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terça-feira, 3 de julho de 2012

A Rio+20 e a submissão ao poder financeiro

CARTA MAIOR
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20503&boletim_id=1263&componente_id=20572



A Rio+20 e a submissão ao poder financeiro

O documento final da conferência das Nações Unidas não menciona nem uma única vez a crise econômica e financeira global. Pouco importa que a crise já tenha se convertido na Segunda Grade Depressão. De alguma maneira, os funcionários do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (PNUMA) consideraram que esse assunto não era relevante em uma conferência sobre sustentabilidade. Tentaram tapar o sol com um dedo, ignorando o fato de que o setor financeiro é o epicentro da crise global. O artigo é de Alejandro Nadal.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNSD), mais conhecida como Rio+20, veio e foi embora. Poderia ter sido um ato importante, em vez disso, estabeleceu um novo padrão de como tornar-se irrelevante. A receita é simples: basta fazer de conta que nunca ouviu falar da crise global.

O documento final da UNCSD não menciona nem uma única vez a crise econômica e financeira global. Pouco importa que a crise já tenha se convertido na Segunda Grade Depressão. De alguma maneira, os funcionários do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (PNUMA) consideraram que esse assunto não era relevante em uma conferência sobre sustentabilidade.

O PNUMA procurou levar adiante sua iniciativa sobre a economia verde. No relatório apresentado no Rio ela é definida como uma economia que aumenta o bem-estar, diminui a pobreza e melhora o meio ambiente. Tratar-se-ia de uma economia socialmente inclusiva, com baixas emissões de gases do efeito estufa e grade eficiência no uso e manejo de recursos.

Para transitar a uma economia verde é necessário investir 2% do PIB mundial (anualmente entre 2010-2050) em 10 setores chave. É uma quantidade importante. Onde se podem encontrar esses recursos? O PNUMA responde sem rubor: no setor financeiro. Segundo esta agência, o setor financeiro tem a sua disposição uma montanha de recursos e cada vez está mais interessado em uma carteira de investimentos que minimiza o custo ambiental e social, ao mesmo tempo em que capitaliza com tecnologias verdes.

A amizade do PNUMA com o setor financeiro é confirmada quando se mencionam os mercados e instrumentos que agora estariam do lado da justiça e da saúde ambiental: bônus verdes, bônus de carbono, REDD+, e ativos de propriedade verde, etc. Aí está: a financeirização da natureza. Nunca ocorreu aos funcionários do PNUMA que o desenvolvimento destes mercados novos provém da busca de espaços de rentabilidade em um mundo no qual a economia real permanece estancada.

O PNUMA no Rio tentou tapar o sol com um dedo. Quis ignorar o fato de que o setor financeiro é o epicentro da crise global. O colapso da economia mundial se mantém em aumento porque a opacidade das operações financeiras acelerou o contágio ao princípio e agora impede a reativação do mercado interbancário.

O PNUMA tem razão: o setor financeiro cresceu muito nos últimos vinte anos. Mas não lhes ocorre que isso é precisamente um sinal da patologia da economia global? O estancamento dos salários há três décadas explica o crescente endividamento das famílias. A demanda agregada foi impulsionada pelo endividamento e isso, por sua vez, explica como se levou a cabo um processo de redistribuição da riqueza dos mais pobres aos mais ricos. Instrumentos como os cartões de crédito, os empréstimos para estudantes ou para automóveis foram verdadeiros aspiradores para sugar recursos dos lares e levá-los aos bancos.

Um dos fatores que explica a expansão do setor financeiro é sua inclinação para introduzir inovações que fizeram as operações do setor mais opacas, disfarçaram riscos, aumentaram a propensão à volatilidade e incrementaram os níveis de influência. A financeirização converteu muitas operações em zona vedada para os reguladores e agências de supervisão. A autorregulação só proporcionou a ilusão de que se estava fazendo algo para frear os abusos.

Um ponto fundamental que o PNUMA não pode entender: uma proporção significativa da montanha de recursos em mãos do setor financeiro é riqueza contábil. Provém de um típico processo de inflação de ativos, ou seja, de uma bolha. A crise é a forma de destruir esse patrimônio que só existe na contabilidade. Para analistas como Nouriel Roubini ou Dean Baker, ainda falta muito para o processo deflacionário completar sua tarefa.
Além disso, uma parte desses recursos financeiros provém das operações de criação monetária dos bancos. Por exemplo: com seus empréstimos, os bancos da União Europeia criaram bilhões de euros do nada ou, como dizem, ex nihilo. E só uma fração minúscula desses créditos esteve respaldada por depósitos. O balão gigante ainda está esvaziando.

O PNUMA deveria estudar com seriedade a relação entre os setores financeiros e a realidade da economia. Os canais de transmissão entre estes setores são críticos para a manutenção da estabilidade macroeconômica. Em nossos tempos, as operações no setor financeiro propagaram e amplificaram a turbulência e puseram de joelhos a economia real. Caramba, até uma organização tão conservadora como o Comitê de Supervisão de bancos da Basileia (dependente do Banco Internacional de Compensações) se preocupa com estes temas. Por que os funcionários do PNUMA não podem fazer o mesmo?

(*) Alejandro Nadal é membro do Conselho Editorial de Sin Permiso.

Tradução: Libório Junior

Os quatro grandes fracassos da Rio+20


IHU - UNISINOS


Os quatro grandes fracassos da Rio+20 e o conservadorismo do Brasil. Entrevista especial com Eduardo Viola

"O que o Brasil fez na Rio+20 foi tentar diminuir ao máximo o componente ambiental e global da Conferência. E isso tem a ver com o fato de que a presidente Dilma e o núcleo do governo tem uma visão bem tradicional do desenvolvimento econômico, constata o sociólogo da UnB.
Uma das expectativas da Rio+20, a partir da discussão central da governança global, era a criação de um novo organismo ambiental internacional, que substituísse oPrograma das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, e pudesse “definir estratégias normativas, avaliar os países e eventualmente punir países que não cumprem os compromissos assumidos”. A criação deste organismo não foi possível porque “a maioria dos países, com exceção da União Europeia, não quer ceder soberania nacional para desenvolver governanças globais”, dizEduardo Viola.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, o sociólogo avalia quais os foram os principais impasses e retrocessos da conferência e afirma que a crise econômica impossibilitou avanços significativos, mas ela “poderia ter favorecido a criação de um fundo de apoio para a transição e adaptação das mudanças climáticas dos países pobres”. Diante da terceira grande crise econômica, ele enfatiza que ela é ainda mais profunda do que as anteriores, pois “está relacionada à exaustão dos limites planetários”. “Essa visão é negada pelos grandes líderes mundiais, que querem recuperar a crise voltando ao passado, investindo em um crescimento convencional, quando se precisa superar a crise mudando radicalmente de paradigma”, assegura.
Em relação à mobilização da sociedade civil na Cúpula dos Povos, Viola acrescenta que elas contribuem para o debate, mas enquanto “não se tornarem maioritárias, não mudarão a dinâmica intergovernamental, porque os governos, em grande medida, representam as suas sociedades. O atraso do governo representa o atraso da sociedade na compreensão e enfrentamento dos problemas. Quando falamos da sociedade civil, estamos falando de uma sociedade minoritária, militante, consciente, muito preocupada com o bem público. Mas isso não representa toda a sociedade e a população mundial”.

