sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Ambientalistas mandam carta de repúdio ao governo por Agenda Brasil

ihu
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/545717-ambientalistas-mandam-carta-de-repudio-ao-governo-por-agenda-brasil


Ambientalistas mandam carta de repúdio ao governo por Agenda Brasil

Um grupo de ONGs enviou ao governo uma carta de repúdio ao que eles chamam de “pacote de medidas  que aprofunda os retrocessos em questões socioambientais, rifando os direitos territoriais indígenas e a regulação ambiental e colocando o país na contramão das respostas que exige a crise climática.”
Na carta, nove organizações, entre elas GreenpeaceInstituto SocioambientalInstituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e Fundação SOS Mata Atlântica, afirmam que as propostas ignoram eventos como a crise hídrica e energética, “que demandam o aumento da conservação ambiental, e não sua redução”.
A reportagem é de Giovana Girardi,  publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 14-08-2015.
Entre as medidas criticadas pelo grupo estão as que propõem: a revisão do marco jurídico do setor de mineração, como forma de atrair investimentos produtivos; a revisão da legislação de licenciamento de investimentos em zona costeira, áreas naturais protegidas e cidades históricas, como forma de incentivar novos investimentos produtivos; a revisão dos marcos jurídicos que regulam áreas indígenas, como forma de compatibilizá-las com as atividades produtivas; e o estabelecimento de um processo para acelerar o licenciamento ambiental para obras estruturantes do PAC.
Ao final da carta, as organizações “alertam para o risco de as propostas promoverem violência e destruição de patrimônio das populações indígenas e o agravamento de catástrofes ambientais como falta de água, inundações e enchentes e de seus impactos negativos na economia, como redução de produção agrícola e de energia.”
Paulo Barreto, um dos principais pesquisadores do Imazon, disse que o pacote de medidas mantem a velha lógica de opôr ambiente e desenvolvimento. “Ao propor um ‘fast-track’ para o licenciamento ambiental, o projeto coloca o licenciamento como trava ao desenvolvimento. Eu concordo que ele tem de ser mais eficaz mesmo, mas para garantir a proteção. Hoje ele é enrolado, mas no final não garante proteção ao ambiente. Há de fato muitas ineficiências nessa história, mas eles tentam vender a ideia de que simplificar é a solução. Mas só querem acelerar os projetos.”
Evidências científicas
Ele lembrou uma série de pesquisas que foram divulgadas nos últimos anos que mostram a importância de manter áreas protegidas para garantir tanto a segurança hídrica e energética. Um estudo de 2013, por exemplo, mostrou que a capacidade de geração de energia de Belo Monte está diretamente ligada à manutenção de florestas no seu entorno. Quanto mais mata, mais a capacidade de retenção de água no reservatório e, portanto, de produção de eletricidade.
O trabalho analisou que nos níveis atuais de desmatamento, o volume de chuva já é entre 6% e 7% menor do que com a cobertura florestal completa. Já num pior cenário, em que a perda da vegetação volte a crescer e atinja 40% do bioma, em 2050, o volume de chuva reduziria de 11% a 15%, fazendo com que a capacidade de produção de energia da hidrelétrica caia a 25% da capacidade máxima da planta ou a 40% das próprias projeções da usina. Por outro lado, se houvesse uma recuperação de tudo o que já foi desmatado na Amazônia, a produção de Belo Monte chegaria a sua capacidade máxima instalada, de 11,2 mil megawatts.
Outra pesquisa, de 2011, mostra que  80% da energia hidrelétrica do país vem de usinas que têm pelo menos um tributário que passa antes por dentro de uma unidade de conservação. Além disso, mais de um terço da água para consumo humano é diretamente captada nessas áreas protegidas ou em rios que se beneficiam de sua proteção.
“O que surpreende é que nada disso é considerado. O governo continua tratando esses assuntos como sendo de menor importância”, complementa Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental. “Sem contar que hoje as grandes obras de infraestrutura estão totalmente permeadas por processos de corrupção. É um absurdo que se queira facilitar que elas ocorram, diminuindo a regulação.”
Para Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. “não existe compatibilidade nenhuma entre a Agenda Brasil com a agenda de clima”. E critica: “As novas propostas “não ajudam a construir um país melhor, com segurança energética e hídrica, não aumenta a nossa resiliência às mudanças climáticas. O governo ainda não entendeu que desenvolvimento tem de ser o desenvolvimento sustentável”.

