segunda-feira, 26 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
escola da amazônia
fonte: O ECO
http://www.oecoamazonia.com/br/artigos/9-artigos/259-escola-da-amazonia-um-laboratorio-de-educacao-ambiental
http://www.oecoamazonia.com/br/artigos/9-artigos/259-escola-da-amazonia-um-laboratorio-de-educacao-ambiental
| “Para a maioria dos brasileiros, a Amazônia é um lugar exótico e distante, com o qual tem apenas um tênue laço de afetividade e responsabilidade” |
Alunos locais e visitantes em atividade conjunta. Crédito Edson Grandisoli/Escola da Amazônia
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“O maior e mais deprimente problema de conservação não é a destruição do habitat ou a sobreexploração, mas a indiferença humana diante desses problemas”. Esse argumento do professor da Universidade de Cambridge Andrew Balmford é particularmente pertinente na relação entre os brasileiros e a floresta amazônica. Para a maioria dos brasileiros, a Amazônia é um lugar exótico e distante, com o qual tem apenas um tênue laço de afetividade e responsabilidade. Embora a área da Amazônia corresponda a cerca de 61 porcento do território nacional, mais de 80 porcento dos brasileiros vivem fora da região e simplesmente longe demais para se importar com as queimadas, motosserras e correntões que destroem a floresta. Por outro lado, aqueles que vivem na fronteira agrícola da Amazônia, diante dos mais altos índices de desmatamento tropical no mundo, são tipicamente migrantes e filhos de migrantes, que precisam de renda, mas têm pouco conhecimento sobre como utilizar os recursos que a floresta oferece. Compartilham a noção de que a única maneira pela qual podem ganhar a vida é criando gado. Para eles, a floresta vale mais depois de derrubada e convertida em pasto.
De acordo com essa visão, o futuro sustentável da Amazônia vai exigir a disseminação de conhecimentos sobre a floresta - seus usos, sua importância e seu estado de conservação – e, acima de tudo, uma mudança nos valores atribuídos a ela. As pessoas deverão se importar com a floresta, tanto por causa dos produtos e serviços que ela oferece, quanto por razões éticas e estéticas, culturais e sentimentais. Razão e emoção deverão formar as bases de uma relação responsável com a floresta. Ora, conhecimentos e valores são adquiridos por meio da experiência e, sobretudo, por meio da educação. Portanto, a crise ambiental na Amazônia é, em última análise, também uma crise da educação. Em resposta a isso, criamos a Escola da Amazônia, cujo objetivo é desenvolver e testar abordagens de educação para fomentar entre os brasileiros – principalmente os mais jovens – o interesse, o apego e, consequentemente, o respeito pela floresta.
A história
Maratona de Nova York, 1998. No quilômetro 25 de um percurso de 42 quilômetros, uma repentina e completa fratura por estresse do meu fêmur direito pôs um fim no meu plano de completar a mais badalada corrida de rua do mundo. Caí em estado de choque sobre o asfalto gelado sem ter a menor ideia do que havia acontecido e menos ainda das implicações que aquilo teria sobre minha vida. Três cirurgias nos quatro meses subsequentes, uma severa infecção hospitalar e nove meses sem andar puseram também um fim prematuro no meu doutorado em ecologia, já que fazer o trabalho de campo nas reservas do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais usando muletas seria impossível. Numa guinada do destino, encerrava-se minha curta carreira de aspirante a ecólogo de florestas tropicais, mas minha vida profissional tomava um novo rumo que culminaria na criação da Escola da Amazônia.
Enquanto me recuperava da fratura, aceitei o convite para assumir o cargo de diretor acadêmico do programa Manejo de Recursos Naturais e Ecologia Humana na Amazônia, da School for International Training (SIT). A SIT oferece programas de estudos em diversos países – os Semestres Letivos no Exterior – que proporcionam a universitários americanos uma oportunidade rara de imersão em temas específicos. O programa brasileiro tinha sua sede em Belém do Pará, onde os alunos passavam as cinco primeiras semanas morando em casas de família enquanto frequentavam aulas de português e assistiam palestras de representantes das instituições locais dedicadas à questão socioambiental na Amazônia, tais como Museu Emílio Goeldi, Imazon e Funai. Na etapa seguinte, passávamos um mês inteiro viajando e conhecendo um pouco de tudo que é relevante para a conservação e o desenvolvimento na região, desde as hidrelétricas de Tucuruí e Balbina e as madeireiras de Paragominas, mineração em Carajás, Serra do Navio e Rio Trombetas, plantações em Jari e Tomé-Açú, pecuária em Marajó e pesca nas reentrâncias paraenses, até os trabalhos do Projeto Saúde e Alegria no rio Tapajós e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Mamirauá nas várzeas do rio Solimões. Na última etapa do programa, os alunos tinham um mês inteiro para desenvolver seu próprio projeto de pesquisa, sob minha supervisão.
