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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Rondônia quer avançar com sustentabilidade

amazonia
http://amazonia.org.br/2014/05/rondonia-quer-avancar-com-sustentabilidade/




Rondônia quer avançar com sustentabilidade

O governador de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), espera até o final do ano dispor de uma nova lei de zoneamento socioambiental ecológico. O projeto, em fase de elaboração, prevê a criação, na região do cerrado, de uma área de savana. A mudança favorecerá a plantação e exploração comercial de eucalipto, pinus e da espécie nativa paricá, dando novo impulso ao setor madeireiro e moveleiro.
A implantação de um modelo de maior sustentabilidade com florestas plantadas transformou-se em uma necessidade. Rondônia é um Estado jovem que tem se destacado pelo desenvolvimento agropecuário e precisa encontrar um caminho para sair do centro da controvérsia desenvolvimento versus impacto ambiental. “Pretendemos ajudar o Brasil e não sermos reconhecidos como um problema”, diz Moura.
Com 52 municípios e uma população estimada de 1,78 milhão em 2013, segundo o IBGE, Rondônia busca diversificar a economia. A participação no PIB nacional é de 0,7%. O Estado tem crescido mais de 7% ao ano e o setor produtivo está confiante. A piscicultura aumentou a produção de 12 mil para 65 mil toneladas entre 2010 e 2013, dinamizando os municípios de Ariquemes, Mirante da Serra e Urupá. Outros setores crescem. O superintendente da Ancar Ivanhoe no shopping de Porto Velho, Ricardo Cintra, está convencido de que Rondônia favorece os negócios.
Inaugurado em 2008, o estabelecimento contou com uma primeira ampliação – de 30 mil para 44 mil metros quadrados de área disponível para locação – antes de completar quatro anos de funcionamento. O shopping fechou 2013 com um faturamento de R$ 500 milhões.
O funcionamento da usina Santo Antônio e o começo da operação de Jirau contribuíram para expandir a capacidade instalada de geração de energia do Sistema Interligado Nacional. Segundo o Ministério de Minas e Energia, as duas hidrelétricas já contribuem com 1.175,5 MW. O empreendimento atraiu grupos econômicos importantes como a Indústria Metalúrgica e Mecânica da Amazônia, IMMA, e a Votorantim Cimentos. Impactos sociais provenientes da vinda de trabalhadores de outros Estados ainda não foram quantificados e o desafio atual é diversificar.
“Rondônia vai bem, é viável e quem investir aqui terá um retorno garantido”, diz Gilberto Baptista, superintendente da Federação das Indústrias, Fiero. A tese de que o ambiente de negócios favorece investimentos apoia-se nos incentivos do governo para a atração de indústrias com mais tecnologia, no futuro do mercado andino e no desenvolvimento logístico da região. O grupo André Maggi investirá entre R$ 110 e R$ 120 milhões em mais um terminal privado de transbordo em Porto Velho, cidade que integra um importante corredor hidroviário formado pelos rios Madeira e Amazonas.
Por: Helô Reinert
Fonte: Valor Econômico

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Belo Monte ameaça maior sítio de desova de tartarugas da América do Sul

o eco
http://www.oeco.org.br/reportagens/27941-belo-monte-ameaca-maior-sitio-de-desova-de-tartarugas-da-america-do-sul


Belo Monte ameaça maior sítio de desova de tartarugas da América do Sul
Fabíola Ortiz - 20/01/14

