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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Seca já atinge 5 das 10 maiores regiões metropolitanas do país

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/539279-seca-ja-atinge-5-das-10-maiores-regioes-metropolitanas-do-pais


Seca já atinge 5 das 10 maiores regiões metropolitanas do país

Racionamento, problemas de abastecimento ou reservatórios em níveis de alerta já são realidade em cinco das dez maiores regiões metropolitanas do país: as de Belo Horizonte, Campinas, Recife, Rio e São Paulo. Juntas, elas abrigam 48 milhões de pessoas, quase um quarto da população do país.
A reportagem é publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, 25-01-2015.
Na Grande São Paulo, os principais reservatórios se esgotarão em cerca de cinco meses caso seja mantido o ritmo de chuvas e consumo das primeiras três semanas do ano.
Diante da situação, o Estado instituiu uma sobretaxa sobre o aumento de consumo, e o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, admitiu a possibilidade de racionamento "se continuar a não chover nos lugares certos e nas quantidades necessárias".
Na região de Campinas (interior de SP), cinco municípios já fazem racionamento e outros enfrentam cortes de água frequentes desde 2014.
A situação deve se agravar. Nesta semana, a vazão dos reservatórios do sistema Cantareira para a região foi ainda mais reduzida. Empresas de saneamento, indústrias e agricultores terão de reduzir a captação de 20% a 30% quando a vazão dos rios cair.
Em Pernambuco, segundo o governo do Estado, 40% da região metropolitana do Recife enfrenta rodízio no abastecimento de água, incluindo cidades como Olinda, a menos de um mês do Carnaval.
No Rio, o principal reservatório atingiu pela primeira vez o volume morto.
Cidades do interior, por enquanto, são as mais afetadas pela seca, mas já há relatos de problemas na capital fluminense e em municípios na região metropolitana.
Em bairros como Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste carioca, tem havido falta de água pontual, e alguns hotéis e condomínios já contratam caminhões-pipa.
Cedae, a companhia de águas e esgoto do Rio, afirma que nenhum dos bairros da capital tem registrado problemas de abastecimento.
Na Baixada Fluminense, moradores relatam que a frequência com que falta água na região aumentou nos últimos meses do ano passado.
Minas também enfrenta problemas, com reservatórios em nível crítico.
Nesta semana, a companhia de saneamento do Estado pediu economia à população e anunciou que será preciso reduzir o consumo em 30% na região metropolitana para que as torneiras não sequem em quatro meses. Não está descartada sobretaxa sobre aumento de consumo.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Contra a crise hídrica, as cisternas verticais

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http://outraspalavras.net/outrasmidias/destaque-outras-midias/contra-a-crise-hidrica-uma-cisterna-vertical/


Contra a crise hídrica, as cisternas verticais

Cistena-Montagem
Experimento revela: é possível captar e armazenar água das chuvas, dispondo de apenas meio metro quadrado. Sociedade busca alternativas, governo paulista continua omitindo-se
Por QSocial
Um novo sistema vertical de captação e armazenamento de água de chuva foi inaugurado neste mês em uma casa na Lapa, na zona oeste de São Paulo. Ele chega como alternativa a quem quer captar a água da chuva ou de outras fontes, mas não tem espaço para cisternas tradicionais. Modular, ele pode ser adaptado às mais diferentes condições e combinado com outras formas de reuso e tratamento de água.
Cisterna 1 (Large)Inspirado no projeto do arquiteto Mano Mattos, o modelo desenvolvido pelos também arquitetos Uli Zens e João Pedro David, do Incriatório, armazena 320 litros e ocupa menos de meio metro quadrado. A água é captada da calha, passa por um filtro e separa a água inicial e as folhas. “É uma solução de baixo impacto para enfrentar a crise da água e adequada para empresas, casas e prédios”, afirma Zens.
A água captada no sistema terá vários usos: limpar o quintal e as áreas internas da casa e aguar plantas da casa e também da praça localizada em frente, entre outros. O próximo passo será a ampliação do projeto, que permitirá o tratamento da água com o uso de plantas, um processo chamado de biorremediação, ampliando, assim, as possibilidades de uso da água.
Especializado em manejo de água e vegetação, o arquiteto alemão diz que seu “objetivo é trazer mais uma alternativa para quem quer economizar e, principalmente, contribuir para uma nova cultura da água”.  Ele acrescenta que este sistema específico mostra que construções já existentes podem ser adaptadas para enfrentar a falta d’água, que deve se agravar ainda mais.
arte casa
“Nessa casa, fizemos adaptações, como instalar novas calhas e construir um pequeno muro para dar suporte aos tubos. Mas as novas construções já podem incluir essas inovações, que serão cada vez mais necessárias na fase de projeto e, assim, reduzir os custos futuros”, enfatiza o arquiteto.
O sistema, que ganhou régua e boia que marcam a quantidade de água, segue o básico das cisternas já existentes, explica Zens. No projeto, foi usado um filtro importado, canos, tintas especiais, tubos e conexões de PVC, que podem ser encontrados em lojas de materiais de construção.
Cisterna 2 (Large)
Um diferencial  do modelo é que ele pode ser integrado ao estilo da construção.  Um sistema instalado _similar ao da foto_, incluindo projeto, filtro, materiais, mão de obra especializada e garantia, sai em torno de R$ 9.000.
Quem quiser se aventurar sozinho pode seguir o tutorial do especialista Edson Urbano, do Sempre Sustentável. Para orçar o sistema adaptado pelo Incriatório, os e-mails são uli@incriatorio.com e joaopedro@incriatorio.com , e o telefone é 11 2935- 0867.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A sustentabilidade dos mananciais: a ética do uso da água