A experiência era fantástica, mas me incomodava o fato de que apenas alguns poucos estudantes americanos tinham o privilégio de conhecer a Amazônia brasileira de modo tão completo e profundo. A maioria daqueles estudantes não se envolvia com o tema da conservação quando voltava para suas vidas nos Estados Unidos e praticamente todos perdiam o vínculo com a Amazônia. Decidi então buscar uma maneira de oferecer aquela oportunidade a estudantes brasileiros também. Foi com essa motivação que abri, em 2000, a firma Amazonarium, cuja missão era incentivar e facilitar a vinda de estudantes para a Amazônia, oferecendo excursões e oportunidades de imersão cultural nos moldes da SIT. Naquele mesmo ano, por meio do Amazonarium, conheci a empresária e ambientalista Vitória da Riva Carvalho, a Dona Vitória, proprietária do Hotel de Selva Cristalino (Cristalino Jungle Lodge) e presidente da Fundação Ecológica Cristalino (FEC), e com ela estabeleci uma colaboração para levar estudantes para Alta Floresta, na fronteira agrícola da Amazônia.
Em 2002, Dona Vitória e eu demos à nossa colaboração o nome de Escola da Amazônia. No ano seguinte, realizamos nossa primeira oficina com jovens de escolas públicas de Alta Floresta. Um pouco mais tarde, Edson Grandisoli, que por felicidade era meu melhor amigo dos tempos da graduação na USP, entrou para o time e passou a trazer para a Escola da Amazônia grupos de jovens do ensino médio dos colégios particulares de São Paulo onde lecionava. Em 2005, a Escola da Amazônia foi incorporada à FEC e passou a receber apoio de patrocinadores, graças ao empenho do seu então diretor executivo, Renato Farias. No mesmo ano, voltei à academia, com um doutorado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, para investigar os fatores cognitivos, afetivos e sociais que determinam o comportamento humano de matar grandes felinos e como usar educação e comunicação – como usar a Escola da Amazônia – para influenciar aqueles fatores e aumentar a tolerância humana às onças. Nos anos seguintes, a Escola da Amazônia se consolidaria como um laboratório de técnicas e estratégias em educação para a conservação.
Os objetivos
Nesses 8 anos de experimentações, a Escola da Amazônia explorou os meios para se alcançar fundamentalmente três objetivos: (i) identificar, mensurar e monitorar os fatores que determinam o comportamento das pessoas em relação à floresta e sua biodiversidade, (ii) influenciar tal comportamento por meio da educação, de modo a torná-lo mais compatível com a conservação, e (iii) desenvolver um modelo de educação para a conservação que seja sustentável dos pontos de vista institucional e financeiro.
Entender o comportamento humano em relação ao mundo natural deveria ser o primeiro passo de qualquer programa de educação para a conservação. As principais ameaças à biodiversidade - destruição de habitat, sobreexploração, introdução de espécies exóticas, e poluição - são resultado direto do comportamento humano. Ao identificar e mensurar os fatores pessoais e sociais que determinam um comportamento de interesse, o educador conservacionista pode escolher intervenções que abordem especificamente os fatores mais relevantes, elaborando estratégias mais efetivas e eficientes de mudança de comportamento. A mensuração desses fatores permite também que o educador monitore as mudanças decorrentes de suas intervenções, avalie o impacto da educação e, em última análise, demonstre o sucesso de seu trabalho. Apesar da importância dessas avaliações, são raros os projetos de educação ambiental que fazem uso delas. Educação para a conservação tem sido tradicionalmente um campo de trabalho de biólogos e outros profissionais das ciências naturais cuja formação acadêmica não inclui as teorias e métodos das ciências sociais aplicados ao estudo e à mudança do comportamento humano.
Diversas atividades da Escola da Amazônia tiveram como ponto de partida os conhecimentos, percepções e valores do público-alvo, avaliados de forma qualitativa e quantitativa por meio de métodos de pesquisa em ciências sociais adaptados às peculiaridades locais. Questionários, entrevistas individuais, grupos focais e mapas de conceitos são exemplos de tais métodos. Construímos escalas para quantificar as variáveis de interesse e fizemos avaliações antes e depois das intervenções de modo a mensurar seu impacto sobre os participantes. O melhor exemplo dessa abordagem entre as atividades da Escola da Amazônia foi o Projeto Gente e Onças, tema do meu doutorado.
As principais abordagens de educação experimentadas na Escola da Amazônia são aquelas que priorizam a aprendizagem ativa, na qual os alunos constroem seus próprios conceitos sobre as informações que adquirem explorando a floresta. Os alunos são incentivados a compartilhar e discutir suas descobertas e ideias, generalizando do local para o global. Dessa forma, se aproximam da compreensão de sua conexão com a floresta; de como afetam e são afetados pela Amazônia.
Nas oficinas Um Dia na Floresta, atividades lúdicas foram desenvolvidas para despertar e fortalecer em crianças laços afetivos com a floresta. Ironicamente, uma a cada cinco crianças naquela parte da fronteira agrícola da Amazônia nunca pôs os pés na floresta! O programa Práticas Alternativas teve como objetivo estimular entre jovens do meio rural o interesse por atividades econômicas que não implicam na derrubada da floresta, entre elas o ecoturismo. O projeto Macaco-Aranha-da-Cara-Branca investigou o potencial do carismático primata, endêmico da região, como espécie-bandeira para a proteção do Parque Estadual do Cristalino. No projeto Gente e Onças, palestras e discussões em sala de aula e uma variedade de ferramentas de comunicação, entre elas cartazes, oficinas de desenho, teatro, livros de atividades e um guia para produtores rurais (Guia de Convivência Gente e Onças) foram desenvolvidos para aumentar a tolerância das pessoas aos grandes felinos. Nos Workshops sobre Desenvolvimento Socioeconômico e Conservação da Biodiversidade, alunos visitantes de alguns dos mais influentes colégios particulares de São Paulo – prováveis futuros tomadores de decisão – são expostos à realidade da fronteira do desmatamento, discutem as oportunidades de integração entre desenvolvimento e conservação na região, e refletem sobre sua responsabilidade sobre o destino da Amazônia, tanto como cidadãos quanto como futuros profissionais.