terça-feira, 24 de março de 2015

Série revela Amazônia ainda anônima para o Brasil

EM CINCO EPISÓDIOS, É RETRATADA UMA AMAZÔNIA POUCO VISTA, COM IMAGENS INÉDITAS DE GRANDES LAVOURAS, CRIAÇÃO DE GADO E DEVASTAÇÕES ILEGAIS.


O Fantástico deste domingo (22) estreia a série 'Amazônia Sociedade Anônima'. Em cinco episódios, é retratada uma Amazônia pouco vista, com imagens inéditas de grandes lavouras, criação de gado e devastações ilegais. Foram mais de 10 mil quilômetros percorridos por água, terra e ar para revelar uma sociedade que continua anônima para o Brasil.
Cada episódio passeia por um tema, que vai desde a retirada ilegal de madeira, a ampla fronteira agrícola da região, os altos investimentos no setor de energia e minério até a discussão sobre o futuro da maior floresta do mundo.

sábado, 7 de março de 2015

Água: a falência do sistema e o espírito bandeirante

carta maior
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Meio-Ambiente/agua-a-falencia-do-sistema-e-o-espirito-bandeirante/3/33001


Água: a falência do sistema e o espírito bandeirante

As irregularidades são tantas que ninguém sabe quanto de água se retira em São Paulo. E tem gente que ainda acha que o problema é a falta de chuvas...


Najar Tubino
Mídia Ninja / Flickr
Essa discussão, que no Brasil, a mídia chama de crise hídrica, é muito mais complicada e envolve o próprio modelo econômico adotado, além da incompetência local, no caso de São Paulo, com um sistema de gestão pífio e um sistema de fiscalização ridículo. A questão: a chuva não vai resolver o problema, nem do sistema Cantareira, nem Alto Tietê, nem na Bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí, assim como não resolverá a questão dos reservatórios das hidrelétricas. Primeiro ponto: o lago da represa de Ilha Solteira, que é a terceira maior do país – produz 3.444 MW, localizado na fronteira entre SP e MS, está SECO, assim como o da represa de Três Marias.
 
No levantamento do ONS sobre o estado das represas, do dia 2 de março, a média para a região Sudeste e Centro-Oeste era de 20,97% da capacidade. As principais represas estavam na média de 13%, isso inclui a de Furnas. Na região Nordeste a situação é idêntica: Sobradinho estava com 18,21% e Três Marias com 18,36%. As regiões Sul e Norte é que estão em melhores condições- Tucuruí com 40,3% e Passo Real com 43,15%. As chuvas do nordeste estão abaixo da média como era previsto. A seca entra no quarto ano nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Isso na prática é o seguinte: 248 municípios com racionamento de água ou sem fornecimento. O Ceará ainda mantém 176 municípios, de um total de 184, em estado de emergência. Em Pernambuco são 116 dos 173 municípios.
 
Quanta água é captada?
 
Em São Paulo as chuvas foram acima da média em fevereiro, embora o Sistema Cantareira tenha recolhido água apenas para completar o primeiro volume morto – acima de 18% ele completa o segundo volume morto. Mas as previsões de março são de chuvas menos intensas. E, depois, começa o período com menor probabilidade de chover. O Dia 30 de abril é definitivo: o governo estadual vai definir se corta a água de indústrias, agricultores e demais usuários. Antes disso o espírito bandeirante aflorou. É tamanha a quantidade de irregularidades que ocorrem com a captação de água no estado – oficialmente mantém 35,4 mil pontos de captação de água, acrescentando que em 2014 concederam mais 5.471 outorgas. E o Departamento de Água e Energia Elétrica tem 271 técnicos para fiscalizar todo o estado.
 