 HPIM0530Tartarugas chegam ao Tabuleiro do Embaubal para depositar seus ovos nas praia do baixo Xingu. Foto: WWF
O maior sítio de desova de quelônios da América do Sul corre o risco de deixar de existir em razão da construção da UHE Belo Monte. A sobrevivência das tartarugas da Amazônia (Podocnemis expansa) está ameaçada.
A apenas 10 quilômetros de distância do canteiro de obras da que pretende ser a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, está o Tabuleiro do Embaubal, no rio Xingu, entre os municípios de Senador José Porfírio e Vitória do Xingu (80 km de Altamira). Todos os anos as tartarugas aparecem. Entre os meses de setembro e novembro, quando o rio está no período de estiagem, elas chegam aos montes a esta praia que se forma na cabeceira do rio, conhecida como tabuleiro.
Numa área de não mais do que três campos de futebol, 20 mil tartarugas da Amazônia buscam abrigo para reproduzir. O espaço é concorrido, são 3 hectares onde a maior tartaruga de água doce da América do Sul – que chega a medir 70 cm de comprimento e a pesar 25 kg – escolhe como sítio de reprodução e coloca em média 120 ovos.
Um fenômeno, para muitos emocionante, que começa a dar seus frutos no início de dezembro – após o período de incubação que leva entre 45 e 55 dias– quando começa a temporada dos nascimentos.
Hidrovia no rio Xingu
RVS-Tabuleiro-Embaubal Geral 1Mapa. | Clique para ampliarEssa espécie natural da bacia amazônica passou rapidamente dacategoria de "pouco conhecida" para "ameaçada". A espécie é utilizada como fonte de recurso há séculos por ribeirinhos tanto para alimentação como para produção de óleo. Antes da energia elétrica, o óleo de tartaruga era usado para iluminar as cidades da Amazônia. Agora o perigo é outro.
"Embarcações e grandes balsas passam pela rota de onde as tartarugas cruzam para chegar ao tabuleiro. Aquela região do Xingu tem sofrido um impacto muito grande dessa obra. O impacto é direto, não é indireto como fala o EIA/Rima (Relatório de Impacto Ambiental)", disse a ((o))eco Luiz Coltro, do Programa Amazônia da Rede WWF-Brasil, que defende a criação de duas unidades de conservação na região para proteger esta espécie de tartaruga.
O Tabuleiro do Embaubal reúne mais de cem ilhas no trecho final do rio Xingu e, com a inundação de áreas como a Volta Grande em decorrência da UHE de Belo Monte, a barragem poderá reter sedimentos e matéria orgânica apodrecida, importantes para conservar as praias do Embaubal, principal área onde esta espécie de quelônio desova.
"Os grandes tabuleiros que concentravam milhares de tartarugas sumiram, não há mais esse fenômeno na Amazônia. O Embaubal é um remanescente daquilo que se encontrava em termos de tabuleiro, é o maior da bacia amazônica em atividade", argumentou Coltro.
Um dos impactos diretos sobre a área de desova das tartarugas da Amazônia é a hidrovia que liga Belém - Porto de Moz - Vitória do Xingu. "Nessa hidrovia, temos detectado uma quantidade enorme de cascos de tartarugas destruídos pelo impacto de hélices de barcos, rebocadores e balsas gigantescas que passam na frente do tabuleiro, bem na rota por onde as tartarugas cruzam", comentou.
Segundo o analista de conservação, além do aumento de casos de atropelamento das tartarugas, o volume de vazamento de óleo diesel no rio Xingu tem sido identificado com frequência. "Em determinadas épocas do ano o rio tem uma coloração diferente".
Há cerca de dois anos, um novo fenômeno foi observado, por não encontrarem lugares seguros para a desova, as tartarugas soltam os ovos em pleno rio. "A tartaruga precisa de um lugar tranquilo, ela observa durante dias o tabuleiro para ter certeza de que aquele lugar oferece segurança para colocar os ovos. O processo todo leva quatro horas. Nessa época do ano, a gente evita ao máximo andar pelo tabuleiro. Mas com o fluxo descomunal de embarcações gigantes que carregam caminhões, a tartaruga simplesmente solta os ovos na água. É uma estratégia de autopreservação", explicou.
Menos peixe
Desde o início das obras da hidrelétrica, foi observado um forte avanço de grilagem e invasão de terras em matas ribeirinhas no rio Xingu, sem contar a sobrepesca na região.