Edutardo José Viola é graduado em Sociologia pela Universidade de Buenos Aires, especialista em Relações Internacionais pela Fundación Bariloche, mestre em Sociologia pela Universidade de Campinas – Unicamp, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, e pós-doutor em Economia Política Internacional pela University of Colorado. Atualmente é professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília – UnB e coordenador da Rede de Estudos e Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais e Relações Internacionais.
Confira a entrevista. 

IHU On-Line – Antes da Rio+20, o senhor havia dado declarações de que a conferência não teria condições de ser bem-sucedida. Sua opinião se confirmou? Por quais razões a Rio+20 fracassou?
Eduardo José Viola – Sim, a expectativa se confirmou, inclusive foi um pouco pior do que eu imaginava. O primeiroaspecto que demonstra o fracasso da conferência diz respeito à eliminação da questão dos limites planetários do documento final. Essa discussão sobre os limites planetários estava no documento original, mas foi retirada muito provavelmente por pressão de vários países do G77, como a Índia, por exemplo. Essa era uma questão-chave na medida em que se fala de desenvolvimento sustentável, pois hoje existe um limite planetário, ou seja, a margem de manobra hoje é muito menor do que aquela de vinte anos atrás. São sete os limites planetários, e três já foram ultrapassados: as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e o ciclo de acumulação do nitrogênio.

segundo ponto que caracteriza a Rio+20 como um fracasso é o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, que é uma declaração genérica e vaga num momento em que se precisava de uma transformação muito forte para colocar-se em correspondência com as necessidades apontadas pela ciência do ponto de vista da governança ambiental global. Precisávamos de uma organização ambiental global não apenas como uma agência especializada das Nações Unidas, como propunha a União Europeia – a mais avançada que havia na mesa –, mas de uma organização tal ou mais poderosa que a Organização Mundial do Comércio – OMC, ou o Fundo Monetário Internacional – FMI. Não foi possível avançar nesse sentido porque a maioria dos países, com exceção da União Europeia, não quer ceder soberania nacional para desenvolver governanças globais. Nesse aspecto, o Brasil também se inclui. Então, falta uma organização internacional poderosa que possa definir estratégias normativas, avaliar os países, e eventualmente punir países que não cumprem os compromissos assumidos.

Os Estados nacionais, as populações e a opinião pública são mais nacionalistas. Hoje a defasagem entre a ciência e a opinião pública média do mundo é gigantesca, porque a opinião pública média trabalha mais ou menos como trabalha a mente humana média, que não é muito diferente de quando surgiu o homo sapiens. Ou seja, reage a ameaças imediatas muito tangíveis ou à imoralidade extrema. Esse tipo de coisa gera mobilização, revolta, revoluções. Agora, os limites planetários são ameaças complexas de médio e longo prazo, de difícil compreensão para a mente humana média. Então, a proporção de pessoas que conseguem compreender as ameaças globais e os limites planetários é muito pequena. Mas mesmo entre os cientistas que compreendem o problema, existem aqueles que não mudam suas atitudes e comportamentos em correspondência com o que estão compreendendo.
Objetivos do desenvolvimento sustentável
terceiro ponto pelo qual considero a Rio+20 um fracasso diz respeito ao fato de não ter havido definição dosobjetivos do desenvolvimento sustentável. Novamente definiram um processo para negociar os objetivos do desenvolvimento sustentável num prazo de dois a três anos. Mas não se estabeleceu nenhum parâmetro para essa negociação. Os mesmos impasses que estiveram presentes nas negociações dos objetivos da Rio+20 nos últimos dois anos continuam presentes.

Economia verde

quarto fator importante diz respeito à dificuldade de aceitar uma definição consistente, robusta e sustentável de economia verde, porque, por um lado, o conceito de desenvolvimento sustentável já é antigo, difuso e tem diversos significados. O conceito novo, que emergiu a partir de 2006, é o de transição para a economia de baixo carbono. Esse é um conceito preciso e consistente, porque tem métrica, mas ele é simplista, porque só avalia a questão do carbono, que é fundamental, mas não avalia o que seria uma economia sustentável, verde, tampouco considera a questão da água, da biodiversidade, do nitrogênio etc.

A ideia de definir uma economia verde, combinando o crescimento econômico dentro do espaço de operações seguro da humanidade, deveria levar em conta a economia verde de baixo carbono, mas numa perspectiva muito mais ampla. Entretanto, não houve o menor avanço nesse sentido, porque os países do G77, incluindo o Brasil, têm certa paranoia em relação à economia verde, porque pensam que ela irá servir aos interesses protecionistas dos países desenvolvidos. Se se definisse a economia verde em relação à definição científica dos limites planetários, e em relação ao princípio de equidade, que obviamente daria um espaço mais significativo para o crescimento econômico dos países pobres, menos para países emergentes, como Brasil China, e quase nada para países desenvolvidos, a economia verde seria uma definição extraordinária.

ONU

Rio+20 também confirmou o que já vinha sendo discutido, ou seja, de que o mecanismo das Cúpulas da ONU baseadas nas negociações de 200 atores diferentes, que devem estar de acordo num consenso mínimo comum de dominador, em vez de votação qualificada, não funciona mais. É uma perda de tempo. Esse tipo de conferência é hoje uma indústria de recursos.
Obviamente a Rio-92 foi importantíssima, porque aconteceu na saída da Guerra Fria, em que os problemas ambientais globais emergiam no mundo, e foi o primeiro momento no qual entraram no sistema internacional. Mas hoje, 20 anos depois, esse mecanismo precisa ser modificado. Pertenço a um grupo de cientistas que se chama Governança do Sistema Planetário, que publicou há três meses na revista Science um artigo muito importante que propõe uma reforma no sistema de governança global, difícil de realizar, mas necessária na agenda da humanidade, porque, do contrário, a humanidade não irá avançar.

