domingo, 3 de abril de 2011

MAB - RONDÔNIA

MOVIMENTO DOS ATINGIDOS PELA BARRAGEM

Mês de março, acompanhamos a revolta e greve dos operários nas usinas de Jirau e Santo Antônio, localizadas no Rio Madeira, em Rondônia, sob responsabilidade – respectivamente - das empresas Camargo Corrêa e Odebrecht. Varias outras revoltas semelhantes já haviam ocorrido e vêm ocorrendo em varias partes do Brasil.
Nós, do Movimento dos Atingidos por Barragens - MAB, da Plataforma BNDES e da Central Única dos Trabalhadores (CUT-Brasil), tomamos uma iniciativa conjunta com as demais organizações que assinam este documento, de manifestar solidariedade pública à legitima luta dos operários e atingidos destas duas usinas. Também estamos denunciando e reivindicando que o Tribunal Regional do Trabalho de Rondônia reveja sua decisão e cancele imediatamente a multa diária de R$ 50.000 sobre a organização dos operários (STICCERO/CUT) e reconheça a greve dos operários da Usina de Santo Antônio como legítima.
Os operários, assim como a população atingida, estão sendo vítimas de uma brutal exploração e pressão, imposta pelas empresas responsáveis por estas usinas, para acelerar a construção das obras e antecipar o final de sua construção. A grande maioria dos operários recebem salários extremamente baixos e são vítimas de longas jornadas de trabalho, péssimas condições de trabalho e segurança, violência e perseguição,  acordos não cumpridos, transporte de péssima qualidade e ameaças constantes de demissão. Essa tem sido a realidade constante destes trabalhadores e trabalhadoras que, através de suas greves e mobilizações, vêm denunciando e cobrando soluções imediatas.   
No caso da usina de Jirau, havia uma previsão estimada pelas próprias empresas, de antecipação de um ano na sua construção final. Significa que o ritmo de construção e trabalho foi acelerado em torno de 25%, para além da previsão do previsto como “normal” pelas próprias empresas no início da obra. Esta antecipação trará como ‘benefício’ às empresas a diminuição dos custos com os operários em valores próximos a um bilhão de reais e as empresas também ganharão o direito de vender esta energia previamente gerada no mercado livre, que significará  em torno de R$ 190 milhões de faturamento a cada mês de antecipação. E se realmente for construída com um ano de antecedência, significa um faturamentodeR$ 2,4 bilhões,algo próximo ou equivalente a R$ 120 mil/operário. Em troca, os trabalhadores estão recebendo das empresas a superexploração, com baixos salários, jornadas extenuantes, restrição às folgas e péssimas condições de trabalho e o risco de demissão em massa ao final da construção.
Portanto, nos colocamos em total apoio à luta e às reivindicações dos operários e dos atingidos por estas obras e exigimos a imediata solução à seus problemas e reivindicações.
ASSINAM:
  • Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
  • Plataforma BNDES
  • CUT Nacional
  • Conticom/CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira da CUT
  • Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
  • Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST
  • Associação Nacional dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF
  • Movimento de Mulheres Camponesas – MMC
  • Comissão Pastoral da Terra - CPT
  • Conselho Indígena Missionário - CIMI
  • Pastoral da Juventude Rural
  • Centro de Defesa da Criança de do Adolescente Maria dos Anjos
  • Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip)
  • Comitê Nacional de Enfrentamento á Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes
  • Grupo Pesquisador de Educação Ambiental, Comunicação e Arte, GPEA-UFMT
  • Instituto caracol
  • Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental



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