"A pesca está muito além da capacidade. Os pescadores da região estão reclamando que há anos pescavam cerca de 120 kg de peixe e, hoje, não pescam mais que 30 kg. Cada vez mais está escasseando peixe no rio", lamentou.
A área do Embaubal, segundo Coltro, já teria sido inclusive alvo de estudos do Ministério de Meio Ambiente que reconhecera esta como uma área prioritária para conservação pela diversidade biológica que abriga e por sua importância socioeconômica, incluindo seu potencial turístico.
O Tabuleiro do Embaubal e suas ilhas adjacentes foram ainda objetos de amparo legal do Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Estado, com proposta para criação de uma unidade de conservação do grupo de proteção integral (Lei nº 6.745/ 2005). O programa de Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira classificou a região como prioridade de ação em categoria extremamente alta, com ocorrência de espécies ameaçadas, endêmicas e migratórias.
HPIM0569Foto: WWF
Duas novas UCs
A expectativa, aponta o analista de conservação, é que neste primeiro semestre de 2014, poderão ser oficializadas a criação do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) de proteção integral das cerca de 20 mil tartarugas da Amazônia (Podocnemis expansa) e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS).
As duas UCs estaduais somam 27 mil hectares e estão localizadas próximo ao pequeno município de Senador José Porfírio, no Pará, com apenas 13 mil habitantes.
Estas unidades representam duas categorias com regimes de utilização diferentes, explica Coltro. "Queremos dotar a região com políticas de conservação, mas ainda não conseguimos mecanismos financeiros para perpetuar estas ações".
Enquanto o Revis é uma categoria recomendada para espécies que tenham ameaçado o seu sítio de reprodução e se destina à proteção da biodiversidade encontrada na região; a RDS é uma zona do entorno do refúgio de vida silvestre e reúne as ilhas do rio Xingu, assim como parte da comunidades que vivem à beira do rio e desenvolvem a pesca como principal atividade econômica.
Um dos potenciais da região identificados é o conjunto de cavernas e sítios arqueológicos que indicam aqueles territórios como áreas habitadas por grupos indígenas no passado.
No dia 28 de novembro de 2013, cerca de 300 moradores do pequeno município de Senador José Porfírio aprovaram em uma consulta pública a criação destas duas unidades. A consulta corresponde a uma etapa posterior à elaboração de estudos ambientais, socioeconômicos e fundiários, que tem sido realizada desde 2009.
Teve início agora em janeiro a fase de elaboração do parecer técnico por parte da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará (SEMA) para embasar a redação da minuta do decreto que cria as UCs. E, em seguida, o texto será encaminhado à mesa do governador do Estado para assinatura.
"A criação de UCs tem algumas fases que são gargalos, a gente está na parte delicada. Vamos para a vontade política, a vontade social já tivemos. Até fevereiro, a minuta de decreto chegará à mesa do governador", comentou Coltro esperançoso de que em março sejam anunciadas as duas unidades.
O analista lembrou ainda que o estado do Pará se comprometeu na criação de 60 milhões de hectares de UCs e conta, atualmente, com 42 milhões de hectares de áreas protegidas.
Após a fase de acompanhamento político e de criação das UCs, terá início a etapa de implementação destas áreas protegidas com pesquisas, elaboração do plano de manejo, criação do conselho gestor e organização das atividades de turismo na região.
Em nota divulgada em dezembro de 2013, a Norte Energia, consórcio responsável pelas obras de Belo Monte, informou que apoia a criação de UCs nas praias do arquipélago do Tabuleiro do Embaubal, no sudoeste paraense.
"A iniciativa faz parte do Plano de Conservação de Ecossistemas Aquáticos executado pela Norte Energia (...) que mantém equipes de pesquisadores no local. Para atender ao trabalho de monitoramento dos berçários e dar suporte à elaboração de estudos, a empresa construiu uma base de apoio, com alojamentos e acesso à internet", informou o comunicado.
Video