Educação para a conservação leva tempo para causar o impacto desejado. Muitos projetos de educação ambiental são encerrados por falta de apoio institucional e financeiro antes de cumprirem plenamente sua missão. Isso se constitui em desperdício de recursos e contribui para a noção de que a educação ambiental não é efetiva para fins de conservação. Educação ambiental, combinada com incentivos legais e econômicos e participação comunitária, pode sim ser efetiva, porém a longo prazo. É vital, portanto, que ela seja sustentável institucional e financeiramente.
A Escola da Amazônia testou mecanismos de sustentabilidade para a educação ambiental. Em sua colaboração com as escolas locais, envolveu diretores e professores e propôs a criação de um Grupo de Trabalho em Educação para a Conservação, composto por representantes das instituições locais competentes, incluindo as secretarias de educação e de meio ambiente, como um modo de legitimizar suas ações. Sua associação com um empreendimento turístico privado nos forneceu insights sobre as oportunidades e sinergias na integração entre educação ambiental e ecoturismo; a educação se beneficia da infraestrutura do turismo enquanto agrega valor ao empreendimento na medida que a consciência socioambiental cresce entre os turistas. Além disso, turistas podem contribuir diretamente por meio de “taxas de conservação”, da compra de produtos do projeto tais como camisetas, adesivos e publicações, e da divulgação do projeto através das redes sociais.
No programa Escolas Irmãs, fomentamos a cooperação entre escolas públicas rurais locais e colégios particulares visitantes, com benefícios acadêmicos para ambos os lados e benefícios materiais para a escola local, já que a cooperação envolvia a doação de material escolar pelo colégio visitante e parte da renda gerada pela visita era usada para subsidiar a participação dos alunos da escola local. Por esse esforço em desenvolver um modelo sustentável de educação ambiental, diminuindo a distância geográfica e cultural entre classes sociais num país de desigualdades como o nosso, a Escola da Amazônia recebeu o Whitley Award 2007. O prêmio é considerado o Oscar da conservação na Inglaterra e foi recebido das mãos da Princesa Anne em Londres.
As realizações e os próximos passos
A Escola da Amazônia avaliou mais de 2000 estudantes de escolas locais e de grupos visitantes e envolveu em seus experimentos aproximadamente 1500 crianças e jovens e 50 professores de 15 escolas públicas locais, além de mais de 300 jovens e 25 professores de 5 colégios particulares de São Paulo e 2 universidades estrangeiras. Nossos resultados têm sido apresentados em congressos e outros eventos e publicados nas mídias popular e científica. Ainda a fim de compartilhar com outros educadores conservacionistas as lições aprendidas, lançamos no final de 2010, no Zoo de São Paulo, o curso Planejamento, Implementação e Avaliação de Ações em Educação Ambiental.
Como é comum na pesquisa científica, algumas das questões respondidas ao longo do caminho suscitaram novas questões. Entre as próximas questões a serem abordadas pela Escola da Amazônia, as mais estimulantes são as referentes à replicabilidade do projeto. Estamos buscando oportunidades de testar a aplicabilidade de algumas de nossas abordagens em outras partes do Arco do Desmatamento e da Amazônia como um todo, nos outros biomas brasileiros e em diferentes contextos institucionais, com interesse especial nos contextos empresariais e governamentais. Esperamos assim contribuir para que os brasileiros assumam seu papel na conservação das florestas e da biodiversidade excepcional que nosso país abriga.
Silvio Marchini é doutor em Conservação da Vida Silvestre, fundador da Escola da Amazônia. E-mail:silvio@escoladaamazonia.org
De acordo com essa visão, o futuro sustentável da Amazônia vai exigir a disseminação de conhecimentos sobre a floresta - seus usos, sua importância e seu estado de conservação – e, acima de tudo, uma mudança nos valores atribuídos a ela. As pessoas deverão se importar com a floresta, tanto por causa dos produtos e serviços que ela oferece, quanto por razões éticas e estéticas, culturais e sentimentais. Razão e emoção deverão formar as bases de uma relação responsável com a floresta. Ora, conhecimentos e valores são adquiridos por meio da experiência e, sobretudo, por meio da educação. Portanto, a crise ambiental na Amazônia é, em última análise, também uma crise da educação. Em resposta a isso, criamos a Escola da Amazônia, cujo objetivo é desenvolver e testar abordagens de educação para fomentar entre os brasileiros – principalmente os mais jovens – o interesse, o apego e, consequentemente, o respeito pela floresta.