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/539218-a-sustentabilidade-dos-mananciais-a-etica-do-uso-da-agua


A sustentabilidade dos mananciais: a ética do uso da água

"Sem uma visão sistêmica do ciclo das águas e sem uma ética do uso da água que implique o cuidado dos mananciais, comprometeremos sempre mais o abastecimento humano, a dessedentação dos animais e os demais usos", escreveRoberto Malvezzi, graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo e atuante na CPT, em artigo publicado pelaComissão Pastoral da Terra - CPT, 20-01-2015.
Eis o artigo.
Quando a lei brasileira de recursos hídricos 9.433/97 incorporou em seu texto o uso prioritário da água para consumo humano e a dessedentação dos animais (Art. 10, Inc. III), ela estava assimilando uma escala de valores. Quando falamos em valores - e numa hierarquia de valores -, então estamos falando de ética.
Esses princípios já existiam a partir de uma reflexão global (Princípios de Dublin), quando setores da humanidade deram-se conta que estávamos mergulhando numa crise da água. Ela faz parte de uma crise civilizacional maior, que sobre usa os bens naturais acima do que a natureza pode oferecer, ou num ritmo mais veloz do que ela é capaz de repor. É o que se chama de insustentabilidade.
Mas, há um vácuo na ética da água no Brasil. Não existe na lei brasileira de recursos hídricos nenhum parágrafo que normatize o cuidado com os mananciais, a não ser um princípio geral da referida lei que afirma ser necessária a gestão dos recursos hídricos integrada à gestão ambiental (Art. 30, Inc. III).
Em 2004, quando a Campanha da Fraternidade da CNBB questionou esse vazio, a resposta das autoridades é que essa dimensão estava implícita em outras leis ambientais, sobretudo no Código Florestal. Porém, o Código foi modificado.
Sem a vegetação, a penetração da água que forma os lençóis freáticos se reduz de 60% para 20%. Sabemos que é o rio aéreo da Amazônia que abastece todo sul e sudeste brasileiros, dependendo da evapotranspiração da floresta. Entretanto, quem pretende ter água nessa região, tem que respeitar também os parâmetros ecológicos locais para que ela esteja ao alcance. Logo, a compra de áreas de preservação na Amazônia em troca do desmatamento em nível local não soluciona o problema da recarga dos aquíferos. É preciso preservar a Amazônia e a vegetação local.
Os dois principais programas do governo federal para a água são no sentido de expandir o consumo. O Água para Todosvisa realizar o valor primordial no uso da água que é o abastecimento humano. O Oferta de Água visa expandir seu uso econômico. Temos ainda investimentos pelo PAC em abastecimento humano, com o objetivo de ampliar os serviços de saneamento básico. Entretanto, não temos nenhum programa relevante em termos de proteção dos mananciais.
Sem uma visão sistêmica do ciclo das águas e sem uma ética do uso da água que implique o cuidado dos mananciais, comprometeremos sempre mais o abastecimento humano, a dessedentação dos animais e os demais usos.
O óbvio ulula diante de nossos olhos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Empresa brasileira vai vender garrafa com água retirada do ar da Amazônia por R$ 20

amaz
http://amazonia.org.br/2015/01/empresa-brasileira-vai-vender-garrafa-com-agua-retirada-do-ar-da-amazonia-por-r-20/?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Not%EDcias+da+Amaz%F4nia+-+21+de+janeiro+de+2015


Empresa brasileira vai vender garrafa com água retirada do ar da Amazônia por R$ 20