Não vou tratar da lista dos 500 clientes da Sabesp está em discussão. Vamos ver a situação da Bacia do Alto Tietê, que abastece parte da região metropolitana de SP, incluindo municípios como Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos e parte da zona leste da capital. Municípios como Salesópolis e Mogi das Cruzes concentram o cinturão verde do estado. Qual a situação da agricultura: mais de 80% dos agricultores que captam água para irrigar suas plantações – que são no regime de agronegócio, embora de verduras e legumes – estão irregulares.
 
Quer dizer, ninguém sabe quanto eles captam. Mas eles são a parte menor nesta questão. O Comitê da Bacia do Alto Tietê vai começar a cobrar dos usuários a partir desse ano. Isso já ocorre em outras bacias espalhadas pelo Brasil, desde 2001. O próprio Comitê, que é o responsável – onde participam usuários, sociedade civil e o poder público - definiu pela cobrança em 2012. A questão mais importante é a seguinte: são 2,5 mil usuários que captam água diretamente, envolve desde empresa que vendem água, tipo carro-pipa, hotéis, condomínios e indústrias.
 
Cobrança começa apenas em 2015
 
A Agência Nacional de Água é quem faz o recolhimento desta taxa, cujo objetivo único é investir na recuperação da bacia hidrográfica. No caso dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí – de domínio público federal – a taxa é recolhida desde 2006. Até 2013, a ANA repassou para a Fundação Agências das Bacias do PCJ R$150 milhões. Em todo o país, que inclui rios como São Francisco, Paraíba do Sul e outros, foram recolhidos em 2013 R$234 milhões. São Paulo recebeu R$40 milhões. No Alto Tietê a previsão é que haverá um recolhimento na ordem de R$24 milhões este ano, de empresas como Gerdau, Multipapéis, NGK, Melhoramentos, Kimberly Clark- todas localizadas em Mogi das Cruzes, além da Suzano Papel e Celulose, Clariant e Itaquareia. No Consórcio da Bacia do PCJ participam 43 prefeituras e 27 empresas, entre elas, Petrobras, Unilever, Rhodia, Ypê, responsáveis por 90% do consumo da região.
 
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf diz que 70% das empresas fazem reúso da água. Já o diretor de Meio Ambiente da mesma entidade, Nelson Pereira dos Reis, disse que 60 mil empresas serão atingidas pela falta de água na Grande São Paulo e Campinas, responsáveis por 1,5 milhão de empregos na área industrial. A saída é óbvia: investimentos na abertura de poços artesianos. Em 2012, a Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável apresentou um relatório sobre o setor privado e os recursos renováveis. Em São Paulo, 41,2% da água é usada pela agricultura, 32% para abastecimento público e 26,8% pela indústria.
 
Consumo industrial no meio urbano
 
Citava metas de redução do consumo de água pela indústria e listava os maiores consumidores: alimentos e bebidas, indústria têxtil, mineração, siderurgia, papel e celulose, petróleo e derivados químicos. Uma das integrantes da lista dos clientes da Sabesp que pagam tarifa promocional é a Viscofan, da área de papel e celulose. A produção de papel fino gasta um milhão de litros por tonelada de papel – no caso do sulfite são 700 mil litros por tonelada. Uma indústria têxtil também está na lista: o tingimento de tecido consome 150 mil litros por tonelada e o preparo do linho 40 mil litros. Para fazer polipropileno, base química para milhares de produtos são gastos 230 mil litros por tonelada.
 
Recentemente o prefeito de Campinas insistiu com a Sabesp para fazer um sobrevoo sobre o rio Atibaia porque a diferença no desnível do rio era muito acentuada. Constataram o que todo mundo sabe – furto de água. Agora, numa situação como a atual, chega-se a seguinte conclusão: ninguém sabe quanto de água se retira dos rios, riachos, aquíferos em São Paulo, tal o nível de irregularidades constatadas. Um trecho do documento lançado recentemente na capital paulista pela Aliança pela Água:
 
“- Não existem dados para afirmar que o ciclo de estiagem esteja acabando, a seca pode continuar e até se intensificar ao longo deste ano. Com a falta de água o individualismo e a violência tendem a prevalecer. O vácuo alimenta o alarmismo e o pânico, dificultando ainda mais a garantia dos direitos e a saúde dos cidadãos nesta iminente calamidade. O esforço para enfrentar o colapso deverá ser coletivo e exigirá um longo período de sacrifícios por parte da população. E transparência e diálogo com os diversos setores da sociedade.”
 
