminho que estamos trilhando. Mas, julgando
pela ação dos atores hegemônicos do sistema internacional e pela
mediocridade dos acordos internacionais negociados nos últimos anos,
suas falsas soluções e a negligência de princípios já acordados na
Rio92, entendemos que se não devemos deixar de buscar influenciar sua
atuação, tampouco devemos ter ilusões que isso possa relançar um ciclo
virtuoso de negociações e compromissos significantes para enfrentar os
graves problemas com que se defronta a humanidade e a vida no planeta.

Entendemos que a agenda necessária para uma governança global
democrática pressupõe um fim da condição atual de captura corporativa
dos espaços multilaterais. Uma mudança somente virá da ação dos mais
variados atores sociais: diferentes redes e organizações não-
governamentais e movimentos sociais de distintas áreas de atuação,
incluindo ambientalistas, trabalhadores/as rurais e urbanos, mulheres,
juventude, movimentos populares, povos originários, etnias
discriminadas, empreendedores da economia solidária, etc. Necessitamos
construir um novo paradigma de organização social, econômica e
política que – partindo das experiências de lutas reais destes setores
e da constatação de que já existem condições materiais e tecnológicas
para que novas formas de produção, consumo e organização política
sejam estabelecidas – potencializem sua atuação.

A Rio+20 será um importante ponto na trajetória das lutas globais por
justiça social e ambiental. Ela se soma ao processo que estamos
construindo desde a Rio-92 e, em especial, a partir de Seattle, FSM,
Cochabamba e que inclui as lutas por justiça climática para a COP 17 e
frente ao G20. Este momento contribuirá para acumularmos forças na
resistência e disputa por novos paradigmas baseados na defesa da vida
e dos bens comuns. Assim, convidamos todos e todas para um primeiro
seminário preparatório desta Cúpula dos Povos, no dia 2 de julho de
2011, na cidade do Rio de Janeiro para – juntos e juntas –
construirmos um processo que culminará em nosso encontro em junho de
2012 e se desdobrará em novas dinâmicas.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

eco-ar-te


http://www.livrariarima.com.br/Default.asp?Menu=ProdutoDetalhes&ProdutoID=2255225


Eco-Ar-Te para o Reencantamento do Mundo (ref. 2254090)
MICHÈLE SATO (Org.) - 2011


Descrição

Esta obra, fruto do trabalho de 43 criadores, conta com um conjunto de significações distribuídas por seis poéticas: texto, imagem, paisagem, poesia, som e corpo. E, de fato, considerar a arte é combinar as imagens, objetos, ideias, sonoridades e sentimentos numa relação intrínseca ao domínio da imaginação e da criação. Este livro quer ressignificar nossos olhares, convidando para as trocas de lentes a fim de que a realidade seja percebida de uma maneira diferente. 

O título ´ECO-AR-TE´ foi escolhido por revelar três dimensões que conectaram os autores e, espera-se, tenham ressonâncias em outras pessoas: Ecologismo (eco) e Arte (ar) querendo se prolongar para além de nós mesmos (te). A eco-ar-te quer permitir que as pessoas percebam os fenômenos, as situações, os danos ambientais e as injustiças sociais, num jogo daqueles que não estão habituados a ter vitórias, mas jamais conseguiram perder as esperanças. O desejo é ir além da realidade cruel, resgatando o primitivo, os sonhos e as máscaras.

Sem a pretensão de guiar-se pelas teorias, escolas ou tendências, a proposta desta obra é alçar voos livres celebrando a intuição da arte como significados da Educação Ambiental. Como Michael Lowy, almeja-se uma revolução eco-socialista que aposta na mágica ideia de reencantamento do mundo. Não se trata de uma reinvenção da luz, mas de um jeito diferente de percebê-la. Como diria Lautréamont, é um convite para lançarmos um novo olhar que perceba que a poética da Educação Ambiental deve ser feita por todos. 

A luta ecologista pode ser árdua, mas nada retira dela sua esperança em um mundo mais feliz.