A história
Maratona de Nova York, 1998. No quilômetro 25 de um percurso de 42 quilômetros, uma repentina e completa fratura por estresse do meu fêmur direito pôs um fim no meu plano de completar a mais badalada corrida de rua do mundo. Caí em estado de choque sobre o asfalto gelado sem ter a menor ideia do que havia acontecido e menos ainda das implicações que aquilo teria sobre minha vida. Três cirurgias nos quatro meses subsequentes, uma severa infecção hospitalar e nove meses sem andar puseram também um fim prematuro no meu doutorado em ecologia, já que fazer o trabalho de campo nas reservas do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais usando muletas seria impossível. Numa guinada do destino, encerrava-se minha curta carreira de aspirante a ecólogo de florestas tropicais, mas minha vida profissional tomava um novo rumo que culminaria na criação da Escola da Amazônia.
| “Caí em estado de choque sobre o asfalto gelado sem ter a menor ideia do que havia acontecido e menos ainda das implicações que aquilo teria sobre minha vida” |
A experiência era fantástica, mas me incomodava o fato de que apenas alguns poucos estudantes americanos tinham o privilégio de conhecer a Amazônia brasileira de modo tão completo e profundo. A maioria daqueles estudantes não se envolvia com o tema da conservação quando voltava para suas vidas nos Estados Unidos e praticamente todos perdiam o vínculo com a Amazônia. Decidi então buscar uma maneira de oferecer aquela oportunidade a estudantes brasileiros também. Foi com essa motivação que abri, em 2000, a firma Amazonarium, cuja missão era incentivar e facilitar a vinda de estudantes para a Amazônia, oferecendo excursões e oportunidades de imersão cultural nos moldes da SIT. Naquele mesmo ano, por meio do Amazonarium, conheci a empresária e ambientalista Vitória da Riva Carvalho, a Dona Vitória, proprietária do Hotel de Selva Cristalino (Cristalino Jungle Lodge) e presidente da Fundação Ecológica Cristalino (FEC), e com ela estabeleci uma colaboração para levar estudantes para Alta Floresta, na fronteira agrícola da Amazônia.
Em 2002, Dona Vitória e eu demos à nossa colaboração o nome de Escola da Amazônia. No ano seguinte, realizamos nossa primeira oficina com jovens de escolas públicas de Alta Floresta. Um pouco mais tarde, Edson Grandisoli, que por felicidade era meu melhor amigo dos tempos da graduação na USP, entrou para o time e passou a trazer para a Escola da Amazônia grupos de jovens do ensino médio dos colégios particulares de São Paulo onde lecionava. Em 2005, a Escola da Amazônia foi incorporada à FEC e passou a receber apoio de patrocinadores, graças ao empenho do seu então diretor executivo, Renato Farias. No mesmo ano, voltei à academia, com um doutorado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, para investigar os fatores cognitivos, afetivos e sociais que determinam o comportamento humano de matar grandes felinos e como usar educação e comunicação – como usar a Escola da Amazônia – para influenciar aqueles fatores e aumentar a tolerância humana às onças. Nos anos seguintes, a Escola da Amazônia se consolidaria como um laboratório de técnicas e estratégias em educação para a conservação.
Os objetivos
Nesses 8 anos de experimentações, a Escola da Amazônia explorou os meios para se alcançar fundamentalmente três objetivos: (i) identificar, mensurar e monitorar os fatores que determinam o comportamento das pessoas em relação à floresta e sua biodiversidade, (ii) influenciar tal comportamento por meio da educação, de modo a torná-lo mais compatível com a conservação, e (iii) desenvolver um modelo de educação para a conservação que seja sustentável dos pontos de vista institucional e financeiro.
| “Entender o comportamento humano em relação ao mundo natural deveria ser o primeiro passo de qualquer programa de educação para a conservação” |
Visita a madeireira. Crédito: Edson Grandisoli/Escola da Amazônia
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As principais abordagens de educação experimentadas na Escola da Amazônia são aquelas que priorizam a aprendizagem ativa, na qual os alunos constroem seus próprios conceitos sobre as informações que adquirem explorando a floresta. Os alunos são incentivados a compartilhar e discutir suas descobertas e ideias, generalizando do local para o global. Dessa forma, se aproximam da compreensão de sua conexão com a floresta; de como afetam e são afetados pela Amazônia.
Participantes da oficina Um Dia na Floresta. Crédito: Tiago Henicka/Escola da Amazônia
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Educação para a conservação leva tempo para causar o impacto desejado. Muitos projetos de educação ambiental são encerrados por falta de apoio institucional e financeiro antes de cumprirem plenamente sua missão. Isso se constitui em desperdício de recursos e contribui para a noção de que a educação ambiental não é efetiva para fins de conservação. Educação ambiental, combinada com incentivos legais e econômicos e participação comunitária, pode sim ser efetiva, porém a longo prazo. É vital, portanto, que ela seja sustentável institucional e financeiramente.
| “Muitos projetos de educação ambiental são encerrados por falta de apoio institucional e financeiro antes de cumprirem plenamente sua missão” |
No programa Escolas Irmãs, fomentamos a cooperação entre escolas públicas rurais locais e colégios particulares visitantes, com benefícios acadêmicos para ambos os lados e benefícios materiais para a escola local, já que a cooperação envolvia a doação de material escolar pelo colégio visitante e parte da renda gerada pela visita era usada para subsidiar a participação dos alunos da escola local. Por esse esforço em desenvolver um modelo sustentável de educação ambiental, diminuindo a distância geográfica e cultural entre classes sociais num país de desigualdades como o nosso, a Escola da Amazônia recebeu o Whitley Award 2007. O prêmio é considerado o Oscar da conservação na Inglaterra e foi recebido das mãos da Princesa Anne em Londres.
