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terça-feira, 3 de abril de 2012

BELÉM DO PARÁ ACLAMADA COMO ANFITRIÃ DO PRÓXIMO FÓRUM BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL.



BELÉM DO PARÁ ACLAMADA COMO ANFITRIÃ DO PRÓXIMO FÓRUM BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL.

"Se o VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental (VII FBEA) foi instigante, o próximo - que queremos organizar - será conectante." Essa foi a síntese de Fidelis Paixão, advogado, pastor e ativista de várias redes de educação ambiental, ao propor Belém do Pará como sede do oitavo FBEA. Ladeado por dezenas de participantes que vieram da Amazônia para participar do VII FBEA em Salvador, ele viu a proposta aprovada por aclamação durante ultima atividade realizada no Centro de Convenções, no sábado, 31 de março.
Foi uma tarde com muita vibração telúrica no Salão Oxalá. A ativista May East - proveniente da da ecovila de Finhorn, Escócia - conduziu uma dinâmica embasada nos quatro elementos (terra, fogo, água e ar) com os participantes da plenária final, no salão Oxalá. Homens, mulheres e crianças participaram do ato e de mãos dadas fizeram uma ciranda, marcada pelo ritmo de mantras evocativos das forças da natureza.
A mesa da plenária de encerramento foi composta pelas coordenadoras do VII FBEA, Tita Vieira e Henriqueta Raymundo, e pelos responsáveis pelo eventos da programação, que fizeram a “colheita do fórum”, um rápido balanço de tudo que aconteceu. Foi também a vez de agradecimentos e de homenagens à comissão organizadora do fórum, que contou com a contribuição de dezenas de voluntários desde a fase preparatória do evento até na condução das diversas atividades.
Estudantes universitários e do ensino fundamental também se destacaram no voluntariado. A cobertura educomunicativa feita pelos alunos de cinco escolas públicas de Salvador e região metropolitana inovou as possibilidades de comunicação. O conteúdo produzido pelos educomunicadores em texto, vídeo e fotografia está disponível no bloghttp://coberturaeducomviifbea.blogspot.com.br/

