sábado, 21 de maio de 2011

ANATOLIA RIVER - TURKEY


His Excellencies,

We are writing you about a very important and urgent development in Turkey: the draft act on Nature and Biodiversity Conservation and other related legislations and implementations which pose several serious concerns with regard conserving the biodiversity of Turkey.

If this legislations and implementations continue it is going to result in permanent destruction of natural habitats and loss of species at a very large scale. At least 80% of all Key Biodiversity areas of Turkey will have no longer favorable conservation status as a result of this developments. Moreover, key populations of several threatened species will go through large declines as the developments eliminates most of the conservation measures at Turkey's protected areas as well as in other key natural habitats. This current approach of Ministry of Environment and Forestry will ease the path of investments and illegal shanty settlements across key natural habitats in Turkey. The implementation of these plans would not only cause environmental destruction on an unprecedented scale, but also massively violate of the fundemantal Human rights of up to two million people.

Against all these activities that threaten the nature and species the people of Anatolia set out from the valleys, villages, towns and various cities all through Turkey and march to Ankara. After their march that will take 40 days and 40 nights thousands are going to meet in Ankara on 21th May and shout out their demands.

Within this regard in line with the demands of “We Won’t Give Up Anatolia Movement” we unequivocally condemn these developments and call on the Turkish Government:
- to immediately withdraw the proposed draft act on “Nature and Biodiversity Conservation” and to cancel the recent amendmend at Renewable Energy Resources Act that will open up all national parks and protected sites to industrial development
 - to halt the privatization of all rivers and streams in Anatolia and the construction of almost 2000 Hydro Electric Plants and dams in addition to existing 2,000 ones without any assessment of their cumulative impacts on the entire country“
 - to withdraw the ecologically destructive projects such as more than 40.000 mining permits that will destroy mountains,  plans for nuclear plants that will endanger future generations and the new forestry legislation that will open up forests to industrial development.
- to take the necessary measures to put an end to the violations of fundemantal Human Rights including those to food, water, housing and health

Yours sincerely,
Environmental Education of Mato Grosso Net – REMTEA
Snail Institute – iC
Environmental Education, Communication and Art Research Group - UFMT

………………………

The Revolt of Anatolia
Our rivers, the veins of Anatolia, are under attack by hydroelectric power stations, which are rerouting the natural way of life in the rural regions of Anatolia. The rivers are being diverted from their springs into huge pipes, which flow all the way...


The Great March of Anatolia started

The peoples of Anatolia are ready to march to Ankara to put a stop to activities that destroy nature.  The march that has started on April 2 from Artvin, North-East Turkey, will set out from ten other different points due coming weeks and proceed in branches that will join together in Ankara. The thousands who gather in Ankara will not return home until their demands are met.

«We shall not let go of Anatolia!» is the slogan of The Great March of Anatolia. The protestors set out from Artvin in the eastern Black Sea region, Izmir, Edremit and Muğla in the Aegean region, Antalya and Mersin in the Mediterranean region, Hasankeyf in the Southeast, Edirne in the Marmara region and; Kastamonu and Zonguldak in the western Black Sea region.

As the marchers make their way from their valleys, villages and cities towards Ankara, others in different regions and towns will joint their ranks.

The purpose of the Great March for Anatolia is to call on the Turkish Government to immediately withdraw the proposed draft legislation that will open up all national parks and protected sites to industrial development, and to halt the construction of almost 4000 Hydro Electric Plants and dams that mean the privatization of all the rivers and streams in Anatolia.

The marchers will also call on the government to withdraw from ecologically destructive projects such as more than 40 000 mining permits that will destroy mountains, plans for nuclear plants that will endanger future generations, and the new forestry legislation that will open up forests to industrial development.

«Marching to defend life»
Pervin Çoban Savran, the leader of nomads in the Taurus Mountains, who announced the Great March pointed out that profit-oriented development projects that disregard environmental costs are rapidly driving Anatolia to the brink disaster.

«Dams, hydroelectric power plants, mines, industrial activities in forests, and nuclear energy projects that disregard public good and the ancient balance of nature threaten not only nature, but also human life.  The ancient balance of nature, which is now severely threatened, is essential to healthy and happy human lives.

Because we no longer believe that the current administrative system will meet our demands, we are rising to defend out rights to life by saying «no» to destruction of nature. In April 2011, we are setting out from valleys, mountains, villages, towns and cities all over Anatolia to make our way to Ankara in convoys.  We are not going to return home until our demands are met.