IHU On-Line – Os países desenvolvidos argumentam que enfrentam uma crise econômica e que, por isso, não é possível avançar nas questões ambientais. A conjuntura internacional atual realmente atrapalhou o consenso de um documento final significativo e produtivo?

Eduardo José Viola – A crise econômica tem alguma significação, mas a crise poderia ter favorecido a criação de um fundo de apoio para a transição e adaptação das mudanças climáticas dos países pobres. Atualmente, o mundo enfrenta a terceira grande crise econômica mundial. A primeira foi em 1873, e terminou em 1890. A segunda iniciou em 1929, e terminou em 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Hoje estamos vivendo a terceira grande crise, que é profunda, e está relacionada à exaustão dos limites planetários. Essa visão é negada pelos grandes líderes mundiais, que querem recuperar a crise voltando ao passado, investindo em um crescimento convencional, quando se precisa superar a crise mudando radicalmente de paradigma. Mas essa visão é aceita por poucos países como os escandinavos, a Alemanha, a Coreia do Sul, e União Europeia.

IHU On-Line – Que lacuna fica aberta na Rio+20 em função do desinteresse de potências como China e EUA na temática ambiental?

Eduardo José Viola – Esse é um fator decisivo. Se China EUA tivessem tido uma posição como a da União Europeia, teria havido avanços na Rio+20, porque o mundo é uma estrutura assimétrica de países. Hoje existem três superpotências: EUA, China e União Europeia. Somente estes países têm condições de liderar o mundo. Depois, existe outro grupo de países que tem condições de ajudar a solucionar os problemas, que é formado pelo Japão, Rússia, Brasil, Índia e Coreia do Sul. Posteriormente, há uma série de potências médias importantes, como México, Indonésia, Turquia.

IHU On-Line – Das potências econômicas que existem hoje, por que somente a União Europeia propõe a criação de uma organização ambiental mundial?

Eduardo José Viola 
– É porque os países da União Europeia já cederam soberania nacional para criar uma estrutura supranacional. Ou seja, todos eles tiveram de abandonar parte do nacionalismo e ceder soberania. E agora, para superar essa crise no plano econômico e financeiro, terão de ceder ainda mais soberania, porque terão de passar não apenas para uma unidade monetária, mas também para uma unidade fiscal. A Europa irá na direção dos EUA ou irá se desintegrar.

As guerras mundiais do século XX entre países tão próximos e com culturas similares geraram uma cultura do horror e do que não se deve repetir mais, como manter a soberania absoluta, como foi no regime iniciado em Westfália, no século XVII. Quer dizer, uma catástrofe profunda gerou uma mudança de mentalidade dos países europeus. Mas isso não aconteceu nem nos EUA, nem na China, tampouco no Brasil.

IHU On-Line – Criou-se uma expectativa, quando Obama foi eleito, de que os EUA pudessem mudar a perspectiva ambiental, mas isso não ocorreu. Caso Obama seja reeleito, a política ambiental dos EUA tende a mudar?

Eduardo José Viola – No ano de 2009, primeiro ano do governo Obama, os EUA aprovaram a Lei Watson de mudanças climáticas, que não foi aprovada no Senado, mas que foi aprovada na Câmara dos Deputados. Porém, o governo de Obama foi se debilitando rapidamente por causa da crise econômica, do aumento do desemprego, que são produtos do governo Bush. Assim, seu governo não teve mais possibilidade de iniciativa em novembro de 2010, quando foi alvo do Partido Republicano. As coisas podem mudar nos EUA, mas isso não depende somente da reeleição deObama, mas também de maioria democrata na Câmara e no Senado. Além disso, Obama tem que escolher como prioridade as questões ambientais.

IHU On-Line – Qual foi o papel do Brasil na Conferência? Diria que o Brasil dialoga mais com a posição da União Europeia, dos EUA, ou ficou em cima do muro? Qual a posição internacional do Brasil nesse debate?

Eduardo José Viola – Trata-se de duas coisas. O documento original do Brasil, de novembro do ano passado, é muito atrasado em relação aos avanços conquistados nos anos de 2009 e 2010, que correspondiam à grande queda do desmatamento da Amazônia em 2005, ao fato de assumir compromissos voluntários de dramática redução da curva de crescimento de emissões, entre 2005 e 2010, e de criar uma lei de mudanças climáticas. Tudo isso representou um grande avanço, talvez o principal avanço da sociedade brasileira em termos ambientais. Para que esses avanços ocorressem, foi importante a contribuição de uma série de fatores, tais como a ação muito incisa do ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e a ameaça da candidatura presidencial de Marina Silva.

Participação brasileira 

Agora, porém, a posição do Brasil na conferência foi bem mais conservadora, tentando separar totalmente o debate da mudança climática da Rio+20, tentando diluir o componente ambiental do evento, enfatizando sempre o componente social. Podem ver que o documento brasileiro falava do Programa Bolsa Família e não falava da lei de mudança climática. Isso nos dá uma ideia de como o documento foi enviesado na direção desenvolvimentista tradicional. O que o Brasil fez, em grande medida, foi tentar diminuir ao máximo o componente ambiental e global da Conferência. E isso tem a ver com o fato de que a presidente Dilma e o núcleo do governo tem uma visão bem tradicional do desenvolvimento econômico. O poder do Ministério do Meio Ambiente, hoje, é muito menor do que o era em 2009 e 2010, ou na época anterior de Marina Silva. Então, se vê que nos últimos dois anos que o Brasil adotou uma política industrial convencional de promover a produção do país, independentemente da condicionalidade da eficiência energética, pois tem um subsídio gigantesco ao lobby automobilístico.

No mesmo dia em que terminou a Rio+20, o Brasil eliminou um imposto sobre combustível para o transporte público. Investe-se somente no carro, e o problema do transporte público se tornou muito mais grave. O objetivo do governo é crescer economicamente, pois estão desesperados, porque não crescem.

Depois, durante a dinâmica processual da negociação, o Brasil optou pelo caminho de menor risco, ou seja, em lugar de tentar se colocar como o mediador da conferência e contribuir para a produção de um documento mais ambicioso, derrotando os setores mais conservadores, optou pelo consenso a qualquer preço, ou seja, um consenso do nada ou quase nada. Trata-se, portanto, de um documento que não tem a menor relevância, porque só reafirma o passado. E ninguém explica porque as decisões tomadas há muitos anos não se realizaram. Essa é uma posição não só do governo, mas do Itamaraty, porque a cultura do Itamaraty é avessa ao risco.

IHU On-Line – O senhor menciona a necessidade de criar uma organização poderosa do meio ambiente, com a introdução de limites planetários nas diversas atividades econômicas. Como seria essa organização e que limites para as atividades econômicas seriam necessárias caso pensássemos em possíveis soluções para as mudanças climáticas? 