MOÇÕES E SONHOS EM REDE
A plenária final do VII FBEA aprovou importantes moções trazidas por seus participantes:
* Moção de apoio à campanha Veta, Dilma! pela rejeição à proposta de reformulação do Código Florestal aprovada no Senado;
* Moção de repúdio à medida que extingue a anuência prévia do gestor de unidades de conservação em processos de licenciamento ambiental no Estado da Bahia;
* Moção de apelo ao governador do Paraná para desengavetar a tramitação do projeto de lei que estabelece a política estadual de educação ambiental naquele estado; de repúdio à PEC 215 que altera os procedimentos para demarcação de terras indígenas;
* Moção de repúdio ao programa de energia nuclear, retomado no País.
Sonhos em rede
O VII FBEA propôs duas novas formas criativas de mandar os recados individuais para a Rio+20, que reunirá, mandatários de diversos países no Rio de Janeiro, entre 13 e 22 de junho, que discutirão um futuro mais sustentável para o Planeta.
No mundo virtual, abraçou a campanha "Meu Sonho Verde", proposta pela Onu, que estimula indivíduos do mundo todo a criarem vídeos de até dois minutos com suas mensagens para um futuro socialmente mais justo e ecologicamente sustentável, postando-os no Youtube.
Além disso, simbolizando a ação em rede, armou uma grande rede de pesca no Centro de Convenções da Bahia, oferecendo peixinhos cortados de garrafas pet (reaproveitamento), onde a pessoa escrevia seus sonhos por um mundo melhor, prendendo-os na rede com coloridas fitas do Bonfim. A proposta é transformar esta rede num símbolo da sociedade civil, na Rio+20, em favor da criação de sociedades verdadeiramente sustentáveis.
Planeta Terra e e planetinha digital
Fez sucesso a réplica do Planeta Terra, que pela primeira vez trouxe consigo o  “filhote”, Planeta Digital para participar do VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental (VII FBEA). Trazido por José Matarezi, coordenador da Trilha da Vida, representou, para os participantes, o desejo de manter viva a Mãe Terra. Muitas mãos deixaram suas marcas digitais no "planetinha", simbolizando a participação para que o sonho se concretize. Planeta e planetinha ficaram expostos no Centro de Convenções da Bahia durante quase todo o período de realização do VIIFBEA. Saiu uma única vez, para acompanhar o Cortejo Rumo à Rio+20, no centro histórico de Salvador (Pelourinho) – na noite de sexta feira, 30/3 –  que simbolizou o caminho que as contribuições dos educadores ambientais farão para chegar ao evento mundial.
CONSTELAÇÃO DE ATIVIDADES EM APENAS 4 DIAS
Em números: Ocupando dois pisos do Centro de Convenções da Bahia durante os últimos 4 dias de março, o VII FBEA contou com mais de 2,6 mil pessoas inscritas e um verdadeiro exército de colaboradores no apoio logístico, inclusive mais de 50 monitores voluntários e estudantes de 5 escolas na cobertura educomunicativa do evento. Foram 18 mesas de debates (mesas redondas, colóquios, jornada etc), 18 encontros paralelos promovidos por redes de educação ambiental (41 presentes), dois Cafés Sociais, e uma constelação de outras atividades, animadas por especialistas e personalidades de várias áreas do conhecimento: 
Tenda Sagrada: foi um lugar dedicado ao centramento de energia, de poder, de cura, de manifestação da espiritualidade, de respeito à ancestralidade, de reunião, do toque de tambor, de música, dança e meditação, disse Susan Manjula, uma das coordenadoras desse espaço. A tenda foi montada com estrutura de bambu em uma oficina de bioconstrução - coordenada pelo paraguaio Guilermo Gayo e sua equipe do Takuara Renda - dias antes da abertura do fórum e contou com a participação de voluntários.
Feira sustentável:  foi a realização de uma proposta de acolhimento de uma rede de comércio solidário em benefício de comunidades e de organizações populares, da agricultura familiar, de reservas extrativistas numa iniciativa para ser aprimorada nos próximos fóruns, na avaliação de Erika Almeida, uma das coordenadoras. Também incluiu uma seção de Artes, com forte presença da reciclagem de materiais na produção de objetos artísticos e utilitários.
Trilha da vida – experiência sensorial dirigida por José Matarezi, com equipe da Universidade do Vale do Itajaí (Univali - SC), da qual participaram mais de 300 pessoas e que se constituiu também em um espaço de fortalecimento emocional dos educadores ambientais diante do acirramento dos problemas ambientais locais e globais. Muitos aproveitavam para assistir ao Teatro Lambe-Lambe, logo ao lado, que proporciona sessões individuais de curta duração.
Oficinas e painéis: trabalho que começou em dezembro do ano passado com a chamada para inscrições, que tiveram que se estender até fevereiro para possibilitar a participação do público vinculado ao sistema formal de educação. As mais de 800 propostas resultaram na escolha de 67 oficinas e minicursos e quase 600 painéis, para apresentação no VII FBEA. O coordenador dessas atividades, Luiz Afonso Vaz de Figueiredo destacou a contribuição dos 56 avaliadores no esforço feito para contemplar o maior número possível  de trabalhos inscritos. “Os avaliadores voluntários foram heróis”, destacou o coordenador que também elogiou o envolvimento dos monitores que atuaram nas atividades durante o fórum.
Encontros paralelos: foram ao todo 18 com formato livre e todos engajados nos três eixos temáticos do fórum: fortalecimento dos educadores ambientais em rede, afirmação dos princípios estabelecidos no tratado de educação ambiental e preparação para a conferência Rio + 20. Os relatos de cada encontro paralelo serão disponibilizados nos anais do fórum, segundo informou Henriqueta Raymundo.
Café social: atividade de conversação aberta da qual emergiu o reconhecimento do esgotamento das listas de discussão e do desejo de aumentar o acesso aos softwares livres para sustentar a comunicação sem interferência de poder central, como destacou a coordenadora deste evento, Vivianne Amaral. Das rodas de conversas saíram propostas de ação como a realização de caminhadas e bicicletadas para reforçar campanhas nacionais como a de rejeição ao Código Florestal aprovado no Senado; e disseminação de bandeiras de luta do tipo “quero mais educação ambiental”, pela formação de ecotorcidas na em eventos como a Copa do Mundo, e de criação de um dia nacional sem água para sensibilização sobre a importância da água.
Moeda social: apesar do pouco tempo para estruturar a participação do Ecobanco no VII FBEA, o coordenador da iniciativa, Ian Requião de Castro avaliou como positiva a inserção do conceito de moeda social no evento. A moeda, que foi intitulada como elo, circulou na feira sustentável e na praça de alimentação montada no terceiro piso do Centro de Convenções. “Conseguimos fazer circular 1.120 elos”, observou ele. Adotada em seis comunidades na Bahia e em mais de 60 no País, a moeda social tem como objetivo fortalecer o comércio local nas comunidades, a partir do incentivo ao consumo dos produtos e serviços oferecidos na própria comunidade. 