We call on everyone in the world who believes that protecting the delicate balance of nature is a matter of human responsibility to support our movement.

For detailed information:


.....................

embaixada:embassy.brasil@mfa.gov.tr, emb.turquia@conectanet.com.br

Exmo Sr. Ersin Stam
E demais Exmo. Senhores Representantes do Governo da Turquia no Brasil

Cumprimentando-os e saudando-os no precioso e necessário diálogo entre o Brasil e a Turquia, apresentamo-nos como:
1.      Instituto Caracol / IC, uma organização não-governamental que se dedica às causas socioambientais;
2.     Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte / GPEA, uma equipe de pesquisa científica da Universidade Federal de Mato Grosso / UFMT; e
3.     Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental / REMTEA, que agrega as instituições acima e tantas outras, fundada em 1996 e com compromisso à dimensão socioambiental, especialmente a favor da ecologia e da vida social vulnerável.

Estamos encaminhando esta mensagem no intuito de conseguir reverter a construção da usina em Anatolia, que prejudicaria a biodiversidade local, bem como traria prejuízos socioambientais de diversas ordens, entre os quais a exclusão social.

O Brasil enfrenta os mesmo problemas e desafios, a exemplo de Belo Monte, e cumpre-nos expressar contrários a estas grandes corporações das hidrelétricas que favorecem apenas a minoria com energia, confinando outras populações a ficarem sem suas casas, biodiversidade e vidas dignas.

Assinamos o manifesto sobre a “Revolta de Anatolia” [abaixo], deixando nosso pedido para que os projetos desenvolvimentistas sejam freados, já que jamais conseguiram incorporar as dimensões sociais e ecológicas, dando ênfase no setor econômico.

Cordialmente,

Michèle Sato
iC – GPEA - REMTEA

segunda-feira, 16 de maio de 2011

CHÁ-CO-BOLO: Aluízio Azevedo- "É kalon - olhares ciganos"

Você não pode perder, venha participar!!

CHÁ-CO-BOLO: Aluízio Azevedo- "É kalon - olhares ciganos"

local: SALA 60, IE/UFMT

Horário: 15 hs

Data: 19/05 (quinta-feira)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

TCHÁ-CO-BOLO


Caros amigos, convidamos a todos a compartilhar este
TCHÁ-CO-BOLO com toque BAIANO!!

  • Data: 14 de abril, 5ªf.
  • Horário: 15 horas
  • Local: sala 60 do Instituto de Educação, UFMT
  • Pauta: "A LUTA PELA JUSTIÇA AMBIENTAL, TERRITÓRIOS ÉTNICOS E A COOPERAÇÃO SUL-SUL"
diálogos com:
Diosmar Filho (Instituto de Gestão das Águas e Clima - Ingá, BA)



Abraços a todos

domingo, 3 de abril de 2011

OPAN - BERÇO DAS ÁGUAS

02 de abril de 2011
OPAN e REMTEA firmam parceria no Projeto Berço das Águas




A Operação Amazônia Nativa (OPAN) e a Rede Mato-grossenese de Educação Ambiental (Remtea) firmaram no dia 30 de março uma parceria como parte do Projeto Berço das Águas, que vai elaborar planos participativos de gestão ambiental nas terras indígenas Manoki, Myky e Enawene Nawe. As três áreas cobrem cerca de 1 milhão de hectares na bacia do rio Juruena. Um dos objetivos do projeto é identificar potencialidades econômicas para produtos florestais não madeireiros da faixa de transição Cerrado-Amazônia e oferecer alternativas de renda aos povos indígenas através da conservação da natureza.

A professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Michele Sato, que representou a Remtea na reunião, destacou a importância deste trabalho no esforço de mapeamento social do Mato Grosso. E manifestou interesse em montar uma cartografia dos espíritos e locais sagrados a partir da perspectiva indígena. Além disso, o projeto poderá viabilizar a participação de indígenas como formadores dos não indígenas na UFMT. A OPAN convidou a rede para participar do conselho gestor do Projeto Berço das Águas e aguarda a indicação de um representante.