As realizações e os próximos passos
Alunos visitantes exploram a floresta. Crédito: Edson Grandisoli/Escola da Amazônia
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Como é comum na pesquisa científica, algumas das questões respondidas ao longo do caminho suscitaram novas questões. Entre as próximas questões a serem abordadas pela Escola da Amazônia, as mais estimulantes são as referentes à replicabilidade do projeto. Estamos buscando oportunidades de testar a aplicabilidade de algumas de nossas abordagens em outras partes do Arco do Desmatamento e da Amazônia como um todo, nos outros biomas brasileiros e em diferentes contextos institucionais, com interesse especial nos contextos empresariais e governamentais. Esperamos assim contribuir para que os brasileiros assumam seu papel na conservação das florestas e da biodiversidade excepcional que nosso país abriga.
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sábado, 17 de setembro de 2011
v congresso de direito agroambiental
Nos dias 09, 10 e 11 de novembro ocorrerá, no auditório da FIEMT (Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 156, Jd. Aclimação, Cuiabá-MT), o:
V CONGRESSO INTERNACIONAL DE DIREITO AGROAMBIENTAL
O evento abrangerá temas como o Código Florestal, agrotóxicos, resíduos sólidos e desmatamento. AConferência de Abertura será realizada pelo prof. Paulo Affonso Leme Machado, o mais respeitado professor de Direito Ambiental do Brasil! A programação completa está disponível para consulta no site (www.direitoagroambiental.com. br).
As INSCRIÇÕES podem ser feitas pelo site indicado, até o dia 07 de outubro. Os valores para inscrição são os seguintes: R$ 20,00 para estudantes; R$ 50,00 para profissionais.
Também até o dia 07 de outubro poderão ser submetidos artigos (teses), visando ser apresentados no Congresso. As regras estão disponíveis no site (www.direitoagroambiental.com. br), e os trabalhos podem ser enviados para o e-mail:gpesquisaufmt@gmail.com
A relação de teses aprovadas será divulgada no dia 21/10 pelo site, e os tesistas aprovados terão isenção na inscrição.
Venha participar conosco! Faça sua inscrição e nos ajude a divulgar o evento!
Realização: Grupo de Pesquisa JusClima (Faculdade de Direito/UFMT); Programa de mestrado em Direito Agroambiental (Faculdade de Direito/UFMT)
Apoio: Faculdade de Direito (UFMT); Clínica de Direito Agroambiental (Faculdade de Direito/UFMT)
sábado, 3 de setembro de 2011
Tratado de Educação Ambiental
fonte - PLANETA SUSTENTÁVEL
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_293882.shtml?func=1&pag=0&fnt=9pt
É um consenso geral entre os ambientalistas: a Eco-92 foi um marco para que o tema da sustentabilidade ganhasse espaço definitivo na agenda do planeta. Dezessesis anos depois da segunda Conferência das Nações Unidas Para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, um grupo de educadores e participantes de movimentos socioambientais propôs a releitura de uma das ações mais importantes da época: a criação do Tratado de Educação Ambiental Para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, documento com princípios que tratam de uma educação ambiental transformadora.

Entre outros, o tratado inspirou a Política Nacional de Educação Ambiental, que legisla sobre o tema desde 1999, e influencia os programas de responsabilidade socioambiental de empresas e instituições como aItaipu Binacional. As frases com destaque desta reportagem são trechos do tratado.
Palavras têm força. É o que acreditavam os mais de 500 educadores que escreveram coletivamente o Tratado e é no que acreditam, até hoje, os que participaram do processo durante a Eco-92. ComoMoema Viezzer, cientista social que atuou no Movimento Feminista e trabalhou com educação ambiental na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental Cetesb, em São Paulo.
Moema ajudou a articular a primeira jornada que originou o Tratado, reunindo centenas de mentes e mãos para dar corpo às necessidades emergentes ligadas às questões ambientais. Ela é uma das articuladoras da Segunda Jornada de Educação Ambiental que, até 2012, pretende, entre outras ações, difundir ainda mais o tratado. Ela lembra que o trabalho de reunir essas pessoas no Rio de Janeiro também marcou a grande conferência da ONU.
Pela primeira vez, organizações não-governamentais e movimentos sociais ganharam destaque, reunidos em um evento paralelo à Eco-92 o Fórum Internacional de Ongs e Movimentos Sociais e colaborando com a sociedade civil na redação de 36 tratados. Os temas eram diversos: de modelos econômicos alternativos ao compromisso dos cidadãos em relação a biodiversidade, todo o esforço foi concentrado na busca por debater um modelo de desenvolvimento que harmonizasse igualdade social e proteção dos recursos naturais.

Para atingir os objetivos de uma educação ambiental que ajude a desenvolver uma consciência ética sobre todas as formas de vida com as quais compartilhamos este planeta, respeitar seus ciclos vitais e impôr limites, o tratado propõe não só princípios, mas diretrizes que envolvem todas as instâncias públicas e privadas. De comunidades a educadores, nem os empresários foram esquecidos: estão incluídos os comprometidos em atuar dentro de uma lógica de recuperação e conservação do meio ambiente e de melhoria da qualidade de vida humana.Imagine como é reunir pessoas de todo o mundo em busca de algo em comum, mesmo em meio a divergências de opinião. Nem a falta de internet - na época nem tão desenvolvida - não foi impedimento para reunir os educadoras na criação de um plano de ações coletivo que é o Tratado de Educação Ambiental.