Empresários vão investir R$ 30 milhões em marca voltada para o mercado europeu; estratégia é lucrar 100 milhões de euros
Empresários esperam lucros de 100 milhões de euros em dez anos
O ‘raio gourmetizador’, como brincam os usuários das redes sociais com a moda de produtos cercados por cuidados mercadológicos – o bom e velho segmento premium – terá a partir de março uma pequena, mas já ilustre participante: uma marca de água mineral retirada não de debaixo da terra, mas da atmosfera da floresta amazônica.
Uma garrafinha da Ô Amazon Air Water, de 250 mls, terá preço sugerido de aproximadamente R$ 20. Ou, para ser preciso, A 6,5. Isso porque 95% da produção terá como destino o mercado europeu, onde será distribuído para 200 pontos de venda de luxo, como o hotel Four Seasons de Lisboa.
Os 5% restantes serão reservadas para o consumidor brasileiro, vendidas em um e-commerce da marca e por uma flagship store, ou loja conceito, prevista para ser anunciada em julho e, certamente, ocupando um endereço chique da cidade de São Paulo, como o Jardim Europa por exemplo.
Um grupo formado por quatro empresários brasileiros é responsável pela ideia. Já experimentados no empreendedorismo, eles aportaram R$ 20 milhões na empresa A2BR, que abriga a marca Ô Amazon. Outros R$ 10 milhões estão previstos para os próximos 12 meses, dinheiro destinado para o início da produção, marcado para a segunda quinzena de março, estratégias de marketing e comunicação, além do subsídio ao mercado na primeira leva a ser exportada. “Nós estamos com uma estratégia de abordagem de mercado onde a gente financia a primeira compra de nosso cliente, porque a gente seleciona quem a gente quer que revenda nosso produto”, conta o sócio Cal Junior, que em dez anos estima um retorno de 100 milhões de euros, em lucros.
Instalados em uma casa com cara de sede de startup na cidade de São Paulo, os quatro empresários, na verdade, mantém um parque fabril de 1,75 milhão metros quadrados às margens do rio Negro, na Amazônia. É lá, no espaço concedido por 30 anos pela prefeitura de Barcelos, que eles instalaram duas máquinas que se parecem com grandes geradores de eletricidade, e que serão responsáveis por condensar a umidade do ar da floresta, fazendo a água passar por filtros e equipamentos de mineralização.
O processo, para que o leitor possa compreender, é similar ao do aparelho de ar-condicionado, que desumidifica o ar e, em seguida, devolve o ar refrigerado, eliminando a água. Nesse caso, como o objetivo não é a climatização do ambiente, e sim gerar água potável, toda o potencial da máquina está voltado para o desempenho de condensação e, posteriores filtragem, mineralização e engarrafamento. Uma simples máquina, feita com exclusividade na China, é capaz de produzir 5 mil litros de água por dia.
“As pessoas nos perguntam qual será o impacto da produção na Amazônia e eu digo que é zero. É como tirar um copo de água de uma piscina olímpica, sendo que durante a noite, a natureza trata de restituir a perda”, afirma Ricardo Rozgrin, sócio e diretor financeiro do negócio. “Um dos nossos sócios, o Paulo Ferreira (filho de Nuno Ferreira, dono da empresa de logística internacional homônima), conheceu a tecnologia em uma transação logística e começamos a estudar esse mercado. No início, a gente queria produzir máquinas e vender no varejo. Só que nosso foco foi redefinido”, lembra Cal Junior, que promete apenas 6 milhões de garrafas por ano. “Vai ser a água de luxo mais exclusiva do mundo.”
Com embalagem de vidro e uma tampa com resina de amido de milho, repleta de sementes, a proposta é que o cliente depois plante a tampa e compartilhe a informação com a marca e demais consumidores por meio de um aplicativo para smartphones. Nosso projeto é totalmente sustentável, da embalagem de vidro à energia elétrica da fábrica, 100% solar”, afirma Cal.
O mercado, por sua vez, parece ter gostado da proposta do quarteto. Tanto que a fábrica que ainda não produziu uma gota de água sequer já é disputada por investidores. Dois gandes grupos de private equity já fizeram propostas pelo controle da empresa, mas foram descartados. Neste momento, entretanto, eles acertam as base de um contrato para ceder 15% da companhia para dois investidores físicos, que pagarão R$ 45 milhões pelas cotas, fazendo da empresa sem faturamento ou produto à venda, um empreendimento orçado na casa dos R$ 300 milhões.
Fonte: O Estado de São Paulo

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Como ter água nas torneiras

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http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed834_como_ter_agua_nas_torneiras