Panorama mundial - mais consumo e menos água
 
Qual o panorama no mundo sobre a escassez, desperdício, poluição da água? Em fevereiro a ONU lançou dois relatórios sobre o tema. No primeiro sobre o aumento de 40% no consumo de água até 2030, mas com um adendo importante: a redução na vazão dos principais rios do mundo em 25% - em alguns meses do ano eles não chegarão a sua foz. Mais importante: 48 países deverão ser enquadrados na categoria com escassez ou falta de água no mesmo período, envolvendo uma população de quase três bilhões de pessoas – lógico que Índia e China estão entre eles. Pior: 80% da água no mundo não é coletada, nem tratada. Nos países em desenvolvimento 70% dos resíduos industriais não são tratados. Morrem por ano no mundo 1,5 milhão de crianças menores de cinco anos por doenças decorrentes do suprimento de água contaminada – as chamadas doenças diarréicas.
 
O relatório também cita um fato comprovado desde 1970, em regiões que começaram a enfrentar problemas de seca. O volume de chuvas, desde então, tem diminuído nestas mesmas regiões em pelo menos 20%. A degradação da terra, a desertificação e a seca atingem 1,5 bilhão de pessoas no planeta. Houve uma perda de 24 bilhões de toneladas de solo fértil nos últimos anos, uma área comparada à zona agriculturável dos Estados Unidos. Sem contar que mais de 200 milhões de toneladas de esgotos são jogados em rios, córregos e no mar.
 
Exemplo bandeirante
 
Uma pesquisa realizada pela UNESP em 54 riachos da região de São José do Rio Preto constatou que no período de 2003-2013 em 80% deles houve diminuição do volume de água e perda da qualidade do ambiente por assoreamento e deposição de areia nos leitos. Diz a pesquisadora Lilian Casatti:
 
“- Nós sabíamos que haveria uma perda de qualidade ambiental, mas não imaginávamos que ela seria tão grave em tão pouco tempo”.
 
Na região dos sistemas que abastecem a maior metrópole da América Latina existem dois milhões de construções irregulares e um complexo industrial altamente poluidor e consumidor de água, além de uma população de 25 milhões. O espírito bandeirante busca o milagre na porta do inferno.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Carl Warner’s Whimsical Food Landscapes

brainpickings
http://www.brainpickings.org/2011/11/09/carl-warner-food-landscapes/