SOBRE O VII FBEA
Realizado pela Rede Brasileira de Educação Ambiental - REBEA (formada pela articulação de aproximadamente 45 redes e coletivos de educação ambiental ativas no país), com a Rede Baiana de Educação Ambiental - REABA, e Instituto Roerich de Paz e Cultura do Brasil, o VII FBEA realiza-se pela primeira vez no Estado da Bahia, no simbólico ano da Rio+20 (Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável que ocorrerá no Rio de Janeiro em junho).
O VII FBEA foi concretizado graças aos patrocínios da patrocinio da Chesf, Petrobras, Itaipu Binacional, Coelba, Embasa, Banco do Nordeste, Abaf, CNPq, Sebrae, Battre Solvi, Revita, WWF, Instituto Sabin e Yamana Gold; do forte apoio do Governo da Bahia, por meio das secretarias estaduais do Meio Ambiente, Educação, Turismo, Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, e de Desenvolvimento Urbano, e da Empresa de Desenvolvimento Agrícola SA (EBDA), bem como o apoio institucional de três Ministérios - da Educação e do Meio Ambiente - e do SESC-BA, da TVE Bahia e rádio Educadora FM (107,5Mhz).
O VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental (VII FBEA) tem um espaço virtual, onde dá para buscar mais informações (inclusive de hospedagem mais barata) e fazer inscrições: http://viiforumeducacaoambiental.org.br.

Textos: Maiza Andrade, Edição: Silvia Czapski

Silvia Czapski / Comunicação VII FBEA

comunicaforumea@gmail.com


INTERAÇÃO:

* Sites:
http://midiasocial.rebea.org.br/ (Mídia Social REBEA)
http://pt.scribd.com/viiforumdeea (Compartilhamento de docs. do processo de organização).

segunda-feira, 26 de março de 2012

Qual é a economia que Mato Grosso quer?

centro burnier
http://centroburnier.com.br/wordpress/?p=862

Artigo – Qual é a economia que Mato Grosso quer?