Como ter água nas torneiras

Por Ulisses Capozzoli em 20/01/2015 na edição 834
 
Se o Estado está se revelando incapaz de desempenhar uma de suas funções básicas, a de fornecer com regularidade água potável para a sociedade, e se a mídia tem se mostrado passiva em relação ao descaso, certamente o cidadão deve tomar iniciativas para assegurar o mínimo de bem-estar a que tem direito.
Essa pode ser, agora, a única possibilidade de algum encaminhamento promissor. E a medida mais prática para isso ?? a menos que as chuvas cessem completamente ?? é a construção de reservatórios para estocagem das águas que, ausentes das torneiras, fluem perdidas para o leito de rios, riachos e ribeirões, mas, antes disso, inundam vias públicas e moradias produzindo cenas comparáveis à de um país rural. Ainda que o Brasil tenha concluído, a duras penas, sua urbanização nos anos 1970.
Mas, para substituir mais uma das funções do Estado ? o que já ocorre com parte da segurança pública, assistência social, educação e saúde, entre outras ? o cidadão deve ter direito a um mínimo de ressarcimento, sugestão que pode incomodar administradores públicos ? por aqui quase sempre referidos como “autoridades” ? pelo que pode parecer ousadia despropositada.
A questão, no entanto, é simples e, se tomada em conjunto, pode ao menos amenizar a situação que se encaminha para um ponto crítico, talvez insustentável, por ausência de planejamento, iniciativa responsável e visão de uns poucos palmos além do nariz.
Para ter mais representatividade ? e, neste sentido, estimular a opinião pública ? a ideia de que o Estado deva arcar com parte dos custos de iniciativas de cada cidadão talvez devesse ser encaminhada por uma entidade pública: uma das numerosas ONGs já organizadas para fazer o que não é feito pelo Estado, eventualmente uma entidade de classe de engenheiros, arquitetos, advogados. Ou mesmo jornalistas, entre outras categorias profissionais.
Essa iniciativa poderia reunir principalmente moradores de casas, ainda que não dispense o envolvimento coletivo de moradores de edifícios. Caixas de captação de águas pluviais, com um registro formal ? não necessariamente burocrático, caso contrário não iria funcionar ? deveriam ter sua execução feita a partir de pequenos projetos que, apresentados nas administrações de uma metrópole como São Paulo, renderia, por exemplo, descontos absolutamente procedentes no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Críticos apressados podem disparar que isso não faz sentido, porque o IPTU é cobrado pelas prefeituras enquanto, no caso de São Paulo, é uma empresa mista, a Sabesp, quem deveria assegurar o abastecimento de água.
Nenhum desafio para a capacidade de computação que caracteriza o século 21. As prefeituras comunicariam o Estado de quanto foi o desconto no imposto pela construção das caixas de captação de águas pluviais e o Estado transferiria esse valor aos cofres municipais.
Por que o argumento de que o Estado deve arcar com essas despesas, ao menos em parte, ainda que o justo seja a totalidade?
Impostos não justificados
Por que o Estado recolhe tributos para, entre outras obrigações, assegurar o abastecimento de água potável, mas, como não fez isso, o resultado é a crise das torneiras vazias que deve piorar com o fim das chuvas de verão. Mas também porque a captação de águas fluviais para um uso geral ? reservando-se a água tratada para consumo direto ? vai aliviar a pressão de demanda e, neste sentido, ao menos durante certo tempo, evitar investimentos pesados para captação de água rara e cada vez mais distante.
Parte da opinião pública, em especial a mais engajada do ponto de vista político-partidário, pode argumentar, com a estratégia típica da avestruz, que a falta de água se explica por um fenômeno da Natureza, a estiagem que compromete os reservatórios disponíveis. O argumento da estiagem não deixa de ser verdade, mas não é toda ela e isso é o que distingue radicalmente as coisas em situações como a que estamos vivendo.
É verdade, por exemplo, que as chuvas rarearam em 2014. Mas é verdade também que o processo de aquecimento global com mudanças climáticas em curso deveria ter sido levado em conta pelos administradores públicos. Especialmente o governo de um Estado com a importância estratégica de São Paulo para a economia e desenvolvimento do país.
Há décadas, e relatórios internos da própria Sabesp já preveniam para isso, o abastecimento hídrico de São Paulo é precário e exige medidas corajosas e lúcidas para ser ampliado, de forma a não deixar a população e a atividade econômica reféns de um fenômeno da Natureza.
Ainda não dominamos a Natureza, apesar das previsões temerárias de Francis Bacon, um dos pais da ciência moderna. E, se dominássemos, economistas que assessoram administradores públicos já teriam encontrado uma maneira de nos levar a situações piores que as criadas por fenômenos naturais.
Até onde pôde, o governador de São Paulo rejeitou a dimensão da crise hídrica da cidade de São Paulo e de boa parte do interior do Estado. E quando se referiu ao problema, sempre atribuiu a culpa à intemperança de São Pedro. Foi neste contexto que toda a mídia, em especial os jornais, com a obrigação de investigar questões de relevância social como o abastecimento de água, foi omissa, negligente, acomodada e, neste sentido, conivente com a desconversação do Palácio dos Bandeirantes.