A OPAN aproveitou a oportunidade para apresentar seus trabalhos no Amazonas e no Mato Grosso, ressaltando a relevância das parcerias com os povos indígenas do noroeste do estado, e tendo em vista a preservação cultural e ambiental de seus territórios. As terras Enawene Nawe, Myky e Manoki passam atualmente por processos de revisão de seus limites, num contexto de graves agressões e ameaças no entorno dessas áreas por pressão das frentes de desmatamento em nome da pecuária, do agronegócio, da exploração madeireira e da instalação de centrais hidrelétricas.
“A elaboração dos planos de gestão ambiental é também uma maneira de instrumentalizar os povos indígenas para os embates políticos, na medida em que eles conhecem as potencialidades de seu próprio território e decidem por seu melhor usufruto”, explica Artema Lima, da OPAN. Desta maneira, as negociações com o poder público visando acesso aos recursos do ICMS Ecológico, ou compensações ambientais decorrentes da instalação de empreendimentos que muitas vezes geram conflitos de ordem social e ambiental nas aldeias, poderão ficar mais qualificadas.

O Projeto Berço das Águas tem ainda como propostas apoiar e realizar intercâmbios de experiências em gestão ambiental entre os povos indígenas; oferecer formação para os gestores das associações e agentes ambientais indígenas; criar um fundo para pequenos projetos; apoiar as cadeias produtivas da seringa, castanha-do-Brasil e frutos do Cerrado; realizar inventários florestais e elaborar os planos de gestão, contribuindo para a implantação da Política Nacional de Gestão Ambiental nas Terras Indígenas (PNGATI) em Mato Grosso.

Além da coordenadora do Projeto Berço das Águas, Juliana Almeida, e da educadora ambiental Artema Lima, e Adriana Werneck Regina, da OPAN, estavam presentes integrantes do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Secretaria do Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc), Coletivo Jovem (CJ), Instituto Caracol, Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Artes (GPEA) e Secretaria do Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema). “O encontro de todas essas entidades foi muito proveitoso, pois a partir de agora aumentam as perspectivas de interlocução e de novas parcerias formais com GPEA, Instituto Caracol, e outras instituições”, diz Artema Lima.



Berço das Águas: colhendo riqueza nas terras indígenas do Mato Grosso

O quê: Projeto para elaborar planos de gestão ambiental em três terras indígenas do Noroeste de MT e fomentar cadeias produtivas de frutos nativos do Cerrado e da Amazônia para fins de geração de renda e sustentabilidade ambiental dos territórios.

Para quê: Apoiar a gestão ambiental e melhoria das condições de vida dos povos Enawene Nawe, Manoki e Myky

Quando: 2011-2012

Quem: Operação Amazônia Nativa (OPAN), com patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Ambiental

Onde: Terras Indígenas Enawene Nawe, Myky e Manoki, nos municípios de Sapezal, Comodoro, Juína e Brasnorte (MT)

OPAN
A OPAN foi a primeira organização indigenista fundada no Brasil, em 1969. Atualmente suas equipes trabalham em parceria com povos indígenas do Amazonas e do Mato Grosso, desenvolvendo ações voltadas à garantia dos direitos dos povos, gestão territorial e busca de alternativas de geração de renda baseadas na conservação ambiental e na manutenção das culturas indígenas.

Contatos com imprensa
Andreia Fanzeres: +55 65 33222980 / 81115748
OPAN – Operação Amazônia Nativa

Crédito das imagens:
Myky_mudas: Flavio André Souza/OPAN
Enawene Nawe: Marcus Malthe
Manoki pintado: Arquivo OPAN
Reunião remtea: Juliana Almeida / OPAN

Todas as imagens devem ser creditadas. Para fotos em alta resolução, favor solicitar por e-mail.