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Ameaça de queimadas põe 19 Estados em alerta

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/519404-ameaca-de-queimadas-poe-19-estados-em-alerta


Ameaça de queimadas põe 19 Estados em alerta

O Ministério do Meio Ambiente decretou estado de emergência ambiental em 19 Estados e no Distrito Federal por conta da ameaça de queimadas e incêndios florestais no País nos próximos meses. A portaria, publicada ontem no Diário Oficial, é renovada desde 2008 para garantir a contratação emergencial de até 2,5 mil brigadistas em áreas potencialmente expostas.
A reportagem é de Bruno Deiro e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 18-04-2013.
Apenas sete Estados não entraram na lista: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Alagoas e Rio Grande do Norte. Em um primeiro momento, áreas em 14 Estados entrarão em alerta até o fim do ano - Ceará, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Roraima serão incluídos só no segundo semestre.
O diretor de proteção ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),Luciano Evaristo, diz que inicialmente serão contratados 1,6 mil brigadistas. "Daremos treinamento de uma semana para os selecionados, que ficarão de prontidão para atender às ocorrências", explica. "O restante será chamado se for necessário."
Com informações obtidas pelos programas de prevenção e monitoramento, é feito um mapa dos pontos ameaçados. "No meio do ano, por exemplo, parques nacionais como Veadeiros e Araguaia, no Cerrado, sofrem pressão muito forte do fogo e certamente teremos ocorrências", explica Evaristo. "A gente tem uma ideia de onde podem vir as ocorrências acompanhando o histórico de desmatamento, mas qualquer sujeito pode tocar fogo em uma determinada área."
Novo foco
Segundo ele, neste ano o foco não serão os municípios, mas áreas relevantes do ponto de vista da conservação. "Daremos prioridade a 18 terras indígenas, 35 unidades de conservação e 21 assentamentos extrativistas onde há um histórico de ocorrências."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Lontra com artrite aprende basquete

BBC
http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2013/02/130221_lontra_basquete_lgb.shtml


Lontra com artrite aprende basquete

Atualizado em  21 de fevereiro, 2013 - 11:19 (Brasília) 14:19 GMT
Eddie, a lontra com artrite
Eddie, a lontra, só joga basquete em sua piscina particular
Um zoológico nos Estados Unidos inventou uma maneira inusitada para acelerar a recuperação de uma lontra com artrite.
Para melhorar seus movimentos nas juntas, Eddie, a lontra, joga basquete.
A ideia partiu de seu treinador.
Os visitantes do zoológico de Oregon, entretanto, não podem ver o bicho praticando o esporte.
Eddie só joga basquete em sua piscina particular.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Falcoaria a serviço da preservação

((eco))
http://www.oeco.com.br/reportagens/26430-falcoaria-a-servico-da-preservacao?utm_source=newsletter_577&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco


“Quando se fala em falcoaria a gente pensa primeiramente no falcoeiro com a ave em punho caçando animal. Isso no Brasil não existe, pelo menos não dentro da lei, onde a caça é proibida. Então, aqui, a falcoaria está ligada principalmente no controle de fauna, seja em aeroporto ou na agricultura, e também na reabilitação de aves machucadas” explica Willian Menq, ornitólogo e especialista em aves de rapina.

Seja no controle de fauna em aeroportos e agricultura, seja na reabilitação de aves machucadas - possível graças a convênios firmados com o Ibama e em atividades envolvendo educação ambiental em escolas e eventos - o modo como a falcoaria é praticada no país tem tudo para ser considerado ambientalmente correto.

Adestrar uma ave não é tarefa simples e é exatamente a dificuldade que afasta eventuais modistas. Custo elevado - não se compra uma ave de rapina por menos de 900 reais - e dedicação investida no adestramento da ave, além da necessidade de ter acesso a um veterinário especializado é apenas parte das preocupações do falcoeiro.

Ser falcoeiro é quase um sacerdócio. A alimentação das principais aves usadas na falcoaria, por exemplo, tem como base codornas e camundongos. Os próprios falcoeiros abatem a presa. Treinar a ave para conseguir seu próprio alimento não é permitido por lei, pois seria considerado caça.

Reabilitação de aves
Uma ninhada com 4 filhotinhos da coruja-da-igreja (Tyto Alba)  foi encontrada em cima do telhado de uma casa que estava sendo reformada, em 2008. Os filhotes, com aproximadamente 15 centímetros de altura e 20 dias de vida, foram levados para o IBAMA/MG, que os deixou aos cuidados dos membros da Associação Mineira de Falcoaria (AMF). João Paulo de Oliveira Santos diretor técnico da ABFPAR e falcoeiro há 8 anos, cuidou da ave por 6 meses, até a coruja, conhecida por sua habilidade em caçar ratos, estivesse condições de ser reintroduzida na natureza.