Omissão da imprensa
Duas razões talvez possam explicar ao menos parte desse comportamento: um deles diz respeito à própria desorientação da mídia tradicional, que perdeu o rumo com o impacto/interação/fusão com conteúdos online de natureza apressada e superficial. Neste sentido, um processo que alguém já chamou de “juniorização” da imprensa também dá sua contribuição para piorar o que já estava ruim.
Em parte da imprensa, a arrogância substituiu a competência, a necessidade de investigar antes de opinar sobre tudo, especialmente sobre o que não se conhece o suficiente. Na rede digital a situação é, às vezes, exótica e se expressa, por exemplo, em grafias surpreendentes: a confusão entre sexta, sinônimo de um dia da semana, e cesta, objeto com que se transporta, por exemplo, compras na feira.
Outro calcanhar da mídia, em particular dos jornais, é o envolvimento/comprometimento com disputas político-partidárias de fundo ideológico, intolerante, provinciano e autoritário. Tão mais paroquial quanto mais pretensamente se procura negar.
A tendência nas redações, e já faz algum tempo que isso ocorre, é de ascensão via fidelização, submissão a padrões medíocres, inconsistentes e incompatíveis com o jornalismo de investigação: a reportagem bem feita, a história bem contada, com todos os ângulos possíveis de determinada situação. Com isso o jornalismo que se faz neste momento não apenas cava sob seus próprios pés como dá espaço para que omissões, de todos os tipos, ocorram. Fala-se e escreve-se sobre o óbvio e quando o óbvio já está consumado. Não se investiga, informa, denuncia, critica como forma de evitar o indesejável.
O jornalismo que já praticamos por aqui não existe mais, daí as surpresas com a sucessão de escândalos, omissões, negligências e patifarias de todos os estilos. Entre elas a crise da água e mesmo do fornecimento de energia elétrica.
O jornalismo deixou de ser crítico, analista, previdente, no sentido de se antecipar a certos fatos, e passou a sensacionalista. No caso da água, a situação deve ficar ainda mais difícil do que muita gente de boa fé está disposta a acreditar.
Um encontro, em novembro passado, reunindo 16 cientistas da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp), de que a imprensa sequer tomou conhecimento, produziu um documento perturbador, a “Carta de São Paulo” sobre a crise hídrica do Sudeste. Nessa síntese, pesquisadores de hidrologia e áreas afins expressam o temor de que a estiagem de 2014 pode ser o início de um novo ciclo e não uma ocorrência isolada, um mau humor passageiro de São Pedro, como temos sido convidados a acreditar.
Se for essa a realidade do futuro imediato ? e neste caso ninguém pode garantir tanto o sim quanto o não ? a situação pode ficar dramática o suficiente para produzir mudanças profundas na economia e na vida social do Sudeste, com reflexos em todo o país.
Preocupação estratégica
O que pode ocorrer não é coisa de futurismo, mas uma questão de natureza histórica, que só o tempo pode confirmar. Mas o interessa aqui é que, em termos estratégicos, caso do abastecimento de água, é preciso preparar-se para o pior, como forma de se assegurar o melhor.
E isso simplesmente não foi feito.
Foi neste contexto que o secretário de Recursos Hídricos, porta-voz do governo e otimista inveterado quanto à superação da crise, Mauro Arce, foi substituído, num golpe rápido e sem maiores explicações, por Benedito Braga, ex-presidente da Agência Nacional de Água (Ana) e presidente do Conselho Nacional de Água.
A mudança ocorreu no final do ano, em meio às correrias típicas da data. Um profissional na posição de um amador. E por que isso ocorreu com os fatos já consumados, o que significa dizer, com a crise já completamente instalada. Essa é uma das perguntas que os jornais deveriam ter feito.
Também as mudanças na direção da Sabesp ocorreram sob a pressão de uma tentativa proustiana de recuperar o tempo perdido com denegações de interesse eleitoral. Antes disso prevaleceram as prioridades das eleições de outubro. Ainda que, na Sabesp, a longa história da crise hídrica esteja para ser contada.
Uma edição especial de Scientific American Brasil, relativa à crise da água no Sudeste, nas bancas no final de janeiro com o título de “A Exaustão das Águas”, traz um levantamento amplo e completo dessa situação, a começar pela “Carta de São Paulo”. O que se pode ler ao longo da edição é um conjunto de desconfortos com o presente e de enorme e inédita preocupação com o futuro.
São Paulo deveria, há décadas, ter se preparado para o desafio do abastecimento de água, estimulando a reciclagem ou reúso, sensibilizando a população com campanhas educativas e também aproveitando as águas pluviais, agora a alternativa mais sensata para se amenizar a crise. A não ser, evidentemente, que as chuvas sejam ainda mais raras a partir do fim do verão e por isso insuficientes para recuperação dos reservatórios esvaziados até mesmo do que ficou conhecido como “volume morto”.
Se o pior temor dos cientistas que produziram a “Carta de São Paulo” se confirmar ? a partir de mudanças climáticas por trás do aquecimento global, mas também por destruição da Floresta Amazônica ? teremos um caso em que a realidade supera a ficção.