MAB - RONDÔNIA

MOVIMENTO DOS ATINGIDOS PELA BARRAGEM

Mês de março, acompanhamos a revolta e greve dos operários nas usinas de Jirau e Santo Antônio, localizadas no Rio Madeira, em Rondônia, sob responsabilidade – respectivamente - das empresas Camargo Corrêa e Odebrecht. Varias outras revoltas semelhantes já haviam ocorrido e vêm ocorrendo em varias partes do Brasil.
Nós, do Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB, da Plataforma BNDES e da Central Única dos Trabalhadores (CUT-Brasil), tomamos uma iniciativa conjunta com as demais organizações que assinam este documento, de manifestar solidariedade pública à legitima luta dos operários e atingidos destas duas usinas. Também estamos denunciando e reivindicando que o Tribunal Regional do Trabalho de Rondônia reveja sua decisão e cancele imediatamente a multa diária de R$ 50.000 sobre a organização dos operários (STICCERO/CUT) e reconheça a greve dos operários da Usina de Santo Antônio como legítima.
Os operários, assim como a população atingida, estão sendo vítimas de uma brutal exploração e pressão, imposta pelas empresas responsáveis por estas usinas, para acelerar a construção das obras e antecipar o final de sua construção. A grande maioria dos operários recebem salários extremamente baixos e são vítimas de longas jornadas de trabalho, péssimas condições de trabalho e segurança, violência e perseguição,  acordos não cumpridos, transporte de péssima qualidade e ameaças constantes de demissão. Essa tem sido a realidade constante destes trabalhadores e trabalhadoras que, através de suas greves e mobilizações, vêm denunciando e cobrando soluções imediatas.   
No caso da usina de Jirau, havia uma previsão estimada pelas próprias empresas, de antecipação de um ano na sua construção final. Significa que o ritmo de construção e trabalho foi acelerado em torno de 25%, para além da previsão do previsto como “normal” pelas próprias empresas no início da obra. Esta antecipação trará como ‘benefício’ às empresas a diminuição dos custos com os operários em valores próximos a um bilhão de reais e as empresas também ganharão o direito de vender esta energia previamente gerada no mercado livre, que significará  em torno de R$ 190 milhões de faturamento a cada mês de antecipação. E se realmente for construída com um ano de antecedência, significa um faturamentodeR$ 2,4 bilhões,algo próximo ou equivalente a R$ 120 mil/operário. Em troca, os trabalhadores estão recebendo das empresas a superexploração, com baixos salários, jornadas extenuantes, restrição às folgas e péssimas condições de trabalho e o risco de demissão em massa ao final da construção.
Portanto, nos colocamos em total apoio à luta e às reivindicações dos operários e dos atingidos por estas obras e exigimos a imediata solução à seus problemas e reivindicações.
ASSINAM:
  • Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
  • Plataforma BNDES
  • CUT Nacional
  • Conticom/CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira da CUT
  • Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
  • Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST
  • Associação Nacional dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF
  • Movimento de Mulheres Camponesas – MMC
  • Comissão Pastoral da Terra - CPT
  • Conselho Indígena Missionário - CIMI
  • Pastoral da Juventude Rural
  • Centro de Defesa da Criança de do Adolescente Maria dos Anjos
  • Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip)
  • Comitê Nacional de Enfrentamento á Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes
  • Grupo Pesquisador de Educação Ambiental, Comunicação e Arte, GPEA-UFMT
  • Instituto caracol
  • Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental



terça-feira, 29 de março de 2011

MST e o direito à resposta

fonte: http://www.mst.org.br/Outdoor-garante-direito-de-resposta-ao-MST-em-Pernambuco


Outdoor garante direito de resposta ao MST em Pernambuco

29 de março de 2011
Da CPT-PE

Camponeses e camponesas Sem Terra do Estado de Pernambuco conquistaram uma vitória na luta pela efetivação dos Direitos Humanos e em defesa da Reforma Agrária.
A mensagem “Reforma Agrária: Esperança para o campo, comida na sua mesa” encontra-se em 21 outdoors espalhados por todo o estado. 
A mensagem foi publicada após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), pela Associação dos Militares Estaduais de Pernambuco (AME), antiga AOSS e a empresa de outdoors Stampa.
O TAC é fruto de mediação promovida pelo Ministério Público de Pernambuco e se deu em decorrência da veiculação massiva de propagandas de cunho difamatório e preconceituoso contra Sem Terras, promovida pela antiga AOSS, no ano de 2006, no Estado.
De acordo com o TAC, a associação também terá que publicar retratações públicas aos sem terra no jornal de circulação interna aos membros da associação - e que chega também aos quadros da Policia Militar e do Corpo de Bombeiros-,  além de publicar também na página eletrônica da associação.

Hoje pela manhã as entidades de Direitos Humanos que acompanham o caso, representantes do Ministério Público do Estado, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), além de trabalhadores e trabalhadoras rurais, estiveram presentes no Ministério Público de Pernambuco para uma coletiva de Imprensa sobre o caso.
Dr. Westei Conde y Martin, da promotoria de Direitos Humanos do MP, ressaltou que a medida que garante o Direito de resposta aos Sem terra que foram criminalizados é inédita em todo o Brasil.
Para Adelmir Antero, da Direção Estadual do MST, a medida é um fato histórico para a luta dos trabalhadores e trabalhadores rurais e que esta retratação é para todos aqueles que vem sendo massacrados há mais de 500 anos no país.
O Padre Thiago Thorlby, da CPT reforçou que “a verdadeira propaganda dos camponeses e camponesas está todos os dias em nossa mesa, no almoço e jantar. E enquanto os camponeses produzem alimentos, o Governo destina bilhões ao agronegócio que mata, explora e expulsa o povo de suas terras”.