Eduardo José Viola – A primeira coisa fundamental é uma política massiva mundial de direitos reprodutivos da mulher, para se chegar a uma fecundidade responsável. Hoje, no início do século XXI, a única fecundidade responsável é a de dois filhos por mulher, ou menos. A população do mundo era 5.5 bilhões de habitante em 1992, e é de 7 bilhões atualmente, ou seja, houve um crescimento extraordinário. O Brasil não tem mais problemas com essa questão, porque a fecundidade brasileira é 1.8, porque avançou nos direito reprodutivos das mulheres. A história mostra que, quando a mulher tem educação, status de independência, ela quer ter poucos filhos.

Essa é uma questão fundamental em relação à sustentabilidade, mas que foi retirada da declaração da Rio+20, e nessa discussão os EUA tiveram  uma posição muito progressista, por causa do Obama.

Crescimento 

segundo ponto fundamental é avançar na ideia de prosperidade sem crescimento. Ou seja, existem países que não precisam mais crescer significativamente em termos de matérias, em termos econômicos, no uso de energia, de recursos naturais, porque já têm populações estabilizadas, possuem boa infraestrutura. Então, eles têm de ir reformando as suas infraestruturas para torná-las mais sustentáveis. Através da “economia verde” esses países não precisam mais crescer no sentido tradicional; sua dinâmica econômica pode ser de contínua redução de emissões de carbono.

Os países de renda média têm de crescer ainda, porque são muito desiguais: parte da população tem um nível de vida, e outra tem outra. Mas esses países têm de crescer de um modo muito diferente de como cresciam no passado. Não pode ser um crescimento intensivo em carbono, tem de ser um crescimento baseado em novas tecnologias, em fontes de energias renováveis. Esse é o ponto-chave.

Os países pobres, em geral, enfrentam um problema muito grande de governabilidade, têm altíssima corrupção, muitos já estão falidos. Eles precisam de um grande apoio da comunidade internacional para construir governança.

IHU On-Line – A Rio+20 colocou mais luz ou mais sombra sobre a possibilidade de organização de uma governança ambiental global? 

Eduardo José Viola – A Rio+20 foi, de um lado a Conferência Intergovernamental e, de outro, a conferência paralela daCúpula dos Povos, incluindo os setores científico, empresarial e movimentos sociais. Eu participei de onze eventos paralelos durante duas semanas, do dia 8 de junho a 22 de junho. Havia pelo menos quatro mil eventos paralelos, tanto no Riocentro como em outros lugares do Rio de Janeiro, além da Cúpula dos Povos, no aterro do Flamengo.

Esses eventos mostraram uma vibração muito grande da sociedade em relação à consciência do problema ambiental, ao desapontamento da dinâmica governamental, e a tentativa de encontrar novos caminhos. Nesse sentido, essas conferências paralelas formaram forças reformistas internacionais, porque são praticamente transnacionais, atravessam todos os países. Mas até essas forças não se tornarem maioritárias, não mudarão a dinâmica intergovernamental, porque os governos, em grande medida, representam as suas sociedades. O atraso do governo representa o atraso da sociedade na compreensão e enfrentamento dos problemas. Quando falamos da sociedade civil, estamos falando de uma sociedade minoritária, militante, consciente, muito preocupada com o bem público. Mas isso não representa toda a sociedade e a população mundial.

Para responder em síntese a essa pergunta, a construção de governança global ficou mais longe, porque foi uma conferência inútil do ponto de vista intergovernamental, a qual pode gerar cinismo, o pior que pode acontecer. Há pessoas conscientes que já não acreditam mais em nada e se retiram da vida pública. Do ponto de vista não governamental, dos diversos segmentos não governamentais, essa conferência aumentou a capacidade de rede, a capacidade de empoderamento de todos esses setores e fez aumentar, mesmo que lentamente, as forças que são reformistas na direção de uma sociedade sustentável em escala global

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Carta do Rio de Janeiro - rio20

CIMI
http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=6346&action=read



Carta do Rio de Janeiro - Declaração Final do IX Acampamento Terra Livre – Bom Viver/Vida Plena

Inserido por: Administrador em 21/06/2012.
Fonte da notícia: APIB - Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
CÚPULA DOS POVOS POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL
CONTRA A MERCANTILIZAÇÃO DA VIDA, EM DEFESA DOS BENS COMUNS

CARTA DO RIO DE JANEIRO
DECLARAÇÃO FINAL DO IX ACAMPAMENTO TERRA LIVRE – BOM VIVER/VIDA PLENA
Rio de Janeiro, Brasil, 15 a 22 de junho de 2012

Nós, mais de 1.800 lideranças, representantes de povos e organizações indígenas presentes, APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (COIAB, APOINME, ARPINSUL, ARPINSUDESTE, povos indígenas do Mato Grosso do Sul e ATY GUASU), COICA – Coordenadora de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, CAOI – Coordenadora Andina de Organizações Indígenas, CICA – Conselho Indígena da América Central, e CCNAGUA – Conselho Continental da Nação Guarani e representantes de outras partes do mundo, nos reunimos no IX Acampamento Terra Livre, por ocasião da Cúpula dos Povos, encontro paralelo de organizações e movimentos sociais, face à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

Depois de intensos debates e discussões realizados no período de 15 a 22 de Junho sobre os distintos problemas que nos afetam, como expressão da violação dos direitos fundamentais e coletivos de nossos povos, vimos em uma só voz expressar perante os governos, corporações e a sociedade como um todo o nosso grito de indignação e repúdio frente às graves crises que se abatem sobre todo o planeta e a humanidade (crises financeira, ambiental, energética, alimentar e social), em decorrência do modelo neo-desenvolvimentista e depredador que aprofunda o processo de mercantilização e financeirização da vida e da Mãe Natureza.

É graças à nossa capacidade de resistência que mantemos vivos os nossos povos e o nosso rico, milenar e complexo sistema de conhecimento e experiência de vida que garante a existência, na atualidade, da tão propagada biodiversidade brasileira, o que justifica ser o Brasil o anfitrião de duas grandes conferências mundiais sobre meio ambiente. Portanto, o Acampamento Terra Livre é de fundamental importância na Cúpula dos Povos, o espaço que nos possibilita refletir, partilhar e construir alianças com outros povos, organizações e movimentos sociais do Brasil e do mundo, que assim como nós, acreditam em outras formas de viver que não a imposta pelo modelo desenvolvimentista capitalista e neoliberal.