O grande desafio foi buscar o entendimento para o papel da educação na construção de um mundo sustentável.
Foi uma aventura, comenta Moema Viezzer. E tudo começou com uma carta de compromissos chamando pessoas de todo o planeta a continuarem a redação desse texto coletivo. Essa carta circulou por vários países durante seminários, oficinas e encontros, ganhando a participação de quem inspirava-se a contribuir para o pacto proposto no documento: construir um compromisso da humanidade para o novo milênio. Uma comissão, da qual Moema participou, sistematizou todas essas contribuições para apresentá-las durante o fórum realizado no momento da Eco-92.
Foi uma verdadeira oficina de palavras, em um texto no qual transparecia a compreensão coletiva sobre a missão da educação ambiental e os caminhos para realizá-la, lembra Marcos Sorrentino, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade de São Paulo (Procam-USP), ex-diretor do Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (DEA-MMA), que debate o documento, sempre que pode, em sala de aula e nas conferências que participa.
Não foi fácil chegar ao texto final do tratado. O que, hoje, é consenso universal a necessidade de incorporar meio ambiente nas ações de aprendizagem , na época foi questionado. Para quê o termo educação ambiental?, alguns dos educadores participantes do processo perguntaram. A inclusão do termo sociedades sustentáveis também criou polêmica, pois o que atualmente foca o esforço da humanidade foi visto por muitos como duvidoso: harmonizar crescimento econômico com sustentabilidade. Tínhamos históricos diferentes; nós, educadores dos países em desenvolvimento, e outros, como os vindos da América do Norte, que tinham um pouco diferente da nossa sobre o papel da educação em relação ao meio ambiente, lembra Moema.
É por isso que o Tratado é assumido por alguns especialistas como uma espécie de divisor de águas da educação ambiental. Com esse documento, a educação ambiental ganhou uma perspectiva política, provocadora de mudanças sociais que vão além do estímulo a posturas individuais. Para Moema e todos os educadores que ajudaram a construir o Tratado, é importante fechar a torneira para economizar água como recurso, mas educação ambiental vai muito além.

Evoluímos em nossos valores após 16 anos de Tratado? Sim, diz Moema. Temos uma lei que reconhece e estimula a educação ambiental como meio para que tanto o indivíduo como a coletividade construam valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Educadores se uniram para intercambiar idéias positivas, como a Rede Brasileiras de Educadores Ambientais -Rebea, e empresas adicionaram as suas políticas internas uma relação diferenciada com as questões socioambientais.
Mas ainda há muito para incorporar todos os princípios e ações propostos no tratado. Tanto no ensino formal o universo escolar quanto nas práticas de educação ambiental realizadas dentro de empresas, especialistas indicam que é necessário aprofundar nas ações, pensando a longo prazo. Em uma reportagem da revista Nova Escola sobre educação ambiental Em defesa do Planeta -, a consultora de Geografia daFundação Vitor Civita e professora da Universidade de São Paulo - USP, Sueli Furlan, lembrou que não basta plantar árvores ou separar o lixo na escola. Avançar significa explorar com os alunos como a falta de árvores afeta a vida na cidade, e no caso do lixo, descobrir com eles formas de melhorar a coleta na região onde vivem.
Para Moema, processo parecido deve acontecer com as empresas. Dentro do princípio de que somos todos aprendizes, a tal aprendizagem transformadora indica que as empresas precisam inserir valores internos, e não somente investir em financiamento de projetos externos. O ser humano só investe naquilo em que acredita. Se a empresa se abre para mudanças em seus valores, desde sua liderança, os funcionários terão espaço para também acreditarem que é possível e positivo mudar suas posturas, diz ela.
A cientista social fala desse universo de uma empresa não apenas como educadora, mas como consultora com experiência na área. Hoje prestando assessoria à Itaipu Binacional, quando Moema trabalhou na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), na década de 1980, enfrentou um dos desafios mais motivadores de sua carreira: iniciar um processo de diálogo entre a estatal, a comunidade de Cubatão, no litoral Sul de São Paulo, e as empresas do pólo industrial - que sustentavam a nada honrosa posição no ranking de maiores contribuintes de Cubatão como uma das cidades mais poluídas do mundo. Ela lembra que, nessa época, era difícil esse diálogo, mas houve conquistas que aproximaram esses distintos públicos em busca de soluções.
Moema ainda apresenta uma visão crítica que pode ser chave para a educação ambiental realmente incorporar os princípios do Tratado. Ela lembra que, para muitas empresas, escolas e instituições, educação ambiental é sinônimo de regras e normas como não destrua as plantas ou é proibido jogar lixo. Regras, para a consultora, dificultam a relação de empatia necessária para o processo de mudança de consciência.
A educação ambiental deve primar pela capacidade de não impor a obrigação de zelar pela vida, com o mero legalismo do ambiente fundado sobre os termos culpa ou dever. Deve, sim, revelar o prazer de estar vivo, despertar o profundo sentimento de plenitude de estar vivo e de compartilhar esta vida numa trama que envolve a todos os seres vivos, sábia e solidariamente, escreveu a consultora em um de seus numerosos artigos sobre o tema.