O instrumento judicial utilizado para firmar o TAC foi o da Ação Civil Pública e os outdoors com a mensagem de promoção e defesa dos direitos humanos e da Reforma Agrária tomarão as ruas do Recife e as estradas do Estado pelas próximas duas semanas.
Para as organizações que acompanham o caso, espera-se que esta medida, além de garantir a retratação aos trabalhadores sem terra, possa estimular o dialogo com a população sobre a importância da luta pela efetivação dos direitos humanos e pelo acesso à terra no Estado, considerado um dos que mais concentra terras e promove violência no campo no Brasil, segundo dados do IBGE e da Comissão Pastoral da Terra.
Histórico do Processo
Durante os primeiros meses de 2006, a população do Estado de Pernambuco foi surpreendida com o início de uma ostensiva propaganda contra camponeses e camponesas Sem Terra, assinada pela antiga Associação dos Oficiais, Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar/Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (AOSS), a atual Associação dos Militares de Pernambuco (AME).
A antiga AOSS havia colocado nas principais vias públicas da cidade do Recife e nas rodovias do estado outdoors com a seguinte mensagem de conteúdo difamatório e preconceituoso contra trabalhadores rurais Sem Terra: “Sem Terra: sem lei, sem respeito e sem qualquer limite. Como isso tudo vai parar?”. A mesma mensagem foi reproduzida em jornais de circulação local, internet, além de emissoras de TV e rádio. Também foram publicados textos igualmente preconceituosos e difamatórios no jornal interno da Associação. 
Em resposta à propaganda, entidades de defesa dos direitos humanos, como o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Terra de Direitos denunciaram o caso ao Ministério Público de Pernambuco. À época, as entidades protocolaram uma representação contra a antiga AOSS, afirmando que o Estado de Pernambuco é um local de extrema tensão agrária e a campanha publicitária, de criminalização da luta legítima dos trabalhadores rurais sem terra, incitava os policiais militares a agirem de maneira violenta contra esses camponeses, estimulando ainda mais o conflito existente no campo.
Além disso, o material publicitário veiculado ultrapassava os ditames da liberdade de expressão e manifestação, vez que, de conteúdo preconceituoso, atentava contra os princípios constitucionais, especialmente a dignidade humana, o direito à organização política e, acima de tudo, o direito de lutar por direitos. Após a denúncia, o Ministério Público abriu o procedimento de nº 06008-0/7 para apurar os fatos, o que desembocou no Termo de Ajustamento de Conduta citado.
As manifestações na luta pela Reforma Agrária fazem parte do exercício da cidadania em um estado democrático de direito, sendo legítima a forma de manifestação em sua defesa. O exercício do direito à mobilização, a fim de garantir direitos, mais especificamente o direito à terra, e de dar visibilidade aos pleitos sociais, mais que legítimo, é necessário para a real concretização da democracia, principalmente num estado como Pernambuco, em que problemas estruturais como a escravidão, o latifúndio e a privatização dos espaços públicos ainda estão presentes e não são enfrentados. Em Pernambuco, a concentração fundiária alcança o índice GINI de 0,8181, sendo grande parte dessas terras improdutivas. De outro lado, cerca de vinte mil famílias sem terra aguardam a efetivação da política pública de Reforma Agrária para garantir sua alimentação, seu sustento, sua dignidade.
De caráter amplo e estrutural, a Reforma Agrária garante o acesso e a concretização de outros direitos humanos, como o direito à moradia, à alimentação e ao trabalho. Além disso, são esses mesmos trabalhadores rurais, que lutam pela Reforma Agrária, os responsáveis pela construção da soberania alimentar do país: a esmagadora maioria dos alimentos consumido nas cidades vem da agricultura familiar e camponesa, inclusive de assentamentos de Reforma Agrária. Segundo dados do IBGE a agricultura familiar e camponesa é responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo.
Portanto, trabalhadoras e trabalhadores rurais sem terra, enquanto defensores de direitos humanos que são, mais que lutadores incansáveis pelo combate da desigualdade social (o que só é possível, dentre outras coisas, após uma profunda Reforma Agrária), são brasileiros e brasileiras, na luta pelo direito de viver com dignidade.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Leite materno é contaminado por agrotóxicos em MT

Uma pesquisa revelou contaminação do leite materno por agrotóxicos usados em plantações em uma cidade no Mato Grosso. As amostras foram colhidas de 62 mulheres atendidas pelo programa de saúde da família do município de Lucas do Rio Verda, a 350 km de Cuiabá. Os níveis de agrotóxicos encontrados estão bem acima da média e põem em risco a saúde humana.