Defendemos formas de vidas plurais e autônomas, inspiradas pelo modelo do Bom Viver/Vida Plena, onde a Mãe Terra é respeitada e cuidada, onde os seres humanos representam apenas mais uma espécie entre todas as demais que compõem a pluridiversidade do planeta. Nesse modelo, não há espaço para o chamado capitalismo verde, nem para suas novas formas de apropriação de nossa biodiversidade e de nossos conhecimentos tradicionais associados.
           
Considerando a relevante importância da Cúpula dos Povos, elaboramos esta declaração, fazendo constar nela os principais problemas que hoje nos afetam, mas principalmente indicando formas de superação que apontam para o estabelecimento de novas relações entre os Estados e os povos indígenas, tendo em vista a construção de um novo projeto de sociedade.

Repúdios

Em acordo com as discussões na Cúpula dos Povos, repudiamos as causas estruturais e as falsas soluções para as crises que se abatem sobre nosso planeta, inclusive:

- Repudiamos a impunidade e a violência, a prisão e o assassinato de lideranças indígenas (no Brasil, caso Kaiowá-Guarani, Argentina, Bolívia, Guatemala e Paraguai, entre outros).
- Repudiamos os grandes empreendimentos em territórios indígenas, como as barragens – Belo Monte, Jirau e outras; transposição do Rio S. Francisco; usinas nucleares; Canal do Sertão; portos; ferrovias nacionais e transnacionais, produtoras de biocombustíveis, a estrada no território TIPNIS na Bolívia, e empreendimentos mineradores por toda a América Latina.
- Repudiamos a ação de instituições financeiras como o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que financia grandes empreendimentos com dinheiro público, mas não respeita o direito à consulta as populações afetadas, incluindo 400 regiões no Brasil, e em todos os países em que atuam, inclusive na América Latina e África.
- Repudiamos os contratos de REDD e créditos de carbono, falsas soluções que não resolvem os problemas ambientais e procuram mercantilizar a natureza e ignoram os conhecimentos tradicionais e a sabedoria milenar de nossos povos.
- Repudiamos a diminuição dos territórios indígenas.
- Repudiamos todas as iniciativas legislativas que visem submeter os direitos indígenas ao grande capital, através da flexibilização ou descaracterização da legislação indigenista e ambiental em vários países, como a PEC 215 e o Código Florestal no congresso brasileiro e as alterações propostas no Equador.
- Repudiamos a repressão sofrida pelos parentes bolivianos da IX Marcha pela “Defesa da Vida e Dignidade, Territórios Indígenas, Recursos Naturais, Biodiversidade, Meio Ambiente, e Áreas Protegidas, pelo Cumprimento da CPE (Constituição Política do Estado) e o respeito a Democracia”. Manifestamos nossa solidariedade aos parentes assassinados e presos nesta ação repressiva do estado boliviano.
- Repudiamos a atuação de Marco Terena que se apresenta como líder indígena do Brasil e representante dos nossos povos em espaços internacionais, visto que ele não é reconhecido como legítimo representante do povo Terena, como clamado pelas lideranças deste povo presentes no IX Acampamento Terra Livre.

Propostas

- Clamamos pela proteção dos direitos territoriais indígenas. No Brasil, mais de 60% das terras indígenas não foram demarcadas e homologadas. Reivindicamos o reconhecimento e demarcação imediatos das terras indígenas, inclusive com políticas de fortalecimento das áreas demarcadas, incluindo desintrusão dos fazendeiros e outros invasores dos territórios.
- Reivindicamos o fim da impunidade dos assassinos e perseguidores das lideranças indígenas. Lideranças indígenas, mulheres e homens, são assassinados, e os criminosos estão soltos e não são tomadas providências. Reivindicamos que sejam julgados e punidos os mandantes e executores de crimes (assassinatos, esbulho, estupros, torturas) cometidos contra os nossos povos e comunidades.
- Reivindicamos o fim da repressão e criminalização das lideranças indígenas, como dos parentes que se manifestam contra a construção de Belo Monte. Que as lutas dos nossos povos pelos seus direitos territoriais não sejam criminalizadas por agentes do poder público que deveriam exercer a função de proteger e zelar pelos direitos indígenas.
- Exigimos a garantia do direito à consulta e consentimento livre, prévio e informado, de cada povo indígena, em respeito à Convenção 169 da OIT – Organização Internacional do Trabalho, de acordo com a especificidade de cada povo, seguindo rigorosamente os princípios da boa-fé e do caráter vinculante desta convenção. Precisamos que seja respeitado e fortalecido o tecido institucional de cada um de nossos povos, para dispor de mecanismos próprios de deliberação e representação capazes de participar do processo de consultas com a frente estatal.
- Clamamos pela ampliação dos territórios indígenas.
- Clamamos pelo monitoramento transparente e independente das bacias hidrográficas.
- Clamamos pelo reconhecimento e fortalecimento do papel dos indígenas na proteção dos biomas.
- Pedimos prioridade para demarcação das terras dos povos sem assistência e acampados em situações precárias, como margens de rio, beira de estradas e áreas sem infraestrutura sanitária. Apenas no Brasil, existem centenas de acampamentos indígenas nesta situação. 40% da população destes acampamentos são crianças.
- Clamamos pela melhora das condições de saúde aos povos indígenas, como por exemplo, no Brasil, pelo aumento do orçamento da SESAI – Secretaria Especial de Saúde Indígena, a implementação da autonomia financeira, administrativa e política dos DSEIs – Distritos Sanitários Especiais Indígenas, e a garantia dos direitos dos indígenas com deficiência.
- Queremos uma Educação Escolar Indígena que respeite a diversidade de cada povo e cultura, com tratamento específico e diferenciado a cada língua, costumes e tradições.
- Exigimos que se tornem efetivas as políticas dos estados para garantia da educação escolar indígena, tal como os territórios etnoeducacionais no Brasil.
- Queremos uma educação escolar indígena com componentes de educação ambiental, que promova a proteção do meio ambiente e a sustentabilidade de nossos territórios.
- Exigimos condições para o desenvolvimento a partir das tradições e formas milenares de produção dos nossos povos.

Finalmente, não são as falsas soluções propostas pelos governos e pela chamada economia verde que irão saldar as dívidas dos Estados para com os nossos povos.

Reiteramos nosso compromisso pela unidade dos povos indígenas como demonstrado em nossa aliança desde nossas comunidades, povos, organizações, o conclave indígena e outros.