Especificações

360 páginas - 21x28 - Colorido - ISBN 978-85-7656-199-6


Sumário

Prefácio IX

Po-éticas da educação ambiental 2
Michèle Sato

I. POÉTICA DO TEXTO

Carta da Terra 11
Leonardo Boff

Ciência e Cultura 21
Marcos Terena

Educação Ambiental, Sociedade de Risco e o Desafio de Inovar para 
Modificar Práticas Sociais 28
Pedro Roberto Jacobi

Lições da Ciência Natural: A Arte de Aprender no Ambiente e com o Ambiente 35
José Gutiérrez-Pérez

Movimento Artistas pela Natureza (MAPN) 46

Arte Popular: Trilheira para a Arte/Educação/Ambiental 52
Imara Pizzato Quadros

No Fio da Navalha 63
Luiz Antonio Ferraro Júnior

Sonhos de Eduardo 73
Gabriel Felipe Kalb; Ivo Alberto Kalb

Civilização X Barbárie 82
Wladimir Gomide

II. POÉTICA DA IMAGEM

Não Há Regras, Apenas Materiais 87
Burnell Yow

Surrealismo 94
Bernard Dumaine

Surrealismo na Veia de Magritte 100
Flávio Zanelatto; Michèle Sato

Educação Ambiental e Suas Relações com o Universo da Fotografia 108
Martha Tristão; Vitor Nogueira

Arte, Sociedade e Educação Ambiental: Um Reflexo das Organizações 
Sociais, Económicas e Políticas 116
Joaquim Ramos Pinto; Manuela Galante

O Cinismo do Mundo 134
Liete Alves

III. POÉTICA DA PAISAGEM

Crônicas de Viagem 146
Isabel Carvalho

Como Era Verde o Meu Sahel 167
Aidil Borges

A Arquitetura da Floresta 177
Valionel Tomaz Pigatti

Ponte da Misarela 181
Alfredo Mendes

Representaciones Sociales, Cultura y Gestión del Agua: Algunas Notas para el Debate

Sobre Una ¿Nueva Cultura del Agua¿ en América Latina 185
Nidia Piñeyro

As Metáforas da Água e a Mediação entre Natureza e Cultura 196
Vera Lessa Catalão

IV. POÉTICA DO SOM

Madame Butterfly: De Benjamin Franklin Pinkerton a Bush ¿ O Ocidente 
no Banco dos Réus 203
Luiz Augusto Passos

Música Ambiente e Ambiente Musical (em Contraponto) 225
Herman Hudson de Oliveira

V. POÉTICA DA POESIA

Sou Ave Plantada no Céu 234
Gaivota

Poética Ambiental 239
Artur Gomes

Momentos Poéticos 249
Virgínia Fulber; Eliana de Faro Valença

Haikais da Natureza 261
Jiddu Saldanha

A Poética do Cerrado ¿ Uma Antologia de Autores Que Cantaram esta 
Antiga, Rica e Frágil Região Core do Brasil 266
Rômulo Pinto Andrade

Poesia Reunida 284
Pat Mousinho; Ramón Vargas; Ricardo Vicente; Michèle Sato

VI. POÉTICA DO CORPO

Um Extrato de Âmbar Que Atravessa os Séculos 298
Michèle Sato

A Arte de Educar com Bonecos na Educação Ambiental 309
Maria Neuma Clemente Galvão

Escultura e Educação Ambiental 319
Rachel Trajber

Corpo, Mito e Ancestralidade: O Legado do Viajante 325
André Sarturi

Na Voragem do Olhar: Uma Visão Mitopoética dos Elementos 334
Luciana Pessanha Pires

Viagens entre os Mundos 338
Ivan Belém; Michèle Sato

*

ECO-AR-TE


ECO-AR-TE para o reencantamento do mundo
Rima & Fapemat
Michèle Sato, 2011


Eco-ar-te Slideshow: Mimi’s trip from Ilha Grande, Mato Grosso, Brasil to Cuiabá was created by TripAdvisor. See another Cuiabá slideshow. Take your travel photos and make a slideshow for free.