Carl Warner’s Whimsical Food Landscapes

by 
What the London skyline has to do with asparagus, rhubarb, and Pink Floyd.
British photographic artist Carl Warner, whom you might recall as one of our favorite architects of edible landscapes, is a master of food and form, crafting astounding fantasy food landscapes that are part Ansel Adams, part Anthony Bourdaine, part your childhood daydreams dreamt from the counter of your grandmother’s kitchen. These miniature vignettes are painstakingly hand-crafted with only minimal Photoshop involvement and exude a kind of vibrant whimsy that stands in stark contrast with the mundane, dully ordinary ingredients Warner uses. Food Landscapes collects Warner’s most magnificent work, alongside detailed production notes and ingredient lists for each scene.
Making landscapes out of food seems like a rather unusual thing to do for a living, and people often ask, ‘What made you start doing this?’ It seems that the burning heart of this question is really the curiosity about what it is that motivates any human being to do something out of the ordinary, and my short answer to this is usually a simple, because I had the idea and I chose to do something about it.” ~ Carl Warner
Salmon Sea
Smoked salmon sea, dark soda bread rocks, sugar and pinto beans sand and pebbles, foreground rocks from new potatoes and parsley; pea pod and bean sprout boat, side of salmon sky
Coconut Haystacks
Parsley trees with horseradish trunks, red cabbage sky, toasted almonds as distant haystacks, and loaves of bread for hills
Chinese Junk
The roster of ingredients includes dried lotus leaves for snails, noodles for the wood floor, physalis lanterns, and the obscure wild green yamakurage for the rope.
And since we’re on the subject of influences today, Warner traces the kernel of his inspiration to the work of Tessa Traeger, a food photographer who in the early 1990s published A Visual Feast, a collection of painterly, two-dimensional pictures composed using food. Warner wondered whether he could take this a step further and create three-dimensional vignettes with food. Then, one day, as he was strolling through the fruit and vegetable market, he noticed the curving trunks and parasol canopies of portobello mushrooms were reminiscent of trees in the African savannah. He quickly grabbed the mushrooms and some grains, and headed back to his studio to create a tabletop scene that would photograph like a larger landscape. The rest was creative history.
Of his start with photography, Warner recounts:
For me, drawing and music were a means of escape into other worlds and alternate realities, and this provided the means to stimulate and exercise the muscles of my imagination. This went on for years, until I discovered photography. I found that I could photograph the real world but make it surreal by the techniques and the processes I was able to use in the camera and in the darkroom. I soon realized that this was a lot quicker than drawing, and I was able to develop ideas and concepts with more ease… At the same time, album cover art was in its heyday, and graphic designers such as Storm Thorgerson of Hipgnosis were creating amazing surreal images for bands like Pink Floyd. I knew that this was what I wanted to do with my life.”
Celery Rain Forest
Canope made of okra with dried chili oarsman, tiny mushroom hat and a cardamom pod; path: pumpkin seeds, sunflower seeds and lentils
Cart & Balloons
Balloons made of red onion, apple, garlic bulb and other fruits; balloon baskets: nuts; hills and fields: bread, cucumber, string beans, green beans, corn, asparagus
Broccoli Forest
Broccoli trees, chopped parsley ground, fresh herb plants, small foreground rocks from Jerusalem artichokes and potatoes, cumin, turmeric and fennel seed pathway, crusty bread rocks, sugar waterfall, cauliflower clouds
London Skyline
Riverbank walls: panini; lamppost: mackerel, asparagus, onion, vanilla pods; London Eye: green beans; courgette, leek, lemon, rhubarb supports; The Dome: green melon.
A pinnacle of finding magic in the mundane, Food Landscapes is an absolute treat and a living manifesto for the power of truly running with the seemingly crazy creative ideas that take hold of your imagination.
Images courtesy of Carl Warner / Abrams Books

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

E da erva se fez a cura

fpemat
http://revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=650


E da erva se fez a cura
26/01/2015 20:18
E se alguém te abordasse agora com um tapinha nas costas e perguntasse: “curte um baseado?”. Como resposta, talvez viesse um “é proibido o uso de qualquer droga no Brasil” ou “consumir maconha faz mal à saúde”. No frigir dos ovos, ou você recusaria, ou toparia, não sem levar em conta um amontoado de ressalvas.
 
Mudemos o cenário: um médico te dá uma prescrição, sugerindo que você passe numa farmácia e compre um remédio, cuja fórmula apresenta um dos 60 compostos ativos da maconha. Que tal? Se ali estivesse a garantia da solução dos seus problemas, você seria um maconheiro com muito orgulho, com muito amor.
 
Pois bem. Não são poucos os pesquisadores da área da Saúde que defendem o uso do canabidiol [CBD] – uma das principais substâncias da maconha – para o combate de algumas doenças graves, como a epilepsia.
 
O canabidiol, em estado líquido, é injetado via oral
[Foto: www.dm.com.br] 
 
No Estado de São Paulo, por exemplo, duas gêmeas nasceram com Síndrome de West[forma de epilepsia severa, de difícil controle]. Com os remédios tradicionais, uma delas chegou a ter 50 convulsões no mesmo dia. Após duas semanas do início do tratamento com o canabidiol, as crises terminaram e não voltaram, ao contrário do que ocorria com o uso de medicamentos convencionais.
 
Porém, a questão ganhou notoriedade com o caso da garota Anny. A criança de cinco anos sofre de Síndrome de Rett CDKL5, anomalia rara que chegou a gerar 60 crises convulsivas em apenas um dia. Quando ainda não existia qualquer tipo de via legal para medicar o canabidiol, os pais chegaram a traficar a substância.
 
O vídeo aborda a luta dos pais da menina Anny para conseguir o canabidiol. O conteúdo foi produzido e veiculado em março de 2014, ou seja, antes da decisão do Cremesp e da Anvisa. 
 