A SALVAÇÃO DO PLANETA ESTÁ NA SABEDORIA ANCESTRAL DOS POVOS INDÍGENAS

RIO DE JANEIRO, 20 DE JUNHO DE 2012

APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, COICA – Coordenadora de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, CAOI – Coordenadora Andina de Organizações Indígenas, CICA – Conselho Indígena da América Central, e CCNAGUA – Conselho Continental da Nação Guarani

Declaração do movimento de Economia Social e Solidária à Rio +20

fórum brasileiro de economia solidária
http://www.fbes.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=6960&Itemid=62


A economia que precisamos - Declaração do movimento de Economia Social e Solidária à Rio +20

A Cúpula dos Povos e a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável da Rio +20 acontecem em um momento de crise da civilização que se expressa através de múltiplas crises: alimentar, ecológica, energética, financeira, social e de representação política, e não é com esse mesmo pensamento e o mesmo modelo de sociedade que gerou estas crises que sairemos dela!
A chamada economia verde, tal como é apresentada pelos governos e multinacionais, nada mais é que uma extensão deste modelo através da mercantilização dos bens comuns como nova frente de expansão do capitalismo em crise, enquanto a economia solidária é um caminho para a sua emancipação.
Em todos os continentes, nas comunidades, regiões e países existem iniciativas econômicas e sociais em muitos setores que demonstram a viabilidade concreta e viva de outros modelos de desenvolvimento, de organização da economia e de sociedade, onde a vida, a pluralidade, a autogestão, a justiça ambiental e social definem uma economia solidária diferenciada da economia do capital. A economia solidaria é um movimento social que, com outros, contribui para consolidar uma verdadeira democracia econômica e política.
A criação da Agencia Internacional Ambiental proposta pela PNUMA não poderá resolver os desafios de governança mundial. É imperativo que as ferramentas e instituições de governança sejam transformadas para basear-se estruturalmente em processos contínuos de consulta e de participação de todos os setores da sociedade, a nível local, regional e internacional, e que estas não estejam dominadas pelos maiores contribuintes financeiros nem geridas por “especialistas”. É necessário o respeito e o reconhecimento da soberania dos povos e das comunidades, pois são estes que têm a legitimidades e a capacidade de levar a cabo um desenvolvimento solidário que assegure a preservação dos bens comuns.
A economia solidária constrói modelos de produção e de serviços com e para todas e todos. Estas iniciativas não podem ser consideradas como simples “programas de reparação e de luta contra a pobreza”. Pelo contrário, elas garantem intrinsecamente a justiça em todas as suas dimensões, enquanto desenvolvem atividades econômicas, sem gerar concentração de riquezas materiais ou financeiras, nem criação de pobreza. A economia solidária estabelece sistemas equitativos de comercialização, de finanças e de moedas sociais a serviço das economias reais, circuitos curtos entre produtores e consumidores, soberania alimentar, entre outras alternativas concretas.
O movimento da economia solidária, com outros movimentos de transformação da sociedade, encarna um projeto verdadeiramente democrático, de respeito aos direitos das mulheres e dos homens, do trabalho, cívicos, da diversidade de culturas e da natureza para o bem viver (buen vivir) dos povos.
A Rio +20 só responderá aos desafios impostos se os governos participantes se orientarem a partir do que os movimentos sociais estão construindo como verdadeira alternativa para o futuro da humanidade sobre a Terra.
Rio de Janeiro, junho de 2012

As organizações abaixo manifestaram, entre os dias 16 e 18 de junho de 2012, seu apoio à declaração:

* ABRASCO – Associacao Brasileira de Saude Coletiva (Brasil)
* ACA (brasil)
* ACADEMIA DE LA TIERRA ONG (MÉXICO)
* ADEL-Ixcán (Ixcán, Quiché, Guatemala)
* Adéquations (France)
* Agência de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável – AADS (Brasil)
* Alborada (Argentina)
* ALCONA (México)
* Alliance of Coastal Fishers in the North Atlantic (ACFNA) (North – Atlantic (Newfoundland, Iceland, Faroe Islands, Norway)
* alsur A.C. (México D.F.)
* Alternatives Développement (SENEGAL)
* AMARTE-Associação Amigos da Arte (Brasil- Pernambuco)
* AMB Articulação de Mulheres Brasileiras (Brasil)
* AMDAE (BOGOTA COLOMBIA)
* APC Assoc Pró Cidadania (Minas Gerais / Brasil)
* APPEND (PHILIPPINES)
* APPLIR (Argentina)
* AQ’AB’AL, Empresa Centroamericana de ESS (Centroamerica)
* AQOCI (Canada)
* ARIADNA (Argentina)
* ARIA-Nord (France)
* Artana e Cia (Brasil)
* ARTE CIMARRON (TUMACO NARIÑO COLOMBIA)
* Arte Sustentável/EES (Brasil)
* Asamblea Permanente de la Sociedad Civil por La Paz (Colombia)
* Asedcohue (Guatemala)
* Asian Public Intellectuals Fellowships (Southeast Asia)
* Asian Social Enterprise Forum (Asia)
* Asociación Civil Bienaventurados los Pobres (Catamarca, Argentina)
* Asociaciòn de Desarrollo Integral Simiatug Samai (Ecuador)
* ASOCIACION DE FOMENTO VECINAL EL PALMAR (ARGENTINA)
* Asociacion de Mujeres Afrocolombianas Kenia Tabia Binta “AMAKETABIN” (COLOMBIA)
* Asociacion para el Desarrollo Rural del Camp d´Elx (españa)
* Asociacion Productores San Cayetano (Argentina)
* Asociatia CRIES-Centrul de Resurse pentru Initiative Etice si Solidare (Romania)
* Associação Dando as Mãos (Brasil)
* Associação de Artesanato Entre Nós. (Brasil)
* Associação de Economia Solidária de Pinheiral (Brasil)
* Associação dos Produtores Agrícolas de Bebida Velha – APABV (Brasil)
* Associação Fibrart (Brasil / nordeste)
* Associação Filosófica ‘Scientiae Studia’ (Brazil)
* Associação In Loco (Portugal)
* associação rede de sonhos (Brasil)
* Associação Regional Mucuri de Cooperação dos pequenos agricultores (Brasil)
* Association Theatre Aquarium (Maroc)
* Banco Pire (Brasil – MS – Dourados)
* Bina Swadaya (Indonesia)
* Bitume (Mexico)
* Bordadeiras da Coroa-RJ (Brazil)
* BREFADE (MALI )
* Brigadas Populares (Brasil)
* cadernos do caos (portugal)
* Caisse d’économie solidaire Desjardins (Québec, Canada)
* CAM (Central America)
* Canadian Community Economic Development Network (CCEDNET) (Canada)
* Canasta a Domicilio S.C de R.L. de C.V. (México)
* Capeltic (México)
* Caritas Arquidiocesana de Fortaleza (Brasil-Fortaleza/CE)
* Caritas Diocesana de Tubarão (Brasil / Região Sul)
* Casa de Taipa- Coletivo Para Promoção de Prática Solidária (Brasil)
* CAV (Brasil)
* CDR Outaouais-Laurentides (Québec, Canada)
* CEDAL-Centro de Derechos y Desarrollo (Perú)
* CEMEAR / SC (Brasil)
* Centre canadien pour le renouveau communautaire – Canadian Centre For Community Renewal (Canada)
* Centre for Social Entrepreneuership (Malaysia)
* Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Pe. Josimo (Brasil)
* Centro de Servicios para Emprendimientos de las Mujeres (Chiqiuimula, Guatemala)
* Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (Brasil)
* Chantier de l’économie sociale (Québec/Canada)
* Coalition SansParti (Canada)
* COLACOT (COLOMBIA)
* Coletivo de pesquisadores em EJA e Economia Solidária – rede (Brasil, sudeste, SP, São CArlos-CAmpinas-São PAulo)
* Coletivo EITA (Brasil)
* Coletivo Leila Diniz (Brasil RN )
* Collège Coopératif PAM (PROVENCE)
* COMERCIO JUSTO URUGUAY (URUGUAY)
* Comité San Carlos (Mexico)
* COMMACT Malaysia (Malaysia)
* Community to Community Development (United States)
* Conciencia Ecologica de Aguascalientes, a.c. (México)
* Conseil régional d’économie sociale Mauricie (Québec, Canada)
* Consejo Consultivo de Mujeres de tenjo (Colombia)
* Consejo de Consumidores para la Economía Solidaria (Costa Rica)
* Consejo E.Solidaria Canelones (uruguay)
* Consejo Mexicano de Empresas de la Economía Solidaria (México)
* Consorzio Città dell’Altraeconomia (Italia )
* Consumo y Comunicación Alternativa, COKOMAL (Costa Rica)
* Controvento (Italy)
* Cooperativa Atahualpa (Argentina)
* Cooperativa Bem Me Quero (Brasil)
* COOPERATIVA DE AGRICULTORES FAMILIARES E PESCADORES ARTESANAIS DA ECONOMIA SOLIDARIA DA REGIAO DO MATO GRANDE-RN – COOAFES (Brasil)
* Cooperativa de Costureiras e Artesãos de Parnamirim (BRASIL)
* cooperativa de trabajo encuentro (argentina)
* Cooperativa de Trabajo Juanito Contreras LTDA (Argentina)
* Cooperativa de trabajo mixta de Enseñanza. Atahualpa Limitada (argentina )
* Cooperativa Financiera COOFINEP (Colombia)
* Cooperativa La Vaca (Argentina)
* Coordinadora Nacional de Economía Solidaria (Uruguay)
* Coordinadora Nacional de Economía Solidaria Uruguay (América del Sur)
* Corporación RELACC (Ecuador – América latina)
* COSPE-Sede Nicaragua (Nicaragua)
* CRESAÇOR – Rede de Economia Solidária dos Açores (Açores -Portugal)
* CRESS CENTRE (FRANCE)
* CSEM/ ADED VALLE, Centro De Servicios Para El Emprendedurismo De La Mujer (CSEM) Fundacion Agencia De Desarrollo Economico Departamental De Valle (ADED VALLE) (Honduras, Región Golfo De Fonseca)
* CSEM/ADED VALLE Centro de Servico Para El Emprendedurismo De La Mujer (Honduras, Region Golfo de Fonseca )
* CTA-ZM – Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (Minas Gerais – Brasil)
* CTC (BRASIL)
* Das Lanhas Assessoria e Consultoria (Brasil)
* Departamento de Justicia y Solidaridad – CELAM (America Latina)
* Día Mundial de Oración – Comité Alemán /Sección Proyectos (Alemania)
* DULZURA DEL MAR (TUMACO NARIÑO COLOMBIA)
* Eartheal (USA)
* ECAM (Bolivia)
* Eidé Ensayo Fotográfico y Audiovisual (Argentina)
* EL ANDAMIO SOCIAL (ARGENTINA)
* ELO (Brasil)
* Empreendimento solidário de costureiras e artesãos de parnamirim,RN (BRASIL)
* En Transition T.S.R. (Québec Canada)
* équiterre (Canada )
* ERUUF Earth Justice (United States of America)
* Escola Municipal Professora Anita M. Dourado (Brasil)
* Espacio de Economía Solidaria y Comercio Justo (Paraguay)
* Espacio Nacional de Economía Social y Solidaria (Argentina)
* EYES (EUROPE)
* Fair (Italy)
* FBES – Fórum Brasileiro de Economia Solidária (Brasil)
* FBSSAN – Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Brasil)
* FENACOOP, R.L (NICARAGUA)
* Fondation rivières (Canada)
* Fora do Eixo (Brasil)
* Fórum de Economia Solidaria de São José dos Pinhais (Brasil)
* Fórum de Economia Solidária do Distrito Federal e Entorno (Brasil)