Por Michèle Sato
O histórico da educação ambiental não inicia na década de 60, mas o movimento da contracultura e diversas manifestações corroboraram com o seu fortalecimento a partir desta época. Posta na arena de disputas, os jovens foram rebeldes em negar uma cultura hegemônica para propor alternativas mais viáveis. Woodstock, Tropicália e Maio 68 talvez sejam alguns exemplos que ilustrem os movimentos mais significativos que possibilitaram mudanças para muito de além de droga, sexo e rock and roll.
Fruto da década rebelde, a década posterior de 70 incitava o paradoxo da global em contraponto com o local: No Brasil, o contrassenso da ordem desenvolvimentista representada pela Transamazônica marcava timidamente a série de eventos como Estocolmo 72 ou Tbilisi 77. Enquanto o mundo se revestia no debate socioambiental, pautando a dimensão humana coligada à natural, slogans duvidosos pairavam no Brasil tomado por militares: “Que venha a poluição, pois junto vem o progresso”. E ainda na era contemporânea, discursos de mais de 40 anos atrás perduram principalmente no setor do agronegócio mato-grossense: “integrar para não entregar”. A noção desenvolvimentista teimava em tornar os povos tradicionais e as comunidades invisíveis e sob a égide dos espaços vazios, a descentralização brasileira rumava por “uma terra sem homens para homens sem terra”.
De engodo a engodo, aqueles que teimavam por mudanças conseguiram driblar o sistema viciado com alguns feitos históricos, como a criação do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, que envolvia o Movimento Artista pela Natureza e demais movimentos socioambientais espalhados em todo o cenário brasileiro. O assassinato de Chico Mendes corria em paralelo ao movimento das Diretas Já e a pauta socioambiental também chegou internacionalmente pela comissão que Brundtland, que apregoava um termo novo no relatório do nosso futuro em comum: “Desenvolvimento sustentável”.
No prefácio do livro, em1987, aministra da Noruega antecipava a controversa do termo nas disputas políticas e ainda assim, ela afirmava não haver prejuízos à sociedade. O que se viu de lá pra cá foram apenas discursos incorporados paulatinamente sem nenhum esforço crítico, e o termo sustentabilidade caiu na banalidade de discursos vazios. Recentemente numa entrevista à Folha de S. Paulo, Gro Brundtland (2012) afirma que há abusos no uso do termo “sustentabilidade”. Arguida qual país teria realizado o chamado desenvolvimento sustentável, ela respondeu: “Coreia do Sul”. Não é preciso ser economista para se ter a leitura que os tigres asiáticos são países que não se sustentarão em suas bases econômicas, já que o ritmo frenético que acelera o capital não é endógeno, e nenhuma base forte pode sustentar as injustiças como o trabalho escravo ou o infantil que assolam tal países. Mas se a Coreia é exemplo de desenvolvimento sustentável para a criadora do termo, não resta dúvida que não existe nada de ambiental neste tipo de desenvolvimento.
O início da década de 90 reveste-se de vital importância ao mundo, especialmente ao Brasil, já que a Rio92 surgia como um marco significativo de consciência ambiental. Neste evento, surgem as primeiras manifestações contra uma cultura hegemônica da Organização das Nações Unidas (ONU), mas ainda um movimento sem nome. Antecedendo a Cúpula dos Povos (http://cupuladospovos.org.br/o-que-e/), uma espécie de contra-fórum debatia dois grandes princípios da sociedade civil: o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e de Responsabilidade Global (http://tratadoeducacaoambiental.net/Jornada/Home_pt.html) e a Carta da Terra (http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/index.html).
No desfile das autoridades, a pauta oficial deflagrou a Agenda 21, um marco de compromissos frente ao século 21, e o status quo do desenvolvimento sustentável, que na época não teve o devido estranhamento político para denunciar a farsa do capitalismo, que se apresentava com outro codinome. Por outro lado, avanços significativos foram realizados pela criação da Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA, 1992) e localmente, a criação da Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (REMTEA), em 1996. Diversas outras redes locais e temáticas se fortalecem, e o Brasil configura-se como um dos países (se não for o único) que fortalece as estruturas horizontais e novos arranjos de organização da sociedade civil.
Em 2002, um tímido evento em Johanesburgo assinalava a Rio+10, no claro retrocesso político da agenda 21, que dilacerava a proposta educativa com clara orientação na divulgação do desenvolvimento sustentável sem muito compromisso com os processos educativos. Foi uma década de triunfo europeu unificado, mas também da ascensão democrática principalmente na América Latina, com as eleições de presidentes com visões de esquerda, como Fernando Lugo (Paraguai), Hugo Chaves (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Lula pelo Brasil. Acelera-se o ritmo frenético do desenvolvimento sustentável, pasteurizando os discursos e tornando-nos iguais no fenômeno da globalização. E finalmente, o lançamento da década da educação para o desenvolvimento sustentável pela UNESCO, que ludibriava os jovens e mascarava o marcado com outro nome, mas que jamais conseguiu retirar a força da educação ambiental, principalmente no cenário ibero-americano.
O trunfo da Europa durou pouco. Uma década depois, quando a cartadas econômicas entram em crise, e os países europeus entram em colapso, é a vez e voz da aparição escancarada do mercado, que sob a égide do capital, orienta a Rio+20 com a pauta: economia verde. Desta vez, o evento conta com a forte oposição da sociedade civil, por meio da Cúpula dos Povos, que recusando acreditar que a guinada necessária à transformação mundial não pode ser meramente econômica, organiza-se num evento paralelo de compromisso ético socioambiental.
O estado de Mato Grosso se organiza pelo Grupo de Trabalho de Mobilização Social (GTMS), reunindo diversos setores, organismos, movimentos e pessoas da sociedade civil, que articulada numa comissão estadual, prepara um ciclo de debates sobre a Rio20 e a Cúpula dos Povos, nos seus desafios e perspectivas.
Compreendendo que a economia verde é um outro apelido do capitalismo que tenta maquiar o mercado neoliberal, a proposta é que diversos eventos debatam “qual é a economia que se deseja”.
Para isso, diversos setores, segmentos e movimentos se articulam, promovendo um ciclo de debates formativo e cada um destes ciclos de debate proporá qual é a economia que se quer. Cada segmento faz uma proposição simples que será somada aos demais setores.
A primeira etapa deste ciclo começou com o setor educação, no dia 21 de março, envolvendo estudantes do ensino médio e universitário, professores, gestores da educação, sindicato dos trabalhadores da educação, militantes e membros do governo e sociedade civil. Debatemos o Tratado de Educação Ambiental, economia ecológica, des-envolvimento e educação. As propostas iniciais podem ser lidas no blog da Remtea: http://remtea.blogspot.com.br/2012/03/primeira-etapa-qual-e- economia-que.html.
Na segunda etapa, mobiliza-se o Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (FORMAD) que hoje lidera um importante movimento contra os agrotóxicos. MST, pequenos agricultores, agricultura familiar e setores ligados ao campesinato também farão suas propostas de qual economia se deseja (http://www.formad.org.br/wordpress/?p=1203). O evento será no dia 4 de abril, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (SINTEP).
Depois será a vez dos povos indígenas, engajados em suas instâncias de deliberação. Direitos humanos, pastoral da terra, CIMI, Centro Burnier, quilombolas, e assim sucessivamente. No dia 1º de junho faremos um grande fórum para sistematizarmos todas as proposições e escreveremos uma carta que será amplamente divulgada como: QUAL É A ECONOMIA QUE MATO GROSSO QUER.
Um pensador francês Michel de Certeau (1984) buscou distanciar o poder hegemônico instituído do poder de resistência instituinte, supondo dois eixos de ação: o primeiro eixo é o das ESTRATÉGIAS que se constitui pelos setores socialmente mais fortes que opera os campos de poder, como um general de guerra, uma operação da bolsa de valores, ou de uma propaganda midiática do agronegócio que incita o consumo desenfreado do capital de giro. O segundo eixo compreende as pessoas marginalizadas do poder instituído, mas que lutam para golpear o domínio hegemônico, aproveitando-se das brechas para surpreender os mais fortes por meio das TÁTICAS de resistência, numa reinvenção do cotidiano.
É no contexto da resistência contra a orientação mercadológica que a sociedade civil vai à luta, compreendendo que se há avanços, há também inúmeros retrocessos. Por isso, talvez nem mais, nem menos, mas Rio “marromeno” 20. No contexto das condições de injustiça socioambiental, é impossível aleijar-se das dores do mundo que incidem em Mato Grosso de forma latente, negando o espaço da militância, e essencialmente da escolha política inscrita na ética. É neste espaço coletivo da sociedade civil que estamos construindo nossos espaços de posições e escolhas políticas, por meio de táticas da ecologia de resistência.