Como o consumo da maconha é proibido no país, o uso para fins medicinais era limitado e burocrático. O interessado precisava encaminhar para a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] a receita e o relatório médico. Depois de autorizada a aquisição, era preciso importar o remédio, que custa cerca de R$ 400 e dura um mês.
 
Para amenizar a demora, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo foi precursor, e elaborou, ainda em 2014, uma resolução que autorizou o uso do canabidiol apenas para formas graves de epilepsia em bebês e crianças. No último dia 14, foi a vez da própriaAnvisa excluir o canabidiol do rol de substâncias proibidas. Agora, ele é considerado um medicamento e pode ser receitado [por neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras] a pacientes de até 18 anos, desde que as formas convencionais de tratamento não apresentem resultados satisfatórios.
 
O Governo Federal já recebeu 374 pedidos, dos quais 336 foram aprovados. Do restante, 20 aguardam o enquadramento às exigências por parte dos interessados e 11 são analisados pela área técnica. Por questões judiciais ou pessoais, sete solicitações foram arquivadas.
 
Um pouco mais sobre o medicamento
Canabidiol, ou CBD, é uma das 60 substâncias ativas presentes na maconha [Cannabis sativa]. Não provoca alteração nos sentidos, nem gera dependência. O outro componente principal da Cannabis é o THC [Tetrahidrocanabinol], responsável pelo efeito inverso e mais agressivo da planta.
 
Em artigo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, edição de maio de 2010, José Alexandre Crippa, Antonio Waldo Zuardi e Jaime Hallak discorrem sobre o comparativo entre CBD e THC. “Um recente estudo (...) com CBD e ∆9-THC confirmou a ideia do potencial antipsicótico do CBD. Neste estudo, os autores verificaram que o ∆9-THC e o CBD apresentaram efeitos opostos na ativação de diversas áreas cerebrais usando diferentes tarefas. Em um segundo experimento, o pré-tratamento com o CBD foi capaz de prevenir a indução aguda de sintomas psicóticos induzidos pelo ∆9-THC. Este resultado é consistente com o achado de que os sujeitos usuários de amostras de cannabis que contêm mais CBD em adição ao ∆9-THC têm menor propensão de apresentar sintomas psicóticos do que aqueles que fumam amostras de cannabis sem CBD”.
 
Foto: www.lersaude.com.br 
 
O CBD apresenta eficiência em pacientes com glaucoma, mal de Parkinson, ansiedade, esquizofrenia e alguns transtornos de sono. Age contra a perda de memória dos pacientes com Alzheimer, atenua a degeneração de neurônios em casos de alcoolismo, inibe metástases em câncer, especialmente o de mama, além de diminuir as náuseas de pacientes em quimioterapia ou em tratamento contra o HIV.
 
Falando especificamente sobre o Parkinson, os três pesquisadores da Universidade de São Paulo [Medicina/Ribeirão Preto] relatam testes feitos com CBD em humanos. “Em um estudo piloto aberto, testamos a administração de CBD em seis pacientes ambulatoriais com o diagnóstico de DP [doença de Parkinson] e com sintomas psicóticos associados por pelo menos três meses. Estes receberam uma dose oral flexível de CBD [começando com 150mg/dia] por quatro semanas, além de suas terapias usuais. Tanto os sintomas psicóticos como motores reduziram significativamente com o tratamento com o CBD e não houve piora dos sintomas cognitivos. Estes resultados preliminares sugerem que o CBD pode ter um efeito benéfico na DP”.
 
Usos e histórias da maconha
Você pode até duvidar, mas o sucesso da viagem de Pedro Álvares Cabral e sua trupe à terra brasilis foi bem sucedida graças à maconha. Sim, porque as potentes caravelas lusitanas levavam carvalho no casco e cânhamo [fibra produzida a partir de planta do gênero cannabis] nas velas, material bem mais resistente que o algodão. Ou seja, Portugal tinha o básico para chegar ao Brasil: visão, grana e... maconha.
 
