sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Não é só juntar latinhas e separar o lixo

fapemat
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Não é só juntar latinhas e separar o lixo
28/01/2015 17:49
Quanto pesa o seu celular? 100, 150 gramas, talvez menos? Mal o sentimos no bolso. E um notebook? Um tablet? Se comprar uma Smart TV, pode instalá-la sozinho, sem grandes problemas. A tecnologia ficou mais leve e compacta.
 
Agora, imagine juntar mais de 1,3 milhão de toneladas desses aparelhos... Quantos celulares serão necessários? Pois é, essa é a quantidade de lixo eletrônico gerado pelo Brasil em 2012, segundo dados da ONU [Organização das Nações Unidas]. Para 2017, as expectativas são ainda mais alarmantes.
 
Anotou? Então pense nos televisores e monitores antigos, aqueles de tubo. Com as telas novas, quantos equipamentos daqueles não vão para o lixo, e quanto isso deve pesar? A resposta: muito. Talvez até demais, e tudo isso causa problemas, seja na natureza ou na cidade.
 
O professor Einstein Lemos de Aguiar, da UFMT, coordenou a criação de uma máquina que facilita a reciclagem desse lixo. Ela processa placas de circuito. A invenção foi só o primeiro projeto do que viria a se tornar o Núcleo de Gestão do Conhecimento Aplicado à Economia Verde.
 
 
Prof. Einstein participou da criação de um equipamento que recicla lixo eletrônico
[Foto: Daniel Morita]
 
Hoje, o Núcleo, que está finalizando sua criação formal, já tem cinco projetos, todos voltados para a reciclagem com geração de renda. Por isso a economia verde. Ela não só gera dinheiro, mas ajuda a se livrar de um problemão, que são os resíduos.
 
A máquina que processa placas de circuito [RPCI] está em vias de ganhar um ‘cérebro’: oSmartRPCI deve ser a nova versão do equipamento que pode reconhecer diferentes componentes das placas e autocalibrar para fazer tudo de forma mais eficaz. As razões para reciclar as placas são simples: o impacto ambiental que elas causam nos lixões e depósitos e os vários metais que foram usados na sua construção, em especial, o ouro.
 
 
Com uma tonelada de placas recicladas, é possível extrair alguns gramas de ouro. Na palma da mão, não parece muito, mas equivale a alguns milhares de reais. Com um custo aproximado de R$ 500 mil para ser construído, o RPCI pode, facilmente, ser colocado em um caminhão e transportado para maratonas de reciclagem por todo o Estado.
 
Pode não parecer diferente de girar tudo isso num liquidificador potente, mas cortar centenas de placas de circuito em milímetros ou mesmo pó exige lâminas especiais. Além disso, as esteiras, peneiras e outras partes da máquina já separam o metal, deixando-o pronto para ter o ouro retirado.
 
Sabe aquelas lâmpadas queimadas, ou quebradas, que dão um trabalhão para jogar fora? Bom, elas não têm ouro, mas podem ajudar a trazer algum conforto extra para sua casa. Dois trabalhos desenvolvidos pelo Núcleo envolvem usar o vidro de lâmpadas fluorescentes e tubos de televisores antigos para produzir uma tinta especial, reflexiva. O vidro triturado e tratado pode ser incorporado à fórmula da tinta, e depois que está na parede, reflete parte dos raios solares. Que tal pintar sua casa com uma tinta que diminui em até 5°C a temperatura da parede? De quebra, você já se livra das lâmpadas queimadas.
 
Outro projeto do Núcleo é usar as partes plásticas dos aparelhos, com a finalidade de gerar energia para pequenas empresas. Uma vez triturado e processado, o produto nomeadoPetroplástico pode virar combustível para pequenas termoelétricas. 
 
Relação com o mercado
Apesar de estar baseado na UFMT, o Núcleo não restringe suas atividades à Universidade. O professor busca parceiros em outras entidades, como o Senai e demais instituições de ensino superior, desde que possuam parques tecnológicos avançados. Outras parcerias essenciais são com empresas privadas. “As públicas são muito complicadas, muito difíceis. Junto com a iniciativa privada, o cara vai e faz. Pronto, está feito, é muito mais rápido”.
 
Segundo Einstein, o termo Economia Verde se refere a uma atividade econômica, e, portanto, deve gerar renda. Focando em uma pesquisa dentro da Universidade que possa gerar, de fato, benefícios sociais, ambientais e econômicos, ele vê a expansão das parcerias para além dos muros como algo positivo e desejável. Um dos parceiros na produção do RPCI, e que hoje guarda o equipamento, é a Recyclart, de Carlos Israilev.
 
 
À esquerda, Carlos Israilev, um dos parceiros no projeto
[Foto: Daniel Morita]
 
Mesmo adotando parcerias externas, Einstein ainda encontra dificuldades de financiamento. “Mato Grosso é um grande produtor agrícola, o celeiro do país. Isso deveria ser uma mina de ouro. Mas mesmo nas pesquisas que podem beneficiar os agricultores, o investimento em inovação é muito pequeno”, conta ele, criticando a falta de investimentos de vários setores da sociedade na inovação tecnológica.
 
Exceto alguns bolsistas, a equipe do Núcleo muda muito de acordo com a fase de desenvolvimento em ação. Seguindo uma lógica mais próxima do mercado, Einstein altera seu pessoal frequentemente, buscando as pessoas mais adequadas para cada situação momentânea. “Um problema comum é a falta de pessoal qualificado. Se não houvesse a carência, o processo de produção seria mais ágil”. Talvez esse possa ser um caminho para a produção e inovação tecnológica, a expansão das parcerias e procedimentos da academia.
 
Imagem de capa: Página da Recyclart no Facebook
Daniel Morita



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