A destruição da Floresta Amazônica, talvez seja conveniente acrescentar, não é um desses casos de romantismo desarticulado, em que um conjunto disparatado de situações é considerado numa única equação com intenção de corroborar uma hipótese. O conhecimento climatológico disponível é mais que suficiente para explicar a formação de nuvens na Amazônia por efeito direto da floresta. O que ocorre em seguida é que ventos dominantes, confinados pelo paredão dos Andes, transportam essas nuvens até o Sudeste onde elas se precipitam sob a forma de chuva.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), particularmente o biogeoquímico Antonio Nobre, estão convencidos de uma conexão direta entre destruição da floresta e efeito nas chuvas do Sudeste.
Impacto da destruição de florestas
Mas a destruição das florestas é um processo que começou com a chegada de Cabral e seus marujos na costa do que é hoje a Bahia e, desde então, machados e depois motosserras não descansaram um único dia. Por tudo isso, a iniciativa óbvia, prática e preventiva de construção de reservatórios para captação de águas de chuva em todo o Sudeste, em especial na megalópole de São Paulo, é uma iniciativa óbvia e necessária.
E o Estado deve ser moralmente solidário com a população nessa iniciativa. Entre outras razões porque é o responsável legal por uma garantia que não cumpriu e, agora, é tarde demais para isso. A solução são iniciativas de emergência.
O esforço coletivo para aproveitamento das águas das chuvas, além de um ato de racionalidade, é também uma atitude de construção de maior coesão social, inclusive como maneira de enfrentar irresponsabilidades governamentais nas diferentes instâncias: municipal, estadual e também federal. Além disso, o que sobra são as passeatas e os protestos de sempre, que tendem a perder força e representatividade. E isso não apenas no caso da água, porque em relação à energia elétrica, a situação não é muito diferente.
A cada ano, burocraticamente, como se não fôssemos um país majoritariamente tropical, o governo federal decreta o “horário de verão”, com a justificativa de economia de energia. Mas, o sacrifício dos que saem da cama ainda com a noite escura, entre eles trabalhadores que vivem nas periferias e dependem de transportes abarrotados, não se justifica.
Quase sempre, na primeira trovoada, em inúmeros bairros, um transformador explode com a potência de uma banana de dinamite e a energia vai embora. É o que ocorre, por exemplo, no Sumarezinho, bairro paulistano tombado pelo patrimônio histórico, onde as interrupções no fornecimento de energia são, a cada ano, mais frequentes e duradouras. As luzes se apagam e o trabalho que deve ser feito na frente de um computador fica paralisado por horas a fio.
Quem paga por essas perdas? Ninguém paga. Aparentemente, ninguém ter qualquer coisa a ver com isso. Mas, no momento de reajuste de tarifas, uma multidão de interessados se manifesta com voz na mídia.
Exposição de doentes e idosos
Isso sem levar em conta as emergências em hospitais, moradores de edifícios com idade avançada que devem ser transportados de forma improvisada por parentes e vizinhos. Quando não ficam aprisionados em elevadores.
A justificativa de sempre é a queda de árvores. Mas nem sempre isso é real. O que ocorre de fato, em muitos casos, é uma infraestrutura sucateada, incapaz de dar conta do que se espera que possa dar conta.
Uma maneira prática e inteligente de se amenizar a crise de energia que agita os burocratas do governo é estimular a produção doméstica de energia, a partir de placas fotovoltaicas instaladas em residências.
Utopia? Na cidade de Phoenix, no Arizona (EUA), a oferta de energia elétrica produzida em domicílio já abriu uma guerra com as companhias tradicionais de distribuição. Em Phoenix há sobra de energia e os produtores domésticos descarregam o excesso na rede das companhias de distribuição, gerando atritos e insatisfações mútuas.
Por aqui, nem isso ocorre. E não ocorre por falta de iniciativa oficial, no sentido de se obter produção “em domicílio” de energia elétrica. Neste caso, os lobbies de produtoras e distribuidoras de energia não estão nem um pouco interessados em estratégias desse tipo. E os jornais são os veículos de divulgação desses lobbies. Nenhum questionamento, nenhuma postura crítica, nenhuma sugestão de mudança, de inovação ou do que quer que seja para alterar a situação.
Na ausência de reação crítica, o resultado é a construção de seguidas usinas hidrelétricas afetando terras indígenas, áreas de vida animal e vegetal únicas, investimentos pesados com encargos sociais e perturbações como a que ocorre, por exemplo, com a hidrelétrica de Belo Monte, no sul do Pará. Sem falar nos custos extras por acionamento de termelétricas, fontes altamente poluidoras e por isso mesmo indesejáveis de oferta de energia.
Mas nem assim estamos seguros em relação ao abastecimento. O Brasil dispõe do maior estoque de água doce do planeta, algo em torno de 12% e 14% de toda a água da Terra. Mas, com tudo isso, ainda nos ressentimos de água potável e de energia estável.
Um país atrasado, segundo o filósofo da ciência Mario Bunge, é um país de mentalidade atrasada. Se isso de fato for verdade, talvez as mudanças devam começar por cada um. E a construção de reservatórios para águas pluviais, com exigência de contrapartida do governo, poderia ser um primeiro passo.
Leia também
O apagão de São Paulo – Luciano Martins Costa