À época, o cânhamo era matéria-prima para produção cordas, tecidos e papel. Antes disso, os chineses, inventores do papel, utilizavam a fibra, bem como Gutenberg, na hora de imprimir seus livros. Antes da iluminação a gás ou elétrica, o componente que viabilizava energia era o óleo de cânhamo, antecedido pelo óleo de baleia.
 
Fios de cânhamo
[Foto: www.portuguese.alibaba.com] 
 
No entanto, bem antes, a maconha já era tida como matéria-prima. Anterior ao ano 2 mil a.C., algumas culturas orientais já utilizavam a maconha para fins medicinais. Já o viés pecaminoso da planta – e do seu uso –, implementado pela Igreja, data do século XV. Os curandeiros da época, perseguidos em nome do Papa, utilizavam a cannabis como recurso de cura. Era o que a Igreja precisava para decretar a proibição do consumo da planta.
 
Cheguemos aos dias de hoje. Tem-se o hábito de relacionar a Jamaica à maconha. E a analogia não é equivocada [embora as nossas leis e convenções deem, equivocadamente, um tom pejorativo a esse paralelo]: toda a tradição daquele país se deve à Coroa Britânica. Ao levar para a América Central mão-de-obra africana, a ideia era transformar o país em uma imensa área de cultivo para a produção do cânhamo. Isso ocorreu no Brasil também: Portugal sabia que o mercado de tecido era intenso, e o cânhamo apresentava-se como principal matéria-prima. Além disso, os escravos vindos da Angola trouxeram para o país o costume de fumar, convencionando-se a expressão “fumo de Angola”. Em suma, nas lavouras tupiniquins já teve maconha a dar com pau.
 
Mais um uso da planta pode ser identificado em outras duas culturas. Até hoje a maconha é utilizada no costume rastafári, que mescla as tradições judaicas e cristãs, em rituais de limpeza e purificação. Já nos Vedas [reunião dos quatro volumes de textos em versos – hinos e preces], principal livro do hinduísmo, escrito mais de 1500 anos antes da Era Cristão, a cannabis era descrita como o alimento preferido do deus Shiva. Para os indianos, usar maconha era entrar em comunhão com Shiva. Trocando em miúdos, fazer a planta virar fumaça significava estar quite com a divindade.
 
Como se vê, tivemos períodos de uso indiscriminado da maconha, enquanto o momento atual proíbe a sua utilização, pelo menos no Brasil. Ao que parece, uma necessidade medicinal quer botar o assunto em discussão novamente.
 
 
Colaboração: Mariana Mouro, estudante do 2º semestre de Comunicação Social da UFMT/Cuiabá
Imagem de capa: www.brasilpost.com.br
Thiago Cury



Não é só juntar latinhas e separar o lixo

fapemat
http://revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=652


Não é só juntar latinhas e separar o lixo
28/01/2015 17:49
Quanto pesa o seu celular? 100, 150 gramas, talvez menos? Mal o sentimos no bolso. E um notebook? Um tablet? Se comprar uma Smart TV, pode instalá-la sozinho, sem grandes problemas. A tecnologia ficou mais leve e compacta.
 
Agora, imagine juntar mais de 1,3 milhão de toneladas desses aparelhos... Quantos celulares serão necessários? Pois é, essa é a quantidade de lixo eletrônico gerado pelo Brasil em 2012, segundo dados da ONU [Organização das Nações Unidas]. Para 2017, as expectativas são ainda mais alarmantes.
 
Anotou? Então pense nos televisores e monitores antigos, aqueles de tubo. Com as telas novas, quantos equipamentos daqueles não vão para o lixo, e quanto isso deve pesar? A resposta: muito. Talvez até demais, e tudo isso causa problemas, seja na natureza ou na cidade.
 
O professor Einstein Lemos de Aguiar, da UFMT, coordenou a criação de uma máquina que facilita a reciclagem desse lixo. Ela processa placas de circuito. A invenção foi só o primeiro projeto do que viria a se tornar o Núcleo de Gestão do Conhecimento Aplicado à Economia Verde.
 
 
Prof. Einstein participou da criação de um equipamento que recicla lixo eletrônico
[Foto: Daniel Morita]
 
Hoje, o Núcleo, que está finalizando sua criação formal, já tem cinco projetos, todos voltados para a reciclagem com geração de renda. Por isso a economia verde. Ela não só gera dinheiro, mas ajuda a se livrar de um problemão, que são os resíduos.
 