Michèle Sato é ambientalista, professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e membro do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) – UFMT
 




quinta-feira, 22 de março de 2012

Começou o Ciclo de Debates – Cúpula dos povos e a Rio20: Desafios e Perspectivas

formad
http://www.formad.org.br/wordpress/?p=1216


Educação, economia e meio ambiente foram os eixos norteadores dessa primeira etapa
Participantes da 1ª Etapa do Ciclo de Debates - FOTO: Caio B.O.B.
Na manhã desta quarta-feira, a Escola Estadual Presidente Médici, foi palco de abertura do Ciclo de Debates – Cúpula dos povos e a Rio20: Desafios e Perspectivas. Cerca de 200 pessoas, entre elas estudantes, secretária de educação e movimentos sociais participaram da atividade, que apresentou debates sobre os modelos de desenvolvimento, reflexões a cerca do Trato de Educação Ambiental e de qual economia queremos, tema central do ciclo de debates.
Profª Dr. Michèle Sato - FOTO: Caio B.O.B.
A primeira temática do Ciclo de Debates, era sobre educação. O evento contou com a participação da Profª Drª Michèle Sato, pesquisadora e educadora ambiental, que apresentou um pouco da trajetória sobre as discussões mundiais, com foco no meio ambiente. Entre uma referência cultural e outra, era mostrado a conjuntura das relações socioambientais na Eco 92, Rio+10 e as expectativas para a Rio+20.
A pesquisadora da UFMT, também apresentou o contexto sobre o Tratado de Educação Ambiental, que surge dessa trajetória e acabou tornando-se um movimento mundial, que é responsável pela articulação e incentivo de atividades globais e locais, com o objetivo de promover um processo educativo transformador, através do envolvimento pessoal, de nossas comunidades e nações para o surgimento de sociedades sustentáveis.
Para enriquecer o debate, foi realizada uma mesa-redonda, que contou com a participação do Profº Dr. Alexandre Melo Faria, da pesquisadora Regina Silva da Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (REMTEA) e do Gilmar Soares, presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (SINTEP-MT). As discussões foram no contexto do desenvolvimento e economia de mercado, da sociodiversidade em Mato Grosso e um pouco da reflexão diária que devemos manter, enquanto sujeitos ativos de uma sociedade em constante transformação.
Dr. Alexandre Melo (esq.), Regina Silva (centro) e Gilmar Soares (dir) – FOTO: Caio B.O.B.
No final do encontro, foram encaminhadas propostas que serão reunidas e organizadas. Para que no último encontro do ciclo de debates, marcado para junho, possa fundamentar a elaboração de uma carta da sociedade civil mato-grossense, que apontará qual economia queremos. A carta será apresentada durante a Cúpula dos Povos, movimento organizado, paralelamente a Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável – RIO+20.
A próxima etapa do Ciclo de Debates – Cúpula dos povos e a Rio20: Desafios e Perspectivas será no dia 04 de abril às 14 horas no auditório do Sintep-MT. Com a temática: Agrotóxico Mata!  – leia –
Essa primeira etapa do Ciclo de Debates foi organizada pela Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (REMTEA), Instituto Caracol (iC) e Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) da UFMT, com apoio de vários segmentos da sociedade civil e demais secretarias estaduais.
Caio B.O.B -  jornalista do Fórum Mato-Grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento – FORMAD

terça-feira, 20 de março de 2012

qual economia quer a educação

blog do aluizio azevedo
FRAGMENTOS FRACTAIS
http://fragmentosfractais.blogspot.com.br/2012/03/ciclo-de-debates-para-discutir-cupula.html






Secretário de Educação Ságuas Moraes fará a abertura do encontro que ocorre na Escola Estadual Presidente Médici e conta com a palestra da professora Michèle Sato (foto)

Por Aluízio de Azevedo

Com o objetivo de se preparar rumo à Cúpula dos Povos e Rio + 20, diversas entidades e setores da sociedade civil de Mato Grosso se reúnem nesta quarta-feira, na Escola Estadual Presidente Médici em Cuiabá, quando ocorrerá o ciclo de debates sob o tema: “Cúpula dos povos e a Rio20: Desafios e Perspectivas”.