Em 100% das amostras foi encontrado ao menos um tipo de agrotóxico e em 85% dos casos foram encontrados entre 2 e 6 tipos.

A substância com maior incidência é conhecida como DDE, um derivado de outro agrotóxico, DDDT, proibido pelo Governo Federal em 1998 por provocar infertilidade no homem e abortos espontâneos nas mulheres.

Embora os agrotóxicos sejam necessários para as plantações, não existe nenhuma barreira física que impeça o produto de se espalhar pela região com a ação do vento.

Do Jornal da Band

pauta@band.com.br

Segunda-feira, 21 de março de 2011 - 19h48
Fonte: http://www.band.com.br/jornaldaband/conteudo.asp?ID=100000412545

sábado, 12 de março de 2011

TCHÁ-CO-BOLO

DE VOLTA COM NOSSOS FAMOSOS TCHÁ-CO-BOLO

  • Data: 30 de março, 4ªf.
  • Horário: 15 horas
  • Local: sala 66 do Instituto de Educação, UFMT
  • Pauta: POVOS INDÍGENAS


diálogos entre a Remtea e a Opan [Operação Amazônia Nativa]
Povos indígenas: educação ambiental e conservação da biodiversidade

Foto: Vitor Nogueira
Kalapalo - MT


APOIO AO NILO DINIZ - DEA/MMA



CARTA DE APOIO AO DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL DA SECRETARIA DE ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL E CIDADANIA AMBIENTAL DO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

EXMO. SR. NILO SERGIO DE MELO DINIZ


Mais um ano, mais um governo, e sabedores das dificuldades, mas também e primordialmente, das virtudes e potencialidades da Educação Ambiental em nosso país, o objetivo do envio desta carta é o de reafirmar nosso apoio a um dos órgãos responsáveis por propor ações educativo-ambientais, o que tem se configurado como um grande desafio frente às demandas e mazelas, face ao avanço de setores que possuem uma mera visão utilitarista do meio ambiente, sem consciência ou ações que possam protegê-lo.

No entanto, a expressividade das ações em educação ambiental requer o engajamento e a compreensão de que políticas públicas, em qualquer setor, necessitam ser apoiadas por todos os segmentos da sociedade, bem como acompanhadas no pleno exercício democrático de controle social. Tal controle não deve ou pode ser meramente um instrumento de crítica aos projetos e programas, senão uma prática propositiva e de apoio aos avanços e êxitos, que também aprimorem ações já efetivadas como a Educação Ambiental e Agricultura Familiar, Circuito Tela Verde, Coletivos Educadores e tantos outros programas e projetos que se inserem ou utilizam temas prementes em âmbito local e global.

Nesse sentido a Rede Mato-grossense de Educação Ambiental – REMTEA se alinha com setores mais arrojados e politizados da sociedade, alinhavando discussões com o setor público, movimentos e grupos sociais, numa ampla costura política e que, portanto, se coloca à disposição deste Departamento e desta nova gestão de maneira solidária e propositiva.  Mais do que isso, apoiamos e saudamos o novo Diretor, Sr. NILO DINIZ, desejando uma boa gestão democrática que possibilite a concreção dos sonhos d@seducador@s ambientais de todo Brasil, e quiçá do mundo, já que quem muda um pedaço do mundo, é também capaz de mudar o mundo.

Cuiabá, 11 de março de 2011.

Rede Mato-grossense de Educação Ambiental – REMTEA
*

terça-feira, 8 de março de 2011

ANDRÉA - IPAM

fonte: IPAM [09mar11]

http://www.ipam.org.br/revista/-Andrea-Azevedo-Amazonia-precisa-de-gestao-sustentavel/272