A máquina que processa placas de circuito [RPCI] está em vias de ganhar um ‘cérebro’: oSmartRPCI deve ser a nova versão do equipamento que pode reconhecer diferentes componentes das placas e autocalibrar para fazer tudo de forma mais eficaz. As razões para reciclar as placas são simples: o impacto ambiental que elas causam nos lixões e depósitos e os vários metais que foram usados na sua construção, em especial, o ouro.
 
 
Com uma tonelada de placas recicladas, é possível extrair alguns gramas de ouro. Na palma da mão, não parece muito, mas equivale a alguns milhares de reais. Com um custo aproximado de R$ 500 mil para ser construído, o RPCI pode, facilmente, ser colocado em um caminhão e transportado para maratonas de reciclagem por todo o Estado.
 
Pode não parecer diferente de girar tudo isso num liquidificador potente, mas cortar centenas de placas de circuito em milímetros ou mesmo pó exige lâminas especiais. Além disso, as esteiras, peneiras e outras partes da máquina já separam o metal, deixando-o pronto para ter o ouro retirado.
 
Sabe aquelas lâmpadas queimadas, ou quebradas, que dão um trabalhão para jogar fora? Bom, elas não têm ouro, mas podem ajudar a trazer algum conforto extra para sua casa. Dois trabalhos desenvolvidos pelo Núcleo envolvem usar o vidro de lâmpadas fluorescentes e tubos de televisores antigos para produzir uma tinta especial, reflexiva. O vidro triturado e tratado pode ser incorporado à fórmula da tinta, e depois que está na parede, reflete parte dos raios solares. Que tal pintar sua casa com uma tinta que diminui em até 5°C a temperatura da parede? De quebra, você já se livra das lâmpadas queimadas.
 
Outro projeto do Núcleo é usar as partes plásticas dos aparelhos, com a finalidade de gerar energia para pequenas empresas. Uma vez triturado e processado, o produto nomeadoPetroplástico pode virar combustível para pequenas termoelétricas. 
 
Relação com o mercado
Apesar de estar baseado na UFMT, o Núcleo não restringe suas atividades à Universidade. O professor busca parceiros em outras entidades, como o Senai e demais instituições de ensino superior, desde que possuam parques tecnológicos avançados. Outras parcerias essenciais são com empresas privadas. “As públicas são muito complicadas, muito difíceis. Junto com a iniciativa privada, o cara vai e faz. Pronto, está feito, é muito mais rápido”.
 
Segundo Einstein, o termo Economia Verde se refere a uma atividade econômica, e, portanto, deve gerar renda. Focando em uma pesquisa dentro da Universidade que possa gerar, de fato, benefícios sociais, ambientais e econômicos, ele vê a expansão das parcerias para além dos muros como algo positivo e desejável. Um dos parceiros na produção do RPCI, e que hoje guarda o equipamento, é a Recyclart, de Carlos Israilev.
 
 
À esquerda, Carlos Israilev, um dos parceiros no projeto
[Foto: Daniel Morita]
 
Mesmo adotando parcerias externas, Einstein ainda encontra dificuldades de financiamento. “Mato Grosso é um grande produtor agrícola, o celeiro do país. Isso deveria ser uma mina de ouro. Mas mesmo nas pesquisas que podem beneficiar os agricultores, o investimento em inovação é muito pequeno”, conta ele, criticando a falta de investimentos de vários setores da sociedade na inovação tecnológica.
 
Exceto alguns bolsistas, a equipe do Núcleo muda muito de acordo com a fase de desenvolvimento em ação. Seguindo uma lógica mais próxima do mercado, Einstein altera seu pessoal frequentemente, buscando as pessoas mais adequadas para cada situação momentânea. “Um problema comum é a falta de pessoal qualificado. Se não houvesse a carência, o processo de produção seria mais ágil”. Talvez esse possa ser um caminho para a produção e inovação tecnológica, a expansão das parcerias e procedimentos da academia.
 
Imagem de capa: Página da Recyclart no Facebook
Daniel Morita