* Fórum Municipal de Economia Solidária de Balneário Camboriú (Santa Catarina, Brasil)
* FORUM PERMANENTE DE CIDADANIA DE COLINAS (BRASIL – MARANHÃO )
* Fórum Sul Mineiro de Economia Solidária (Minas Gerais / Brasil)
* Fruta Comida Semilla Sembrada (Ecuador)
* Fundación Ahora, A.C. (Méxicao/Centro-Occidente/Aguascalientes)
* FUNDACION ARTE Y CULTURA DEL PACIFICO (BOGOTA COLOMBIA)
* Fundacion Pueblo Joven (Salta, Argentina)
* Fundacion Sagrada Familia (Argentina, Buenos Aires)
* Fundación Síntesis (Argentina)
* Fundacion TPH Concepcion (Chile)
* FUNDACION TRABAJO PARA UN HERMANO DE CONCEPCION (CONCEPCION, CHILE)
* fundacion utopia (ecuador)
* Greenpeace (Montréal, Québec)
* GRESP (Perú)
* Groupe d’économie solidaire du Québec (Québec)
* Groupe ÉCOSPHÈRE (Canada)
* Grupo Cooperativo Jade (México)
* Grupo de promocion de la Agricultura Ecologica (GPAE) (Nicaragua)
* Grupo Red de Economía Solidaria del Perú (GRESP) (Perú)
* GUAMINA (Mali )
* Haida Gwaii Community Futures (Canada)
* HUJ (Arménie)
* ICATMI (MEXICO)
* IMS (Brasil)
* Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares Universidade do Estado da Bahia (Brasil)
* Institute for Integrated Rural Development (IIRD) (India)
* Instituto de Desarrollo de la economía Asociativa (IDEAC) (Rep. Dominicana)
* Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (Brasil)
* Instituto para el Desarrollo y la Paz Amazonica (San Martin – Peru)
* Intecoop/Unifei – Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal de Itajubá (Brasil)
* INTER-ACTION DEVELOPPEMENT DURABLE (FRANCE)
* ITCP/UNEB (Brasil)
* ITCP USP (Brasil)
* Juntos (Brasil)
* Katosi Women Development trust (Uganda)
* KIFESZ (Hungary)
* Kolping México (México)
* Kooperi – Coletivo para a promoção de práticas solidárias e autogestionárias (Brasil, sudeste, SP, São CArlos)
* latindadd (Perú)
* lavaca.org (Argentina)
* L’Égrégore (Canada)
* Maestria en Entidades de la Economía Social U.N.R (Argentina)
* MAIS Consultoria Social (Brasil)
* Marco Polo Echanger Autrement (France)
* MD (Québec)
* Mesa de Coordinación Latinoamericana de Comercio Justo – RIPESS LAC (América Latina y el Caribe, Perú)
* Mesa Nacional de Trabajo Cooperativo y Solidario (Colombia)
* MES (France)
* Migrations et Développement (Maroc)
* MIJARC (AFRICA,AISA, EUROPE AND LATIN AMERICA)
* MINISTERIO DE AGRICULTURA Y GANADERÍA (COSTA RICA)
* Mó de Vida Cooperativa de Consumo, CRL (Portugal)
* Movimiento Ambiental de Aguascalientes (México)
* Movimiento de Trabajadores Campesinos (Guatemala)
* Mujeres afros de Salahonda (Colombia, Dpto de Nariño)
* National Association of Small Boat Owners, NASBO (Iceland)
* Nonante inc (Canada)
* Núcleo de Formação em ECOSOL Ceará (Brasil)
* Núcleo de Solidariedade Técnica da UFRJ (Soltec/UFRJ) (Brasil)
* Nuestras Huellas (Argentina)
* NUEVA CIVILIZACION (URUGUAY)
* Objectif Plein Emploi (Luxembourg)
* ONG. JUVENTUDE SEM FRONTEIRAS (BRASIL)
* ONG Programas Sociales Comunitarios (Salta, Argentina)
* P’ACTES (Europe)
* Pastoral social (La Ceiba – Honduras)
* PECOSOL| (Centroamérica)
* Plateforme des Organisation de la Société Civile sur les Droits Economiques, sociaux et Culturels au Cameroun (Cameroun)
* Plumes & Jardins (Quebec, Canada)
* PODER, A.C. (MEXICO)
* PROCOSOL (Panama)
* Production de L’Amarante (Québec)
* Productions à deux têtes (Québec)
* Prof contre la hausse (Montreal/ Québec / Canada)
* Projeto Ramá (Brasil)
* Promoción del Desarrollo Popular, A.C. (México.) * Raid (Tunisie)
* REAS BALEARS (ESPAÑA)
* REAS – Red de Redes de Economía Alternativa y Solidaria (España)
* Red COMAL – Red de Comercialización Comunitaria Alternativa (Honduras) * REDCOOP (MÉXICO)
* Red Cuna (Argentina)
* Red de Coordinación en Biodiversidad (Costa Rica, Centroamérica)
* Red de Fundaciones y Asociaciones de Economía Social Solidaria (Centramerica y Caribe)
* RED DE LA ESPERANZA (MÉXICO)
* Red de Mujeres para el Desarrollo (América Latina y Caribe)
* Red de Organizaciones de Economía Solidaria (REDESOL) (Rep. Dominicana)
* Rede de educadores/as de economia solidária PE (NE do Brasil)
* Rede de Educadores em Economia Solidária (Brasil)
* Rede Dicção (Brasil)
* Rede Nacional das Incubadoras Tecnológicas de cooperativas Populares/ITCP-Unochapeco (Brasil)
* Red micro creditos no podemos fracasar (Argentina)
* Red Nacional de Investigadores y Educadores en Cooperativismo y Economía Solidaria (REDCOOP) (México)
* Red Uniendo Manos contra la Pobreza (Perú)
* REMECC A.C. (Mexico)
* RENAPESS MALI (MALI)
* RENICC (Nicaragua)
* Reorient Onlus (Italia )
* Retos al Sur (Uruguay)
* RIPESS-Asia/Asian Solidarity Economy Coalition (ASEC) (Asia)
* Rizosfera (Chile)
* RTES (France)
* RUPTURA (ECUADOR)
* Scop Energies Alternatives 06 (France)
* Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco (Brasil)
* Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Brasil)
* SEDYS – Trujillo- Servicio Educativo para el Desarrollo y la Solidaridad (PERU)
* Seminario Permanente para la Gobernabilidad mediante el Desarrollo Sustentable. Con base en una metodología de investigación interdisciplinaria. (Mexico City)
* Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Bento Fernandes (Brasil)
* société civile (Canada)
* SODEV MAROC (MAROC)
* Soltec/UFRJ (Brasil)
* Soutenable.net (France)
* Support for Women in Agriculture and Environment (SWAGEN) (Uganda, East Africa)
* SURJA EDUCACION CIUDADANA (MEXICO)
* Syndicat Unique des Travailleurs de la Santé et de l’Action Sociale (SENEGAL)
* Tierra Luna (México)
* Transition movement (Canada)
* UDELAR (URUGUAY)
* UFRPE (Brasil)
* UNCPM Union Nationale des Coopératives des Planteurs et Maîchers du Mali (Mali)
* UNEMAT/REMSOL/FEES-MT/NECOMT/IOCAS (BRASIL)
* UNIVERSIDAD AUSTRAL (ARGENTINA)
* UNIVERSIDAD DE BUENOS AIRES (ARGENTINA)
* Universidad de Castilla-La Mancha (España)
* Universidade Federal Rural de Pernambuco/FBES (Brasil)
* Universidad Nacional de Rosario (Argentina)
* Universitas Nueva Civilización (Chile)
* University of Valencia (Spain)
* UQAM, Institut des sciences de l’environnement (Québec-Canada)
* Urgenci International Network for Community Supported Agriculture (Global)
* USP (Brasil)
* US Solidarity Economy Network (United States of America)
* Visão Mundial (Brasil)
* VQP (Argentina)
* WESPAC Foundation (USA)
* World Forum of Fish Harvesters and Fish Workers (WFF) (International organization)
* Xarxa Economia Solidaria (Cataluña, España)

A garota, o fascista e a luta pelo futuro

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