domingo, 7 de dezembro de 2014

Água: as mineradoras têm (muita) sede

correio
http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10309:meioambiente061214&catid=32:meio-ambiente&Itemid=68

 Água: as mineradoras têm (muita) sede


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ESCRITO POR MYRIAM BAHIA LOPES E BRUNO DE OLIVEIRA BIAZATTI   
SEXTA, 05 DE DEZEMBRO DE 2014


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Como grandes empresas estão desviando recursos hídricos para minerodutos –
sem que a sociedade saiba que são e a quem servem

Os minerodutos, tubulações usadas para o transporte rápido e barato de minérios a longas distâncias, estão se multiplicando em Minas Gerais. A Samarco, que já possui dois minerodutos ativos, que ligam Germano, em Mariana (MG), a Ubu, em Anchieta (ES), projeta construir mais três, ligando Minas Gerais ao litoral.

O sistema dutoviário de transporte opera com um líquido e nos casos citados é a água. Assim, uma discussão imperativa na implementação destas vias de transporte, e que não está recebendo a atenção necessária, é o problema dos possíveis danos ao abastecimento doméstico e o impacto no ecossistema provocados pela drenagem excessiva de água por essas mineradores para abastecer o sistema de dutos. A fim de demonstrar a gravidade dos efeitos a curto e longo prazo, causados pelo transporte de recursos hídricos, passa-se a descrever a desolação do vale do Rio Owens, no estado americano da Califórnia, provocada pelo bombeamento exorbitante pela prefeitura de Los Angeles para abastecer a cidade.

A Devastação do Vale Owens

Los Angeles é hoje, com 3,8 milhões de habitantes, a segunda cidade mais populosa dos Estados Unidos, ficando atrás apenas de Nova York. Desde o início do século XX, tem sofrido um intenso processo de crescimento demográfico: em 1900, a sua população se resumia a 100 mil habitantes. Esse influxo migratório tornou-se um desafio para seus dirigentes políticos, que logo perceberam que a única fonte de água da cidade, o Rio Los Angeles, não seria suficiente.

Diante desse prognóstico, o prefeito Fred Eaton e seu engenheiro-chefe, William Mulholland, construíram e inauguraram (em 1913) um aqueduto ligando Los Angeles ao vale do Rio Owens, a fonte de água mais próxima da cidade, localizado a 386 quilômetros a nordeste. As águas do Rio Owens advinham do constante e anual degelo da Serra Nevada, de forma que dispunha de mais de 4,5 bilhões de metros cúbicos de água, quantidade igual à do lago da Represa Hoover, maior reservatório artificial dos Estados Unidos e o equivalente a 15,5% do volume de água armazenada no lago da Usina de Itaipu, no Brasil. Essa fartura de recursos hídricos e a construção de um sistema de canais de irrigação permitiram o desenvolvimento da agricultura no vale, que passou a ser conhecido nacionalmente como Suíça da Califórnia.

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5/11/1913: Quarenta mil pessoas enfileiram-se às margens do
Aqueduto de Los Angeles, para acompanhar sua inauguração (Foto: Los Angeles Times)

Para conseguir abastecer Los Angeles, cuja população continuava a crescer, e irrigar as terras localizadas em seu entorno, a prefeitura começou a tomar medidas questionáveis. Para garantir o aumento do volume de água no aqueduto, comprou fazendas no vale e companhias que operavam os canais de irrigação. Além de drenar a água superficial, a prefeitura instalou um conjunto de bombas, a fim de extrair as reservas hídricas subterrâneas, o que acarretou em um drástico rebaixamento do nível do lençol freático do vale e forçou os fazendeiros a vender suas terras a preços irrisórios e abandonar a região. Os agricultores que resistiam à pressão construíam, por conta própria, diques e represas em riachos do vale, mas agentes de Los Angeles disfarçados dinamitavam as construções.