O custeio pela manutenção das aves em reabilitação é todo feito pelo próprio falcoeiro. Na maioria dos casos, se não fossem convênios com o Ibama, a maioria dessas aves seriam sacrificadas.

Ao longo da história, conservacionistas usaram técnicas da falcoaria para reabilitar e até salvar da extinção espécies criticamente ameaçadas. Um dos casos mais emblemáticos envolve o falcão da ilha Maurício, Falco punctatus, uma espécie endêmica daquele arquipélago. Em coluna publicada aqui em ((o)) Eco, Fernando Fernandez conta em detalhes a recuperação dessa espécie pelo biólogo Carl Jones. 

Reprodução em cativeiro e treinamento das aves de rapina foram as técnicas usadas pelo biólogo na reintrodução da espécie na natureza.  Deu certo. Hoje, o Falco punctatus saiu de criticamente ameaçado para vulnerável, segundo avaliação da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês).



Controle de fauna em aeroportos

Os aeroportos e setores da agricultura contratam falcoeiros para fazer o controle de pragas usando as aves de caça. Os contratos nos aeroportos são feitos por licitação
Nos 66 aeroportos do país controlados pela Infraero 2  aeroportos utilizam a falcoaria no manejo de fauna: o Aeroporto Internacional de Porto Alegre/Salgado Filho (RS) e Aeroporto de Belo Horizonte/Pampulha (MG).

Segundo a assessoria de imprensa da Infraero, outros três aeroportos já iniciaram o processo para contratação de empresas para esse trabalho: Aeroporto de Vitória/Eurico de Aguiar Salles (ES), Aeroporto Internacional de Confins/Tancredo Neves (MG) e Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão - Antonio Carlos Jobim (RJ). Esses 5 aeroportos que utilizam ou utilizarão aves de rapina para controle de espécies problemas não representa o universo dos aeroportos do Brasil, já que são mais de 719 aeroportos públicos e 1918 aeródromos privados. 

Funciona assim: um aeroporto está com problemas de excesso de aves perto da pista de decolagem: pombos, urubus, garças, socós, biguás, maçaricos,  quero-queros, perdizes entre outros. De acordo com o plano de manejo, o falcoeiro é contratado para “espantar” e capturar essas espécies que estão causando acidentes.

Só no ano passado, foram mais de 1370 colisões com pássaros nos aeroportos do país, segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA).

As empresas contratadas têm permissão de abate emitido pelo Ibama, porém elas evitam que isso seja feito. Normalmente, as aves de rapina não matam suas presas: “Em todos os aeroportos após a captura é feita uma "troca", essa troca é feita por um pedaço de codorna onde o rapinante é recompensado por sua captura”, explica Milton Mello, que também trabalha no controle de fauna em aeroportos como Salgado Filho - RS, Galeão - RJ e em Fernando de Noronha – PE.

Ainda de acordo com o plano de manejo dos aeroportos, essas aves capturadas são remanejadas para outros lugares, onde não ofereçam riscos, ou mandadas para serem eutanasiadas.

Foi o que aconteceu no aeroporto de Fernando de Noronha. Em 20 anos, as garças-vaqueiras (Bubulcus ibis), uma espécie vindo da África, vieram para o arquipélago e se estabeleceram. O perigo que representam vai além do choque com os aviões. Vorazes, as garças estavam causando desequilíbrio ambiental ao se alimentar de espécies edêmicas da ilha, como o lagarto mabuias e expulsar outras aves nativas da região.

Para reestabelecer o equilíbrio e principalmente acabar com as colisões entre a garça e as aeronaves, uma empresa foi contratada para fazer o controle de fauna com gaviões. Falcoeiros com suas aves em punho começaram a trabalhar. As aves foram capturadas vivas e eutanasiadas. 