O secretário de Estado de Educação, Ságuas Moraes (PT) fará a abertura do evento, que tem início às 09h e tem a frente a organização da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (REMTEA), Instituto Caracol (iC) e Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) da UFMT, com apoio de vários segmentos da sociedade civil e demais secretarias estaduais.

Segundo convite enviado pela comissão organizadora do evento, a meta é refletir sobre os modelos de desenvolvimento e de Qual economia Queremos?

O intuito também “é contrapor ideias com a ‘economia verde’, privilegiando uma economia mais solidária e popular que possa promover a inclusão social com cuidado ecológico, ao invés de fomentar a competição tornando a natureza um mero recurso inesgotável de fontes mercadológicas’.

Também participam da mesa de abertura as pesquisadoras em educação ambiental, Débora Pedrotti e Giselly Gomes.

A programação conta ainda com uma seção histórica de abertura, palestra com a professora doutora da UFMT, Michèle Sato, sobre o Tratado de Educação Ambiental. 

Além de Mesa redonda sobre desenvolvimento e economia, grupos de trabalho e fórum que consiga propor: “QUAL ECONOMIA A EDUCAÇÃO QUER”; bem como mesa redonda, cujo tema será desenvolvimento e economia e com a participação de três debatedores: Alexandre M. Faria (UFMT), Regina Silva (REMTEA) e Gilmar Soares (presidente do Sintep-MT)

Já no dia 1 de junho de 2012, todas as entidades se reunirão juntando as propostas e uma comissão de relatoria elaborará coletivamente QUAL ECONOMIA MATO GROSSO QUER. O documento que surgir daí, denominado Carta de Mato Grosso, será encaminhado à Cúpula dos Povos e entregue aos tomadores de decisão, formadores de opiniões, governos e sociedade civil de todo o mundo.

Para saber mais sobre o movimento “Ciclo de Debates - Cúpula dos povos e a Rio20: Desafios e Perspectivas”: www.centroburnier.com.br  

Fontes bibliográficas sobre a Cúpula dos povos e a Rio20 no blog: www.remtea.blogspot.com



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

JORNADA INTERNACIONAL DO TRATADO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

JORNADA INTERNACIONAL DO 
TRATADO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Fórum Mundial Social
Porto Alegre, 24-28 de janeiro de 2012


Entre 24 a 29 de Janeiro, educadores e educadoras ambientais que integram a 2ª. Jornada Internacional de Educação Ambiental estarão reunidos no Fórum Mundial de Educação para atualizar o Plano de Ação ligado aos princípios do Tratado e estabelecer uma rede internacional de educação para sociedades sustentáveis com responsabilidade global no processo da Rio+20.

“O desafio de estabelecer um novo paradigma frente a atual condição planetária nos leva a colocar a educação para a sustentabilidade no Centro – diz Moema Viezzer, coordenadora internacional da Jornada -. No centro dos sistemas educacionais, da gestão ambiental e da vida cotidiana. Porque sem educação para vida sustentável, nem as leis que protegem o ambiente, nem as novas tecnologias adaptadas para o  convívio com o meio ambiente serão aplicadas”.

A segunda Jornada Internacional do Tratado de Educação Ambiental surgiu a partir da percepção que se teve da atualidade dos princípios do Tratado de Educação Ambiental elaborado na Rio92. Desde 2008 tomou corpo com a criação de uma Secretaria Executiva composta por seis entidades não governamentais. E a partir de 2009, no Fórum Social Mundial em Belém do Pará consolidou-se com a criação de um Comitê Facilitador Internacional.

Desde então a Jornada foi sendo divulgada em diversos eventos nacionais e  internacionais, bem como foram sendo desenvolvidas Jornadas Locais.

“As Jornadas Locais possibilitam uma maior e  melhor divulgação do Tratado como  orientador  com valores e princípios que qualificam as relações que as pessoas  estabelecem consigo mesmas, como os outros e com o meio ambiente. Por outro lado visam preparar os participantes para um melhor desempenho  durante a Rio+20, acabando por consolidar redes de pessoas, entidades e  instituições a favor  da vida”, afirma Mônica Simons,  integrante da Secretaria Executiva   da Segunda Jornada Internacional de Educação Ambiental”

Além de participar dos diversos eventos do Fórum Mundial de Educação, a Jornada desenvolverá uma atividade autogestionada (aberta ao público interessado) no contexto dos eventos do Fórum Social Temático, em Porto Alegre, no próximo dia 28 deste mês.