Andrea Azevedo: Amazônia precisa de gestão sustentável

Maura Campanili
Andrea Azevedo, pesquisadora do IPAM. (Foto: IPAM)
Cientistas da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Associação Brasileira de Ciência ( ABC) apresentaram um relatório, durante seminário da Frente Parlamentar Ambientalista, no final de fevereiro, onde mostram que, para garantir a conservação dos recursos naturais, a segurança da população urbana e a produtividade agropecuária brasileiros, as leis ambientais deveriam ser ainda mais restritivas do que as atuais e seu cumprimento exigido com muito mais firmeza.
Encaminhamentos recentes nos legislativos federal e estaduais, porém, têm caminhado no sentido contrário ao recomendado pela ciência. Segundo a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Andrea Azevedo, exemplos disso são o projeto de lei substitutivo ao atual Código Florestal, em discussão no Congresso Nacional, e a lei do Zoneamento Socioeconômico Ecológico do estado de Mato Grosso, no momento à espera de sanção ou veto do governador, também fruto de um projeto substitutivo que privilegia interesses de grupos, flexibiliza as restrições ambientais e diminui as áreas protegidas no Estado.
Doutora na área de desenvolvimento sustentável, Andrea, acredita que tanto o Código Florestal quando o ZSEE são fundamentais para se alcançar uma gestão sustentável, sobretudo na Amazônia, mas precisam estar conectados com as metas da Política Nacional de Mudanças Climáticas e serem instrumentos viáveis de governança voltada para o seu cumprimento.
Clima e Floresta – Como a iminente alteração no Código Florestal pode se transformar em oportunidade para o desenvolvimento da Amazônia?
Andrea Azevedo – O substitutivo atual parte de premissas erradas para alteração do Código Florestal. As principais são que é preciso desmatar para aumentar a produção agropecuária e que, se a lei não vem sendo cumprida, a solução é alterá-la. Isso não significa, porém, que a o Código Florestal não possa ser mudado, desde que seja para torná-lo um instrumento efetivo para implementar a Política Nacional de Mudanças Climáticas e as demais políticas ambientais brasileiras, como as relacionadas às unidades de conservação, recursos hídricos e controle do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Além disso, deve promover a redução da pobreza rural e estimular a competitividade do Brasil no cenário agrícola global. Tudo isso conectado à promoção da recuperação das áreas degradadas no campo por meio de estímulos econômicos adequados.
Clima e Floresta – Quais instrumentos poderiam ser incorporados ao Código Florestal para capacitá-lo a cumprir esses papéis?
Andrea – A partir dos 15 anos de experiência técnica e científica do IPAM trabalhando com muitos parceiros na região amazônica, defendemos que as Áreas de Preservação Permanente (APPs) devem ser preservadas nos valores que a legislação atual determina, por serem extremamente importantes para manter a qualidade dos recursos hídricos, controlar a temperatura da água, mantendo o ecossistema aquático e terrestre em funcionamento. A consolidação de uso de APP deve ser uma exceção e não regra. Para estimular a recuperação dessas áreas, uma das formas é torná-las parte da Reserva Legal (RL) da propriedade, desde que obedecidos alguns critérios. O governo pode, ainda, criar mecanismos de financiamento atrelados à recuperação de APPs e considerar sua recomposição elegível para fins do mercado brasileiro de carbono, previsto na Política Nacional de Mudanças Climáticas. Outro ponto importante é que não pode haver anistia de recomposição de Reserva Legal, notadamente nas propriedades médias e grandes. Uma anistia ao passado cria incentivos ao descumprimento das leis ambientais no futuro. Defendemos, isso sim, é uma ampliação da abrangência e das possibilidades de compensação, como já dissemos, via incorporação da APP no cômputo da RL ou compensações no mesmo bioma, com estímulos para compensação dentro da mesma bacia. Essas compensações poderiam acontecer por meio de servidão florestal, unidades de compensação e restauração de áreas degradadas. Outro ponto superimportante é que reduzir RL por propriedade acima de quatro módulos rurais pode tornar o monitoramento ambiental rural muito difícil, porque cada propriedade teria um valor  diferente de reserva legalmente possível. Isso dificultará em demasia o trabalho dos órgãos governamentais, sob o risco de total ingovernabilidade.
Clima e Floresta – Esses mecanismos seriam válidos também para as pequenas propriedades, voltadas à agricultura familiar?