Com 3.500 funcionários, Itaipu é uma empresa estatal e binacional localizada em Foz do Iguaçu. Além de ser a maior hidrelétrica do mundo em geração de energia, é uma das instituições brasileiras que incorporou o Tratado de Educação Ambiental em sua política de meio ambiente. O tratado é um documento orientador de muitas ações, internas e externas, de educação ambiental, assim como é também a Carta da Terra e aAgenda 21, diz Leila de Fátima Severgnini Alberton, gestora do Programa de Educação Ambiental de Itaipu.Internamente, a maior conquista da empresa é a formação de uma rede interna de 100 voluntários, entre os próprios funcionários, que existe há quatro anos e articula ações de mobilização e educação ambiental.
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/educacao/conteudo_293882.shtml?func=1&pag=0&fnt=9pt
ETERNA INSPIRAÇÃO
O Tratado de Educação Ambiental e Moema Viezzer
O Tratado de Educação Ambiental Para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global é um dos documentos gerados durante a Eco-92. A cientista social, Moema Viezzer - que ajudou a articular os movimentos que originaram o Tratado - fala sobre a importância desse documento que ainda se mantém como prática inspiradora
Divulgação
Moema Viezzer
Palavras têm força. É o que acreditavam os mais de 500 educadores que escreveram coletivamente o Tratado e é no que acreditam, até hoje, os que participaram do processo durante a Eco-92. ComoMoema Viezzer, cientista social que atuou no Movimento Feminista e trabalhou com educação ambiental na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental Cetesb, em São Paulo.
Moema ajudou a articular a primeira jornada que originou o Tratado, reunindo centenas de mentes e mãos para dar corpo às necessidades emergentes ligadas às questões ambientais. Ela é uma das articuladoras da Segunda Jornada de Educação Ambiental que, até 2012, pretende, entre outras ações, difundir ainda mais o tratado. Ela lembra que o trabalho de reunir essas pessoas no Rio de Janeiro também marcou a grande conferência da ONU.
Pela primeira vez, organizações não-governamentais e movimentos sociais ganharam destaque, reunidos em um evento paralelo à Eco-92 o Fórum Internacional de Ongs e Movimentos Sociais e colaborando com a sociedade civil na redação de 36 tratados. Os temas eram diversos: de modelos econômicos alternativos ao compromisso dos cidadãos em relação a biodiversidade, todo o esforço foi concentrado na busca por debater um modelo de desenvolvimento que harmonizasse igualdade social e proteção dos recursos naturais.
O grande desafio foi buscar o entendimento para o papel da educação na construção de um mundo sustentável.
Foi uma aventura, comenta Moema Viezzer. E tudo começou com uma carta de compromissos chamando pessoas de todo o planeta a continuarem a redação desse texto coletivo. Essa carta circulou por vários países durante seminários, oficinas e encontros, ganhando a participação de quem inspirava-se a contribuir para o pacto proposto no documento: construir um compromisso da humanidade para o novo milênio. Uma comissão, da qual Moema participou, sistematizou todas essas contribuições para apresentá-las durante o fórum realizado no momento da Eco-92.
Foi uma verdadeira oficina de palavras, em um texto no qual transparecia a compreensão coletiva sobre a missão da educação ambiental e os caminhos para realizá-la, lembra Marcos Sorrentino, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade de São Paulo (Procam-USP), ex-diretor do Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (DEA-MMA), que debate o documento, sempre que pode, em sala de aula e nas conferências que participa.
Não foi fácil chegar ao texto final do tratado. O que, hoje, é consenso universal a necessidade de incorporar meio ambiente nas ações de aprendizagem , na época foi questionado. Para quê o termo educação ambiental?, alguns dos educadores participantes do processo perguntaram. A inclusão do termo sociedades sustentáveis também criou polêmica, pois o que atualmente foca o esforço da humanidade foi visto por muitos como duvidoso: harmonizar crescimento econômico com sustentabilidade. Tínhamos históricos diferentes; nós, educadores dos países em desenvolvimento, e outros, como os vindos da América do Norte, que tinham um pouco diferente da nossa sobre o papel da educação em relação ao meio ambiente, lembra Moema.
É por isso que o Tratado é assumido por alguns especialistas como uma espécie de divisor de águas da educação ambiental. Com esse documento, a educação ambiental ganhou uma perspectiva política, provocadora de mudanças sociais que vão além do estímulo a posturas individuais. Para Moema e todos os educadores que ajudaram a construir o Tratado, é importante fechar a torneira para economizar água como recurso, mas educação ambiental vai muito além.
Mas ainda há muito para incorporar todos os princípios e ações propostos no tratado. Tanto no ensino formal o universo escolar quanto nas práticas de educação ambiental realizadas dentro de empresas, especialistas indicam que é necessário aprofundar nas ações, pensando a longo prazo. Em uma reportagem da revista Nova Escola sobre educação ambiental Em defesa do Planeta -, a consultora de Geografia daFundação Vitor Civita e professora da Universidade de São Paulo - USP, Sueli Furlan, lembrou que não basta plantar árvores ou separar o lixo na escola. Avançar significa explorar com os alunos como a falta de árvores afeta a vida na cidade, e no caso do lixo, descobrir com eles formas de melhorar a coleta na região onde vivem.
Para Moema, processo parecido deve acontecer com as empresas. Dentro do princípio de que somos todos aprendizes, a tal aprendizagem transformadora indica que as empresas precisam inserir valores internos, e não somente investir em financiamento de projetos externos. O ser humano só investe naquilo em que acredita. Se a empresa se abre para mudanças em seus valores, desde sua liderança, os funcionários terão espaço para também acreditarem que é possível e positivo mudar suas posturas, diz ela.