“Além do aumento populacional da garça na ilha, já que não havia predadores, e do risco a aviação, elas também estavam transmitindo salmonela. Então, motivos não faltavam para tirar a garça-vaqueira da ilha. Pelo simples fato de ser uma espécie exótica já seria suficiente, fora esses problemas que ela estava causando. Então, uma empresa foi contratada para capturar essas garças-vaqueiras da ilha. Eles já tinham tentando outras técnicas, como captura direta, e não deu certo. A esperança deles veio com a falcoaria [...]. Logo no primeiro mês de trabalho, foram capturadas 170 garças com a falcoaria. Sendo que a população estimada na ilha é de 800 a mil garças-vaqueiras. Em poucos meses, pelo menos 60% das garças-vaqueiras já foram capturadas com o gavião. É um número impressionante, quando a falcoaria foi usada para salvar a biodiversidade de uma ilha” analisa o ornitólogo Wenq, autor do site Aves de Rapina no Brasil.

Educação ambiental

“Durante a semana somos pessoas 'normais'. Logo pela manhã vamos checar as aves, olhamos as fezes, pesamos e separamos os alimentos do dia. No final de semana bem cedo vamos para o campo [...]. Escolas, igrejas associações, geralmente são essas entidades que nos procuram. Não cobramos nada, pedimos para realizarem em nosso nome algum tipo de doação, comida, roupa para qualquer instituição beneficente” comenta João Paulo, membro da BH Hawking Club.

A polêmica da lista PET
No Brasil, não é proibido ter uma ave de rapina. Elas podem ser compradas dos poucos criadores autorizados pelo Ibama. De modo geral, a criação em cativeiro para comercialização é um assunto polêmico entre os ambientalistas. Alguns são categoricamente contra, outros a favor. As diferenças de opinião também refletem na política interna do próprio Ibama, que desde 2008 elabora a “lista PET” de animais silvestres passíveis de serem comercializados.

A lista, que segue a Normativa 169 do Conama, seria originalmente elaborada em um prazo de seis meses, mas até hoje não foi publicada. A polêmica com a lista foi tratada em O Eco, com uma matéria de Jaqueline Ramos.

“Há alguns que acham que a lista deveria ser a mais completa possível, outros que só deveria entrar pouquíssimos animais”, afirma Leo Tatsuji Fukui, um dos fundadores da Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina e criador comercial de aves de rapina.

Fukui tem sua licença de criação desde 2005. É um dos três criadores que abastecem legalmente o mercado de aves de rapina no Brasil. Foi o trabalho na reabilitação das aves que o fez virar um criador profissional. Algumas aves reabilitadas simplesmente não poderiam ser reintroduzidas na natureza, mas eram saudáveis para reprodução em cativeiro. O Ibama autorizou e hoje no criadouro há 16 matrizes, aves criadas para a reprodução. Ele só pode comercializar os filhotes, as matrizes pertencem à União.

A ausência de definição da Lista PET limita a aquisição de outras aves ou a ampliação do negócio. “Há criadouros já montados à espera da autorização do Ibama para começar a funcionar” informa Fukui. O argumento usado pelos criadores é que a falta de definição da lista acaba favorecendo o tráfico de animais silvestres. Outro argumento é o serviço de proteção à biodiversidade que os criadouros profissionais podem fazer, já que são pessoas especializadas em reprodução em cativeiro, conhecimento essencial para a preservação de animais em risco de extinção. Caso alguma ave de rapina entre em extinção, o que não é o caso atual, pelo menos entre as aves comercializadas, esse serviço poderia ser prestado. 

“Muitas vezes o resultado obtido por um criadouro comercial é bem mais relevante que alguns projetos de conservação, que por falta de conhecimento técnico não conseguem obter a reprodução em cativeiro”, argumenta Fukui.

As aves mais comercializadas no país são o gavião-asa-de-telha e o falcão-de-coleira

À espera de uma legislação que regulamente a falcoaria, os falcoeiros seguem trabalhando diariamente com suas aves e cuidando de outras através de convênios com o Ibama ou fazendo controle de pragas tanto em aeroportos quanto em silos de armazenamento de alimentos. Segundo a definição dada em 2010 pela Unesco ao chancelar a atividade como Patrimônio Imaterial da Humanidade, a falcoaria “originalmente uma forma de obtenção de alimentos, é hoje identificada com camaradagem e partilha, em vez de subsistência”.

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