Andrea – O IPAM apóia a flexibilização da obrigação da Reserva Legal para o pequeno produtor, isentando da obrigação de constituir a RL para aqueles que possuam até 1 módulo fiscal, desde que isso não implique em novos desmatamentos. Isso inclui 60% dos produtores familiares do país e abrange menos de 5% do território nacional. A manutenção da APP, porém, é fundamental para que a agricultura familiar mantenha a qualidade da água, o que é imprescindível. Em relação aos agricultores entre 1 e 4 módulos fiscais, o governo deveria criar um programa nacional de agroflorestas visando apoiar a recomposição das RLs com produção de alimentos e de serviços ambientais. Outro mecanismo interessante seria haver uma conexão entre o Código Florestal e a PNMC, com um dispositivo determinando que a recomposição de APP e RL, assim como os mecanismos de compensação de RL em áreas desmatadas até julho de 2008, sejam considerados elegíveis para o mercado brasileiro de carbono.
Clima e Floresta – E em relação ao Zoneamento Socioeconômico Ecológico de Mato Grosso, o que aconteceu durante a tramitação do projeto que resultou em uma lei que, se sancionada, pouco colaborará para incentivar a conservação ambiental no Estado?
Andrea – O ZSEE do Mato Grosso tem uma trajetória de aproximadamente 20 anos na elaboração de seus estudos, onde foram gastos cerca de R$ 34 milhões, além do envolvimento de técnicos e pesquisadores de várias instituições do Brasil. Ao ser levado à Assembleia Legislativa (AL) em 2004, porém, acabou arquivado por pressões do setor agropecuário. Em 2008, o projeto voltou à Assembleia a pedido do então governador Blairo Maggi e passou por ampla publicização e consulta por meio de seminários técnicos e 15 audiências públicas. Após o término das audiências, uma equipe foi contratada pela Assembleia para fazer a compilação do material e, com isso, foi proposto um substitutivo , que foi rejeitado pela comissão de zoneamento da AL e proposto um segundo substitutivo, duramente criticado pela sociedade civil, Ministério Público e algumas secretarias de governo. Após algumas revisões, foi proposto um terceiro substitutivo, que foi votado e aprovado em outubro de 2010, com a retirada de uma boa parte das áreas destinadas à proteção Mato Grosso.
Clima e Floresta – Quais foram as principais perdas no substitutivo aprovado?
Andrea – Foram retirados praticamente 57% das áreas de unidades de conservação propostas, 23,5% das áreas com alto potencial florestal e 81,8% das áreas com alto potencial hídrico. A maior parte dessas áreas foi remanejada para áreas consolidadas, aumentando essa categoria em 77% em média. As unidades de conservação no Mato Grosso, porém, representam apenas 4% da área do Estado (sem contar as Áreas de Proteção Ambiental), um dos menores percentuais da Amazônia Legal. Do substitutivo 1 para a lei aprovada, houve uma perda de 3,1 milhões de hectares de áreas com potencial para unidades de conservação.
Clima e Floresta – Se essa lei for sancionada, quais seriam os principais problemas para o Estado?
Andrea – A perda das zonas com elevado potencial florestal vai se refletir na desaceleração da economia baseada na floresta, de planos de manejo e de projetos de REDD, que poderiam ser desenvolvidos nessas áreas, além de propiciar o desmatamento. As zonas de elevado potencial hídrico eliminadas do texto estão localizadas em áreas essenciais para recargas dos principais aquíferos da região Centro Oeste e Amazonas. São áreas ao sul do Parque Indígena do Xingu e na região da Chapada dos Parecis. As áreas dentro dessa categoria poderiam, por exemplo, ter um algum tipo de incentivo especial para recuperação de APP, além de ser um diferencial econômico ter a propriedade rural em áreas “produtoras de água”. Outro potencial problema foi retirar da categoria de áreas protegidas 13 áreas indígenas em processo de homologação. Na prática, isso significa indicar para outras categorias de uso uma área que, se homologada, deverá ser desocupada, podendo intensificar os conflitos fundiários no Estado. Além disso, há controvérsias em relação à flexibilização da possibilidade de redução da Reserva Legal para 50% da propriedade para fins de recomposição, conforme prevê o atual Código Florestal, porque não foram estabelecidos nem locais, nem datas limites que podem ser feitas essas flexibilizações. Ou seja, da forma como está o texto, podem ser feitas em qualquer lugar do estado até o dia da edição da lei.  São problemas que podem ser agravados ainda mais dependendo do destino do próprio Código Florestal no Congresso Nacional.
Clima e Floresta – Como o IPAM tem se posicionado em relação ao processo de tramitação do ZSEE do Mato Grosso?
Andrea – Entre outras ações, o IPAM declarou publicamente (e ao governador) sua discordância da lei aprovada por meio de adesão ao Manifesto contra o substitutivo 3 do ZSEE. Realizou, ainda, reunião com políticos do Mato Grosso e tem conversado com movimentos sociais e ambientais sobre a necessidade do veto à lei, ressaltando pontos incoerentes com caminhos mais sustentáveis para o Estado. Além disso, está realizando estudos técnicos para indicar cenários a partir das alterações no solo (desmatamento) com a conseqüente alteração nas vazões dos rios, além da medição da quantidade de emissões de carbono que poderia acarretar se essa lei for sancionada.