Fernanda Borba
FB Press – Comunicação e Sustentabilidade
(11) 7507 0678 / 4304 3576
Email: fernanda(at)fbpress.com.br

Débora Olivato
Apoio assessoria de comunicação da II Jornada
(11) 92199484/(12) 97585803
Email: debora.olivato(at)gmail.com









fotos de Monica Simons
arte: Michèle Sato
imagem: Vladimir Gerasimov (Vlad Studio)
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

RIO20 - GT EDUCAÇÃO


RIO20 - GT EDUCAÇÃO

Caros participantes,
Todos os documentos distribuídos através da lista virtual estão disponíveis em umdocumento completo nos seguintes links:


Nós compartilhamos a seguir alguns ultimos comentários recebidos.

Obrigado a todos / as!!!

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

viezzer - Somos Todos/as Aprendizes e Educadores(as)

fonte - GT Educação, rio+20


Intercâmbio Virtual Educação em um Mundo em Crise: Limites e Possibilidades frente à RIO + 20
Grupo de Trabalho de Educação
Quarto Módulo “Aprendizagens necessárias para aprofundar a democracia nas diversidades e a sustentabilidade”

“Somos Todos/as Aprendizes e Educadores(as)” - Reflexões a caminho da Rio+20
Por Moema Viezzer (*)
Brasil

A mobilização dos Atores Sociais passa, em primeiro lugar, pelos princípios e valores que alimentam suas ações. Porque  o ser humano investe naquilo que acredita. No contexto da mobilização planetária que vem ocorrendo rumo à Rio+20 e depois, educadoras e educadores buscam aprofundar e dar visibilidade aos princípios e valores que orientam suas ações e que, no momento atual da história do planeta e da humanidade adquirem importância vital.

Uma afirmação muito significativa nos vem da Universidade de Hiroshima-Japão:  “Sem a educação ambiental, as leis não vingam e a tecnologia fica sem ter quem a desenvolva”,diz o professor Atsushi Asakura.   Esta afirmação traz à tona a importância de educar líderes, educadores, legisladores, tecnólogos e planejadores para fazer frente aos desafios que as questões socioambientais atuais colocam para a humanidade.

Os tempos em que o meio ambiente era assunto de especialistas e a educação ambiental reduto de escolas já estão ultrapassados. A educação ambiental, no sentido mais amplo que o termo foi adquirindo,  é toda educação que tem como referencia o ambiente como um todo, entendido como “comunidade dos seres vivos” conforme indica a Carta da Terra. É a educação que aponta para vida sustentável  em todos os espaços em que circulamos e que podemos transformar em espaços educadores.  O pano de fundo de toda educação em qualquer de suas modalidades é, então, a sustentabilidade entendida não como um horizonte que parece cada dia mais inacessível, mas como pratica cotidiana de princípios e valores que se  refletem em nossas atitudes e práticas cotidianas.

Este tipo de reflexão foi tornado visível na Carta dos Educadores e Educadoras rumo à Rio+20 por um mundo feliz  que transcrevemos abaixo, fruto de uma reflexão coletiva que já vem sendo socializada em vários países do planeta e que, no âmbito da 2ª Jornada de Educação para Sociedades Sustentáveis, nos pareceu adequado partilhar com os(as) participantes deste Intercambio Virtual.
Carta dos Educadores e Educadoras rumo à Rio+20

“Nós, educadoras e educadores dos mais diversos lugares do Planeta, neste momento em que o mundo novamente coloca em pauta as grandes questões que foram tratadas na Rio 92, reafirmamos nossa adesão aos princípios e valores expressos em documentos planetários  como o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, a Carta da Terra, a Carta das Responsabilidades Humanas, a Declaração do Rio, entre outras. 

Mas só reafirmar já não basta! Transbordamos de referenciais teóricos que nos iluminam, e com eles os princípios, valores, diretrizes e linhas de ações propostos nos documentos citados precisam verdadeiramente sair do papel, pois o tal "desenvolvimento" atingido ainda aparta 80% da humanidade das condições mínimas de vida na Cultura de Paz, com justiça ambiental e social.

É inadmissível que ainda tenhamos guerras, gastos com armas, um bilhão de famintos e miseráveis, falta de água potável e saneamento para imensas parcelas da humanidade. É inadmissível a violação dos Direitos Humanos (diversidade de gênero, etnia, geracional, condição social e geográfica), a perda da diversidade de espécies, culturas, línguas e genética, o lucro mesquinho, a violência urbana e todas as formas de discriminação e projetos de poder opressivos.  

As manifestações humanas em vários países pela derrubada dos ditadores de todos os tipos são indicadores da necessidade de novas propostas de organização dos 7 bilhões de humanos. Já é uma evidencia  que a governabilidade e a governança do Planeta precisam  estar nas mãos das comunidades locais nas quais deve existir a responsabilidade global com o Bem Comum de humanos e não humanos e de todos os sistemas naturais e de suporte à vida.