A cientista social fala desse universo de uma empresa não apenas como educadora, mas como consultora com experiência na área. Hoje prestando assessoria à Itaipu Binacional, quando Moema trabalhou na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), na década de 1980, enfrentou um dos desafios mais motivadores de sua carreira: iniciar um processo de diálogo entre a estatal, a comunidade de Cubatão, no litoral Sul de São Paulo, e as empresas do pólo industrial - que sustentavam a nada honrosa posição no ranking de maiores contribuintes de Cubatão como uma das cidades mais poluídas do mundo. Ela lembra que, nessa época, era difícil esse diálogo, mas houve conquistas que aproximaram esses distintos públicos em busca de soluções.
Moema ainda apresenta uma visão crítica que pode ser chave para a educação ambiental realmente incorporar os princípios do Tratado. Ela lembra que, para muitas empresas, escolas e instituições, educação ambiental é sinônimo de regras e normas como não destrua as plantas ou é proibido jogar lixo. Regras, para a consultora, dificultam a relação de empatia necessária para o processo de mudança de consciência.
A educação ambiental deve primar pela capacidade de não impor a obrigação de zelar pela vida, com o mero legalismo do ambiente fundado sobre os termos culpa ou dever. Deve, sim, revelar o prazer de estar vivo, despertar o profundo sentimento de plenitude de estar vivo e de compartilhar esta vida numa trama que envolve a todos os seres vivos, sábia e solidariamente, escreveu a consultora em um de seus numerosos artigos sobre o tema.
Essas pessoas já participaram de um círculo de diálogos com pensadores como Leonardo Boff, e até de visitas técnicas para conhecer cooperativas de separação de lixo para reciclagem.
Parte do sucesso do programa de gerenciamento de resíduos da empresa, que está conseguindo enviar para a coleta seletiva 25% de todos os resíduos produzidos (uma média alta, em relação ao Brasil, que não passa de 15%), se deve ao empenho dessa rede de voluntários, que disseminam seu aprendizado em todos os setores da Itaipu. Tudo o que fazemos é repassado para a rede, que ajuda a difundir informações, lembra Leila.
Externamente, a empresa investe em parcerias com a comunidade local através de comitês gestores dos 29 municípios no entorno da bacia do Paraná 3, promovendo principalmente ações de educação ambiental. Mais uma vez, o tratado de educação ambiental se reflete nas relações de aprendizado. O tratado foca o trabalho participativo e não desconsidera nenhum saber, além de nos orienta a conduzir ações conforme a realidade local, explica Leila, lembrando que o documento foi lançado entre os 300 educadores participantes dos comitês e que cada um formou comunidades de aprendizagem para trabalhar com o Tratado e outros documentos de referência para a educação ambiental.

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Tratado de Educação Ambiental Para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global
Reúne as recomendações do Tratado.
Video sobre o tratado
Apresentação dos princípios do Tratado, elaborado pela professora Michele Sato, da Universidade Federal do Mato Grosso UFMT e da Rede Matogrossense de Educação Ambiental - Remtea
DEA/MMA
Área do portal do Ministério do Meio Ambiente com informações sobre a segunda jornada do Tratado de Educação Ambiental.
Educação Ambiental Corporativa
Artigo de Michelle D. T. Lorencetti, Marlene M. O. Curtis, Silvana Vitorassi, Leila F. S. Alberton e Maria Emília M. de Souza, com o relato da experiência da Itaipu Binacional sobre gerenciamento de resíduos e educação ambiental.
Parte do sucesso do programa de gerenciamento de resíduos da empresa, que está conseguindo enviar para a coleta seletiva 25% de todos os resíduos produzidos (uma média alta, em relação ao Brasil, que não passa de 15%), se deve ao empenho dessa rede de voluntários, que disseminam seu aprendizado em todos os setores da Itaipu. Tudo o que fazemos é repassado para a rede, que ajuda a difundir informações, lembra Leila.
Externamente, a empresa investe em parcerias com a comunidade local através de comitês gestores dos 29 municípios no entorno da bacia do Paraná 3, promovendo principalmente ações de educação ambiental. Mais uma vez, o tratado de educação ambiental se reflete nas relações de aprendizado. O tratado foca o trabalho participativo e não desconsidera nenhum saber, além de nos orienta a conduzir ações conforme a realidade local, explica Leila, lembrando que o documento foi lançado entre os 300 educadores participantes dos comitês e que cada um formou comunidades de aprendizagem para trabalhar com o Tratado e outros documentos de referência para a educação ambiental.
Tratado de Educação Ambiental Para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global
Reúne as recomendações do Tratado.
Video sobre o tratado
Apresentação dos princípios do Tratado, elaborado pela professora Michele Sato, da Universidade Federal do Mato Grosso UFMT e da Rede Matogrossense de Educação Ambiental - Remtea
DEA/MMA
Área do portal do Ministério do Meio Ambiente com informações sobre a segunda jornada do Tratado de Educação Ambiental.
Educação Ambiental Corporativa
Artigo de Michelle D. T. Lorencetti, Marlene M. O. Curtis, Silvana Vitorassi, Leila F. S. Alberton e Maria Emília M. de Souza, com o relato da experiência da Itaipu Binacional sobre gerenciamento de resíduos e educação ambiental.
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