Setores da população do vale responderam com fundamentalismo ao assédio da prefeitura. Em 1923, células da Ku Klux Klan surgiram na região e faziam visitas noturnas nas residências de moradores locais que desistiam de lutar contra a Prefeitura, a fim de coagi-los a não cooperar. Finalmente, o extremismo alcançou o ápice em 21 de maio de 1924, quando quarenta homens implantaram três caixas de dinamites no aqueduto e o explodiram. Outros atentados ocorreram entre 1925 e 1927, interrompendo o abastecimento da cidade. Em represália aos ataques, a prefeitura enviou ao vale homens armados com autorização para atirar em qualquer um que se aproximasse do aqueduto.

Em resposta a novos ataques, a prefeitura decidiu, então, agir por outra frente: a financeira. Sabendo que somente bancos locais estavam financiando as atividades econômicas no vale, Los Angeles denunciou-os por certas irregularidades fiscais. Três dias depois, os bancos foram fechados e seus proprietários, os Irmãos Watterson, principais líderes da resistência não-armada no vale, foram julgados e condenados por peculato. Depois desse evento, a resistência no vale desmoronou e as terras foram vendidas à prefeitura. Desta forma, já em maio de 1933, Los Angeles controlava 95% das terras e 85% das propriedades nas cidades no Vale Owens. Com essas medidas, houve um intenso decrescimento populacional na região. Sua base econômica mudou, à força, para turismo e atividades de baixo consumo de água, como pecuária extensiva.

A crise do Vale Owens, conhecida como Guerras Californianas por Água ou simplesmente Guerra Civil Californiana, tornou-se um evento marcante na história dos Estados Unidos. Desde então, a implementação de projetos hídricos é feita sob a ressalva de evitar a repetição desse lamentável episódio.

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Sistema hídrico, sociedade e paisagem

A crise do Vale Owens, nos Estados Unidos, deve ver lida como um momento exemplar de disputa pela água e pela vida. No Brasil, e principalmente em Minas Gerais, a expansão de minerodutos deve ser avaliada de vários ângulos. Apesar de serem uma forma barata de transporte, eles consumem grandes quantidades de água e operam uma intervenção irreversível na cultura e na paisagem local. Cabe às autoridades ponderar sobre a aplicabilidade dos recursos hídricos do Estado, a fim de não prejudicar o uso doméstico, a irrigação que alimenta a agricultura, e desertificar a paisagem.

O processo de privatização promovido pelos governos estaduais tucanos de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente na Sabesp e na Copasa, interfere de forma radical na produção da água para consumo. Essas empresas, em seu “choque de gestão”, irão se pautar pelo ritmo da bolsa de Nova York…, o que implica transferir o capital da empresa para o exterior. Essa mudança produz impactos violentos sobre as companhias, que deixam de ter por alvo o provimento de um serviço fundamental à vida, e passam a visar a especulação financeira.

Em um momento que deveria ser de amplo debate nacional sobre o Código de Mineração, assistimos, dentro de um cenário de seca sem precedentes no Sudeste brasileiro, a construção do mineroduto da Anglo American. A lamentável história do Vale Owens também deve ser vista como um aviso às comunidades localizadas a jusante dos minerodutos. A crise da Califórnia demonstra que, num jogo de poderes entre fortes e fracos, o poderio dos primeiros pode suplantar estes últimos. Caberia ao Estado e à sociedade civil cuidar para que o poder econômico dominante ou justificativas políticas desenvolvimentistas não tenham supremacia sobre direitos individuais ou de comunidades locais.

Os direitos fundamentais, entendidos como sentinelas da justiça, devem ser aplicados como trunfos contra essas decisões majoritárias. Tais direitos não podem ser negligenciados ou sacrificados em prol de interesses econômicos, sendo inadmissível, em nome da conveniência política ou do que seja, deixar de levar tais direitos a sério, como foi feito no episódio do Vale Owens, o que resultou em uma escalada de violência sem precedentes e em intervenção irreversível e drástica na cultura e no ecossistema.

Myriam Bahia Lopes e Bruno de Oliveira Biazatti são jornalistas.
Originalmente publicado em Outras Palavras - http://outraspalavras.net/brasil/agua-as-mineradoras-te-muita-sede/

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