Precisamos aprender e exercitar outras formas de fazer políticas públicas a partir das comunidades, e exigir políticas estatais comprometidas com a qualidade de vida dos povos. Para tanto, faz-se urgente fortalecer os processos educadores comprometidos com a emancipação humana e a participação política na construção de Sociedades Sustentáveis, onde cada comunidade humana sinta-se comprometida, incluída e ativa no compartilhamento da abundância das riquezas e da Vida no nosso Planeta.

A capacidade de suporte da Mãe Terra está chegando ao limite, fato decorrente do modo de ocupação, produção e consumo irresponsáveis do capitalismo vigente, que se tornou o modelo econômico global, e agora também apresenta o discurso de Economia Verde.  Para nós, quaisquer que sejam os conceitos ou termos utilizados, o indispensável é que a visão socioambiental esteja sempre à frente. A construção de Sociedades Sustentáveis com Responsabilidade Global fundamenta-se nos valores da vida aos quais a economia deve servir.

Sociedades Sustentáveis são constituídas de cidadãos e cidadãs educadas ambientalmente em suas comunidades, decidindo a cada passo desta  caminhada o que significa Economia Verde, Sustentabilidade, Desenvolvimento Sustentável, Mudanças Climáticas e tantos outros conceitos que, em muitos casos,  se afastam de sua origem ou motivação que é a transição para um outro mundo possível, sendo  cooptados ou cunhados já a serviço de uma racionalidade hegemônica e liberal. Cada comunidade pode ver e sentir além das palavras e da semântica, mantendo seu rumo em direção à união planetária, traçando sua própria História.

Retomar e apropriar-se localmente destes conceitos sob a força da Identidade Planetária potencializará as comunidades aprendentes, a partir da prática dialógica, ao sentido de pertencimento e às mobilizações que se fazem necessárias para seu Bem Viver e Felicidade individual e coletiva. Neste exercício configura-se a essência da dimensão espiritual como  prática radical da valoração ética da vida, do cuidado respeitoso a todas as formas viventes, unindo corações e mentes pelo amor.  Trata-se de um processo que potencializa o indivíduo para a prática do diálogo consigo mesmo, com o outro, com a comunidade planetária como um todo, resgatando o senso de cidadania e superando a dissociação entre  Sociedade e  Natureza.

Cabe, então, perguntar: onde se situa o papel da Educação para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global? A resposta, em pleno século XXI, só pode ser uma: no Centro. No centro da vida cotidiana, da gestão educacional, da gestão política, econômica e ambiental. Assim se consolida a Educação Ambiental para o outro mundo, com justiça ambiental e social, assegurando o desenvolvimento de uma democracia efetivamente participativa capaz de garantir o desenvolvimento social, cultural e espiritual dos povos, bem como seu controle social.

Queremos então estabelecer e consolidar Planos de Ação Locais e Planetário, tendo como foco principal uma educação que leve a desvendar as estruturas de classe e de poder entre pessoas, instituições e nações que atualmente imperam em nosso planeta Terra. (10)

Educar a nós mesmos para Sociedades Sustentáveis significa nos situarmos em relação ao sistema global vigente, para redesenharmos nossa presença no mundo, saindo  de confortáveis posições de neutralidade. Porque a educação é sempre baseada em valores: nunca houve, não existe, nunca haverá neutralidade na educação, seja ela formal, não formal, informal, presencial ou à distância.

Educadoras e educadores de todas as partes do mundo concordamos que o caminho para a real sustentabilidade pode ser feito por várias trilhas ou correntes que se pautam em valores e princípios que apontam para a sustentabilidade. Aprendizagem Transformadora, Alfabetização Ecológica, Educação Popular Ambiental, Ecopedagogia, educação Gaia, Educ-Ação Socioambiental são algumas delas. Todas estas correntes têm pontos em comum que trazem contribuições para a construção dos novos modelos de sociedade.  E todas nos remetem à necessidade de desenvolver conhecimentos, consciência, atitudes e  habilidades necessárias para participar na construção destes novos modelos, integrando-os em nossa forma de ser, de produzir, de consumir e de pertencer.

Mais do que nunca apelamos por uma educação capaz de despertar admiração e respeito pela complexidade da sustentação da vida, tendo como utopia a construção de sociedades sustentáveis por meio da ética do cuidar e de proteger a bio e a sociodiversidade. Neste fazer educativo, a transdisplinariedade intrínseca à educação socioambiental, leva à interação entre as várias áreas da ciência e da tecnologia e as diferentes manifestações do saber popular e tradicional. É o que permite a integração de conhecimentos já existentes e a produção de novos conhecimentos e novas ações socioambientais, exercitando o diálogo entre saberes e cuidados socioambientais como Tecnologia de Ponta na Educação para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.”

(*) Coordenadora da 2ª Jornada Internacional de Educação para Sociedades Sustentáveis - RIO +20
                                     
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