sábado, 24 de agosto de 2013

AR - Cuiabá tem hoje a pior situação do país

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Cuiabá tem hoje a pior situação do país 

ALINE CHAGAS
Da Reportagem

Cuiabá é atualmente a cidade com a pior qualidade do ar no Brasil. Os níveis de poluentes na capital de Mato Grosso têm atingido índices críticos durante a época de queimadas, conforme parâmetro previsto em resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), e é pior do que grandes centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro. Isso porque tem entre os poluentes particulados provenientes da queima de biomassa (vegetais) e não da queima de combustíveis fósseis. A análise é do professor da Universidade Federal de Mato Grosso, Paulo Modesto, que estuda a qualidade do ar na Capital há 16 anos.

Segundo Modesto, a queima de biomassa traz para o ar de Cuiabá óxidos metálicos (que contém chumbo, mercúrio e outros metais pesados que se volatilizaram com as queimadas), além de outros poluentes que causam graves impactos à saúde da população. O professor avaliou que a situação da Capital piora porque as correntes de vento trazem a fumaça de outras regiões do Estado e até mesmo de outros estados para cá, e como os particulados de queimadas têm menor dimensão e menor densidade, ficam mais tempo no ar, causando a cortina de fumaça.

O professor da Faculdade de Engenharia Sanitária e Ambiental, doutor em Meio Ambiente e Biologia Aplicada pela Universidade Louvain, da Bélgica, comentou que durante os estudos realizados por ele, o nível de particulados chegou a 500 microgramas em um período de 24 horas, o que supera muito o limite estabelecido pelo Conama.

Todo problema enfrentado por Cuiabá são as queimadas. Segundo o professor, fora do período de queimada, a qualidade do ar em Cuiabá é boa, com exceção de momentos e locais pontuais, como vias públicas com grande tráfego de veículos. Modesto contou que é possível verificar que a qualidade do ar tem piorado na medida em que a fronteira agrícola e pecuária de Mato Grosso vem expandindo.

“O que tem que ser feito agora é pedir uma ajudinha a São Pedro para chover. Não há outra solução imediata. Mas os órgãos ambientais têm que fazer ações preventivas para evitar que essa situação se repita”, alertou.

Apesar dos alertas de especialistas em meio ambiente, da Defesa Civil e de profissionais de saúde, muitas pessoas desafiam a fumaça que se instalou na Capital e continuam os exercícios físicos em horários inadequados. A solução, segundo os adeptos à caminhada, é levar água a tiracolo e reduzir o tempo de atividade. Esse foi o caso das estudantes Rosana Parreira, 18, e Elaine Fernanda, 18. As duas caminhavam quatro vezes na semana, uma hora e meia. Desde que começou o período crítico, as caminhadas caíram para 40 minutos, somente duas vezes por semana. 

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